A banda americana Lansdowne chega a um novo capítulo de sua trajetória com Wish You Well, álbum que consolida a evolução construída ao longo de quase duas décadas na estrada. Formado em Boston em 2006, o grupo é conhecido por transitar entre o hard rock moderno, o post-grunge e o rock alternativo, construindo uma identidade marcada por refrões fortes, riffs acessíveis e letras confessionais. Desde o debut Blue Collar Revolver (2011), a banda acumulou turnês internacionais e abriu shows para nomes de peso do rock mundial, ampliando sua base de fãs também fora dos Estados Unidos.
Depois de um hiato e do retorno com Medicine em 2023, o novo trabalho surge como a síntese mais madura da carreira do grupo. Wish You Well funciona como um disco de fechamento e renascimento, reunindo o peso característico da banda com uma abordagem mais emocional e adulta. Faixas como “Burn It Down”, “Rescue” e “Feel You Coming” reforçam a energia radiofônica do quinteto, enquanto “Release Me” encerra o álbum com uma carga catártica que conversa diretamente com a proposta de cura e superação que atravessa todo o repertório.
De uma forma geral, o álbum mostra uma Lansdowne segura de sua fórmula. O disco aposta em melodias fortes, refrões grandiosos e um hard rock contemporâneo pensado tanto para os palcos quanto para playlists. Ainda que não reinvente o gênero, Wish You Well se destaca pela honestidade emocional e pela solidez da execução, funcionando como um registro de maturidade artística. É um trabalho que soa grande, coeso e pronto para ampliar ainda mais o alcance internacional da banda, especialmente em mercados como o brasileiro, onde o grupo já registra forte desempenho nas plataformas de streaming.
Em entrevista ao Blog N’ Roll, Shaun Lichtenstein e Glenn Mungo falaram sobre o processo emocional de criação de Wish You Well, a forte recepção do novo material nos shows ao vivo e a possibilidade de uma futura turnê pela América do Sul, com foco especial no Brasil.
Wish You Well parece um álbum muito emocional e intenso. Em que momento da jornada da banda ele nasceu e existe alguma história de bastidor que inspirou as letras?
Shaun Lichtenstein: É engraçado dizer isso, mas provavelmente estamos escrevendo esse disco há tanto tempo quanto existe a banda. Algumas das músicas são canções cujas letras nós retrabalhamos e reaproveitamos. Você pode encontrar versões antigas delas lá no fundo do nosso YouTube. Elas ganharam um novo significado à medida que crescemos como banda e como homens, e realmente se alinharam com o estado mental do John e com o momento que estávamos vivendo como grupo.
Então, existem algumas músicas que foram retrabalhadas. Em termos de quanto tempo estamos escrevendo, este é o disco que estivemos escrevendo durante toda a nossa carreira. É muito legal ver isso finalmente se concretizando por completo agora.
Que experiência pessoal ou sentimento inspirou mais fortemente esse disco?
Glenn Mungo: Ah, foram muitas coisas. O John, nosso vocalista, trouxe muitas das experiências pessoais dele, que é onde tudo começa, certo? E o interessante nesse álbum é que a experiência dele ao começar a escrever uma letra, quando eu e o Shaun nos relacionamos com isso, pode vir de um lugar completamente diferente.
Isso ressoa em nós de formas diferentes. E então fecha um ciclo com as conversas que tivemos com os fãs. Essas conversas e ouvir essas histórias tiveram um papel enorme nesse disco.
Ouvir as lutas deles, as vitórias, as perdas, as coisas pelas quais passaram, realmente ajudou a inspirar a ideia central do álbum, que é: você precisa passar por algumas coisas difíceis para sair do outro lado e perceber que, no final, aquilo foi uma evolução necessária ou um mal necessário para se tornar uma pessoa melhor ou estar em uma situação melhor.
E que você é, de fato, forte o suficiente para fazer isso. Então não existe um exemplo específico. Acho que são vários pequenos exemplos que vivemos ao longo desses 20 anos e que se conectam com esse momento do disco.
Nos bastidores, qual música foi a mais difícil de finalizar?
Glenn Mungo: Acho que talvez tenhamos respostas diferentes aqui. Para mim, existe uma música que é a última do álbum, chamada “Release Me”, que na verdade é a música que está pronta há mais tempo e nunca tinha entrado em um disco até este.
E acho que foi um poder maior dizendo: “sabe de uma coisa? finalmente é hora de lançar essa música”, porque estávamos guardando ela há 15 anos. Mas quando você ouve o disco do começo ao fim, ele termina exatamente da forma que você quer. “Release Me” é exatamente isso.
É seguir em frente e finalmente estar curado para entrar no próximo capítulo. Então, para mim, essa foi a mais difícil de finalmente entregar ao público.
Na visão de vocês, o que faz Wish You Well ser diferente dos últimos trabalhos?
Shaun Lichtenstein: Acho que Medicine foi uma compilação de algumas músicas do passado para nos reapresentar ao mundo, por assim dizer, porque tínhamos ficado um tempo parados. Ele deu às pessoas um gostinho de quem éramos e para onde estávamos indo. E acho que Wish You Well é a conclusão desse caminho.
É um retorno às nossas origens, mas também uma evolução do que as pessoas descobriram e amaram na banda. Elas vão encontrar tudo isso que estava em Blue Collar Revolver dentro deste disco.
Mas definitivamente é uma evolução em termos de temática, em termos de som, eu diria que é mais maduro. É um disco de crescimento para nós, tanto como banda quanto como maridos e pais.
Vi que vocês colocaram cinco músicas do novo álbum no último show. Por que decidiram levar tanto material novo para o palco logo de cara?
Glenn Mungo: Acho que foi muito baseado no que queríamos que as pessoas sentissem e vissem no show ao vivo. Como essa é uma turnê como atração principal, temos um set mais longo, o que é ótimo.
Mas como estivemos nesse mesmo mercado em dezembro de 2024, queríamos garantir que houvesse diferenciação suficiente entre aquele set e este.
A energia que conseguimos trazer com músicas como “Burn It Down”, “Feel You Coming” e “Rescue”, que abre o show, é de outro nível.
Existe alguma música nova que já parece ter sido feita para o show ao vivo?
Glenn Mungo: Para mim, “Feel You Coming”. Do meu ponto de vista como baterista, quando entramos naquele groove mais arrastado, as pessoas começam a mexer o corpo e realmente entram na vibe.
O público levou essa música para outro nível quando escuta o primeiro riff do Shaun e começa a dançar.
São Paulo aparece entre as cidades que mais ouvem a banda no Spotify e vocês nunca deram esse gostinho para gente com um show aqui. Já houve negociações para shows na América do Sul?
Glenn Mungo:
Ainda não tivemos conversas com ninguém na América do Sul até recentemente, quando começamos a trabalhar com a HQ. Começamos a perceber um crescimento muito interessante em São Paulo e em outros mercados do Brasil.
Então agora isso se tornou um foco principal para nós. Como fazemos no Brasil o que fizemos na Alemanha? É isso que queremos fazer a seguir.
Bandas como Creed e Nickelback que fazem um som próximo de vocês foram eleitos como o “Divorce Dad Rock”. Como vocês encaram esse meme que define o som de vocês?
Glenn Mungo: Nós damos risada disso. Temos 20 anos de banda, todos somos pais, então de certa forma é autêntico para quem somos.
Quando estamos em casa, somos pais. Levamos os filhos para a escola, vamos ao jogo de futebol. E de repente viramos a chave e estamos em turnê, como agora, na Suíça, indo tocar um show de rock. São duas coisas muito diferentes, mas ambas fazem parte de quem somos.
Qual banda que vocês eram muito fãs e conseguiram dividir o palco?
Glenn Mungo: Para mim, foi dividir o palco com Bring Me the Horizon no Grass Pop. Sou fã deles há muito tempo.
Shaun Lichtenstein: Vou usar o mesmo show, mas do lado do Limp Bizkit. Eu era um enorme fã quando criança, usava o boné vermelho e tudo mais. Poder tocar no mesmo festival e depois assistir ao show deles do palco foi uma memória e tanto para mim.