Dead Fish revela inéditas na versão deluxe de “Labirinto da Memória”

Às vezes, o que fica de fora da tracklist final de um disco é tão urgente quanto o que entra. Quase dois anos após apresentar o álbum Labirinto da Memória (2024), o Dead Fish decidiu abrir os arquivos daquela sessão de gravação. A banda capixaba disponibilizou nas plataformas de streaming a edição deluxe do trabalho, via gravadora Deck. O projeto expandido vai além de uma simples reedição: ele traz duas faixas inéditas, Entre o Fim e o Começo e Orbitando, além de quatro registros captados ao vivo. “Tragicamente atual para 2026” Produzidas por Rafael Ramos e Ricardo Mastria, as canções inéditas mantêm a pegada hardcore melódica que marcou o disco original. Segundo a banda, elas só ficaram de fora em 2024 por questões de fluxo narrativo do álbum. O vocalista Rodrigo Lima comenta que a faixa “Entre o Fim e o Começo” reflete sobre o esgotamento de recursos e a apropriação egoísta do conhecimento: “Entre o Fim e o Começo ficou pronta no fim das gravações e preferimos deixá-la de fora. Eu, pessoalmente, gosto bastante da letra e da música, é uma letra tragicamente atual para 2026”. Já sobre Orbitando, Lima explica que a música “bateu na trave”. “Ficou pronta antes de muitas que entraram. Gosto de tudo nela… mas acabou não encaixando no flow do álbum. É uma música muito forte, que ficou sem lugar”. Registro dos palcos de Labirinto da Memória Para completar o pacote, a edição deluxe inclui a energia da turnê que rodou o Brasil nos últimos dois anos. As faixas escolhidas para as versões ao vivo foram:
Entrevista | Rodrigo Lima (Dead Fish) – “Tocar para a garotada pop é um desafio bom. Não me intimida”

Em turnê celebrando 34 anos de história, o Dead Fish foi escolhido como headliner do maior festival da cena hardcore do país: o Arena Hardcore. São sete bandas renomadas do cenário nacional se apresentando em três cidades. Após o sucesso da edição de Santos, realizada no último dia 13 de abril, a trilogia terá Piracicaba (1 de junho) e Guarulhos (17 de agosto) com o mesmo line-up. “Serão somente estas três edições com as mesmas bandas”, afirma Daniel Azevedo, organizador do evento. Mas quem vê o Dead Fish como banda principal em meio a moshes e stage dives, nem imagina que a banda se apresentou no Lollapalooza para uma plateia que não os conhecia. Abrindo o palco principal do primeiro dia do evento, o público era formado por adolescentes que guardavam um local para o show de Olivia Rodrigo. Em entrevista ao blognroll, logo após seu show no Arena Hardcore, Rodrigo Lima conta como foi essa experiência inusitada, além de relatar seu primeiro contato com o Lollapalooza e escolher o melhor álbum da história do Dead Fish. Confira a entrevista completa com Rodrigo Lima abaixo. Como foi para você tocar para uma plateia jovem fã de pop music? Dead Fish no Lollapalooza 2025. Foto por Hyndara Freitas Cara, eu gosto. Me sinto desafiado. Tocar para os Black Metal ou para a garotada do pop é um desafio bom. Não me intimida em momento nenhum. É até divertido, mesmo que eu seja vaiado ou que joguem alguma coisa em mim. Essas coisas podem acontecer e é tão divertido quanto. Eu não tenho mais medo, mas a gente tem que ser respeitoso com as plateias que estão na nossa frente. Não que eu seja uma pessoa super respeitosa, às vezes sou mais provocador do que respeitoso. Mas, na minha visão, se eu estou provocando é porque eu estou me importando com eles. E eu gostei das crianças, achei eles fofos, divertidos e muito educados. Alguns ficaram com cara de tédio, outros ficaram curiosos. Ali era um corpo de 52 anos e eles estavam lá para ver uma menina de 22 anos. Eu adorei a estrutura do Lollapalooza, eu nunca tinha ido. Só achei tudo muito longe e molhado por causa da chuva, mas gostei muito do festival. Depois de andar um pouco, eu vi uma banda de jazz que me teletransportou para a única parte boa do Texas. Parecia que eu estava assistindo Frank Zappa. Lógico, o evento tem essa coisa de marcas, logos e consumo dessa geração que está há 30 anos vivendo esse liberalismo louco e intenso. Mas eu adorei, gostei muito mesmo. A Seven está organizando a turnê de 34 anos do Dead Fish e eu queria fazer um jogo rápido para saber qual o melhor álbum da banda nessas mais de três décadas de história. Vou falar dois álbuns e você escolhe um para prosseguir. Começando: Ponto Cego ou Labirintos da Memória? Ponto Cego Ponto Cego ou Contra Todos? Ponto Cego Ponto Cego ou Zero e Um? Zero e Um Zero e Um ou Sonho Médio? São os meus dois preferidos. Por uma questão história, Zero e Um. Mas, por uma questão local, Sonho Médio.
Ack lança EP com participação de Rodrigo Lima do Dead Fish; ouça Aurora
Treva lança Renasce em Dor, com feat de Rodrigo Lima (Dead Fish)

Como um canto em homenagem a todos e todas de pele preta, Renasce em Dor é a nova música que o quarteto Treva lança no streaming e em videoclipe, com participação nos vocais de Rodrigo Lima (Dead Fish) e Julie Xavier. O single é mais um lançamento da banda via El Rocha Records, com distribuição digital da Altafonte Brasil. Renasce em Dor é a segunda música do Treva, que sucede a potente Onde Morre o Sol. O guitarrista e vocalista Felipe Ribeiro fala da força e representatividade deste single. “Fala de perseverança. Mesmo contra todas as adversidades e séculos de opressão, pessoas pretas fizeram das suas histórias de vida verdadeiras biografias de resistência e luta em busca de uma sociedade mais justa e uma realidade mais amena”. A música emana, por meio de um rock mais visceral e direto, o espírito da musica preta que surge da dor nos campos de trabalho escravo ou nas rodas de samba dos antigos centros urbanos, que atenuam o sofrimento e trazem esperança por dias melhores. “Aquela que faz renascer da dor a força que nos mantém firmes e em movimento. O som que vem da alma. Que alimenta os sonhos e a luta que nos mantém vivos”, completa Ribeiro. Mas ‘Renasce em Dor’ também é curativa, uma forma do Treva mostrar como a música é um mecanismo social para seguir em frente, encarar os problemas. “Sempre que nos escravizaram, sempre que nos massacram, sempre que nos oprimiram, toda vez que nos mataram, e foram muitas vezes na história; Renascemos. E todas as vezes que renascemos, a música estava presente contando as nossas histórias ou amenizando as nossas dores”, contextualiza o vocal/guitarrista do Treva. Rodrigo e Julie, como convidados nos vocais ao lado de Ribeiro, reforçam o caráter especial de Renasce em Dor. “Uma das ideias que eu sempre tive desde que montamos a banda é sempre manter as pessoas queridas próximas”, conta Ribeiro. “A Julie Xavier é uma amiga de longa data e uma artista talentosíssima. Ela sempre me falava sobre eu voltar a fazer música. Me incentivou muito!”. O vocalista do Dead Fish é também amigo de longa data do pessoal do Treva. “Senti na hora que o Rodrigo tinha que fazer parte dela. Ela tem um sentimento que eu queria que o Rodrigo fizesse parte. Falei isso para ele e ele aceitou na hora!”
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