Entrevista | Planta & Raiz e Julies – “Feat que namoramos há dois anos”

No mês que irá estrear no Lollapalooza, a banda de reggae Planta & Raiz traz mais uma novidade: um single em parceria com Julies, artista revelação do gênero. Em resumo, Se Deus Quiser chega nesta sexta-feira (11) em todas as plataformas de streaming. Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, o vocalista da banda, Zeider Pires, contou sobre a comemoração dos 25 anos de carreira do Planta & Raiz, a participação no Lollapalooza e como foi feita essa parceria musical. “Julies é meu parceirão. A gente já tem trabalhado bastante junto nas divulgações, nos corre e também nas composições, a gente tem feito muita música junto. O dia que a gente fez essa música, bateu na hora e a gente decidiu que seria essa que a gente faria um feat junto, uma produção musical, e deu no que deu, mó musicão, hitzasso”. De acordo com o Julies, esse single é uma “realização pessoal” por ter crescido escutando Planta & Raiz. Contudo, isso reflete na inspiração que teve para a sonoridade: a “nata” da banda. Confira a entrevista na íntegra abaixo: Como surgiu a ideia de gravar junto com o Julies? Vocês já trabalharam juntos antes? Zeider: Julies é meu parceirão. A gente já tem trabalhado bastante junto nas divulgações, nos corre e também nas composições, a gente tem feito muita música junto. O dia que a gente fez essa música, bateu na hora. Então, a gente decidiu que seria essa que a gente faria um feat junto, uma produção musical. E deu no que deu, mó musicão, hitzasso. Julies: Estou felizasso também. Complementando o Zeidão, é um feat que a gente já está namorando há basicamente uns dois anos, desde quando o Planta lançou um som acho que com o Fábio Braza, acho que já faz mais ou menos dois anos né Zendão? Zeider: Acho que até um pouco mais. Julies – A gente já vinha falando disso, “vamos fazer junto uma foda”, a gente sempre ficou “tem que ser a foda”. Sempre falava com os moleques, “já tem um feat com o Planta pronto. Mas preciso achar a música para gente fazer junto”, foi até quando a gente sentou e começou a canetar e falou “vish, é essa”. O que representa para você gravar com o Planta? Julies: O Planta é basicamente realização pessoal. Cresci vendo os caras tocando aqui na Zona Norte, tinha o antigo baterista do Planta que era casado com uma das amigas das minhas irmãs, a gente tinha uma relação meio indireta. Sempre cresci admirando os caras, era máquina de hit, lembro que ia para a academia ouvindo, tinha acabado de sair o Ao Vivo de 2006, e falava “caralho”. Foi passando o tempo, e tenho a minha empresa de assessoria e a gente calhou de começar a se encontrar na estrada, começou a estreitar a relação. Para mim hoje é a realização de um sonho, porque além de poder chamar os caras de amigos, são um dos maiores nomes da história da música brasileira, do reggae brasileiro, não tem como ter outro sentimento além desse. Falando sobre a canção Se Deus Quiser, do que ela trata na letra? E o que trouxeram de sonoridade para ela? Zeider: A letra da música é esse lance da gente encontrar uma pessoa que a gente gosta muito, que também gosta muito da gente, que “vem ficar comigo”. É o lance, se você quiser, eu vou, onde você quiser que eu esteja, estarei. Então, acho que é isso, é o lance do amorzão recíproco, desse respeito no relacionamento, da gente estar com quem gosta da gente e cuidar de quem gosta da gente. Para onde a pessoa que gosta da gente for a gente vai, é mais ou menos por aí. Julies: A questão da sonoridade, quis trazer o que eu mais tinha de referência da nata do Planta, os big hits que tomavam o meu coração. Tentamos trazer muito para essa onda tipo De Você Só Quer Amor, essas sonoridades que para mim, na minha opinião, traz a mais alta nata do Planta. Acho que é o mais alto nível, aqueles negócios que toca no coração mesmo, comercialzão com timbres únicos do Franja, timbre único do Zeidão e o jeito de cantar. Realmente, a sonoridade, esse som foi inspirado mesmo no melhor do Planta. Falta pouco para a participação de vocês no Lollapalooza. O que significa para vocês representar o reggae nacional em um dos maiores festivais do mundo? Zeider: É algo surreal que cede meu entendimento do sentimento da gratidão. Estou me sentindo muito grato à Deus, e tudo que nos move, por essa oportunidade, já que o Lolla é uma vitrine para o planeta. A gente vai estar tocando o coração de muitas pessoas, um público eclético, a gente vai ter a oportunidade de mostrar a nossa música para pessoas que de repente não estão muito voltadas para o reggae, e também para produtores de show do Brasil e do mundo. Então, acho que é uma oportunidade única na vida, e a gente vai aproveitar do jeito que a gente mais gosta, com maior responsabilidade, amor e arrebentando, Vamos chegar e fazer o show da vida lá. Julies: Você é louco hein? Estou lançando um som com a atração do Lollapalooza, tá de brincadeira, estou no jeito para caralho. Zeider: Nós estamos chique, mano. Julies: Amém, o reggae no Lola, progresso. Zeider: Pela primeira vez uma banda de reggae do Brasil vai fazer parte do Lollapalooza. Então, para gente é uma honra muito grande, uma felicidade sem tamanho. Julies: É o Planta abrindo novamente espaços para o gênero, porque assim, na minha opinião, o Planta, junto com o Natiruts, foi o grande responsável dessa popularização do reggae, principalmente no começo dos anos 2000, 2006 e 2007. Acho que isso é reflexo de 25 anos de história, estou orgulhoso para caralho desses caras que eu posso chamar de amigos. Zeider: É nois Julieto, vamo. Já tem uma ideia do que pretendem priorizar no setlist do
Entrevista | Spoon – “A pandemia me fez confrontar questões sombrias”

Veterana do rock alternativo dos EUA, a banda Spoon lançou recentemente o seu décimo álbum de estúdio, Lucifer On The Sofa. O disco é o primeiro desde Hot Thoughts, de 2017. Com gravações no Texas e Califórnia, Lucifer On The Sofa traz nove faixas autorais e uma releitura de Held, do Smog, que abre o álbum. Um dos membros originais do Spoon, ao lado do vocalista e guitarrista Britt Daniel, o baterista Jim Eno conversou com o Blog n’ Roll sobre o novo álbum, lembranças do Brasil, pandemia e influências na carreira. Como surgiu o título deste álbum? Qual foi a inspiração para este nome curioso? Britt escreveu a música e decidimos dar esse nome ao álbum. Não é como se eu e ele falássemos muito sobre os significados por trás das coisas. Para mim, é como se a pandemia me fez confrontar questões sombrias como mais importantes ou que vieram à tona. Sou um workaholic, consigo sempre me distrair e não ter que lidar com essas coisas, mas não tem para onde correr quando você está nesse lockdown há dois anos. Você meio que tem que olhar o que está escondido. Olho para isso como algo que você vai ter que lidar em algum momento e ele está lá sentado no sofá, te observando. Como foi o processo de gravação do álbum? Teve alguma dificuldade por causa da pandemia? Precisou adaptar algo? Sim, foi bem no meio da nossa gravação. Nós tivemos que fazer várias mudanças no cronograma. Nós tínhamos talvez três quartos do álbum finalizados, estávamos muito perto de terminar e prontos para mixar e então veio a pandemia. O que aconteceu foi que nós não conseguimos mais nos encontrar, obviamente porque era uma sala pequena e essa é uma doença transmitida pelo ar, não era seguro ficarmos juntos. Então o Britt usou seu tempo para escrever mais músicas. Então tem músicas como, obviamente, Lucifer on The Sofa, acho que Wild e Devil and Mr. Jones que não estariam no disco, sabe? Mas acho que tiveram duas vezes em que todos voariam para Austin (Texas) e tivemos que cancelar porque os números (da covid) estavam tão altos. Tivemos que pensar muito rápido, cortando coisas no último momento… Felizmente, Britt estava em Austin e ele aparecia e fazíamos algumas coisas, mas a pandemia nos afetou muito. No entanto, nós conseguimos superar! O Spoon carrega uma forte influência do rock clássico e do art rock em seus trabalhos. É algo que predomina em suas influências? Você consegue pensar em alguma influência de sua terra natal também (Texas)? Sim, eu sinto que esse disco teve muita influência do rock clássico, do começo do ZZ Top, Cheap Trick, John Lennon, Plastic Ono Band… o som de um bando de caras apenas tocando em uma sala. Esses são os discos que amamos, que crescemos ouvindo. Para nós esse é o disco que mais tentamos chegar próximo disso. Como é sua expectativa de viajar e divulgar Lucifer on the Sofa em outros países? O que significa para você fazer uma turnê com o Spoon? Nós adoramos ir para o Brasil… Nós queremos tocar para todos, sabe? E o público brasileiro é incrível, nós não vemos a hora de ir para o Brasil. Você tem alguma previsão do Spoon vir para o Brasil? Um mês ou ano? Nós definitivamente não temos um mês. Vocês terão Lollapalooza no mês que vem. Será que vai ter ou não? Tem muita incerteza ainda e acho que não conseguimos planejar se vocês ainda não sabem se os shows irão acontecer ou não, entende? Talvez no final do ano. Se tivermos o ok e estiver tudo bem, nós podemos ir e fazer funcionar. Você se lembra de alguma história curiosa da passagem de vocês pelo Brasil, em 2018? Eu lembro de uma história, mas não é muito engraçada. Nosso último show foi em São Paulo e nós terminamos muito cedo, então eu e o Gerardo, guitarrista, pensamos, vamos mudar nossos voos e voar essa noite. Então trocamos os voos, entramos na van para o aeroporto e colocamos no Google e apareceu que iríamos demorar quatro horas para fazer 24Km… Isso não pode ser verdade, eu pensei. Nós ficamos sentados na van por 4 horas, perdemos nosso voo e tivemos que ficar em um hotel de merda. E acabamos pegando exatamente o mesmo voo que iríamos pegar no dia seguinte, que havíamos cancelado. O tráfego nos ferrou (risos). Chegou a assistir algum show no momento que as regras ficaram mais brandas? Teve uma janela no ano passado, quando as pessoas começaram a se vacinar e antes da chegada da Ômicron, foram os nossos “Loucos Anos 20”, aquele período entre a Primeira e Segunda Guerra Mundial, quando todos estavam dançando, muito felizes. Em resumo, acho que essa pequena janela foi como yeah, legal… nós fizemos alguns shows, foi muito legal, todos estavam curtindo… até que veio a Ômicron e tudo voltou a fechar. Consegui ver alguns shows nesse período. Você se sente seguro para viajar com seus colegas de banda? Acho que sim… nós vamos fazer tudo que for possível na tour para tentar minimizar e não ficarmos doentes. Porque se um de nós testar positivo, temos que encerrar tudo. Então agora nós estamos comendo todos juntos, nós não permitimos ninguém nos bastidores, estamos fechando tudo para tentar ser mais seguro. É um novo modelo de fazer tour, todos estão fazendo. Não levamos a família, somos só nós mesmos. A primeira música de um álbum costuma ser o cartão de visitas de muitos artistas. O que motivou a escolher um cover do Smog (banda) para abrir? O que procuramos em uma música de abertura é aquela que vai estabelecer um tom para o álbum. Então sentimos que aquela definitivamente conseguiu isso. Tem muita conversa de estúdio antes da música começar, o que é legal e divertido. É como se te desse a sensação que estávamos na mesma sala quando gravamos, o que foi mesmo… mas também é um ritmo mais lento
Entrevista | Gentle Savage – “Se precisar de banda para o seu casamento, chame os meninos aqui”

A banda finlandesa de hard rock Gentle Savage lançou recentemente seu álbum de estreia Midnight Waylay. O carismático vocalista Tornado Bearstone conversou com o Blog n’ Roll sobre a produção, influências e adaptações ao mundo online na pandemia. “Como conceito, o álbum Midnight Waylay é melhor apreciado quando servido inteiro, mas cada música tem seu próprio caráter e funciona bem de forma independente. Encontre sua própria aventura, se joga!”. A pandemia atrapalhou muito os planos do Gentle Savage de divulgar o primeiro álbum? O momento não foi o melhor, como todos nós sabemos, devido a pandemia, mas estamos contentes com o álbum e com as pessoas que nos financiaram e essa é a única coisa que importa, sabe? Compor sabendo que está tudo lá pronto, só esperando para tocar nos shows, é uma boa situação. Estamos muito contentes com o álbum, e com o modo que estabelecemos nossa história melhor do que antes, o Midnight Waylay possui todos os elementos que compõem o Gentle Savage. Estamos muito gratos que você reservou um tempo para conversar comigo, pois é tão difícil ser ouvido. Há muitas bandas mundo afora que não conseguem shows, e o que é isso? Uma banda de internet, e isso não é muito rock ‘n’ roll. Vocês trazem muitas influências de hard rock dos anos 1970, mas conseguem apresentar isso de forma original sem parecer uma cópia de alguém. Queria que você falasse mais sobre essa criação. Existem muitos artistas e bandas seguindo um caminho oposto, eles colocam muita maquiagem, correntes, couro e cospem sangue, e eu não queria fazer o mesmo que todos, pois não somos esse tipo de banda, honestamente. Eu quero mostrar a natureza finlandesa, pois não são todos os países que preservaram suas florestas na Europa, eles cortaram árvores. E também, nós viemos de uma área rural, sou natural de uma grande cidade, Viena, na Áustria, mas vivi aqui na natureza. Então pensei, vamos seguir este caminho, caminhando e tendo ideias para aplicar, não tentando mostrar o lado duro, guerreiro, que poderia se quisesse, mas buscando um lado mais natural e gentil. Não sei se foi uma boa ou má ideia, mas foi como decidi fazer. Na verdade, tiveram alguns comentários engraçados de um cara do Texas, ele disse: “Meu Deus, isso é tão lindo, eu só tenho ossos e poeira no meu quintal”. Então isso gera reações. Como foi o processo de criação desse álbum? Ficou trancado no estúdio ou procurou algum lugar para se inspirar? No telhado, bem, primeiramente, na Finlândia pode chegar a 35 ou 40 graus negativos no inverno, então não é um bom lugar para meditar no inverno, mas no verão é muito bom, pois a temperatura chega a 35°C. A ideia para mim é ir para um lugar alto, pois você pensa diferente em lugares altos, pode tentar se não acredita em mim, se você descer até uma caverna, você pensará diferente do que se fosse em um lugar alto, essa é uma razão. Outra razão é que eu medito três vezes por dia, e o telhado é um dos meus lugares favoritos, pois consigo enxergar longas distâncias, gosto de observar o horizonte, relaxa a minha vista. É meu lugar preferido, mas também medito em outros lugares, mas lá já é um lugar certo para isso. E isso me dá energia para viver, meditação não é algo como “eu vou me encontrar, e virar Buda” para mim, é mais importante do que escovar os dentes, me dá energia para fazer as coisas que preciso fazer, me deixa concentrado, meu cérebro trabalha melhor. Isso é uma coisa que tem a ver com música, às vezes as ideias não vêm durante a meditação, mas logo após, e também na solução de problemas acontece assim. Considera o Gentle Savage uma banda mutável e com muitas cartas na manga por causa da variedade do álbum? Sim, exatamente, vou pegar essa emprestada. Quero que a banda mantenha uma dinâmica natural e orgânica, e a musicalidade flua com a maior frequência possível, pois é ela que permite realizar as coisas que você mencionou, pois sem ela é apenas “tocar”. Você pode fazer grandes coisas, mas sem a musicalidade, e uma noção completa do que está acontecendo não é possível. Nós podemos fazer qualquer coisa, honestamente, nós temos um vídeo no nosso canal do Youtube chamado Jamming with Santa, e nós tocamos algumas músicas típicas natalinas. Nós colocamos uma fantasia de Papai Noel em nosso baterista, o tecladista me perguntou: Em que tom estamos? E eu respondi não tô nem aí, só toca alguma coisa. E gravamos em um único take, pode conferir. Isso é o que podemos fazer, e se estiver precisando de banda para o seu casamento, pode chamar os meninos aqui, e eles tocarão. O álbum do Gentle Savage traz várias histórias. Qual é a importância desse formato storyteller nas composições? Não posso cantar uma música sem uma história, é impossível. É como fazer ser sem ter uma ereção, não é real. Claro que se pode fazer um anúncio, usando jingles de propaganda, mas é diferente quando você escreve sua própria música, é necessário ter uma história. Você não acreditaria o quanto às vezes preciso ensaiar uma frase milhares de vezes, para acontecer um click e gerar uma conexão com a história. E às vezes é caso de mudar apenas uma ou duas palavras de lugar para as coisas começarem a funcionar. A história deve ter conteúdo e geralmente nas minhas letras elas são bem óbvias superficialmente, mas há algo honrado que não contarei a ninguém, você pode captar, achar ou não, pois são diferentes tipos de pessoas escutando. E não quero algo semelhante a aquele velho cartoon, que não faz ninguém rir, onde há uma pessoa apontando para um pássaro, e dizendo “o passáro”, então ele está dizendo algo bem óbvio e tornando mais óbvio apontando para ele, e eu não faço isso. Apenas alguns dias atrás uma fã americana me escreveu que ela gosta das nossas letras pois algumas
Entrevista | Carol Biazin – “Queria que as pessoas vissem outra faceta”

O que era para ser uma música para um reality de pegação, se tornou o marco da nova era de Carol Biazin. Com a cantora mais sexy e confiante, e trazendo uma mistura de trap com pop, o single Garota Infernal já está disponível em todas as plataformas de streaming, com direito a clipe. Carol recebeu o pedido, e gostou muito do resultado, entretanto, não era exatamente o que a produção do programa queria. De acordo com ela, eles gostariam de algo mais “brazilian”, e se mudasse ia “sair muito do que estou acostumada a fazer e vai ficar fora da minha cara, não vai parecer que fui eu que fiz”. No entanto, um mês depois, a cantora recebeu uma proposta da Amazon para ser a primeira artista do ano e do Brasil a participar do Ecoando, projeto que consiste em um patrocínio da empresa para um clipe, a oportunidade perfeita para Garota Infernal sair do papel. “Quando escrevi, falei caramba, acho que esse foi o melhor refrão que fiz até hoje, preciso lançar isso. Sou viciada em caçar melodias de música, então quando eu acerto uma que eu gosto muito, vish, esquece, fico ouvindo o dia inteiro. Do repertório, a única coisa que eu ouvi até lançar, foi Garota Infernal”, contou Carol Biazin. A cantora que roteirizou todo o clipe, e de acordo com ela, isso a ajudou a se sentir mais segura nessa nova faceta mais sexy durante a gravação, já que tudo veio da sua cabeça. “Sou extremamente preocupada em ficar bonita, em as coisas estarem bonitas, a cor estar bonita e deu tudo certo. O roteiro ficou do jeito que eu queria, e a fotografia veio junto lindamente, então amei muito”. Confira Garota Infernal abaixo: Nova era No seu último álbum, Beijo de Judas, Carol prometeu dar alguns spoilers do que iria vir pela frente. Então, veio as músicas Tentação e Rolê com um pouco mais de atitude. “Tentação já mostra esse lado, só que ainda traz a Carol de uma forma até inocente, como se ela fosse a pessoa a ser tentada. Em Garota Infernal, foi assim vou inverter o papel quero ser a demônia, a diaba. Queria que as pessoas vissem outra faceta, que as pessoas que vivem comigo, no meu dia a dia de camisetão em casa de boa olhassem e falassem “como assim você é a mesma pessoa desse clipe”. Queria causar esse impacto para mostrar que eu consigo fazer muitas coisas”, explicou. Sendo assim, Garota Infernal realmente marca uma nova era que traz mais da autoconfiança e versatilidade da cantora. Entretanto, Carol é compositora, então, promete escrever músicas “caralho, sou foda, ou para você chorar no chão do banheiro”. Além disso, Carol é fã de trap, portanto, pretende trazer mais dessa sonoridade nas suas canções. Em Garota Infernal decidiu começar devagar, mas os próximos lançamentos estarão mais focados em uma mistura mais precisa do pop com o trap. Em entrevista ao Santa Portal, a cantora deu um spoiler do que os seus fãs podem esperar para este ano. “A gente vai ter bastante música, bastantes singles vão ser trabalhados, estou fazendo um camping agora. Inclusive tem uma amiga aqui, gênia, a Carolzinha que está escrevendo várias músicas, em dois dias a gente já escreveu cinco”. “É difícil ser artista cara, vivo na ansiedade porque quero lançar logo, quero mostrar para todo mundo essas músicas que estão ficando prontas, o DVD também. Fora isso a galera pode esperar muita Garota Infernal com certeza. Essa nova era ainda vai dar o que falar. Acho que isso foi só um gostinho assim e a ideia é sempre se superar mesmo. Então, quero surpreender as pessoas, mas não posso prometer muito, acho que a ideia é essa: fazer sem prometer”, finalizou.
Entrevista | Alfie Templeman – “Minha música é muito real time”

A sensação da música britânica Alfie Templeman, de 19 anos, lançará seu álbum de estreia, Mellow Moon, em 27 de maio, pela Chess Club Records/AWAL. O single mais recente da fase de divulgação desse trabalho é Broken, que veio acompanhado de um videoclipe dirigido por Jack Turner. “É um hino para pessoas da minha idade, todas as oscilações de ser adolescente e descobrir a si mesmo. É sobre perceber que analisar a si mesmo é uma parte importante do crescimento”, comentou o músico. Alfie Templeman embarcará em uma turnê no Reino Unido nos próximos meses – com o apoio da colega de gravadora Pixey – que inclui shows esgotados em Manchester, Bristol, Brighton. Em conversa com o Blog n’ Roll, Alfie Templeman conversou sobre a expectativa para o lançamento do álbum, processo de gravação e Brasil. Confira abaixo. Como está a expectativa para o lançamento de Mellow Moon? Eu estou muito animado em ver o quanto as pessoas ficarão surpresas com o álbum porque é tão diferente do que já fiz. Acho que a expectativa das pessoas até agora é que eu faça um álbum pop. Mas acho que eles ficarão totalmente surpresos com os diferentes lados que não tinha explorado antes, diferentes sons. Estou muito animado! Como foi o processo de gravação? Começou em 2020, após a pandemia. Estava fazendo demos instrumentais e músicas das quais eu estava bem animado com o som delas. Aí a pandemia veio e fiquei sem inspiração, não conseguia fazer nada. No final do ano, acabei eventualmente fazendo mais algumas músicas e comecei a escrever as letras… Quando comecei a sair e ver as coisas de novo, no início de 2021, foi quando as letras começaram a casar com as músicas e tudo começou a se juntar. E eu tinha esses diferentes sons que faziam muito sentido para mim de maneiras diferentes. Foi como a tracklist do álbum surgiu. Eu o gravei praticamente todo em casa. Fui em alguns estúdios para gravar algumas coisas com o Will Bloomfield e Justin Young (The Vaccines)… Acho que no total seis pessoas ajudaram, o que não é muita gente para um álbum. A maior parte fiz sozinho, escrevi todas as letras e as produzi, apenas com uma ajuda em algumas partes. Na maior parte do tempo estava fazendo as coisas em casa. O que procurou levar de influência e inspiração para o seu trabalho novo? O melhor é falar por décadas. Dos anos 1960, trouxe influências de Beatles, Zombies e Rolling Stones. Dos anos 1970, as batidas do Led Zepellin e Free, além de músicas do Fleetwood Mac. Dos anos 1980, Michael Jackson, Quincy Jones, Nile Rodgers também. Ele teve uma influência muito forte nisto. Phil Collins e tudo isso, claro. E também muita influência indie como Steve Lacy, até de pessoas como Ambush? Norah Jones, Jamiroquai… Então é uma mistura maciça de diferentes estilos que se juntaram para isso. Você acredita que levar oscilações de Alfie Templeman como jovem para as canções pode ajudar pessoas da mesma idade que sofrem com ansiedade e depressão, por exemplo? Sim, definitivamente acredito. Minha música é muito “real time”… Então se me sinto de um jeito, vou falar como é quando acontecer. Acho que as pessoas realmente gostam disso, dessa honestidade. E pode ajudar as pessoas a lidar com os sentimentos, as oscilações e altos e baixos delas. Acho que o distanciamento ajudou a limpar minha mente. Acho que todo mundo teve tempo de entender os próprios problemas. Isso foi o que me ajudou a escrever as músicas. Você fez uma tour pela América do Norte e agora divulgará seu novo trabalho com uma série de shows na Europa e Reino Unido. Como está sua expectativa? O que os fãs podem esperar desses shows? Shows ao vivo não são mais comuns desde a internet porque muita gente escolhe não fazer.. porque não precisa fazer. Por isso muita gente acha que a música ao vivo é automaticamente a mesma da gravação feita em um estúdio. Mas tem muito trabalho envolvido para fazer justiça a isso. Também é sobre se divertir, as pessoas sabem que… por sorte nós temos aquele tipo de público que sabe que vamos fazer graça. Nós ainda fazemos covers no palco e jams bestas, além de coisas estúpidas. As pessoas sabem que somos este tipo de banda. Também é muito difícil porque tem um certo nível musical que você precisa alcançar toda noite. Realmente curto, mas é um desafio. Tem muita coisa rolando no meu álbum para apenas quatro pessoas no palco, é uma grande tarefa. Mas nós resolvemos como fazer isso, é muito trabalho envolvido, mas vale a pena. Por falar em shows, você pensa em trazer sua turnê ao Brasil também? Você já esteve no Brasil? Sim, com certeza! Ainda estamos planejando isso, mas queremos fazer uma tour adequada pela América Latina. Nunca fui ao Brasil, mas eu quero. O que vem a cabeça quando pensa no País? Com certeza penso em futebol. Futebol todo dia, o que é muito incrível. Eu nem curto tanto futebol assim, mas sei que é outro nível. Também tem praias lindas, a vida selvagem. ***Entrevista e tradução: Isabela Amorim
Entrevista | Pedro Cini – “Sou muito fã da Ivete Sangalo”

Pedro Cini, jovem cantor paranaense, juntou três canções que havia escrito e as transformou em uma. Portanto, o resultado dessa junção é a música Vambora, que já está disponível em todas as plataformas de streaming. “Essa música veio primeiro uma melodia na minha cabeça, estava tocando violão, veio uma melodia que gostei. Eu sou muito fã da Ivete Sangalo, e fiz uma letra que pensei que ia combinar com a voz dela para cantar, eu sonhando super alto (risos), deixei essa letra de lado”, explicou Cini como surgiu a primeira melodia. Já a segunda, de acordo com ele, veio em uma viagem de avião, onde a viagem, as nuvens, e a lembrança de um amor passado o inspirou em mais uma canção. Então, tentou encaixar com a primeira, mas não gostou do resultado. Tempo depois, pensou em outra letra que falasse de superar as dificuldades e viver o amor, entretanto, ainda não era o que o cantor queria. “Um dia eu mandei para um parceiro meu aqui do Rio de Janeiro, de Teresópolis, o Vinicius Compositor, para ver se ele não se interessava de pensar em alguma coisa. Mandei a melodia e ele fez uma outra letra em cima daquilo”. Sendo assim, com a junção dessas canções, com exceção a que ele escreveu para a Ivete Sangalo, que de acordo com ele ‘está guardada pra ela’, Cini chegou onde queria, com a música Vambora. ‘De outro mundo’ Vambora fala de viajar, e cita diversas cidades do Brasil. Portanto, a gravação do clipe foi no Rio de Janeiro, com locações em diversos pontos turísticos, como o Arpoador, Santa Teresa e Corcovado. Cini diz que a gravação ‘foi de outro mundo’, já que todos os seus clipes foram gravados em Curitiba, onde mora, ou em cidades próximas dali. “Foi um clipe dirigido pelo Fábio Gavião. Como a música é muito dançante, muito animada, ele teve a ideia de fazer um clipe que imprimisse isso. Um clipe todo em movimento. Não teve nenhum momento em que a câmara estivesse parada. Ela sempre estava se movendo”, contou. “Teve ainda a ideia brilhante da participação de um drone que fazia movimentos com a gente. Tem uma cena do clipe que é o drone descendo da Vista Chinesa, acompanhado a gente de buggy, ficou muito legal mesmo. Realmente é uma viagem”, completou. Confira o clipe de Vambora, de Pedro Cini, abaixo:
Entrevista | Sticky Fingers – “Esse álbum é o reflexo do que passamos na época”

A banda australiana Sticky Fingers prepara o lançamento do seu quinto álbum de estúdio, Lekkerboy. Até o momento, cinco canções foram reveladas, incluindo a faixa-título, último lançamento. O baterista brasileiro Beaker Best e o tecladista Freddy Crabs conversaram com o Blog n’ Roll sobre o disco, cena roqueira da Austrália e álbuns que impactaram os integrantes da Sticky Fingers. Tivemos cinco singles divulgados até o momento do novo álbum do Sticky Fingers. As faixas trazem algumas reflexões, seja pelo lado da saúde ou das relações pessoais. O que mais pesou nas influências dessas composições? CRABS: Eu acho que esse álbum é um mix de tudo. O último álbum foi um pouco mais reflexivo e sólido. Este último tentamos fazer mais inspirador a ainda sim refletindo no que estávamos fazendo enquanto estávamos criando esse álbum. Dylan não estava bem, Paddy estava superando sua doença mental também. Tinha muita coisa acontecendo, mas também tinha muito crescimento e positividade. BEAKER: Nós conseguimos superar tudo isso, estamos vivos! CRABS: Respondendo sua pergunta, esse álbum é o reflexo do que passamos na época, é um mix disso. Ainda estamos passando por muita coisa, mas vamos superar isso. E fazer o mundo brilhar um pouco. A música Lekkerboy reflete bastante do Dylan. Lekker significa saboroso, legal, em holandês e sul-africano… Reflete nos momentos difíceis, mas mostrando um lado positivo, porque é tudo que você tem. Senão você não consegue. Dylan ganhou uma tatuagem na barriga escrita “Lekker” em uma de nossas tours. BEAKER: Nós viajamos para a Europa e o Dylan estava com um passaporte vencido. Não sei nem como deixaram ele entrar no avião. E sei lá, ele falou que iria voar de volta para a Austrália. Então, em Abu Dhabi, ele pegou um voo para Amsterdã e sumiu por quatro dias. E ele voltou e estava com essa tatuagem. Na hora eu olhei e pensei o que é isso? Mas hoje é uma das minhas tatuagens preferidas. Falando sobre o processo de criação de Lekkerboy, como foi gravar esse álbum em meio a tantas incertezas impostas pela pandemia? BEAKER: Acho que a razão por termos feito tantas músicas foi porque ficamos sem fazer shows. Sidney estava em lockdown. Então nós fomos para a casa dele todos os finais de semana na maior parte do ano. Ficamos juntos escrevendo, sendo positivos e isso foi muito bom… acho que conseguimos 17 músicas naquele momento. CRABS: E a música Lekkerboy foi escrita um pouco diferente, com um pouco mais de trap e bateria, mas também umas batidas…. nós sampleamos a canção enquanto o Bekear fazia a parada dele com a bateria… Nós não roubamos, nós fizemos do nosso jeito (risos). Mas é uma letra escrita pelo Dylon e Paddy. É uma grande balada… O Therasus que é um grande amigo nosso produziu esse disco, que também trabalhou pesado nessa letra e acho que eles terminaram em um dia. E é uma letra tão pesada…não tem parada e batida o tempo todo. Nos últimos anos temos observado um número grande de bandas boas da Austrália. Vocês observam isso também? Ou sempre foi forte assim, mas talvez não tivesse o alcance em outros países, como o Brasil? CRABS: Depende de quais bandas você está falando (risos). Acho que a cada ano algumas bandas australianas conseguem chegar lá. E as que não chegam lá são as que nós amamos, como Royal Headache. BEAKER: Tem algumas bandas aqui na Austrália que tentam fazer o que fazemos. Uma vez que você conhece uma, você conhece todas. Mas eles não são tão bons quanto nós (risos). Eles nos copiam (risos). Qualquer banda grande na Austrália que aparece nos copia (risos). Nós somos os melhores (risos). CRABS: E essas bandas se tornam grandes, mas todas vão para a América. E uma vez que você está na América, consegue suas mansões e não são mais australianas… estamos brincando (risos). É legal ver bandas australianas no exterior. Chegar na América do Sul por algum motivo é difícil para as bandas australianas, mas nós continuamos insistindo. De tempos em tempos, aparecem “salvadores” do rock com uma receita mágica de misturar ritmos que promete colocar o gênero no topo das vendas e streams. Como vocês veem isso? CRAB: Eu não acho que nenhum gênero sobrevive em sua forma pura. Mesmo se você pegar o hip hop, você tem que evoluir. Tem muito hip hop que amamos que não está mais nas paradas, assim como o rock. Como você mencionou, tem que continuar evoluindo. E por evoluir, misturar com outros estilos. Eu sinto que não é mais rock, é alguma outra coisa. Você pode homenagear os grandes e quem te influenciou que acho que é bom e legal. Um bom exemplo é se você olhar quando nós começamos, na garagem do Beaker, da sua mãe brasileira, nós começamos a tocar reggae, como garotos brancos tocando reggae, soando muito mal. E isso éramos nós tentando tocar o reggae tradicional. Posteriormente, quando começamos a tocar do nosso jeito, começamos a criar um som que as pessoas começaram a gostar. E as pessoas falavam: volta lá e toca o reggae de vocês. Nem acho que nós tocamos reggae, nós tocamos nossa interpretação disso. Mesmo com o rock… As pessoas nos classificam como uma banda de rock. Só que nós não nos consideramos uma banda de rock. É uma mistura de tudo. Não sei se o rock purista deveria sobreviver, talvez eles devessem aceitar o que já foi feito e agradecer por isso. Continuar ouvindo isso ou se abrir para os novos sons. Para encerrar gostaria que vocês me falassem três álbuns que impactaram suas vidas como artista. BEAKER: O que você acha de Sublime? CRAB: Sim, foi uma grande influência. Eu diria também Chillis (Red Hot Chilli Peppers), diria que Blood Sugar e Californication foram grandes influências. Principalmente para o Seamus (guitarrista). Ele ouvia muito o estilo do John Frusciante. E diria também todos os álbuns do Oasis. Os Stone Roses, primeiro álbum… Bob Marley… essas influências do britpop até o
Entrevista | Resa Saffa Park – “Musicalmente é o melhor momento que vivo”

Conhecida pelo seu trabalho como atriz no hit da Netflix Ragnarok e na cultuada série SKAM, Resa Saffa Park apresentou a faixa de trabalho de seu novo EP. Fazendo um indie pop reflexivo e sedutor, a canção Tendencies chegou acompanhada de um lyric video, disponível no canal da artista. “Tendencies é uma música sobre a solidão na época que deveria ser a mais vibrante de nossas vidas: os vinte anos. Essa canção descreve um estado de espírito que eu tinha em um momento em que me sentia muito pra baixo, mas ao mesmo tempo extremamente faminta por algo que ainda não sabia o que era”, conta Resa Saffa Park. Norueguesa criada em Dubai e que estudou artes na Inglaterra, Theresa Frostad Eggesbø — como se apresenta em seu trabalho como atriz — começou sua carreira em 2018 com o single Sassy e, no ano passado, ela lançou seu primeiro EP, Dumb and Numb. Agora, como Resa Saffa Park, se prepara para lançar o EP Spaces este mês. Resa Saffa Park conversou com o Blog n’ Roll sobre os lançamentos, ligação com o Brasil, a série Ragnarok, entre outros assuntos. Confira abaixo. Inspirações para Spaces Algumas das músicas do álbum foram escritas bem antes da pandemia, e a mais recente foi há alguns meses, que foi Candles. Esse EP é, na verdade, a forma como quero me apresentar como artista. Com sentimento e emoção, sabe? Quero tentar explorar o lado mais sombrio das coisas. Eu sou uma pessoa acostumada a ouvir músicas mais lentas e um pouco pra baixo também. Não costumo ouvir nada muito pop, ou jazz alegre, por exemplo. Gosto do jazz melancólico. É a forma que a música se expressa em mim e que as coisas fluem. Covid-19 Todos os artistas aproveitaram o início da pandemia para escrever músicas, mas eu não fui por esse caminho. Me recusei a fazer alguma canção relacionada à pandemia. E até hoje não fiz. Mas aos poucos os sentimentos de solidão e ansiedade começaram a crescer em mim, então acabou influenciando algumas das músicas. Esses sentimentos já existiam em mim, mas a pandemia os aflorou. Mas, de fato, nenhuma das músicas é sobre a pandemia em si. É mais sobre o que aconteceu comigo durante a pandemia. Então, respondendo sua pergunta: sim, a pandemia afetou de certa forma o EP. Álbum completo de Resa Saffa Park no futuro Sinto que o certo seria lançar um álbum agora, mas depende muito do momento da pandemia. Acho que nunca me senti tão perdida quanto estou atualmente. Musicalmente é o melhor momento que vivo, e isso me faz achar que estou menos perdida, porque música é a única coisa que faz sentido para mim hoje, e sinto que devo perseguir isso. Expectativa pelo EP Lancei meu primeiro EP em maio de 2020, dois meses depois do mundo todo entrar em lockdown. Mas não achei que demoraria tanto (risos). Até hoje não consegui me apresentar ao vivo com as músicas do primeiro EP. Mas acho que esse novo EP tem mais a minha cara e é mais próximo do que eu gosto de fazer e ouvir. A princípio me apresentaria como headliner de um festival em Oslo, mas estão cancelando shows, então não sei como vai ser ainda. Não tenho ideia, mas estou animada pelo trabalho que fiz, e espero que as pessoas gostem. Não vejo a hora de tocar essas músicas novas ao vivo. Ragnarok na Netflix Eu estudei música na faculdade, mas eu sempre atuei em pequenas peças e filmes também. Então, eu estava sempre no radar dos produtores para novos papéis. No meu terceiro ano, gravei uns vídeos para eles, e algumas semanas depois fiz algumas audições, onde me disseram para fazer as malas para Copenhague, onde gravamos a série. Acabei perdendo a conclusão da faculdade, mas na indústria da arte o que importa é o currículo, na verdade. Então topei, e depois vi o sucesso que a série se tornou. Foi uma experiência muito legal. Carreira de atriz Quero muito voltar a atuar, até porque acho que a música e a atuação caminham bem em conjunto. Então penso em atuar de alguma forma no meu projeto musical. Infelizmente os papéis que fiz até hoje foram sempre muito iguais, o que me irrita muito. Amo a Saxa (personagem em Ragnarok), ela é incrível, mas geralmente me colocam como a garota bonitinha e sem tanta profundidade, e acho que isso me limita. Vamos ver, se eu conseguir um papel legal, mergulho de cabeça, mas enquanto não surgir algo assim, o foco é a carreira musical. Pensa em fazer roteiro de série Eu penso nisso, sim. Tenho algumas ideias (risos). Quem sabe um dia… Separar a carreira pelo nome de Resa Saffa Park Não necessariamente separar as carreiras, mas ter um nome artístico é legal, porque não gostaria de usar um nome falso para atuar, e ao mesmo tempo queria um nome mais fácil e divertido para lançar músicas. Foi algo que me pareceu certo. E, no final, ter um alterego te dá uma certa liberdade também. Vida em vários países Absolutamente. Isso é uma das maiores influências na minha arte. Nasci em Dubai e morei lá por sete anos, onde eu estudei em uma escola internacional, com gente do mundo inteiro. Todo mundo era muito diferente, e eu adorava isso. Mas, aos oito, eu vim com a minha família para a Noruega, onde todo mundo era igual, almoçava a mesma coisa… e eu achei aquilo tudo tão chato. Foi aí que comecei a me sentir um pouco excluída apesar da minha família ser norueguesa. Isso foi algo que me fez ter o sentimento de que nunca soube onde eu pertencia, e isso te dá características que acabam se refletindo na sua vida. E, respondendo sua pergunta, com certeza, tudo que eu vivi influencia na minha arte. Eu acho que é impossível estar feliz o tempo todo e sem problema nenhum, então acho que isso é algo que eu sinto e que eu coloco
Entrevista | Suricato – “Às vezes, a gente quer fazer um trabalho sozinho, às vezes mais coletivo”

A banda Suricato volta à ativa depois de cinco anos com nova formação e com uma programação semanal de lançamentos com vídeos e músicas. O artista Rodrigo Suricato, em entrevista ao Blog n’ Roll, contou um pouco sobre as novidades e sua expectativa. Ele também falou que está em turnê com o Barão Vermelho em comemoração aos 40 anos da banda. Além do carioca Rodrigo (voz, guitarra e violão), a banda Suricato é composta por Carol Mathias (teclado e voz), Martha V (synth, voz, violão e guitarra), Marfa (baixo), além de Diogo Gameiro (bateria), cofundador da banda. Dessa vez, a banda se inspirou nos ensaios para criar clipes, e a partir deles, surgiu o EP Sessions. Sob direção de Matheus Sodré, os vídeos trazem ares de jovialidade, com o frescor que a banda busca para as novas criações, segundo Rodrigo. Os quatro EPs de Sessions chegam às plataformas digitais em quatro etapas, com o total de 16 músicas, entre regravações de sucessos autorais e novidades, tudo registrado durante os ensaios. Nesta quarta-feira (19), foi lançado o primeiro vídeo, da faixa Astronauta. Toda quarta-feira, às 20h, haverá um lançamento no canal do YouTube. Confira a entrevista exclusiva com Rodrigo Suricato Como surgiu a ideia de retomar o projeto Suricato com uma cara nova, que também dá voz às mulheres na música? O meu projeto, o Suricato, obedece um pouco ao que acredito que seja a lei da vida. Às vezes, a gente quer fazer um trabalho sozinho, às vezes a gente quer fazer trabalhos mais coletivos. Muitas bandas acabam às vezes porque o líder da banda, o criativo da banda, se sente obrigado a criar com aquelas pessoas pro resto da vida, e ele precisa de um espaço só dele. Se você for ver um documentário de banda, é basicamente um spoiler de todas. Eu passei um tempo cuidando do meu trabalho sozinho depois de ter passado por um desgaste muito grande coletivo com a formação do holofote no meu projeto Suricato. Muitas pessoas passaram por isso, e quando teve o holofote da Suricato, ela já existia há cinco anos. E agora me sinto mais preparado para poder estar coletivamente, trazer pessoas para perto de mim das quais eu tenho uma enorme alegria de estar junto. Sobre a questão das mulheres, é engraçado falar disso, porque isso não deveria ser uma novidade, para a gente ver como está atrasado e errado, e o que eu tento fazer no projeto Suricato, é trazer a verdade do que acontece na minha vida. Eu sempre me dei melhor com mulheres do que com homens. A troca com mulheres, que são sempre menos apressadas, a mulher não se comunica apenas na linguagem verbal, ela não quer só escutar o que você está falando, ela quer sentir o que você está falando, tem um sentido de amplitude que ajuda muito a gente que trabalha com criação de estarmos juntos, e são pessoas que eu tenho um enorme carinho, e a gente se dá super bem juntos. Quais foram as influências femininas para essa retomada da banda? Nesse projeto, a influência feminina são as próprias mulheres que estão na banda. Eu tive o cuidado de chamar artistas, e não só instrumentistas. Existe uma diferença, porque o instrumentista está ali disponível para tocar o que precisa ser tocado. Quando você chama uma artista, ela vai fazer isso também, mas ela se coloca, ela entende o que são os seus sapatos de líder do projeto, e ela consegue se comunicar de uma forma mais criativa e descolada tanto nos instrumentos quanto verbalmente, estamos juntos. Como foi o processo criativo para criar os clipes e lançar junto com as músicas? Eu quis documentar o processo dos ensaios, e quis fazer o processo inverso dessa vez. Normalmente você vê discos desencadeando clipes, e eu quis fazer clipes desencadeando o áudio. Então, eu queria que realmente fosse captada a atmosfera da banda. A minha grande necessidade, era documentar a gente ensaiando o repertório da banda Suricato com algumas releituras. Então, eu queria já fazer os arranjos numa pegada de show, eu acredito que seja uma banda muito boa para festivais, eu queria muito entrar nos festivais antes de lançar um próximo disco. Primeiro, a gente se conhece e depois tem um filho. Estar junto, curtir, aproveitar a companhia um do outro e documentar o passo a passo desse processo, é um casamento sendo celebrado entre uma banda, e depois só Deus sabe. É importante ter essa produção audiovisual para ajudar a ‘dar uma cara’ para o projeto? É exatamente isso. Eu não tenho a linguagem visual de fábrica, eu tive que desenvolver isso mais, e me aliar a pessoas que fazem isso melhor que eu. Então eu chamei um diretor jovem aqui do Rio de Janeiro, chamado Matheus Sodré, para integrar o time e poder ajudar a traduzir essa banda, essa linguagem toda com um visual um pouco mais jovem, dar um refresh na nossa imagem. E é fundamental ter isso. Os vídeos estão super bonitos esteticamente, e a gente consegue ainda assim exprimir uma certa informalidade, talvez você se sinta ali dentro do estúdio com a gente. Na pandemia, você chegou a fazer alguns lançamentos em 2020. Foi um período de bloqueio criativo para muitos artistas, mas você sentiu necessidade de ser produtivo nesse tempo? Na pandemia, os relógios se igualam, não adianta correr. Isso tirou uma pressão minha para tentar lançar coisas que tinham que performar muito bem nas plataformas, porque, às vezes, é caro investir num projeto, gravar uma música, então eu pude ser mais experimental, gravar o que der na telha. Normalmente, a gente sempre maximiza nossas intenções o tempo todo, e eu estava sufocado com isso, eu não tenho ambição de que um determinado projeto estoure. A consequência do que eu faço não é ser famoso, ter um milhão de streams. A consequência é fazer, chegar até o final do processo estando condizente comigo. Então, acho que a pandemia tirou um pouco essa pressa. Vamos arrebentar,