Entrevista | L7 – “Seria muito horrível se aquele avião virasse”

Prestes a desembarcar no Brasil pela quarta vez, a banda californiana L7 acompanhará o Garbage em sua turnê pelo País a partir da próxima semana. Os shows acontecem nos dias 21, 22 e 23 de março, no Rio de Janeiro (Sacadura 154), São Paulo (Terra SP) e Curitiba (Ópera do Arame), respectivamente. A banda The Mönic fará a abertura dos eventos em São Paulo e Curitiba. Ainda há ingressos disponíveis. O grupo, formado por Donita Sparks, Suzi Gardner, Jennifer Finch e Demetra Plakas, não lança um álbum de inéditas desde 2019, quando divulgou Scatter the Rats. No entanto, gravar um sucessor não está nos planos. A ideia é seguir excursionando e tocando seus principais sucessos. As apresentações no Brasil, inclusive, devem ser focadas no maior sucesso comercial da banda, Bricks Are Heavy, de 1992. Sons novos também estão nos planos. Em entrevista ao Blog n’ Roll, a vocalista e guitarrista Donita Sparks falou sobre a expectativa para os shows, as lembranças da icônica passagem da banda pelo Hollywood Rock de 1993 e a relação com o produtor Butch Vig, responsável pelo álbum Bricks Are Heavy. Além disso, Donita comentou o atual cenário político dos Estados Unidos e a dificuldade de produzir novos álbuns de estúdio. Confira a entrevista completa abaixo. Como está a preparação para os shows no Brasil? Set já está definido? Hoje (dia 13) à noite é nosso primeiro ensaio para os próximos shows no Brasil. Então, ainda não temos o set list. Vamos trabalhar nisso hoje à noite. Mas vou te dizer que vamos adicionar algumas músicas novas no set que não tocamos no Brasil. Isso vai ser emocionante. No entanto, também temos uma baterista que acabou de fazer uma cirurgia no joelho em janeiro. Então, temos que ser muito eficientes com o que escolhemos, porque ela não pode tocar muito agora. Mas vocês pretendem priorizar algum álbum? Sim. Nós, provavelmente, tocaremos a maioria das músicas do Bricks Are Heavy, foi o nosso maior disco de todos os tempos. Além disso, Butch Vig, do Garbage, produziu esse disco. Gostaríamos que ele ouvisse algumas dessas músicas ao vivo. Depois de todo esse tempo, nós sempre tocamos mais coisas do Bricks Are Heavy do que nossos outros discos. Nós estamos realmente ansiosas para tocar com o Garbage. Nós conhecemos esses caras, conhecemos Butch há décadas. E os outros caras da banda estavam acostumados a trabalhar com Butch quando gravamos Bricks Are Heavy. Isso é muito emocionante. Conheci Shirley há cerca de dez anos e ela é muito divertida de se conviver. Apesar dessa relação, nós nunca tocamos com o Garbage antes. Você comentou sobre o Butch Vig. O quão importante ele foi para o sucesso do Bricks Are Heavy? Ele é um excelente produtor. E ele também não é um idiota, é uma pessoa muito legal, tem um bom senso de humor, além de ser muito diplomático em sua abordagem trabalhando com músicos. Alguns produtores são tiranos, simplesmente horríveis. Tivemos sorte de não termos trabalhado com nenhum desses tipos de pessoas. Butch não apenas é um cara legal, mas trouxe sons de guitarra realmente ótimos e agressivos, e também encorajou nosso lado melódico, nos encorajou a explorar isso um pouco mais do que outros produtores fizeram. E vocês planejam trabalhar juntos novamente? Ah, não agora. Butch é muito caro, não podemos pagar Butch. Você sabe o que quero dizer? Ele é um grande negócio, nós não somos. Não temos dinheiro para Butch Vig. Teríamos que ser um projeto de caridade dele para trabalharmos juntos. Eu adoraria em algum momento trabalhar com ele, mas isso está muito distante hoje. Uma das memórias mais marcantes que tenho do L7 no Brasil foi a apresentação no Hollywood Rock, em 1993. Você se lembra dessa primeira vez no país? Foi muito emocionante! Estávamos no mesmo avião com o Nirvana, Alice in Chains, Red Hot Chili Peppers… Quando voamos de São Paulo para o Rio, todas as bandas estavam naquele voo. E aquele voo, quando pousou, quase virou, foi realmente assustador. Imagina isso? Seria muito horrível se aquele avião virasse, todo mundo estava naquele avião. No fim, deu tudo certo e nós fomos ao show, mas foi bem assustador. Não esperávamos a recepção positiva do público no festival, foi muito legal. Meu Deus! Que horror essa situação Muito! Nós pousamos de lado, estávamos quase fora de nossos assentos. A inclinação era tão intensa. Nós estávamos totalmente apavorados, todos os músicos, mas os roadies estavam rindo, achando tudo divertido. Mas você acha que antes desse incidente foi divertido, estar todos juntos no mesmo avião? Nós saímos mais com o Nirvana, mas também um pouco com o Layne Staley (ex-vocalista do Alice in Chains), ele era muito divertido, essas lembranças que ficam. O L7 sempre foi muito associado ao grunge. Mas acho que é um erro, já que vocês vieram antes do movimento. Isso é algo que te incomoda? Não me incomoda mais. Acho que talvez na época incomodasse, só porque achava que era um jornalismo preguiçoso nos colocar todos juntos daquele jeito. Mas todo mundo precisa de uma porra como essa. Tenho certeza de que bandas que eram chamadas de punk também não gostavam do rótulo. O mesmo acontecia com a new wave. O feminismo sempre esteve presente na história do L7. Você acha que os tempos mudaram se comparado com o início da carreira do L7? Cresci com o feminismo na década de 1970, minha mãe e irmãs eram feministas, isso faz parte do meu DNA. Mas meu pai era feminista também. Então, cresci com direitos ao aborto na minha casa. E o direito ao aborto foi aprovado nos Estados Unidos em 1973 ou algo assim. Portanto, agora, o aborto só ser legal em alguns lugares dos Estados Unidos é muito bizarro para mim, muito doloroso. Nós temos um presidente fascista, isso também é inacreditável. É foda o que está acontecendo aqui. Em momentos como este, só tenho que fazer o que faço como artista, essa é minha contribuição. Vou continuar fazendo música, vamos
7 Seconds, lenda do hardcore punk, volta a São Paulo em agosto

Formada no início dos anos 80 na cidade de Reno (Nevada), a banda 7 Seconds retorna ao Brasil com seu clássico e enérgico hardcore punk para um show único, marcado para o dia 10 de agosto em São Paulo/SP, no Fabrique Club. O evento é mais uma produção conjunta da Powerline Music & Books com a New Direction Productions. Os ingressos já estão à venda. Esta será a segunda passagem do 7 Seconds pelo Brasil – a estreia acontece em 2015, em um show lotado e eufórico realizado na capital paulista. Além das mais de quatro décadas de atividades, desde os primórdios o 7 Seconds se prestou a lançar singles, EPs e discos. O álbum de estreia foi The Crew. Já no álbum New Wind, a banda expandiu seu som e estilo com mais elementos do punk rock/hardcore, ora mais lento, ora mais melódico e acessível. Muitos creditaram esse período específico da carreira do 7 Seconds como o ponto de partida de muitas bandas de pop punk e indie rock que surgiram muito mais tarde. O lançamento mais notável do 7 Seconds é Walk Together, Rock Together, um dos pilares do hardcore e também uma peça-chave para o movimento straight edge, produzido por Ian MacKaye (Minor Threat, Fugazi). Na década de 1990, o 7 Seconds chegou inclusive fazer lançamentos por uma grande gravadora, a Epic, o que impulsionou ainda mais a fama da banda dos irmãos Marvelli (Kevin Second, o vocalista, e Steve Youth, o baixista), membros originais ainda no front da banda que volta ao Brasil em 2025. O guitarrista Bobby Adams, na banda desde 1986, também está na atual formação. O vocalista Kevin Seconds também teve uma carreira solo de sucesso, tornando-se uma figura significativa na cena folk-punk, colaborando com artistas como Matt Skiba, do Alkaline Trio, e Mike Scott, do Lay It on the Line. Como curiosidade, o 7 Seconds é frequentemente creditado como a primeira banda a se descrever como uma formação hardcore. SERVIÇO 7 Seconds em São Paulo Data: 10 de agosto de 2025 Horário: 17h (abertura da casa) Local: Fabrique Club (Rua Barra Funda, 1071 – Barra Funda, São Paulo ) Venda online Ingresso: a partir de R$180,00 (1º Lote – meia entrada e meia solidária), R$ 320,00 (1º Lote – inteira)
Hurricanes divulga primeiro vídeo de série em formato live session

A banda brasileira de rock e blues Hurricanes divulgou um vídeo ao vivo em estúdio, com uma performance da música Over the Moon. O vídeo é o primeiro de uma série de vídeos em formato live session, gravada em diferentes estúdios e shows ao vivo. O primeiro vídeo a ser disponibilizado foi gravado no estúdio Space Blues, em São Paulo. A música escolhida para estrear a série de vídeos, Over the Moon, é um dos destaques do novo álbum Back to the Basement. Outros vídeos no formato devem ser disponibilizados no canal da banda ao longo das próximas semanas, com o objetivo de captar a energia do grupo nas performances ao vivo. Conhecida pelos seus shows excelentes, a banda é atração confirmada no festival Best of Blues and Rock no dia 14 de junho, ao lado de Deep Purple e Judith Hill. A banda foi fundada pelo guitarrista Leo Mayer e o vocalista Rodrigo Cezimbra em 2016, no sul do Brasil. Em 2018, mudaram-se para São Paulo, onde conheceram o baterista Guilherme Moraes e o baixista Henrique Cezarino. Para a gravação da live session, a banda contou ainda com Jimmy Pappon nos teclados e Julia Benford nos backing vocals. Back to the Basement é um lançamento do selo ForMusic Records, e já está disponível em todas as plataformas, e em CD pela Wikimetal Store.
Ale Sater lança clipe de Girando em Falso e anuncia show em São Paulo

Em setembro de 2024, o músico e compositor Ale Sater lançou seu álbum de estreia, Tudo Tão Certo, pela Balaclava Records. Hoje, quase seis meses após seu debute, o músico dá continuidade às obras audiovisuais de seu novo material, com o lançamento de um videoclipe inédito para a quinta faixa do disco, Girando em Falso. O clipe, assinado por Bruno Alves, que já trabalhou com Ale nos clipes de Criança e Circulares de sua banda Terno Rei, retrata uma casa abandonada mesclando cenas focadas no cantor. “O clipe em si é muito simples, super curto né? Mas acho que simboliza bem essa minha nova fase, que tá bastante centrada em um tipo de busca pessoal pela simplicidade, pro olhar sobre o mundano, a memória do dia a dia e as coisas simples da vida. A música do Ale veio de encontro exatamente com esse sentimento”, comenta. Além disso, o músico anuncia hoje uma apresentação única na capital paulista, que acontece no dia 10 de abril no Bona Casa de Música, localizado no bairro de Perdizes, zona oeste de São Paulo. Os ingressos já estão disponíveis no site da Eventim. O disco traz 11 faixas autorais e foi todo composto, produzido e executado a quatro mãos, pelo próprio, juntamente com o parceiro de longa data, o produtor Gustavo Schirmer (Terno Rei, Jovem Dionísio, Lou Garcia), entre dezembro de 2023 e abril de 2024, em Curitiba. Tudo Tão Certo apresenta uma sonoridade de folk melancólico já revelada nos EPs Fantasmas e Japão e evidente nas canções Anjo, Final de Mim, Ouvi Dizer e Desvencilhar, além de trazer algumas faixas mais introspectivas como Cidade, Trégua e Girando em Falso, mas sem deixar de lado uma sonoridade indie pop mais ensolarada como em Quero Estar e Alguma Coisa. O novo trabalho abre espaço para uma sonoridade mais pop e versátil, repleto de nostalgia e referências à música alternativa dos anos 90. Nas referências musicais, Everything But The Girl, Elliot Smith, Jeff Buckley e Radiohead. A observação da passagem do tempo em nossas vidas, a metrópole de São Paulo como pano de fundo, as relações de amizades e amor em tom confessional e nu dão o tom dos temas abordados em suas letras. Serviço Ale Sater apresenta Tudo Tão Certo em São Paulo Data: 10 de abril de 2025, quinta-feira Local: Bona Casa de Música Site Endereço: R. Dr. Paulo Vieira, 101 – Sumaré, São Paulo – SP, 01257-000 Horário: 20h Classificação etária: 16+ Ingressos: https://www.eventim.com.br/artist/bona-casa-musica/ale-sater-apresenta-tudo-tao-certo-3852803/ Preços: Inteira R$120,00 | Promocional R$60,00 | Ingresso Social R$60,00 | Meia Entrada R$ 60,00
Garbage e L7 iniciam turnê brasileira na próxima semana; ainda tem ingressos à venda

De 21 a 23 de março acontece a super turnê do Garbage, uma das mais influentes, aclamadas e explosivas bandas na história do alternative rock com a sempre irradiante Shirley Manson nos vocais, com as meninas do L7, que incendiaram o grunge na década de 1990, como convidadas especiais. Os shows acontecem no Rio de Janeiro (21/03, no Sacadura 154), São Paulo (22/03, no Terra SP) e Curitiba (23/03, na Ópera de Arame). A banda The Mönic fará a abertura dos eventos em São Paulo e Curitiba. A turnê brasileira é uma realização da Liberation Music Company, que recém concluiu o novo giro pelo Brasil dos veteranos britânicos do The Cult. O Garbage encerrou 2024 em grande estilo ao lançar o EP Copy/Paste Vol. 1 (Abridged), que reúne versões de clássicos de nomes fortes do rock como David Bowie, Patti Smith, U2, Tim Buckley e The Psychedelic Furs. E 2025 tem mais lançamento: Let All That We Imagine Be the Light, o oitavo álbum, sai dia 30 de maio. Segundo Shirley, em recente rodada de entrevistas à imprensa brasileira para promover esta turnê em março, o disco novo apresenta uma perspectiva mais esperançosa e positiva a respeito da vida. O quarteto, formado na cidade norte-americana de Madison, em 1994, também é composto por Duke Erikson (guitarra, baixo, teclado), Steve Marker (guitarra, teclados) e Butch Vig (bateria, produtor musical do álbum Nevermind, do Nirvana e Bricks Are Heavy, do L7). Desde a sua criação, o Garbage vendeu mais de 20 milhões de álbuns em todo o mundo e obteve sucessos colossais, incluindo Stupid Girl, Push It, I Think I’m Paranoid, Queer e Milk. Já o L7, pioneiras no punk/grunge no início da década de 1990 nos Estados Unidos, volta para se apresentar ao seu público fanático no Brasil. O som característico do L7 de uma mistura pesada e cativante de punk, metal, ruído e pop ajudou a inaugurar a era do Grunge. Fundada em Los Angeles por Donita Sparks – guitarra e voz, e Suzi Gardner – guitarra e voz, a banda conta com Dee Plakas na bateria e Jennifer Finch – baixo e voz. Conhecida por suas performances ao vivo inesquecivelmente estridentes, a banda também lançou sete álbuns de estúdio, um LP duplo de covers e vários singles de grande sucesso como Shove, Pretend We’re Dead, Shitlist, Fuel My Fire, Andres e Monster. The MönicBpm’s acelerados, vocais rasgados e melódicos são as marcas registradas da banda que te transporta para o rock noventista. Formada em 2018, o grupo paulistano The Mönic é composto por Ale Labelle (guitarra e voz), Dani Buarque (guitarra e voz), Joan Bedin (baixo e voz) e Thiago Coiote (bateria e voz). Após incendiar o Knotfest Brasil e Rock in Rio 2024, a banda vem amplificando suas vozes em turnê pelo país divulgando seu disco Cuidado Você, lançado pela Deck e produzido por Rafael Ramos (Pitty, Titãs etc). SERVIÇO Garbage e L7 no Rio de JaneiroData: 21 de março de 2025 (sexta-feira) Local: Sacadura 154 (Rua Sacadura Cabral 154, Rio de Janeiro, RJ) Abertura da casa: 19h. Ingresso * Garbage e L7 em São PauloData: 22 de março de 2025 (sábado) Local: Terra SP – Av. Salim Antônio Curiati, 160, São Paulo – SPAbertura da casa: 19h Ingresso * Garbage e L7 em CuritibaData: 23 de março de 2025 (domingo) Local: Local: Ópera de Arame ( Rua João Gava 920, Curitiba, PR) Abertura da casa: 18h Ingresso
Sam Fender lança terceiro álbum de estúdio; ouça People Watching

Consolidado como um dos compositores mais talentosos de sua geração, Sam Fender lançou recentemente seu terceiro álbum de estúdio, People Watching. O disco sucede Seventeen Going Under (2021), que alcançou o topo das paradas no Reino Unido. People Watching representa o próximo passo de Sam e traz histórias vibrantes e observações sobre personagens do dia a dia, que vivem rotinas comuns, mas, muitas vezes, extraordinárias.
Entrevista | The Sheepdogs – “É mais satisfatório passar por coisas ruins com bons amigos”

Com 20 anos de estrada, a banda canadense The Sheepdogs continua a conquistar corações com seu rock genuíno e suas melodias marcantes. Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, a banda abriu o coração para falar sobre seu mais recente EP, Hell Together, que traz uma reflexão profunda sobre os desafios e as vitórias de estar junto em momentos difíceis, uma verdadeira irmandade musical. O conceito do álbum, que questiona a ideia de estar “no inferno juntos” em vez de “no céu sozinho”, reflete não só a trajetória da banda, mas também as complexidades da vida na estrada e a conexão entre os integrantes. Hell Together surgiu como uma inversão do EP anterior, Paradise Alone, e é uma metáfora da realidade de estar em uma banda por tanto tempo. Ao longo dos anos, a banda passou por sucessos, fracassos e dificuldades, mas o que realmente se destaca é a força que surge da união e da superação em grupo. Para eles, os momentos difíceis são mais gratificantes quando enfrentados ao lado de bons amigos, e a sensação de irmandade é um dos pilares que sustentam a The Sheepdogs desde o início. Confira a entrevista abaixo com o vocalista e guitarrista, Ewan Currie, e o baixista do The Sheepdogs, Ryan Gullen. Hell Together aborda a ideia de estar juntos no inferno ao invés de sozinhos no céu. Como vocês criaram esse tema? Ele reflete de alguma forma a dinâmica da banda ao longo da carreira? É a inversão de outro EP nosso chamado Paradise Alone (2024). Mas realmente se relacionou com a história da nossa banda porque estar em uma banda, especialmente por 20 anos, você certamente teve alguns sucessos, mas provavelmente há muito mais fracassos e tempos difíceis. E há uma força tremenda que você obtém ao passar por essas coisas com seus companheiros de banda, seus amigos e irmãos. Então estava meio que refletindo sobre isso. É uma coisa e tanto que fizemos isso por 20 anos. Quando você pensa nos Beatles, por exemplo, foi uma banda por apenas nove anos. Então foi realmente uma reflexão não apenas sobre a banda, mas também sobre a vida e como estive em lugares lindos e incríveis sozinho. E às vezes é realmente mais gratificante ou mais satisfatório passar por coisas ruins com boas pessoas e bons amigos. Quais são as inspirações e desafios sonoros no desenvolvimento desse EP do Sheepdogs? Estou sempre tentando soar mais como Creedence Clearwater Revival, Leon Russell, J.J. Cale, música americana do sul, apenas boas bandas de guitarra. Estávamos ouvindo, na época da gravação, um monte de country dos anos 1980 e 1990, e não diria que o som disso exatamente apareceu, mas gosto de como essa música é dançante. Nós crescemos em Saskatchewan, no Canadá, que é meio que uma região de fazendas no meio do nada, e as pessoas colocavam essas músicas country em bailes e casamentos e coisas assim, e isso simplesmente faz as pessoas dançarem. E isso é algo que realmente sinto falta como um cara do rock and roll. Não quero que as pessoas fiquem sentadas e assistam levantando o pulso e fazendo sinais, quero que elas dancem. Acho que nós sempre meio que dizemos que tentamos fazer uma música rock que faça você se sentir bem. Muitos dos elementos que nós temos nessas músicas são meio que edificantes no sentido de que nós gostamos de tocar música para fazer as pessoas se sentirem bem, fazer as pessoas dançarem. Acho que é algo que nós estamos conscientes. Não temos medo de explorar assuntos que talvez não façam você se sentir bem ou sejam sobre não se sentir bem, mas acho que muito da música que nós fazemos, nós tentamos fazer com que seja edificante, e então muita da inspiração vem dessa música que nós achamos que nos eleva também. Trabalhar novamente com o produtor Thomas Darcy, com quem você já colaborou, parece ter sido um ponto forte neste EP do Sheepdogs. O que você acha que foi mais especial? Nós temos um ótimo relacionamento, e fizemos vários álbuns do Sheepdogs e projetos paralelos, então isso economiza tempo. Você não precisa explicar o que quer algumas vezes, e ultimamente temos realmente feito um ótimo trabalho tentando fazer algumas coisas novas. Como fomos para Memphis, no início deste ano (2024), então estávamos tentando algumas coisas diferentes. Tom estava aberto para nós tentarmos alguns sons diferentes, fossem técnicas diferentes de microfonação de bateria, apenas sons de baixo diferentes, ou mesmo ter uma música mais focada no teclado. É muito fácil trabalhar com o Tom, porque ele também é muito rápido. Não gastamos muito tempo mexendo com equipamentos e montando as coisas, podemos realmente pegar um ritmo, e acho que isso é algo que realmente fizemos em tudo que fizemos este ano, trabalhamos muito rápido, e isso realmente evita que você pense demais. Lançar música de forma independente impactou a maneira como você compõe e grava? Não sei se é o fato de que a coisa independente mudou a maneira como fazemos as coisas. Acho que afetou mais a maneira como lançamos as coisas, e vou deixar Ryan falar sobre isso, você pode falar mais sobre isso. Ryan Gullen: Claro. Acho que o objetivo deste ano era tentar apenas gravar e colocar música o máximo que pudéssemos. Sabe, esse era o propósito, não era apenas aproveitar esses momentos em que íamos gravar e depois lançá-los, em vez de tentar juntar um monte de coisas diferentes em momentos diferentes, porque também estávamos muito ocupados com a estrada também. Não acho que isso necessariamente mudou a maneira como fizemos as coisas no estúdio, mas tem sido legal. Muito sobre lançar música acaba sendo você gravar algo e esperar muito tempo para lançar. E tentamos não fazer isso dessa vez, porque meio que vimos o valor nas pessoas que consomem sua música ou querem ouvir sua música. É um mundo em que há todo esse conteúdo diferente e todo mundo está meio que competindo por sua atenção, você
Com integrantes do Skank e Jammil, Trilho Elétrico aposta em mix de gêneros; leia entrevista

Depois de décadas como baixista do Skank, Lelo Zaneti resolveu embarcar em um novo desafio musical com a banda Trilho Elétrico. O grupo, que mistura influências de MPB, rock, reggae e pop, reúne músicos experientes de diferentes vertentes, como integrantes do Jammil e da cena do reggae baiano. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Lelo falou sobre a formação da banda, a sonoridade e os planos para o futuro. Formada pelos mineiros Lelo e Rodrigo Borges (herdeiro e atual representante do Clube da Esquina) e os baianos Manno Góes (Jammil e Uma Noites) e Lutte (ex-vocalista da Mosiah), a banda Trilho Elétrico tem como objetivo criar um som que transite em diferente gêneros. Até o momento já lançou um álbum (homônimo, de 2023) e alguns singles. “Acho que tem algumas pontas que se conectam. Por exemplo, quando ensaiamos músicas do Jammil para um show, percebi que a condução do baixo poderia remeter a algo meio Paralamas do Sucesso. Esse ensaio nos levou a resultados muito interessantes, onde você se pergunta: ‘Isso é Jammil, Paralamas ou Skank?’. São linguagens que acabam se aproximando naturalmente”, explicou o baixista. A forte conexão da banda com a cena musical da Bahia também é um diferencial. Segundo Lelo, o Skank já participou de muitos eventos de axé e sempre teve afinidade com o ritmo. Além disso, o Trilho Elétrico tem integrantes que vêm do reggae baiano, como Lutte, da Mosiah, um fenômeno local. “A Bahia é um celeiro musical muito poderoso. Lá, a gente vê o brilho nos olhos das crianças quando elas enxergam algo relacionado à música. Tocamos no Carnaval de rua e nas praças do Pelourinho, onde há uma circulação forte de estrangeiros e do público jovem. Então, houve toda uma pesquisa e experimentação para chegarmos na identidade do Trilho Elétrico.” “Plot Twist” e a nova fase da Trilho Elétrico O primeiro single do Trilho Elétrico em 2025, Plot Twist, já começou a ganhar destaque, entrando em playlists editoriais do Spotify. A canção traz uma mescla de pop, reggae e MPB, refletindo a diversidade sonora do grupo. “O arranjo da música foi feito com muito cuidado. Gravamos no estúdio do Chico Neves, que trabalhou com Paralamas, Skank e até Peter Gabriel. Ele conseguiu tirar um som incrível. No final, percebemos que Plot Twist nasceu de forma muito natural, parecia que já estava dentro de nós”, contou Lelo. A estratégia da banda para os próximos lançamentos segue uma tendência do mercado digital: em vez de lançar um álbum completo de uma vez, o grupo pretende soltar singles ao longo do ano. “A leitura do digital hoje é essa: lançar quatro ou cinco singles por ano. Isso mantém o público sempre com novidades e favorece o engajamento nas plataformas. Nos anos 60, os Beatles impulsionaram o formato de singles. Depois, o Led Zeppelin veio e resgatou a força dos álbuns. Agora, voltamos a uma era onde os singles dominam de novo. A música precisa se adaptar ao tempo”, refletiu. Com uma forte presença em festivais e no circuito independente, o Trilho Elétrico quer expandir ainda mais seu alcance. Segundo Lelo, um dos objetivos é entrar em circuitos como o do Sesc, que oferece estrutura e visibilidade para artistas de diversos gêneros. “A gente tem que entrar em circuitos que mostram o trabalho para um outro público. O Sesc, por exemplo, é um espaço que permite um amadurecimento do som. O Emicida fez isso muito bem. É um projeto de longo prazo, mas estamos no caminho certo”, afirmou. Enquanto isso, o Trilho Elétrico já está de olho nos próximos lançamentos e até em colaborações especiais. “Estamos prospectando convidados para o próximo single e a ideia é seguir nessa linha do Plot Twist, algo que o brasileiro tem na veia. O primeiro disco teve um som mais aberto, com participações de Daniela Mercury, Tony Garrido e Luiz Caldas. Agora, queremos consolidar essa identidade pop rock e seguir lançando novas faixas ao longo do ano.”
Arnaldo Antunes anuncia álbum Novo Mundo

Novo Mundo é o novo álbum de inéditas de Arnaldo Antunes, que será lançado nas plataformas digitais no dia 20 de março, pelo selo RISCO. No repertório de 12 canções inéditas e recentes, fazem parte composições só de Arnaldo e parcerias com David Byrne, Marisa Monte, Erasmo Carlos e Marcia Xavier. A capa é uma fotografia de Leo Aversa, com direção artística de Batman Zavareze. Arnaldo Antunes também divulgou o tracklist do álbum. Confira a relação completa das músicas abaixo. Tracklist 01_Novo Mundo (Arnaldo Antunes/Participação: Vandal / Citação: MUNDANOH/ Vandal) 02_O Amor É A Droga Mais Forte (Arnaldo Antunes) 03_Body Corpo (David Byrne e Arnaldo Antunes/ Participação: David Byrne) 04_É Primeiro De Janeiro (Arnaldo Antunes e Marcia Xavier) 05_Pra Não Falar Mal (Arnaldo Antunes/ Participação: Ana Frango Elétrico / Citação: Canto XLV do Tao-Te King, Lao Tzu) 06_Acordarei (Arnaldo Antunes) 07_Pra Brincar (Arnaldo Antunes) 08_Tire O Seu Passado Da Frente (Arnaldo Antunes) 09_Sou Só (Marisa Monte e Arnaldo Antunes/ Participação: Marisa Monte) 10_Viu, Mãe? (Arnaldo Antunes e Erasmo Carlos) 11_Não Dá Para Ficar Parado Aí Na Porta (Arnaldo Antunes e David Byrne/ Participação: David Byrne) 12_Tanta Pressa Pra Quê? (Arnaldo Antunes e Marcia Xavier)