Balara apresenta “Acusticamente” no Blue Note SP

Após conquistar o topo das rádios de MPB com o sucesso Algo Me Diz, parceria que uniu sua voz à de Jorge Vercillo, o cantor e compositor Balara prepara um encontro intimista com seu público. No próximo domingo (26 de julho), ele sobe ao palco do Blue Note São Paulo para apresentar o espetáculo Acusticamente, uma noite desenhada para valorizar a canção em sua forma mais pura: voz e violão. O show é um desdobramento do projeto audiovisual que deu nome à turnê e reflete a crença de Balara de que “menos é mais”. Ao tirar os excessos e os arranjos grandiosos, o artista coloca o foco onde realmente importa: a letra, a melodia e a interpretação emocional. Parceria de longa data Nesta travessia, Balara não estará sozinho. Ele divide o palco com o músico e produtor Jeff Pina, seu parceiro de longa data e co-produtor dos 50 fonogramas que integram o projeto Acusticamente. A sintonia entre os dois é o motor do espetáculo: arranjos construídos minuciosamente para sustentar a mensagem da letra, evidenciando a maturidade artística de quem não tem medo de se expor no formato acústico. “Durante muitos anos ouvi que músicas com mensagens positivas não tinham espaço no mercado e que um show de voz e violão era um formato menor. Continuei acreditando exatamente no contrário. ‘Simplificar para amplificar’ sempre foi uma ideia que me acompanhou”, reflete Balara. * Serviço: Balara – “Acusticamente” no Blue Note SP
Em duas passagens por Santos, Bad Religion vestiu a 10 do Peixe, enfrentou apagão e deixou legado

De todas as lendas internacionais que pisaram em Santos, nenhuma criou uma conexão tão profunda e passional quanto o Bad Religion. A banda e o público santista guardam com muito carinho tudo o que rolou por aqui nas duas turnês que passaram pela cidade, em 1999 e 2014. A primeira passagem foi tão surreal que parece roteiro de filme de ficção, a ponto de merecer destaque na biografia oficial da banda, Do What You Want: The Story of Bad Religion. A segunda, 15 anos depois, foi a coroação de uma história de amor entre os reis do punk melódico californiano e a capital do hardcore no Brasil. Em resumo, esta é a história das duas noites em que Greg Graffin e seus comparsas descobriram, na prática, o que significa ser a “Califórnia Brasileira”. ATO I: 1999 – Apocalipse na “Floresta Tropical”, a primeira vez do Bad Religion em Santos O dia 11 de março de 1999 tinha tudo para ser uma noite histórica na extinta casa Jump (ex-Reggae Night), no Morro da Nova Cintra. A produtora da banda, Michelle Ceasan, havia convidado os locais do White Frogs para abrir os trabalhos, e mais de 4 mil ingressos haviam sido vendidos. O êxtase dos músicos locais, que pegaram até equipamentos emprestados do pessoal do Altered Mind para a grande noite, logo se transformou em desespero. A chuva começou sem aviso prévio antes mesmo de qualquer instrumento ser tocado. O vocalista Greg Graffin relatou os bastidores de terror: “Nós estávamos no nosso backstage, uma mini-cabana, desfrutando uma caipirinha, quando um estrondoso trovão e raio desceram dos céus e colidiram com o nosso telhado”. A situação escalou rapidamente. “Se há uma coisa que aprendemos é esta: se os habitantes começam a olhar preocupados, as coisas podem rapidamente azedar”. Um apagão generalizado tomou conta da cidade. O promotor do evento entrou no camarim em pânico, sugerindo que a banda fugisse: “É melhor sair daqui, os fãs estão furiosos, eles certamente irão matá-los”. Com o som mecânico cortado e o público cantando e assobiando no escuro, o Bad Religion até cogitou um set acústico, mas percebeu que a bateria ensurdecedora de Bobby Schayer abafaria as guitarras sem energia. Retorno inesperado A banda voltou para o hotel com a certeza de que o show estava cancelado. João Veloso Jr., do White Frogs, sentiu a tristeza do cancelamento iminente, pois a banda americana tinha voo cedo no dia seguinte. Mas o improvável aconteceu. “Era meia-noite e a tempestade havia passado. A energia ainda estava desligada, por isso foi à luz de velas e um telefone celular que recebemos a ligação em torno de 1h: ‘Vocês devem voltar para o local agora, nós temos energia’”, relembrou Graffin. O retorno ao morro foi digno de um cenário pós-apocalíptico. Sem semáforos ou iluminação pública, as ruas estavam caóticas. Punks descontentes que já desciam a montanha faziam o retorno imediato ao ouvirem no boca-a-boca que o show iria continuar. No palco, a redenção. O White Frogs foi convocado às pressas para subir e tocar enquanto o público retornava à Jump. E, às 2h da manhã, com a casa ainda lotada, o Bad Religion entregou um espetáculo inesquecível, tocando pérolas raras como Anesthesia. “Tocamos um show inteiro e tivemos o tempo de nossas vidas”, cravou Graffin. “O caos, entusiasmo, emoções oscilantes e a floresta tropical, tudo conspirou naquela noite para nos oferecer uma experiência incrível. Não vamos esquecer tão cedo dele”. ATO II: 2014 – Redenção, açaí e camisa do Peixe no segundo show Quinze anos depois, o Bad Religion era anunciado para retornar a Santos, desta vez na Capital Disco, no dia 7 de fevereiro de 2014. A cidade entrou em polvorosa e os ingressos esgotaram rapidamente. O responsável por trazer o grupo foi Celso Bernardes, fundador da produtora Rock Show e, coincidentemente, um dos “sobreviventes” do apagão de 1999. Celso viveu a saga não apenas como produtor, mas como fã devoto de sua banda favorita. Os bastidores dessa segunda passagem foram marcados por um clima muito mais amistoso e curioso do que o apocalipse climático de 99. O baixista Jay Bentley desceu ao palco de chinelos para o reconhecimento do terreno e, em poucas palavras trocadas com Celso, perguntou sobre açaí. A resposta do produtor foi exagerada: ele mandou buscar um fardo de dez quilos do produto para o camarim. O nível de fanatismo do produtor chegou à pele. Em uma sala ao lado do camarim, antes do show, Celso tatuou o famoso logo da “Crossbuster” no braço esquerdo. O barulho da máquina atraiu Brian Baker, Jay Bentley e o baterista Brooks Wackerman, que ficaram honrados com a atitude. Greg Graffin chegou em seguida, surpreendeu-se com a homenagem e posou para fotos com o produtor tatuado. Bayside Kings, NLO e o caldeirão na Capital Disco Na madrugada de sábado, a casa noturna ferveu com o encontro de gerações de fãs. Quem abriu os trabalhos foi o Nem Liminha Ouviu (NLO), liderado pelo radialista Tatola Godas. A banda apresentou versões nostálgicas como O Concreto Já Rachou (Plebe Rude) e Surfista Calhorda (Replicantes). Em seguida, a prata da casa: o Bayside Kings. Recém-chegados de uma turnê bem-sucedida na Argentina, a banda liderada por Milton Aguiar incendiou o moshpit. O setlist brutal, mesclando faixas dos discos The Way Back Home e Warship, incluiu ainda um cover furioso de Cyco Vision, do Suicidal Tendencies. O Bayside Kings provou estar pronto para ser uma das principais representantes do hardcore santista. À 0h30, ao som de música clássica, o Bad Religion assumiu o palco. Com 35 anos de carreira e 16 álbuns nas costas, os californianos engataram um show coeso, técnico e empolgante, descarregando 30 canções em uma hora e meia. Eles abriram de forma agressiva com Fuck You, puxando logo na sequência uma quadra de clássicos absurda: I Want to Conquer the World, New America, Stranger Than Fiction e Los Angeles Is Burning. Pista e palco viraram uma verdadeira piscina de suor. O clima era de tanta interação que o baixista Jay Bentley até
Frutas, stage dives e “my mame is Dangerous”: a apoteose krishnacore do Shelter em Santos, em 1996

O ano era 1996 e o hardcore dominava a MTV Brasil. Se você ligasse a TV em qualquer tarde daquele ano, era questão de tempo até o clipe de Here We Go invadir a tela com sua energia contagiante. A faixa catapultou o álbum Mantra (1995) e transformou o Shelter, banda americana liderada por Ray Cappo (ex-Youth of Today), em um fenômeno global. A sonoridade agressiva contrastava com a mensagem pacifista e espiritual de orientação hindu, criando um subgênero próprio: o krishnacore. E foi exatamente no auge dessa febre, em junho de 1996, que a banda desembarcou no Brasil para uma turnê histórica. Além de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, a rota incluiu uma parada obrigatória na Baixada Santista. O resultado? Um dos shows mais caóticos, divertidos e inusitados da história de Santos. Palco improvável e a ironia do destino do Shelter em Santos A ironia de uma banda estritamente vegetariana tocar em um antigo restaurante chinês não passou despercebida. O relato histórico do fanzine santista Surf Core detalhou perfeitamente a atmosfera daquela noite. O Cadillac Café, na Avenida Conselheiro Nébias, 788, provou ser um cenário impecável para o hardcore: com dois andares, palco na altura ideal e duas caixas de som gigantes, a estrutura parecia ter sido feita sob medida para os stage dives. A abertura foi uma celebração à parte. O Cólera, com o saudoso Redson, subiu ao palco em formato power trio e entregou um set rápido e agressivo. Em seguida, o Garage Fuzz, que estava há tempos sem tocar em casa por conta da composição de novas músicas, matou a saudade e fez “todo mundo pogar”, com o então vocalista Alexandre Sesper (Farofa) dedicando o show a todos os animais que haviam sido sacrificados ali no passado. O Blind fechou o suporte mostrando sua forte influência do punk rock dos anos 80. Quando o Shelter finalmente assumiu os instrumentos, a catarse foi imediata. Para Marco Casado Lima, fã que esteve presente, a escolha do local refletia a essência da cena na época: “Punk/HC é foda… sempre que um lugar abria espaço, é porque já tava ruim das pernas. Era tipo a última cartada dos donos desesperados”. Quando o Shelter subiu ao palco, a catarse foi imediata. “A galera dava stage dive do mezanino, aquilo me impressionou. Me senti num show do Bad Brains em Nova York no início dos anos 80”, relembra Marco. Camarim vegano para o Shelter em Santos e a ajuda divina Para o produtor do show, Alexandre Macia, o Pepinho, a noite marcou sua estreia com atrações internacionais. “Foi super bem-sucedido, deu sold out. Foi fácil de vender porque Here We Go estava tocando não só na MTV, como nas rádios de rock. Acabaram os ingressos e ainda tinha gente querendo”, conta. Mas se os números de bilheteria eram de rockstars, o rider (lista de exigências) do camarim pegou o produtor de surpresa. Acostumado a comprar cerveja e uísque para bandas de metal, Pepinho se viu em um cenário diferente com os devotos de Krishna, que na época contavam com ninguém menos que Roy Mayorga (que depois brilharia no Soulfly e Stone Sour) na bateria. “Os caras só queriam fruta! Eu fiz a feira pela primeira vez na minha vida graças ao Shelter, comprando mamão papaya, banana… E os caras eram muito gente fina, de boa”, diverte-se o produtor. A logística ainda contou com uma “intervenção divina”: “O templo Hare Krishna de Santos fez questão de levar a banda para almoçar no dia do show. Isso foi uma maravilha, economizei um bom dinheiro de rango!” “Hi, my name is Dangerous” O clima amigável de Ray Cappo rendeu uma das histórias mais hilárias dos bastidores santistas. Pepinho havia prometido ao seu funcionário da loja Metal Rock, apelidado de “Perigoso” e fã do Shelter, que o apresentaria ao ídolo. Durante a montagem do palco, Cappo pediu para tomar uma água de coco. Pepinho topou, com a condição de passarem na loja primeiro. “Quando eu entro na loja com o Ray Cappo, o Perigoso quase desmaiou”, relembra o produtor. Tomado pela emoção e querendo impressionar o ídolo em inglês, o fã cometeu um erro de tradução fatal na hora de se apresentar. “O Perigoso, em vez de falar o nome, traduziu o próprio apelido. Ele soltou um: ‘Hi! My name is Dangerous!’. O Ray Cappo chorou de rir de encostar na parede. Ele ria e falava: ‘Ok, sorry, you are dangerous!’. Puta, coitado do Perigoso”, gargalha Pepinho. Caos no mosh, cusparada e a debandada dos “modistas” O sucesso estrondoso de Here We Go nas rádios e na TV cobrou seu preço na pista. Se o produtor Pepinho celebrou o sold out, o fanzine Surf Core relatou o que isso significou na prática: foram mais de mil ingressos vendidos para um espaço que, teoricamente, não comportava aquele volume de pessoas. “Não cabe isso tudo, mas coube”, resumiu a publicação. Essa superlotação misturou a velha guarda do punk com o público novato atraído pela MTV, gerando atritos. A empolgação com os saltos do mezanino e invasões de palco fugiu do controle. Em determinado momento, os “babacas de plantão” invadiram tanto o espaço da banda que uma das músicas do Shelter acabou sendo tocada de forma quase totalmente instrumental, pois Ray Cappo mal conseguia cantar. O clima, que era de festa, atingiu um pico de tensão com uma atitude inaceitável. Sempre pregando o pacifismo e o respeito, o vocalista parou o show e ameaçou não continuar após um fã dar uma cusparada na intérprete que estava no palco tentando traduzir as mensagens da banda para o público. Apesar do estresse, a apresentação teve um “filtro” natural. Assim que o super hit Here We Go foi executado, ocorreu um fenômeno clássico dos anos 90 relatado pelo fanzine: os “modistas” deram a noite por encerrada e foram embora para casa. Foi só a partir desse momento, com a pista respirando um pouco mais, que os fãs reais de krishnacore puderam absorver a agressividade musical do Shelter
Não Religião retorna aos palcos no Hangar 110

O punk rock nacional perdeu um pouco de sua voz quando o Não Religião pausou suas atividades, mas a espera acabou. Formada em São Paulo em 1985, a banda que ajudou a pavimentar o hardcore e o rock alternativo brasileiro retorna para um show de reunião mais do que necessário no dia 20 de junho de 2026, no Hangar 110, em São Paulo. A banda, liderada por Tatola nos vocais, volta para mostrar que a crítica social e política de seus três discos fundamentais, A Verdadeira História de Um Brasileiro, Pegaram Jesus Pra Cristo e Ninguém Me Escuta, permanece urgente. Uma noite de resistência e solidariedade O show contará com participações de peso, incluindo a lendária banda 365, e convidados como Swave, Chicko Noise e Cadillacs Punk Rock. A discotecagem da noite fica por conta do DJ Maia (89 FM). Além da celebração musical, o evento abriga uma causa nobre: o Bazar do Mingau. Amigos e o próprio músico estão doando instrumentos, discos, roupas e equipamentos para um bazar solidário. Toda a renda será revertida como combustível para o tratamento e recuperação de Mingau, uma das figuras mais amadas do rock nacional. É o punk rock cumprindo seu papel original de rede de apoio e coletividade. Serviço: Não Religião – Show de reunião
Entrevista | Shawn James – “Ninguém ligava para Through The Valley até o The Last of Us”

O cantor, compositor e multi-instrumentista norte-americano Shawn James lança nesta sexta-feira (12) o álbum Passage, novo trabalho de estúdio que marca mais um capítulo na trajetória de um dos artistas independentes mais respeitados da cena folk, blues e rock contemporânea. Conhecido mundialmente por sua voz poderosa e pela capacidade de transitar entre momentos intimistas e explosões de intensidade sonora, o músico apresenta um disco que fala sobre transformação, superação e a coragem necessária para seguir em frente. Escrito e gravado ao longo do último ano, Passage surge como uma obra profundamente introspectiva. O álbum equilibra passagens acústicas delicadas com arranjos carregados de peso, misturando blues sombrio, rock, folk e elementos orquestrais. A faixa de destaque é Headed for the End, que também ganha um videoclipe oficial nesta sexta-feira. Entre os momentos mais marcantes do trabalho está Burn, composição que reflete sobre um mundo em constante transformação e os desafios enfrentados pela sociedade contemporânea. Shawn James no Brasil Além do lançamento do novo álbum, Shawn James também se prepara para retornar ao Brasil em agosto. A turnê passará por Porto Alegre, no Teatro Opinião, em 6 de agosto; São Paulo, no Cine Joia, em 7 de agosto; e Curitiba, no Hard Rock Cafe, em 8 de agosto. Os shows prometem reunir clássicos da carreira, como Through The Valley, música eternizada pelo universo de The Last of Us, além das novas composições de Passage. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Shawn James falou sobre a expectativa para o lançamento do álbum, relembrou o impacto inesperado de Through The Valley após sua associação com The Last of Us e comentou a forte conexão que desenvolveu com o público e a cultura brasileira ao longo de suas passagens pelo país. O novo álbum chega às plataformas em poucas horas. Como você está se sentindo neste momento? Estou animado. Sempre existe uma expectativa antes do lançamento de um álbum, especialmente nas primeiras horas. É divertido acompanhar a empolgação das pessoas. A verdade é que escrevi essas músicas no ano passado e terminamos as gravações no final do verão. Então, estou esperando por esse momento há bastante tempo. Originalmente, o disco seria lançado em 1º de maio, mas quando voltei de uma turnê, em março, precisei passar por uma cirurgia e tivemos que adiar tudo um pouco. Está tudo bem agora, mas foi uma longa espera. Estou aliviado e empolgado por finalmente lançar esse trabalho. O que aconteceu para você precisar da cirurgia? Achei que estava com uma intoxicação alimentar. Acordei com uma dor forte do lado esquerdo e fui ao médico. Descobri que era apendicite e precisei retirar o apêndice. Foi muito rápido. Fui dormir com uma dor de estômago e poucas horas depois estava em uma sala de cirurgia. Felizmente aconteceu quando eu já estava em casa, em Portland, no Oregon. Foi intenso, mas estou totalmente recuperado. Como tem sido a reação do público aos primeiros singles de Passage? Tem sido fenomenal. Uma das coisas que gosto de fazer é construir a partir do que já criamos anteriormente. Quando os fãs gostam de discos como Shadows ou The Dark & The Light, eles sabem que podem confiar em mim. Não vou simplesmente mudar tudo de direção. Existe experimentação, claro, mas acredito que as pessoas estão gostando porque encontram elementos familiares apresentados de uma forma nova. Não tenho do que reclamar. Como foi o processo de composição deste álbum? E de onde vêm suas inspirações? A inspiração vem de todos os lugares. Quando eu era mais novo, especialmente na época de Shadows, muitas músicas surgiam de questões pessoais e experiências do passado que eu estava tentando entender. Hoje pode vir de algo que estou vivendo, de um filme incrível que assisti, de um livro, de um mito ou de uma história qualquer. Gosto disso porque amplia as possibilidades criativas. Quanto ao processo de composição, ele varia bastante. Às vezes surge uma ideia de letra, às vezes uma história, outras vezes um riff ou uma progressão de acordes. Em Passage, tentei fazer algo que gosto muito: escrever a música e a letra ao mesmo tempo. Assim, uma inspira a outra e tudo parece mais natural e coeso. Você encontrou alguma inspiração musical no Brasil? Sim. Antes mesmo de visitar o Brasil eu já conhecia alguns estilos brasileiros, como o funk e outros gêneros populares. Mas quando estive aí pude conhecer mais da cultura musical do país. A bossa nova, por exemplo, é muito inspiradora. Cresci em Chicago cercado por gospel, blues, soul, jazz e rock. Quando você conhece outra cultura musical, percebe pequenas diferenças na forma como as pessoas constroem suas canções. Tenho ouvido mais artistas brasileiros ultimamente. Alguém até montou uma playlist para mim. Quem sabe um dia eu consiga escrever uma música em português. Primeiro preciso aprender o idioma. E você conseguiu conhecer melhor o Brasil durante as turnês? Deu tempo? Sim. São Paulo foi a cidade onde tivemos mais tempo para passear. Visitamos mercados, bares e diferentes bairros. Também conheci cidades como Belo Horizonte, Florianópolis, Curitiba e Brasília. Adorei experimentar a culinária brasileira. Sou apaixonado por feijoada. Um dos momentos mais marcantes foi quando visitei uma propriedade em Minas Gerais, a convite do chef Santi Roig. Ver as paisagens, a natureza e o interior do Brasil foi incrível. Gosto muito de conhecer essa parte mais natural do país. Você teve uma infância muito ligada à igreja. Como isso influencia seu trabalho atualmente? Influenciou profundamente minha visão sobre a música. Desde criança eu via pessoas indo à igreja levando seus problemas, suas dores e dificuldades. A música fazia parte desse processo. Via pessoas cantando juntas, chorando, encontrando conforto. Isso me ensinou que a música pode ter um propósito muito maior do que simplesmente soar bem ou parecer algo legal. Hoje recebo milhares de mensagens de pessoas contando como minhas músicas as ajudaram em momentos difíceis. Acho que aprendi muito cedo que a música pode ser uma ferramenta emocional e até terapêutica. Você chegou um pouco depois da era de ouro do rádio e
Grotta estreia com álbum gravado na urgência do punk e mira shows no Brasil e Europa

Nascida de uma reunião despretensiosa entre amigos, a banda Grotta transformou a paixão pelo skate punk e pelo hardcore dos anos 1980 em um disco de estreia que carrega toda a espontaneidade de sua origem. Formado em Piracicaba, no interior de São Paulo, o trio lançou Tomorrow Comes Today, álbum com oito faixas que mergulham em sonoridades ligadas ao skate punk, crossover, hardcore e thrashcore, mantendo a energia crua e direta que marcou os primeiros registros do projeto. A Grotta surgiu como um desdobramento da The Mullet Monster Mafia, grupo que conquistou reconhecimento internacional dentro da cena surf punk. Mas, desta vez, a proposta era outra. Inspirados por nomes clássicos como Gang Green, Agent Orange e Bad Brains, Verme, Netão e Neri decidiram revisitar a agressividade e a velocidade que ajudaram a moldar o universo do skate punk e do crossover. As composições nasceram de forma quase instantânea. Durante um encontro na casa de Verme, guitarrista e vocalista da banda, os músicos começaram a tocar, improvisar levadas e escrever letras enquanto ouviam discos antigos do gênero. As primeiras versões das músicas foram registradas de maneira totalmente caseira, com violões, batidas na mesa e gravações simples. O resultado daquele encontro acabou se transformando nas oito faixas que compõem Tomorrow Comes Today. O projeto poderia ter permanecido apenas como uma gravação informal, mas ganhou novos contornos durante a passagem de Neri pelo Psycho Carnival. Ao revisitar o material gravado no celular, o baterista percebeu que havia ali potencial para um álbum completo. Pouco tempo depois, a banda entrou no Soul de Pira Studios, em Piracicaba, e registrou todas as músicas em uma sessão rápida que preservou a urgência das composições originais. Essa velocidade também define a experiência de audição do disco. Com músicas curtas, refrões diretos e estruturas enxutas, a Grotta aposta em canções que não desperdiçam tempo. As letras acompanham a intensidade instrumental ao abordar temas como desgaste social, tensão urbana, medo, resistência e as incertezas do cotidiano. Em vez de narrativas complexas, predominam frases de impacto e mensagens condensadas, seguindo uma tradição presente tanto no punk quanto no hardcore. Além do lançamento nas plataformas digitais e no Bandcamp, Tomorrow Comes Today ganhará uma edição especial em vinil de 12 polegadas. A prensagem será viabilizada por uma união entre cinco selos independentes: Trashout Records, Orleone Records, Redlightz Records, Tupunk Records e Under Shows, reforçando a conexão da banda com a cena underground internacional. Com o álbum recém-lançado, a Grotta já começa a olhar para a estrada. A expectativa é realizar apresentações no Brasil a partir de agosto, aproveitando a passagem de Neri pelo país durante as atividades relacionadas ao Lucky Friends Rodeo. Para novembro, os planos incluem uma pequena turnê europeia, levando a energia veloz e descompromissada de Tomorrow Comes Today para além das fronteiras brasileiras. Se a estreia nasceu de maneira improvisada, o futuro da banda parece seguir em ritmo acelerado.
Aléxia registra energia do palco em clipe de “I Don’t Wanna Die” com participação de Mi Vieira

A cantora e compositora Aléxia segue ampliando o alcance de seu álbum de estreia, Garra, com o lançamento do clipe de “I Don’t Wanna Die”, uma das faixas mais intensas do trabalho. O vídeo, que conta com a participação de Mi Vieira, vocalista da banda Gloria, foi gravado durante o show de lançamento do disco no Manifesto Bar, em São Paulo, apostando na força da performance ao vivo para traduzir a mensagem da música. Com captação, direção e edição assinadas por Vitor Duik e Allan Toledo, o clipe abandona a estética mais produzida dos lançamentos anteriores para focar na conexão entre artista, banda e público. As imagens registram a intensidade da apresentação e destacam a participação de Mi Vieira, um dos convidados especiais da noite. Segundo Aléxia, a escolha pelo formato surgiu justamente da vontade de capturar a energia que só o palco é capaz de proporcionar. “I Don’t Wanna Die” aborda temas como arrependimento, dor emocional e resistência diante de momentos de esgotamento. A composição explora sentimentos profundos sem abrir mão da melodia, construindo uma narrativa que transita entre vulnerabilidade e superação. O refrão em inglês nasceu de uma inspiração direta em “I Wanna Be”, clássico de Pitty, e reflete o interesse da artista em combinar diferentes idiomas para ampliar o alcance da mensagem. Musicalmente, a faixa reúne influências de metal moderno, metalcore, dark pop e rock, reforçando a identidade construída ao longo de Garra. O time de músicos inclui Tom Vicentini nos teclados, Guga Valência na bateria, Léo Aoyagui no baixo e Gustavo Campos na guitarra e produção musical. Já a gravação, mixagem e masterização ficaram sob responsabilidade de Alê Gaiotto, vencedor do Grammy Latino. Gravado integralmente no estúdio Gargolândia, em Alambari, interior de São Paulo, o álbum de estreia apresenta uma artista interessada em equilibrar peso sonoro, melodias marcantes e experiências pessoais. O disco também carrega a influência da trajetória de Aléxia no interior paulista, uma vivência que, segundo ela, exigiu persistência para superar a distância dos grandes centros e construir uma carreira na música. Com quatro anos de estrada e mais de 400 apresentações realizadas, Aléxia chega a esta fase respaldada por uma trajetória consistente nos palcos. A artista venceu a seletiva Sudeste do Porão do Rock 2025, conquistou o 23º Festival de Rock de Indaiatuba, abriu a turnê brasileira do The Calling e já dividiu eventos com nomes como CPM 22, Stone Temple Pilots, Nando Reis e Detonautas. O novo clipe reforça esse momento de crescimento e apresenta uma artista cada vez mais confortável em transformar experiências pessoais em canções de grande impacto emocional.
El Mato a un Policia Motorizado confirma show no Cine Joia em outubro

Uma das bandas mais importantes do rock alternativo latino-americano no século 21, El Mato a un Policia Motorizado voltará ao Brasil para uma apresentação em São Paulo no dia 11 de outubro. O show acontece no tradicional Cine Joia, na Liberdade, e marca mais um encontro do grupo argentino com o público brasileiro após passagens marcantes pelo país nos últimos anos. A apresentação chega em um momento especial da carreira da banda formada em La Plata. Depois de lotar arenas e casas de shows em diferentes continentes, o quinteto desembarca na capital paulista impulsionado pela turnê de Súper Terror, álbum lançado em 2023 e vencedor do Premio Gardel de Melhor Álbum de Rock. Os ingressos já estão à venda. A volta ao Cine Joia também carrega um significado particular para o grupo liderado por Santiago Motorizado. A casa paulistana se tornou um dos principais pontos de encontro entre a banda e os fãs brasileiros, fortalecendo uma relação construída ao longo de diversas visitas ao país. A conexão ficou ainda mais evidente durante a participação no Primavera Sound São Paulo 2023, quando o El Mato protagonizou uma das apresentações mais comentadas daquela edição. Fundado em 2003, El Mato a un Policia Motorizado surgiu na efervescente cena independente de La Plata e rapidamente se transformou em um dos principais expoentes do rock alternativo sul-americano. Com uma identidade marcada por guitarras repetitivas, melodias diretas e letras carregadas de emoção, a banda expandiu sua atuação para além da Argentina, conquistando espaço em festivais de grande porte na América Latina, Europa e Estados Unidos. Nos últimos anos, a trajetória do grupo ganhou novas proporções. Em Buenos Aires, a banda lotou o Movistar Arena diante de 15 mil pessoas e realizou apresentações esgotadas no Luna Park. Em 2024, percorreu mais de 25 países com sua turnê internacional, incluindo uma passagem pelo histórico Zócalo, na Cidade do México, um dos espaços públicos mais emblemáticos da América Latina. O álbum Súper Terror representa mais um passo importante nessa evolução. Gravado no Sonic Ranch, no Texas, o trabalho manteve as características que transformaram o El Mato em referência continental, mas ampliou os horizontes sonoros da banda. O disco recebeu elogios da crítica especializada e reforçou a capacidade do grupo de renovar sua linguagem sem perder a essência construída ao longo de mais de duas décadas. Antes disso, a banda já havia alcançado reconhecimento internacional com Unas Vacaciones Raras, de 2021, trabalho que conquistou o Latin Grammy de Melhor Álbum de Rock. Outro capítulo fundamental da discografia é La Síntesis O’Konor (2017), considerado por muitos fãs e críticos como o álbum que levou o El Mato a um novo patamar fora do circuito independente argentino, graças a canções como “El Tesoro”, “La Noche Eterna” e “Ahora Imagino Cosas”. Mais recentemente, o grupo também chamou atenção ao integrar Everyone’s Getting Involved: A Tribute to Talking Heads’ Stop Making Sense, projeto que reuniu artistas de diferentes gerações para revisitar o clássico repertório dos Talking Heads. O El Mato foi a única banda latino-americana convidada para o tributo, dividindo espaço com nomes como Miley Cyrus, Paramore, Lorde e The National. Com uma carreira consolidada, repertório repleto de clássicos e uma das bases de fãs mais fiéis do rock latino-americano, o retorno ao Brasil promete ser mais um capítulo importante da história entre El Mato a un Policia Motorizado e o público brasileiro. SERVIÇO El Mato a un Policia Motorizado em São Paulo Data: 11 de outubro de 2026 Local: Cine Joia Endereço: Praça Carlos Gomes, 82, Liberdade – São Paulo/SP Ingresso: fastix.com.br/events/el-mato-a-un-policia-motorizado-em-sao-paulo Realização: Áldeia Produções Artísticas, Cine Joia, Sol y Sombra, Outrahora Rec, RB Sucesos e Paracima
Samiam retorna ao Brasil em setembro para quatro shows e terá Garage Fuzz em duas datas

Uma das bandas mais respeitadas da história do punk melódico e do rock alternativo norte-americano, o Samiam retorna ao Brasil em setembro de 2026 para uma série de quatro apresentações. O grupo da Califórnia passa por Goiânia, São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte entre os dias 24 e 27 de setembro, em uma turnê que também inclui shows no Peru, Chile e Argentina. As apresentações em São Paulo e Curitiba terão participação especial do Garage Fuzz, nome fundamental para a consolidação do hardcore melódico brasileiro. A banda paulista divide o palco com os norte-americanos em duas datas que prometem reunir diferentes gerações de fãs de punk rock. Samiam – Pioneiros do EMO e Hardcore Melódico Formado em 1988, o Samiam construiu uma trajetória singular dentro da música independente ao transitar entre punk melódico, post-hardcore, emo e rock alternativo sem se prender a rótulos. Liderado pelo vocalista Jason Beebout, o grupo ficou conhecido pela combinação de guitarras densas, melodias marcantes e letras que abordam temas como desgaste emocional, perda e resistência, sempre com uma abordagem mais madura e introspectiva. A discografia da banda acompanha diferentes momentos da evolução do punk norte-americano nas últimas décadas. Álbuns como Clumsy (1994), You Are Freaking Me Out (1997) e Astray (2000) ajudaram a consolidar o Samiam como referência para diversas bandas que surgiram nos anos seguintes, especialmente dentro das cenas emo e punk melódica. O clássico Astray voltou recentemente aos holofotes ao completar 25 anos. Em 2025, o disco foi apresentado na íntegra durante o Riot Fest, em Chicago, festival que reuniu nomes como Green Day, Blink-182, Weezer, Jawbreaker, Bad Religion, Alkaline Trio e Touché Amoré. A fase mais recente da banda é representada por Stowaway, lançado em 2023 pela Pure Noise Records. O trabalho encerrou um intervalo de 12 anos sem discos inéditos e reafirmou a capacidade do Samiam de manter sua identidade intacta, equilibrando peso, melodia e intensidade emocional. Atualmente, a banda conta com Jason Beebout (vocais), Sergie Loobkoff e Sean Kennerly (guitarras), Chad Darby (baixo) e Colin Brooks (bateria). Loobkoff, conhecido também por trabalhos com Knapsack, Solea e Racquet Club, segue como uma das peças centrais da sonoridade do grupo, responsável por uma abordagem melódica que ajudou a definir a identidade do Samiam desde o início da carreira. Serviço Samiam South America 2026 24 de setembro (quinta-feira)Goiânia (GO)Local: De Leon Music PubIngresso: fastix.com.br/events/samiam-eua-em-goiania 25 de setembro (sexta-feira)São Paulo (SP)Local: Hangar 110Participação: Garage FuzzIngresso: fastix.com.br/events/samiam-eua-garage-fuzz-em-sao-paulo 26 de setembro (sábado)Curitiba (PR)Local: BelvedereParticipação: Garage Fuzz, Deb and The Mentals e SimplesmentesIngresso: meaple.com.br/belvedere/time-bomb-fest-samiam-garage-fuzz 27 de setembro (domingo)Belo Horizonte (MG)Punk no Park – local a confirmarIngresso: fastix.com.br/events/primavera-fun-fest-belo-horizonte