Retrogram abre nova fase da carreira da Kosmovoid

A banda santista de música instrumental experimental Kosmovoid prepara um novo álbum de estúdio. Aliás, o primeiro single de Space Demon, sucessor dos discos Escapismo (2020) e Crisálida (2020), já está disponível no streaming. A canção se chama Retrogram. “Essa é uma faixa que foi inspirada no filme de ficção científica Logan’s Run (1976), que retrata a história de um futuro distópico em que a humanidade vive em domas, dominada por um computador em todos os aspectos da vida. A fim de controlar os recursos e evitar a superpopulação, todo cidadão deve passar por um renascimento ao atingir a idade de 30 anos, através da máquina Carroussel, que na verdade vaporiza as pessoas”, comenta a banda em nota enviada à imprensa. A faixa, assim como todo o trabalho do Kosmovoid, tem forte relação com o cinema. Em resumo, as músicas têm uma sinergia que vai além somente do que é escutado. Por fim, vale destacar que a temporada do Kosmovoid vem dividida em três momentos. Primeiramente, o terceiro álbum de estúdio, Space Demon, previsto para novembro. Posteriormente, mais dois EPs: HyperSleep Capsule e Disintegrate, ambos em dezembro. Ouça Retrogram abaixo Kosmovoid é um projeto de música instrumental experimental que explora os gêneros do krautrock, psicodelia, space rock, música ambiente e rock pós-industrial. Aliás, formado em 2019, o trio tem como principais influências nomes como Ash Ra Temple, Dead Can Dance, Popol Vuh, Kraftwerk, Tangerine Dream e Goblin.
À Primeira Vista: o retorno emocionante do Teatro do Sesc Santos com Chico César

Texto por: Walter Titz Neto Chico César tem a fineza intelectual de Cruz e Sousa e a nobreza popular de Carolina Maria em seus poemas. É uma Entidade zeladora da cultura popular brasileira, e canta tão bonito quanto à Serra do Araripe às seis da tarde. Foi ele quem o Sesc Santos escolheu para reabrir as portas de seu teatro após um ano e meio enclausurado. E no caminho até o show era impossível não pensar nisso também, nesse período recluso. Fui a pé com um amigo e lembrávamos dois adolescentes caminhando quilômetros até um show de hardcore, ansiosos pelo acontecimento, mãos geladas nos bolsos, pensando nos que gostariam de estar e se foram precocemente. Afinal, é o Chico, essa Entidade que dizíamos, poeta cantador que desenha as palavras no melhor estilo Guimarães Rosa, é um sertanejo trovador que vem de arrastar viola nas pedras de Catolé da Rocha e desafiar outras cordas nas festas de Loro em São José do Egito, que caminhando Paraíba se chega ao Pernambuco, esse Caicó Arcaico embrenhado de sertões herdeiro do Modernismo brasileiro conectou-se com o mundo. Um Béradêro, como descreve Chico no poema canção que abre seu primeiro disco, Aos Vivos. Aliás, também é a mística de abertura do concerto em Santos num emblemático Dia dos Professores – “e a cigana analfabeta lendo a mão de Paulo Freire”. Chico simboliza o dia e se posiciona. A partir daí o show é todo uma exposição de uma grande obra de arte com o artista simpático, bem humorado e muito inteligente que passeia leve e saudoso por seus discos o tempo todo interagindo com o público. Referências de Chico César a Santos Homenageia Santos cidade porto, cidade baía e seus Santos. Honra o público com muitos clássicos. Era impossível não se emocionar. Meu amigo chorou quando ouviu o brega modernista Da Taça, “do lance de dançar sem som, tão bom, bateu”, que vem acompanhada da música prece Onde Estará o Meu Amor, orada outrora por Bethânia. Quem não se emocionou quando soou À Primeira Vista, clássico dos clássicos, imortalizada em espanhol por Pedro Aznar? O poeta de referências e multireferenciado mostra que é um homem de seu tempo e anima com o refrão arroxado de History, e não perdoa com o reggae conjuntural Pedrada e a solidária De Peito Aberto, ambas músicas do disco O Amor é um Ato Revolucionário. Nas clássicas Mama África e Pedra de Responsa, ensaiamos o desejo de dançar com as mãos e meneando a cabeça ora culpados mas agradecidos por estarmos ali naquele momento e então Chico trouxe duas músicas inéditas e uma delas era um frevo muito sagaz – “eu vou tomar vacina quem não quiser que tome cloroquina”. Como não lembrar dos ausentes? Como? Ora! “Chega tem hora que ri de dentro pra fora. Não fica nem vai embora. É o Estado de Poesia”. Assim estávamos todes quando Chico caminhou e cantou e seguiu a canção de Vandré. Lágrimas de muitos momentos, ali encontraram braços que as buscavam em seus abraços solidários. Muitos Brasis se toparam. Marielle e Juliette E Chico perguntou, alguém do Nordeste? Vocês sabem o que é Arenguêra? E lembrou Marielle, e lembrou Juliette que paraibana como ele rezou Deus Me Proteja ao vivo no BBB e sagrou-se, e com ela o Chico porque “caminho se conhece andando”, é assim que vamos. Por fim, assim me despedi da noite Caminhando e Cantando Aos Vivos, os sem amor, os sem teto, os sem paixão, sem alqueire, Chico. Sem esquecer dos mais de 600 mil ausentes até aqui. Confesso que senti a ausência de A Prosa Impúrpura do Caicó, mas cheguei em casa mais leve que de costume. Aliás, fiz o que faço todas as noites: cantei Templo para o meu menino dormir.
Chico César reabre Teatro do Sesc Santos com jornada dupla

O cantor e compositor paraibano Chico César será o responsável pela reabertura do Teatro do Sesc Santos. O músico se apresenta na sexta (15) e sábado (16), às 20h, com capacidade reduzida para 212 pessoas. Os ingressos já estão à venda e custam entre R$ 20,00 e R$ 40,00. Chico César, nasceu em 26 de janeiro de 1964, em Catolé do Rocha, na Paraíba. Aliás, Chico explicita a irreverência, a criatividade e a poética, características de sua obra ao longo de sua trajetória. Autor de sucessos consagrados pelo público, como Mama África e À Primeira Vista, o paraibano tem nove álbuns lançados, entre eles Aos Vivos (1995), Cuscuz Clã (1996) e Respeitem os meus cabelos brancos (2002). Contudo, o artista desafia a saudade e aponta a distância como um estímulo que pode ser vibrante e cheio de calor humano, nestes tempos. Amizade e álbum com Zeca Baleiro Em maio passado, Chico César e Zeca Baleiro anunciaram um disco composto e gravado em parceria durante o período da quarentena. Aliás, à época, eles revelaram os dois primeiros singles, Lovers e Respira. No entanto não confirmaram a data de lançamento até o momento. “Concretiza-se assim o encontro de três décadas. Parece que demorou mas tudo tem seu tempo, o período de maturação. A pandemia, de certo modo, veio nos dizer da necessidade de estar perto das pessoas com as quais nos identificamos e nos vinculamos em ética e estética. Claro que tematizamos a pandemia mas também fizemos canções que poderiam ter sido geradas em qualquer momento e falam de outras coisas, assuntos perenes em nós. Zeca Baleiro é o parceiro na desconstrução da imagem estereotipada do Nordeste, a companhia que me faltava e chegou para me estimular nesse caminho. Música urbana, suburbana e rural em nossa marmita”, afirmou Chico César. Amigos desde 1991, Chico César e Zeca Baleiro participaram de um dos shows mais marcantes da música no Sesc Santos, no fim dos anos 1990. Por fim, com Os Cinco no Palco, que passou pelo Teatro do Sesc Santos, Chico César, Zeca Baleiro, Lenine, Paulinho Moska e Marcos Suzano deixaram memórias marcantes para os fãs.
Gravadora de Santos junta rappers de estados diferentes em “Além”

A gravadora de Santos HomiesProd. juntou três DDD na faixa colaborativa Além, lançada recentemente. Em resumo, o pessoal da gravadora, em 2020, foi para São Paulo “resolver umas metas”. No entanto, voltaram com essa faixa produzida em apenas dois dias. Os representantes da gravadora Primeiramente, do DDD 013, representando a Baixada Santista, participa o rapper Iram Bernardo, morador do bairro Saboó, em Santos. “Eu já estava na linha desse projeto com a HomiesProd, a parada fluiu e tô animado pra muito mais que está por vir”, afirma. Já o Sistema Cruel, veio de Sergipe, representando o DDD 079, mas foi buscar seu sonho em São Paulo. Ele foi passar uma semana em São Paulo para finalizar um trabalho e acabou conhecendo os “moleques da Baixada Santista”, como diz. “Tudo fluiu e fechamos esse trabalho que eu levo para o resto da minha vida”, comenta o artista. Por fim, o terceiro participante da faixa Além foi Narciso, representando Macaé, Rio de Janeiro, com o DDD 022. “Me encontrei com o Arthurzinho (Sistema Cruel), estávamos procurando um estúdio para captar voz, conhecemos a rapaziada da HomiesProd e fluímos mais um trampo”.
Xandra Joplin morre aos 56 anos, em Santos

A cantora Xandra Joplin morreu aos 56 anos, em Santos, vítima de um câncer, nesta terça-feira (31). A artista ficou conhecida por fazer cover da cantora Janis Joplin, e por copiar seu visual. Ela era uma das artistas independentes mais conhecidas da região, e participou de programas de televisão e ganhou prêmios ao longo da carreira. Xandra foi diagnosticada com um câncer de colo de útero em 2020, e fazia quimioterapia para tratar a doença. Aliás, nas redes sociais, amigos chegaram a criar uma vaquinha virtual para ajudar a cantora a arcar com as despesas de seu tratamento. Contudo, da meta de R$ 15 mil, foram arrecadados cerca de R$ 13 mil. Despedida Pelas redes sociais, fãs, colegas e amigos prestaram homenagens a Xandra. O também músico Ismael Bastos, disse: “Estivemos juntos entre o final do ano de 2009 e setembro de 2012. Nesse tempo em que ficamos juntos, aconteceram coisas muito marcantes na minha vida. Ela me fez virar guitarrista de sua banda. Tivemos um projeto acústico que foi uma das coisas mais divertidas que eu já fiz em termos de música. Gravamos duas músicas minhas em um estúdio, onde essas músicas com a voz dela, deu aquele colorido que ela sabia muito bem dar”, publicou nas redes sociais. “Antes dela descobrir o câncer, ela não estava fazendo shows por causa da pandemia, o que dificultou sua vida financeira. Triste saber que se foi. Não só pelo talento que tinha, mas também pela criança que tinha dentro dela”, emocionou-se. O músico Luciano Albano também prestou sua homenagem a cantora nas redes sociais: “Convivi pouco com ela, mas o suficiente para admirar ainda mais seu talento gigantesco. Xandrinha nos contagiava com sua voz, com seu timbre, carisma, alegria. Respirava rock, nos surpreendia com suas performances inebriantes. Mas o que mais me chamava atenção era seu sorriso fácil, sincero. Vai deixar muita saudade. Mas as lembranças sempre estarão vivas.” O velório acontece na manhã de quarta-feira (1º), na Santa Casa de Santos, e o sepultamento será no Cemitério do Saboó. Carreira de Xandra Joplin Xandra Joplin começou a cantar com a banda The Wiser, mas logo passou a ser comparada com Janis Joplin. A banda terminou e, desde então, ela se dedicava a fazer cover da americana, ícone do rock dos anos 60. Xandra foi premiada em concursos de covers, e deu diversas entrevistas para a televisão.
D3cker, rapper santista, lança terceiro álbum BU3NO

Murilo Bueno Ferreira, 21, mais conhecido como D3cker, é um artista experimental de Santos. Ele mescla sonoridades do indie ao pop com sua vertente principal, o trap. D3cker, retorna à cena com seu o álbum BU3NO, lançado na segunda-feira (26). Em resumo, é o terceiro em sua carreira, escrito durante um período em que o artista se viu isolado da sociedade por causa de problemas com drogas. Na produção, D3cker conta que entrega sua alma em cada faixa. Todas foram mixadas e masterizaras por ele. Exceto a última do álbum, realizada pelo Sandrim. Já a produção instrumental é de Real Nage e Sandrim, amigos de longa data do artista. As faixas têm uma atmosfera melódica totalmente diferente de seu primeiro álbum. Mas, segundo ele, seguem o mesmo princípio dos anteriores: letras sinceras, bem escritas e pessoais. Tem um tom maduro e sincero sobre escolhas e consequências na vida de um artista em busca do sonho. Ele traz temas como sua luta contra as drogas no mundo da música, a transição para a nova forma de enxergar a fama e a trajetória até ela. D3cker lançou o primeiro álbum de estúdio Submundo em 2019. A queda E O sentido em 2020 e agora o terceiro Bu3no em 2021. O trabalho do D3cker pode ser acompanhado pelas redes sociais: Instagram, Spotify e Youtube.
Bayside Kings inicia nova fase em português; ouça Existência

A banda santista Bayside Kings inicia uma nova etapa da carreira com o single Existência, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (25). Aliás, a faixa é um lançamento da Olga Music, braço de distribuição da Warner Music. Esta é a primeira música com letra em português da BSK. Mais do que uma mudança no idioma, o objetivo é levar a mensagem de resistência e autoconhecimento de uma forma ainda mais direta e clara. Existência é sobre ter voz e um rosto, é sobre mostrar ao indivíduo que ele existe e faz parte de um grupo ou de uma ideia. Também aponta que todas as ações devem e trazem impacto na sua própria vida e das pessoas próximas. O vocalista Milton Aguiar amplia o contexto de Existência. “Existência é o tempo do agora – o ontem já passou e o amanhã não chegou. Por isso, precisamos sentir, fazer valer e perpetuar o aqui e o agora, dar o nosso melhor no momento para existir, como um tributo ao ontem e um pavimento ao amanhã”. A mudança a partir de Existência O cenário sócio-político nacional de 2018, conta Milton, foi o ponto de partida para a mudança na forma de levar a mensagem do Bayside Kings. “O agora e o futuro daquele tempo demandava à banda atingir nosso público e ir além de quem já nos conhece, e com uma mensagem uniforme”. As letras em português, portanto, são uma forma de conversa com outros públicos, outras culturas, além de estreitar a relação com os fãs. “Queremos abrir novos campos de diálogo”, revela o vocalista, que estudou as métricas do português para adequar a sua forma de cantar – bandas como Colligere e Mais que Palavras são algumas referências para este processo. O resultado está em Existência, em que cada palavra da música é entendida. “Um recomeço, com a experiência e maturidade de 10 anos. “Queremos coisas novas e esse é o momento ideal”, completa Milton.
Expoente da MPB santista, Gon lança versão lo-fi de “Sinhô”

Foi na reclusão da quarentena que o músico santista Gon viu que era possível e preciso se reinventar. Apesar de ter lançado o seu primeiro EP, Origami, dias antes de oficialmente ter sido declarado que estávamos vivendo uma pandemia de covid-19, o artista, nos meses que passou em casa, decidiu dar uma nova cara para a sua mais bem-sucedida composição: a canção Sinhô. Com mais de 20 mil plays nas plataformas digitais, Sinhô acaba de ganhar uma nova roupagem no estilo lo-fi. Em resumo, é um tipo de gravação marcada por ser feita com poucos recursos técnicos e muitas vezes em estúdios caseiros. Aliás, tudo a ver para quem passou o último ano em casa sem poder se apresentar. “Estar nessa fase de pandemia não foi nada simples, mas depois de um tempo em casa, aprendi a usar essas músicas como ferramenta de relacionamento. Eu aprendi que poderia usar essa arte para me conectar com as pessoas de forma verdadeira”, diz o cantor e compositor. A composição une as atmosferas do conforto da música lo-fi e a sinceridade emocional do artista. Aliás, é um convite para ouvir todas as músicas desse músico promissor da Baixada Santista. Ouça o som abaixo
Saudade: UELO aborda nostalgia e mistura indie e música pop em novo single

“Um aperto no peito somado à vontade de reviver algum momento especial”. É sobre isso que a UELO canta no single Saudade. A faixa mistura o pop, o rock e o indie com a musicalidade brasileira e antecipa o segundo disco da banda santista, homônimo e previsto para o segundo semestre de 2021. O lançamento chega às plataformas digitais acompanhado de um videoclipe. No roteiro, a UELO aborda a nostalgia e a importância das amizades e das paixões no início da vida adulta. O videoclipe é uma realização da produtora Berry. Na ocasião, a obra foi dirigida pelo vocalista Gabriel Lobo em parceria com a cineasta Thayná Vergara. A música, por sua vez, foi concebida no próprio estúdio da banda, que se inspirou principalmente em nomes como Lagum e The Neighborhood durante as sessões de gravação. O cantor e compositor relata o teor sentimental da letra da faixa. “Quando as coisas não vão bem, o universo e a vida tratam de encaixar a pessoa ideal na nossa vida. Uma amizade, um amor. É aquele alguém com quem podemos contar nos momentos mais difíceis. Nesta música, falamos justamente sobre sentir ‘Saudade’ dessa pessoa”, frisou Gabriel Lobo. Além de Gabriel, a UELO é formada pelos músicos Raphael Ueda (guitarra e backing vocals), Gabriel Nunes (guitarra), Luiz Kaneda (bateria) e Vitor Bueno (baixo e backing vocals). Anteriormente, o quinteto lançou o álbum Maior Que O Mundo (2019) e os singles Frio (2020) e Aonde Você For (2018), entre outras canções autorais.