Crítica | Homem vs Abelha: A Batalha

Engenharia do Cinema Desde 2018, quando a divertida comédia “Johnny English 3” foi lançada, o veterano inglês Rowan Atkinson não dava as caras em novas produções cômicas. Mas em 2020 ele assinou um contrato com a Netflix, para a realização de uma produção em forma e seriado, cuja premissa seria totalmente original. Conhecido por ser o responsável por dar vida ao icônico Mr. Bean (como muitos o chamam até hoje), ele se juntou com o roteirista da trilogia cinematográfica de Johnny English, Will Davies e criou este “Homem vs Abelha: A Batalha”. Dividida em nove episódios com cerca de 10 minutos cada (podendo até ser editado como filme, pois não iria fazer diferença), a história gira em torno de Trevor (Atkinson) que é contratado para cuidar de uma mansão enquanto seus proprietários saem de férias. Porém, o que parecia ser uma tarefa simples, se transforma em um caos quando ele começa ser afortunado pela presença de uma abelha. Imagem: Netflix (Divulgação) O roteiro parte da seguinte premissa “o que aconteceria se ‘Tom & Jerry’ se encontrassem em um cenário com o próprio Mr. Bean?”. Com poucas falas, a atração segue apenas com piadas no estilo pastelão e com os diversos descuidos de Trevor, ao tentar acabar com a abelha. Mas, assim como na história do gato e rato, a dupla começa a demonstrar uma certa afinidade aos poucos, e a graça começa a vir neste contexto ainda mais. Vale destacar que em nenhum momento é apelado para piadas pejorativas ou até mesmo ofensivas. Tudo se remete ao bom e velho humor do Mr. Bean. “Ahh, mas isso tá me lembrando ‘Bee Movie‘”. Não, realmente esta animação não combina em absolutamente nada com este seriado. Porque além de estarmos falando de um live-action, a maior parte das piadas são concebidas pelas atitudes de Atkinson, que são nem um pouco ortodoxas (já que ao invés de partir para o óbvio, ele sempre escolhe o pior caminho). E temos um detalhe principal: tudo é narrado em um único cenário, desde o princípio, ou seja, o roteiro explora as diversas coisas que poderiam acontecer dentro daquele contexto.     “Homem vs Abelha: A Batalha” é uma das melhores produções na história da Netflix, e realmente mostra que se a plataforma assinar um contrato com Atkinson, para mais atrações como esta, certamente vem mais diversão por aí.

Crítica | Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

Engenharia do Cinema Desde que foi lançado em março deste ano, no Southwest Film Festival, “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” começou a sacudir a internet. Com a temática de “Multiversos” em alta, por conta dos últimos filmes da Marvel Studios, a trama de criada pelos cineastas Dan Kwan e Daniel Scheinert acabou chamando a atenção por conta das maluquices mostradas nas diversas possibilidades que a protagonista vivida por Michelle Yeoh, passava. Só que mesmo com diversos elogios, a trama parece beber um “mais do mesmo” se tratando de produções chinesas com toques de Hollywood. A história gira em torno de Evelyn Wang (Yeoh), que vive uma vida rotineira, onde além de cuidar de uma lavanderia, enfrenta uma enorme crise no casamento, os cuidados com seu Pai, filha e uma baita dívida com a Receita Federal. Mas, isso tudo acaba ficando totalmente de cabeça para baixo quando uma versão alternativa de seu marido Waymond (Ke Huy Quan) aparece e diz que ela é a única solução de todos os multiversos. Imagem: A24/Diamond Films (Divulgação) A dupla de diretores sabem que eles possuem diversas possibilidades para explorarem neste projeto, seja nas técnicas de filmagem, fotografia, designs de produção e até mesmo no roteiro. Embora este último seja um dos quesitos mais problemáticos aqui (já que não conseguimos criar uma afeição com nenhum dos protagonistas), eles conseguem brincar com o público no formato de tela (onde usamos para diferenciar de qual Evelyn a trama está trabalhando) e nas divertidas cenas de luta (pelas quais, uma em especial chega a misturar risos e constrangimento, por conta da “solução” dos antagonistas para terem seus poderes ativados). Quanto ao quesito de atuação, mesmo Yeoh sendo uma ótima atriz (inclusive isso á foi comprovado), quem acaba roubando um pouco a cena (mas ainda acho, que a trama poderia ter tirado mais) é da veterana Jamie Lee Curtis (que vive a fiscal da receita federal Deirdre Beaubeirdre), que está irreconhecível por conta da maquiagem carregada (inclusive não duvido que no Oscar, o longa seja lembrado em tal categoria). Agora, o longa mereceu essa aclamação toda? Realmente, ele conquistou isso mais por ter tido uma campanha de marketing boa, afinal produções envolvendo a China e multiversos estão em alta na cultura pop. Isso fez com que os sentimentos dos espectadores que gostaram dos últimos filmes do Homem-Aranha e Doutor Estranho, estarem empolgados em verem filmes com o mesmo assunto. Mas assim como estes, novamente o problema cai em cima do roteiro. “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” pode ser divertido para uns, entendiante para outros, mas acaba sendo mais uma maluquice aos moldes do cinema chinês

Crítica | Dog: A Aventura de Uma Vida

Engenharia do Cinema Realmente o ator Channing Tatum tem amadurecido bastante ao longo de sua carreira nos cinemas. Começando como um ator canastrão em filmes sobre esportes, passando para produções mais sérias e até mesmo sucessos de bilheteria (como a franquia “Magic Mike“). Assim como o citado, “Dog: A Aventura de Uma Vida” também é inspirado na trajetória do mesmo em uma passagem de sua vida e junto do cineasta Reid Carolin (que assinou o roteiro) ele dirige aqui seu primeiro filme na carreira. A história mostra o ex-militar Jackson Briggs (Tatum), que para conseguir a assinatura necessária com o intuito de fazê-lo voltar para a Academia Militar, ele é encarregado de levar uma cadela de um antigo amigo e parceiro, para o enterro deste. Durante a trajetória, a dupla acaba aos poucos se mostrando mais unidos do que imaginavam. Imagem: MGM (Divulgação) Realmente este filme não foge dos parâmetros do que ele promete: uma aventura genérica e totalmente previsível. Embora o carisma e Tatum e as atitudes da cadela, consigam cativar o público à medida que a história vai avançando. Mesmo não se tratando de uma narrativa triste, é eminente que os mais sensíveis vão se assemelhar com quaisquer passagens com animais que tiveram até então e lágrimas podem vir à tona. Quanto ao trabalho de direção de Tatum e Carolin , é perceptível que eles fazem um jogo interessante de câmeras, com o intuito de sempre vermos a dupla de protagonistas na perspectiva deles. Quando estamos apenas vendo o primeiro, o enquadramento é de baixo para cima, e quando estamos no olhar da cadela, é o oposto. Uma técnica sutil, mas inteligente de ser feita neste tipo de produção. “Dog: A Aventura de Uma Vida” realmente é um mais do mesmo, porém se você está buscando um entretenimento escapista, é uma ótima pedida.

Crítica | O Pai da Noiva (2022)

Engenharia do Cinema Parece que muitos não sabiam, mas é a terceira vez que o livro de Edward Streeter, “O Pai da Noiva” é adaptado aos cinemas. A primeira foi em 1950, a segunda foi a marcante versão de Steve Martin e Diane Keaton e esta nova trás o veterano Andy Garcia como o Pai que terá de fazer o casamento de sua filha da noite para o dia, ao mesmo tempo que tenta esconder de todos o seu processo de divórcio com sua esposa. Em um primeiro momento, confesso que achei bem esdrúxula a ideia da Warner Bros adquirir os direitos da obra, para fazer um reboot voltado ao HBO Max. Embora haja alguns exageros, certamente é menos pior do que imaginava. A história é exatamente como citada no paragrafo antecessor, mas agora temos o sucedido arquiteto Billy Herrera (Garcia) que possui bastante orgulho de sua descendência cubana e sucesso profissional. Porém, tudo começa a se complicar quando ele da entrada no processo de divórcio com sua esposa Ingrid (Gloria Estefan), e sua filha Sofia (Adria Arjona) volta para casa e diz que vai se casar com o mexicano Adan (Diego Boneta). Imagem: Warner Bros Pictures (Divulgação) Começo dizendo que o roteiro de Matt Lopez procura explorar a veia cômica e sarcástica de Garcia (que raramente é mostrada no cinema) para conceber esta trama. Sim, a maior graça está no carisma do veterano em meio ao contratempos com as pessoas em sua volta. Porém, infelizmente o mesmo não se pode dizer de Isabela Merced (que interpreta sua filha mais nova, Cora), que possui um ótimo talento e não foi usado em absolutamente nada neste filme. Agora, parece que há alguns personagens que foram incluídos na trama e os intérpretes parecem verdadeiros atores canastrões, se tratando de funções chave. Como é o caso de Chloe Fineman (que interpreta Natalie, e organizadora do casamento), que está ciente que estava em um papel que poderia roubar a cena e opta por seguir o roteiro e parte para um caminho vergonhoso (saudades de Martin Short, neste papel). O reboot de “O Pai da Noiva” foi lançado da maneira certa, pois acaba sendo uma produção agradável e se resume apenas a um bom entretenimento em uma plataforma de streaming.

Crítica | Maldivas (1ª Temporada)

Engenharia do Cinema Anunciada em 2020, a série “Maldivas” foi vendida como uma das produções mais caras da história da Netflix Brasileira. Após o marketing “gourmet”, a atração criada por Natalia Klein (que também estrela a série como Verônica, e também narra em off a atração) finalmente chegou ao catálogo. Conhecendo os trabalhos antecessores do dramaturgo José Alvarenga Jr. (que tem na filmografia atrações como “Sai de Baixo“, “Os Normais” e até mesmo “Malhação“), aviso que ele está em seu projeto mais fraco em anos e francamente, o cachê foi ótimo.  A história gira em torno de um grupo de moradoras do condomínio de luxo, Maldivas, onde após um assassinato misterioso, todos acabam se tornando suspeitos. Mas a situação se complica, quando a filha da vítima, Liz (Bruna Marquezine) acaba indo até o local para investigar. Por lá, ela começa a criar uma intimidade com Kat (Carol Castro), Milene (Manu Gavassi), Rayssa (Sheron Menezzes) e Verônica (Natalia Klein).     Imagem: Netflix (Divulgação) Começo enfatizando negativamente o recurso de narração em off (exercido por Natalia Klein), uma das mais vergonhosas utilizações do mesmo. Literalmente, ela apenas narra os sentimentos dos personagens em cena e avisa para os espectadores. Um claro exemplo, é quando Liz está pensando sobre quem matou sua mãe. Então entra a narração para falar “agora, Liz já está pensando em mais um suspeito” (é algo neste nível). Eu não culpo a mesma do recurso, pois em uma era onde a maioria dos espectadores deste tipo de série briga com a atenção com um meme da internet e até mesmo uma conversa de Whatsapp, ela precisa ter sua história mostrada de alguma forma e esta foi a solução (e infelizmente é um fato que muitos devemos aceitar).     Mas quando as atenções são direcionadas para a trama em si vemos que o roteiro sequer se preocupa em fazer com que gostemos das protagonistas, ou até permite que seja criada uma atmosfera divertida. Tudo se resume a casos amorosos, egos e atuações horríveis (em especial Gavassi, que está horrível), e transforma os sete episódios, de 30 minutos cada, parecer que estamos há semanas grudados na plataforma. Embora a trama tente vender os tópicos citados como “uma rotina no local”, faltou primeiro uma familiarização com os personagens (uma vez que só queremos que eles se deem mal, para acontecer algo de relevante na atração). Em seu desfecho parece que “Maldivas” foi feita exclusivamente para agradar os fãs das atrizes protagonistas, e render vários memes na internet, com o intuito de levar um público maior para a Netflix. Lamentável.

Crítica | Spiderhead

Engenharia do Cinema Certamente a Netflix foi inteligente em ter segurado o lançamento de “Spiderhead“, em seu catálogo. Previsto inicialmente para o final de 2021, a plataforma esperou a janela de “Top Gun Maverick” e “Thor: Amor e Trovão“, justamente para aproveitar a alta dos atores Chris Hemsworth, Miles Teller e do próprio diretor Joseph Kosinski (que exerceu uma direção excelente, no longa com Tom Cruise). Porém, estamos tratando de um projeto que tinha um enorme potencial, mas que foi meramente “apressado em seu desenvolvimento” e acaba jogando tudo no lixo. Baseado no curta “Escape from Spiderhead“, de George Saunders, a história se passa em um futuro não muito distante, onde prisioneiros podem reduzir suas penas se aceitarem participar de experimentos psicológicos, envolvendo uma nova droga. Sob o comando de Abnesti (Hemsworth), o detento Jeff (Teller) começa a se questionar até onde ele poderá ir com sua insanidade causada pelos medicamentos. Imagem: Netflix (Divulgação) Realmente o diretor Joseph Kosinski só foi chamado para este projeto, pois ele sabe filmar tomadas aéreas com qualidade e enorme “facilidade”, independentemente do cenário (vide o próprio “Top Gun” e “Oblivion“). Só que como estamos falando de um filme que se passa em uma sala, durante boa parte de sua metragem, realmente podemos dizer que o potencial foi usado em cenas banais (que só servem para ser fanservice do diretor) como Jeff ouvindo seu celular em uma montanha ou até mesmo da própria ilha onde eles estão (que é mostrada exaustivamente).    Mas o roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick (responsáveis pelos dois longas de “Deadpool“), consegue ser carregado de vários problemas. A começar que eles apresentam um começo, meio e fim? Infelizmente, quando chegam neste último quesito, parece que a dupla se esqueceu de raciocinar e partiram para o famoso “porque sim! E é isso mesmo” (depois que os personagens de Teller e Jurnee Smollett conseguem sair da situação complicada, por causa uma chave do refeitório entregue a um gordinho, não duvido mais nada da criatividade da dupla). “Spiderhead” realmente consegue funcionar em seus primeiros minutos, por conta das estacas que são colocadas. Mas faltou os tijolos e lages, para finalizar com a obra.

Crítica | Lightyear

Engenharia do Cinema Quando “Lightyear” foi anunciado no início de 2021, muitos ficaram na dúvida se era necessário termos um spin-off de “Toy Story” focado no personagem Buzz Lightyear. Apenas com a informação que o personagem seria dublado agora por Chris Evans no original (que é conhecido por ser o intérprete do Capitão América), muitos literalmente se confundiram com o fato de que Tim Allen havia sido deixado para escanteio (após ele ter dublado o mesmo, na franquia principal). Porém, o próprio Evans e a Disney fizeram questão de explicar que se tratava do “filme que Andy assistiu em 1995, e lhe fez comprar o boneco Buzz Lightyear”. Só que como a Disney/Pixar não está andando nos seus melhores dias, desde 2020, com “Soul” (que foi a última vez pelo qual o estúdio teve um lançamento que realmente cativasse o público), infelizmente este longa que vos falo, mostra que o estúdio ainda está no automático.     A história se passa em um planeta à anos luz da terra, onde após um acidente envolvendo sua nave, o astronauta Buzz Lightyear e todos os tripulantes da mesma acabam tendo de viver no local. Porém, ele acredita que irá conseguir buscar uma forma de conseguir tirar todos do local e fazer com que eles voltem para casa.    Imagem: Walt Disney Pictures (Divulgação) Apesar dos primeiros cinco minutos de projeção referenciarem a primeira cena do personagem no clássico longa de 95, o restante do longa parece ter sido uma mera aventura espacial e totalmente discrepante do talento do personagem Buzz (que ele já mostrou ter nos outros longas). Não há uma explanação que lhe faça ser o melhor astronauta de todos, e que seja um exemplo para todos os outros tripulantes. Só vemos um caractere que gosta de agir sozinho, com ego grande e não ligando para as consequências. O roteirista Jason Headley realmente parece não ter feito a lição de casa mínima, pois nitidamente ele não conhece nada do universo de “Toy Story“, da franquia animada de “Buzz Lightyear” e até mesmo não deve ter prestado atenção nas conversas com criadores do personagem. Porque não há um momento épico, ou até algo que faça com que nos importemos com a origem do mesmo e com os novos coadjuvantes apresentados (que em maioria são bem clichês). A única grande exceção é o gato robótico Sox, que consegue tirar ótimos risos e ser um carismático parceiro para Buzz (inclusive, nos faz ter vontade de ver mais do mesmo futuramente). Mas realmente não estou falando de uma bomba, pois mesmo com estes descuidos a animação ainda consegue entreter dentro da premissa que lhe foi imposta. A direção de Angus MacLane (co-diretor de “Procurando Dory“) realmente teve como inspiração algumas tomadas do recente “Top Gun Maverick” (vide a sequência envolvendo Buzz tentando captar a velocidade necessária, em uma missão no espaço), pelas quais chegam a ser bem executadas na forma visual e sonora. Além de algumas cenas de ação, envolvendo o vilão Zurg (que foi uma tremenda decepção).    Confesso que não conferi o longa na versão dublada, e sim na legendada (que teve um lançamento limitado, em alguns cinemas). A mesma foi bem executada, embora curiosamente o trabalho de Chris Evans seja uma mera tentativa de cópia do trabalho maravilhoso feito por Tim Allen. Mas, até que ele não estava ruim e a diferença não acabou sendo gritante. “Lightyear” termina sendo uma aventura genérica da Pixar, que realmente não consegue ser tão marcante como os quatro títulos da franquia “Toy Story“.

Crítica | As Iluminadas (1ª Temporada)

Engenharia do Cinema Confesso que se “As Iluminadas” não fosse estrelada por Elisabeth Moss e o brasileiro Wagner Moura, certamente iria passar em branco no catálogo da Apple TV+. Porém, como estamos falando de dois atores que sabem escolher seus projetos e já estampam um selo de qualidade na testa, a atração tem ganhado um certo destaque por assinantes da plataforma. Inspirado no livro de Lauren Beukes, a série gira em torno de Kirby (Moss) que acaba sendo a única sobrevivente de um brutal assassino (Jamie Bell). Ao juntar forças com o jornalista Dan (Moura), eles acabam descobrindo que o mesmo possui uma enigmática habilidade de viajar no tempo. Então é dada uma largada para pararem o mesmo, em diferentes “multiversos”. Imagem: Apple TV+ (Divulgação) Dividida em oito episódios com cerca de uma hora cada, estamos falando de uma narrativa que poderá causar um certo “boom” na cabeça do espectador por diversos motivos. Primeiro, por ela exigir bastante do raciocínio do público, para conseguir desvendar os enigmas que estão por vir, e segundo que em momento algum é salientado em qual realidade a série está sendo narrada (já que em momento algum as transições são citadas, e não há uma identificação para os flashbacks). Só que por mais que pareça confusa esta premissa, o problema acaba sendo na abordagem dos personagens coadjuvantes, pois em nenhum momento nos preocupamos com eles e se interessamos por suas histórias e até mesmo nas possíveis ameaças do assassino. Este é interpretado com maestria por Jamie Bell, que consegue passar a presença de um serial-killer, e inclusive, se assemelhou bastante com o caso do assassino Zodíaco (que ganhou um filme dirigido por David Fincher, em 2007). “As Iluminadas” acaba sendo uma interessante série de viagem no tempo, onde numa era de “multiversos” na cultura pop, se torna um lançamento ideal.

Crítica | Val

Engenharia do Cinema Sem viés de dúvidas, uma das mais comoventes histórias atuais de Hollywood, é a trajetória do ator Val Kilmer. Conhecido por ter uma personalidade séria, problemática e cobradora nos bastidores, ele foi vítima de câncer na garganta nos últimos anos e acabou perdendo grande parte da sua voz. Porém, o que muitos não sabem é que desde criança ele filmava vários registros de suas apresentações, bastidores de filmes e momentos da vida, com o intuito de montar um documentário. Rotulado de “Val“, ele foi adquirido pela A24 e Amazon Studios, e foi distribuído pelo Prime Video mundialmente, em 2021.    Vindo de uma família que respirava cinema desde sua infância, e que mesmo com a perda do seu irmão ainda na infância (vítima de afogamento), Val não se deixou abalar e começou a ganhar destaque na dramaturgia, até conseguir os seus primeiros grandes papéis no cinema. Por intermédio de uma narração em off de seu filho, Jack Kilmer (cujo texto foi escrito pelo seu próprio Pai), vemos a vida do veterano sendo contada por sua perspectiva, e como alguns icônicos papéis acabaram virando pesadelos (como o seu icônico Batman/Bruce Wayne).    Imagem: A24/Amazon Studios (Divulgação) Apesar de estarmos falando de uma produção concebida pelo próprio astro, a direção de Ting Poo e Leo Scott, procura apenas mostrar o lado humano na perspectiva de Kilmer. Raramente vemos depoimentos de outras pessoas, e até mesmo atores que trabalharam com o mesmo comentando seus erros e mostrando que ele não era uma pessoa perfeita, ou seja, estamos falando de um documentário que santifica o ator Val Kilmer. Embora Val possua uma enorme organização de seus registros em vídeos e fotos de seus acontecimentos, vemos que realmente haviam muitos problemas criados nas produções pelas quais ele foi escalado, que realmente não foram culpa dele (como o temperamento de Marlon Brando e brigas com o diretor de “A Ilha do Dr. Moreau“, terem não só estragado o filme como também se tornado o ápice para o seu divórcio com a atriz Joanne Whalley), caindo totalmente em contradição com o que os tabloides falaram na época. Porém, a dupla de cineastas resolveram usar como parâmetro a intercalação da doença de Val e suas histórias do passado, com intuito de uma frase que o mesmo salienta em determinado ponto da produção sobre “essa doença tirou minha voz e agora estou vivendo muito do que fiz no passado” (lembrando que quando este filme foi lançado, “Top Gun Maverick” ainda não havia sido lançado). “Val” acaba sendo uma verdadeira carta de amor para um grande ator dos anos 80/90, mas se prejudica um pouco ao transformá-lo em um enorme mártir.