Despedida de Nicko McBrain emociona em encerramento da tour do Iron Maiden

Horas antes do início do último show da The Future Past World Tour, no Allianz Parque, em São Paulo, o Iron Maiden fez um anúncio inesperado sobre a saída do baterista Nicko McBrain após mais de 40 anos na banda. Do início ao fim todos os holofotes estavam nele. Antes de iniciar The Writing on the Wall, terceira canção do set, Bruce Dickinson fez um discurso emocionante para o companheiro de longa jornada. “Esta noite é uma noite muito especial, como alguns de vocês — eu acho que provavelmente todos vocês — sabem, porque esta manhã nós anunciamos — Nicko anunciou que ele está se afastando das atividades de baterista ao vivo do Iron Maiden”, iniciou o vocalista. Logo depois, exaltou as conquistas de McBrain no grupo e deixou claro que a aposentadoria está restrita apenas aos shows. “Por 42 anos Nicko está nesta banda. Ele era baterista antes de eu ser cantor, ele era piloto antes de eu ser piloto. E agora ele não está deixando a banda. Mas ele simplesmente não está mais tocando ao vivo conosco”. Por fim, Dickinson deu a letra de quão especial seria o restante da noite. “Temos muita música para tocar esta noite e eu quero que o resto da noite seja uma celebração de Nicko, uma celebração da alegria que ele trouxe para todos ao redor do mundo, não apenas aqui no Brasil”. De fato, os detalhes foram muito emocionantes. Fosse com Dickinson interagindo com o amigo, os demais integrantes brincando com ele em vários momentos ou o público gritando o nome de Nicko diversas vezes, o que levou o vocalista a perguntar como era a pronúncia dos fãs. De forma sutil, antes de deixar o palco pela última vez, Eddie, o mascote da banda, fez reverências ao músico. Impossível não se emocionar com os detalhes dessa despedida. Da mesma forma, o baterista certamente ficou tocado com os gritos de 45 mil pessoas no Allianz Parque: “ole, ole, ole, ole, Nicko, Nicko”. McBrain estava enfrentando problemas de saúde há algum tempo, incluindo um AVC no ano anterior, o que gerou preocupações sobre seu futuro na música. Além disso, venceu um câncer na laringe em 2020. A Future Past World Tour tem um repertório inalterado com foco nos álbuns Somewhere In Time (1986) e Senjutsu (2021). Dessa forma, o público brasileiro pode ouvir as clássicas Caught Somewhere In Time (ignorada desde 1987), Stranger In A Strange Land (ausente desde 1999), além de  Alexander The Great, que pela primeira vez entrou em uma tour do Maiden. O álbum mais recente do Maiden, Senjutsu, também teve suas estreias, com destaque para Days of Future Past, Death of the Celts, Hell on Earth e The Time Machine, todas já muito bem recebidas após três anos de seu lançamento. E mesmo que boa parte dos fãs já soubesse do repertório decorado e na ordem, alguns se surpreenderam na pista com a ausência de The Number of the Beast. Os mesmos que vibraram com mais entusiasmo em Fear of The Dark e Wasted Years, que encerrou o show. Na saída do palco, mais gritos efusivos para Nicko McBrain. “Nicko, o show é seu. Este é seu palco, esta é sua noite, use o tempo que quiser”, disse Dickinson antes deixar a cena. Nicko nada disse, apenas distribuiu seus acessórios e agradeceu com gestos o apoio vindo da plateia. Memorável! Horas depois, Simon Dawson, integrante do British Lion e ex-The Outfield, foi anunciado como substituto de Nicko. O debute no Brasil deve ocorrer em 2026, pelo menos foi o período que Dickinson prometeu voltar ao país. Vamos aguardar! Antes disso, a banda estreia em 27 de maio a turnê Run for Your Lives, que terá Budapeste, na Hungria, como primeira parada.

Volbeat ganha mais força no Brasil após show com Iron Maiden

Quase sete anos depois de sua estreia no Brasil, a banda dinamarquesa Volbeat retornou ao país como convidada especial dos dois shows finais da The Future Past World Tour, que o Iron Maiden fez no Allianz Parque, em São Paulo.  No sábado (7), o Volbeat passou quase uma hora debaixo de chuva, mas não esfriou em nada a apresentação. Aliás, conseguiu um grande apoio dos fãs do Iron Maiden, mesmo que o som não seja muito parecido. A entrada dos integrantes ao som de Born to Raise Hell, do Motörhead, ajudou bastante no reconhecimento do público. O vocalista e guitarrista, Michael Poulsen, também teve muito mérito na boa recepção dos fãs. Conversou bastante com o público e comandou movimentos coreografados nas músicas. O set teve grande foco no álbum Seal the Deal & Let’s Boogie, de 2016, o maior sucesso comercial da banda. O Volbeat tocou os quatro singles do disco: The Devil’s Bleeding Crown, Black Rose, Seal the Deal e For Evigt. Antes de Sad Man’s Tongue, Poulsen falou da influência de Johnny Cash na faixa, algo muito perceptível, principalmente no início da faixa. Dead But Rising foi a única novidade no set na comparação com o show de sexta-feira. A música entrou no lugar de Shotgun Blues. Na reta final, com o público já na mão, Poulsen pediu apoio das luzes de celulares na balada For Evigt. Foi prontamente atendido. Still Counting, que já fecha os shows do Volbeat há anos, encerrou a apresentação, que deixou um gostinho de quero mais. Tomara que a banda retorne o quanto antes para um show solo. Queridinha dos festivais de verão na Europa, a Volbeat tem muito mais discografia para gastar por aqui.

Pela nona vez no Brasil, Franz Ferdinand entrega show fresco e dançante

Em uma noite repleta de surpresas, a banda escocesa Franz Ferdinand entregou um show incrível no Popload Gig #66, que rolou no Tokio Marine Hall, em São Paulo, na última quinta-feira (14). Em sua nona passagem pelo Brasil, a primeira em seis anos, Alex Kapranos e companhia apresentaram um repertório forte, repleto de hits, mas também com sete músicas de The Human Fear, álbum que será lançado em janeiro. Mas antes de seguir falando sobre o show do Franz Ferdinand, preciso destacar as duas grandes surpresas que rolaram minutos mais cedo. A primeira surpresa foi a inclusão do músico Tom Ribeira no lineup da noite. O artista de Botucatu, considerado uma das maiores revelações da Nova MPB, mostrou muita desenvoltura com suas histórias e canções bem pessoais. Em quase 30 minutos de show, ele falou sobre o período em que morou na França, da criação de algumas faixas, além do convite para o show de abertura do Franz Ferdinand, que partiu de Alex Kapranos, o anfitrião da noite. Aliás, ele viu Tom de pertinho, registrando vídeos do show do músico paulista. Durante a apresentação, Tom Ribeira ainda prestou duas bonitas homenagens à Rita Lee e Martinho da Vila, entregando duas versões bem originais. Logo depois que Tom Ribeira deixou o palco, o telão da casa exibiu um vídeo incrível para anunciar o retorno do Popload Festival. O evento vai rolar em 31 de maio de 2025. Franz Ferdinand Com o público aquecido e com o coração quente após o anúncio do Popload Festival, a banda escocesa subiu ao palco a mil por hora. The Dark of the Matinée e No You Girls logo de cara bastaram para transformar o Tokio Marine Hall na pista de dança mais animada da Capital na véspera de feriado. Na sequência, Alex Kapranos, que usou e abusou das coreografias desengonçadas ao longo da noite, passou a equilibrar o set, promovendo estreias de The Human Fear. A primeira foi Night or Day. Depois vieram mais seis. Apesar da boa recepção do público com as músicas inéditas, os fãs foram ao delírio mesmo com a nostalgia. O álbum homônimo, de 2004, que está completando 20 anos, teve seis canções tocadas, inclusive os cinco singles. You Could Have It So Much Better, o segundo trabalho do Franz Ferdinand, também foi muito bem representado. Foram quatro canções, incluindo o super hit Do You Want To. Foram 22 músicas em quase 1h40 de show. E o Franz Ferdinand deixou claro que pode renovar o repertório sempre que o show sempre vai parecer fresco. Ninguém vai reclamar se eles voltarem anualmente, como no início da carreira. Edit this setlist | More Franz Ferdinand setlists

Songs of a Lost World e a “dança cansada com a idade e a resignação”

Mesmo com o reconhecimento midiático e com uma forte inclinação a produzir, sob encomenda, hits radiofônicos e singles cantarolantes para serem tocados à exaustão em shows de porte mundial, nunca faltou para o The Cure, enquanto banda, e para Robert Smith, enquanto artista, o elemento principal para atingir o ápice de uma condição de melancolia: a angústia. Não é diferente em Songs of a Lost World, o novo álbum da banda (leia mais abaixo). Os rapazes britânicos, que começaram como um trio de amigos de acordes tímidos no final dos anos 70, nunca foram muito de se acomodar, tanto no som quanto na forma dos integrantes. Quase sempre maquiados, com cabelos desgrenhados, subiam nos palcos com uma variedade de estilos que sempre se sobressaiu, alternando entre o post-punk frio e calculista de álbuns como Seventeen Seconds, Faith e, principalmente, Pornography, com a sonoridade diametralmente oposta de quem queria abraçar todos os sentimentos do mundo, ao invés de se livrar deles, e escalar o topo mais alto da montanha, um sentimento que prevalece por parte de Kiss Me Kiss Me Kiss Me e Wish. A convivência direta desses dois estados de espírito destoantes não demoraria a ditar o ritmo e compor a energia dos sons da banda. Apesar de ter tido inúmeras variações de formação, a mais icônica e mais lembrada entre os fãs de longa data pode ser conferida no filme-concerto chamado The Cure in Orange, dirigido por um colaborador da banda, Tim Pope, em 1987, em um raro registro com Smith e seus cabelos curtos (ele entra com peruca no palco, não poderia ser diferente) e as presenças agregadoras de Lou Tolhurst no teclado e Pearl Thompson tocando uma série de instrumentos. Simon Gallup, baixista quase totalmente fiel, e Boris Williams, na bateria, completavam os sonhos mais perfeitos de fãs, antigos e novos. Aos poucos, mais precisamente em 1989, com o lançamento do álbum Disintegration, o vocal foi sendo suprimido pela longa duração e a atenção dada à manifestação instrumental, que compunha quase um registro de cinema, em que Smith mesclava poesia com falas sussurradas, em um mundo de fantasia e abstração povoado por emoções dolorosamente reais, de uma banda de música. A banda possuía, agora, Roger O’ Donnell, um membro que passou a integrar constantemente as formações bagunçadas e desorientadas do Cure, no teclado. Nesse álbum, Smith se expressava com tanto pesar que era possível deduzir que o vocalista não queria incomodar o ouvinte com suas lamentações. O som de cada instrumento passou, então, a oferecer um tipo de abrigo ao ouvinte que o líder da banda se sentia frágil demais para cultivar. A faixa de abertura desse álbum se chama Plainsong, e inaugurou uma “onda” (que está presente no mais último lançamento deles) de canções expansivas, densas e exigentes com nome genérico. Talvez seja difícil mesmo descrever de um jeito eloquente algo que mexe tanto conosco. Songs of a Lost World e a “dança cansada com a idade e a resignação” Dezesseis anos de espera podem fazer você desistir por completo de uma pessoa, um objeto ou uma lembrança que você quer manter por perto. O tempo não é muito gentil com as nossas expectativas, mas, às vezes, não importa os quão pessimistas nós sejamos, alguém está se movendo invisivelmente e tornando um sonho possível, mesmo que publicamente essa pessoa faça joguinho e negue veementemente tudo o que é perguntado, ou, quando se cansa de negar, mente, fala coisas sem a menor noção de se comprometer, ou então sem sentido algum. Desde que lançou seu esquecível 4:13 Dream, em 2008, Smith vinha brincando e, claramente, se divertido (ainda que tenha sentido culpa em ter sido relativamente desonesto, segundo ele mesmo) em aproveitar aparições públicas para criar um grande mistério em torno da concepção de um álbum que, independentemente de suas falas, já estava sendo formado ao vivo, sob os olhos do público, em shows, com seis canções novas que foram sendo concebidas para todos verem e ouvirem, por diversas vezes, entre 2018 e 2022. Era uma situação curiosa, porque todos queriam se apegar ao momento, mas o momento era negado ou constantemente adiado. O que era o momento, nesse caso? Se o tempo foi uma constante na concepção de Songs of a Lost World, que inicialmente parecia ser uma continuação do disco de 2008, parecia um pouco óbvio que, tematicamente, o disco poderia falar sobre a passagem das estações, da resiliência e sabedoria que vem com a espera. Sua gestação foi fruto da contemplação do trabalho de Smith e companhia, que demorou a ser feito e teve tempo o suficiente para ser modelado exatamente como seus integrantes queriam, o que talvez seja um grande privilégio, um alento aos fãs que viram os shows e se mobilizaram para a conclusão do disco e o consequente trabalho de divulgação como nos velhos tempos pré-Spotify, e também foi um reflexo de tempos pandêmicos, conforme Smith disse em entrevista às mídias oficiais da banda. O vocalista perdeu o pai, a mãe e o irmão em um curto espaço de tempo. O luto e o pesar, apesar de existirem em Disintegration, Pornography e até no relativamente subestimado Bloodflowers, de 2000, nunca foram a razão de ser de um disco. O sofrimento não era palpável apenas no jeito de cantar ou no sentido de vestir a roupa do que você está sentindo. Na verdade, aqui, o sofrimento é um componente de algo muito maior. Para a faixa de abertura, a já ensaiada, tocada e premeditada Alone, Smith disse que, assim que eles tocaram ao vivo e gravaram em estúdio, soube que seria a primeira música e o single principal do disco. Segundo ele, se você sabe como começa e termina um álbum, o restante do trabalho está basicamente encaminhado, porque achar o que preencher dali em diante é meramente instintivo. Os primeiros versos da letra (“This is the end of every song we sing”) foram diretamente tirados de um poema do poeta inglês Ernest Dowson, Dregs. Apesar das referências e individualidades do

Dinosaur Jr mata a saudade dos fãs com show impecável em SP

Dinosaur Jr. certamente era a banda mais esperada da edição 2024 do Balaclava Fest, que rolou em São Paulo, no último domingo (10). As camisas da banda eram a vestimenta oficial no Tokio Marine Hall, usadas por fãs que esperavam, há anos, por uma nova oportunidade de ver o trio lendário do rock alternativo norte-americano. O Dinosaur Jr nunca esteve entre os mais famosos nomes do rock mainstream, mas o gênero sempre foi eficiente em tornar cult e sagrado vários nomes menos badalados. E é nesse grupo especial que se encontra a banda composta por J Mascis, Lou Barlow e Emmett Murph. Majoritariamente um público um pouco mais velho dominou a pista do Tokio Marine, após os mais jovens curtirem os sons indies e contemporâneos da tarde do festival. Após uma espera sem atrasos, os caras entraram no palco, em um momento meio anti climático: foram necessários alguns segundos para Mascis afinar a guitarra ao seu modo, antes de tocar a primeira nota da música de abertura, The Lung. Cercado por um paredão de amplificadores Marshall, Mascis, de poucas palavras, não economizou nos efeitos de pedais e distorções do seu instrumento. Para dar ainda mais peso, Barlow, selvagem em seu baixo e Murph, incansável na bateria, criaram uma verdadeira onda sonora, um pouco estourada pelo sistema de som do casa, que embolou o que era produzido pela banda no palco. Nada que tenha desanimado o público, que estava ali justamente pelo peso, a distorção e o virtuosismo dos dinossauros do rock alternativo. Seguiram-se In The Jar e Garden, tão celebradas quanto a abertura. Até a curiosa pausa e retomada em Out There — interrompida porque, segundo Lou, a banda estava sem dormir há dois dias — foi celebrada pelos fãs. Teve espaço até para o cover de Just Like Heaven, do The Cure, gravado pela banda no álbum You’re Living All Over Me, de 1987. E claro, as esperadas Feel the Pain e Gargoyle. Foram 18 músicas bem escolhidas, de uma extensa coleção de músicas. Aliás, alguns devem ter sentido falta de clássicos como Raisans. Mas com 40 anos de história, escolhas são inevitáveis — e a seleção final capturou bem a carreira da banda. A noite e o encerramento do Balaclava Fest proporcionaram uma verdadeira imersão no rock alternativo dos anos 1980. Riffs e solos de guitarra criativos, intensificados por efeitos como o Wah-Wah, acompanhavam a distorção visceral característica do gênero. A cozinha soava firme e despretensiosa, como se a banda ainda estivesse nos seus primeiros anos. Um público entregue, revivendo até o esquecido crowdsurfing. Alguns exageros, como o som alto e até mesmo um fã invadindo um palco. E claro, a alegria de todos os que se permitiram viver um show do Dinosaur Jr. Edit this setlist | More Dinosaur Jr. setlists

Water From Your Eyes traz novas nuances para o palco do Balaclava Fest

Water From Your Eyes, uma das atrações do Balaclava Fest 2024, lançou, em 2023, um dos discos mais celebrados pela crítica musical alternativa. O Everyone’s Crushed tem pouco mais de 30 minutos de duração, divididos em nove faixas de um indie pop com riffs de guitarras repetidos, que dão uma textura excêntrica ao som da dupla Nate Amos (guitarra e produção) e Rachel Brown (vocais). Em turnê, porém, eles contam ainda com o auxílio de Bailey Wollowitz na bateria e Al Nardo criando outra camada de guitarra. Justamente esse essa encorpada no som trouxe ainda mais ritmo e nuances para a apresentação em São Paulo. Destinado ao pequeno Palco Hall, atraindo um número modesto de público (que já partia para o palco principal, onde iria se apresentar o headliner Dinosaur Jr.), a banda criou um clima de boate indie moderna. Alguns dos presentes dançavam embalados pelos sons repetidos e marcados da guitarra de Amos. Outros, porém, pareciam mais hipnotizados pelo canto melancólico e pelas guitarras distorcidas de Nardo e Amos, que revezavam nos improvisos, enquanto o baterista Wollowitz marcava o tempo como um competente baterista de rock. A iluminação, com uma tendência ao vermelho, e o palco improvisado próximo ao público, ajudaram a tornar o ambiente propício para que músicas como Barley, criassem uma experiência envolvente. Qualquer grito ou reação do público era notado por Brown, que chegou a conversar com a plateia em vários momentos. Apesar de elogiada pela crítica especializada, a Water From Your Eyes ainda é conhecida por poucos no Brasil, mas fez uma importante carta de apresentação em um show onde o intimista e o enérgico se confundiram, mas sempre encontram ouvidos prontos para apreciar a arte ora rock, ora pop, da banda.

BadBadNotGood explora influência brasileira em show memorável

Os canadenses do BadBadNotGood devem se sentir bem confortáveis em terras brasileiras. O prolífico grupo foi uma das atrações do Balaclava Fest, no último domingo (10), em São Paulo, e coleciona referências e parcerias com o Brasil. A banda, que já tinha se apresentado por aqui em outras ocasiões, tem no histórico parcerias com o lendário maestro, compositor e arranjador Arthur Verocai e, mais recentemente, com o cantor Tim Bernardes. Em seu som, nunca escondeu a admiração pela riqueza dos ritmos brasileiros e recentemente vem incorporando-os mais ainda em suas composições. O “BadBad”, como muitos chamavam a banda no Balaclava Fest, trouxe ao público faixas de seu mais recente álbum, Mid Spiral, lançado neste ano. Disco esse, que é tão inspirado por essas experiências brasileiras que possui até mesmo algumas faixas com títulos em português. O som da banda é tão plural que talvez faça da banda o melhor representante do espírito do lineup do Balaclava Fest: diversidade sonora. Apesar da diferença de estilos, que vão do rock mais pesado do Dinosaur Jr. até os toques sintéticos de Nabihah Iqbal, existe uma harmonia na escalação de atrações, que uniu artistas contemporâneos, em alta no mundo do música, e aclamados veteranos. No BadBadNotGood, essa diversidade sonora está na mistura de gêneros que a banda traz através do jazz. Seja nos shows, seja nos seus álbuns, é sempre uma surpresa ouvir a banda, pois a mesma é inquieta e vive explorando novas possibilidades. O hip hop, o indie rock, o psicodelismo, o fusion… tudo entra no pacote. Conduzidos pelo baterista Alexander Sowinski, que conversou bastante com o público durante a apresentação, a banda conseguiu fazer o público pular, bater palmas e dançar com jazz. Ao mistura-lo com ritmos latinos ou com jams barulhentas, o som do BadBad cativou mesmo aqueles que não são assíduos ouvintes do gênero associado a nomes como Miles Davis e Charlie Parker. Mesmo em momentos mais minimalistas, como quando o saxofone melancólico de Leland Whitty soou sozinho, Sowinski conseguiu envolver o público, pedindo a todos que levantassem as mãos e acompanhassem o movimento das águas, simbolicamente representado pelo som do instrumento. Em um palco propositalmente escuro, com um sexteto de instrumentistas sem vocalista, o BadBadNotGood fez a pura mágica da música acontecer. Pelo intenso coro de vozes e aplausos ao final da apresentação, pedindo um bis, ficou claro que agradaram bastante.