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Crédito: Kristian Engelsen

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Entrevista | Resa Saffa Park – “Musicalmente é o melhor momento que vivo”

Conhecida pelo seu trabalho como atriz no hit da Netflix Ragnarok e na cultuada série SKAM, Resa Saffa Park apresentou a faixa de trabalho de seu novo EP. Fazendo um indie pop reflexivo e sedutor, a canção Tendencies chegou acompanhada de um lyric video, disponível no canal da artista.

Tendencies é uma música sobre a solidão na época que deveria ser a mais vibrante de nossas vidas: os vinte anos. Essa canção descreve um estado de espírito que eu tinha em um momento em que me sentia muito pra baixo, mas ao mesmo tempo extremamente faminta por algo que ainda não sabia o que era”, conta Resa Saffa Park.

Norueguesa criada em Dubai e que estudou artes na Inglaterra, Theresa Frostad Eggesbø — como se apresenta em seu trabalho como atriz — começou sua carreira em 2018 com o single Sassy e, no ano passado, ela lançou seu primeiro EP, Dumb and Numb. Agora, como Resa Saffa Park, se prepara para lançar o EP Spaces este mês.

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Resa Saffa Park conversou com o Blog n’ Roll sobre os lançamentos, ligação com o Brasil, a série Ragnarok, entre outros assuntos. Confira abaixo.

Inspirações para Spaces

Algumas das músicas do álbum foram escritas bem antes da pandemia, e a mais recente foi há alguns meses, que foi Candles. Esse EP é, na verdade, a forma como quero me apresentar como artista. Com sentimento e emoção, sabe? Quero tentar explorar o lado mais sombrio das coisas.

Eu sou uma pessoa acostumada a ouvir músicas mais lentas e um pouco pra baixo também. Não costumo ouvir nada muito pop, ou jazz alegre, por exemplo. Gosto do jazz melancólico. É a forma que a música se expressa em mim e que as coisas fluem.

Covid-19

Todos os artistas aproveitaram o início da pandemia para escrever músicas, mas eu não fui por esse caminho. Me recusei a fazer alguma canção relacionada à pandemia. E até hoje não fiz. Mas aos poucos os sentimentos de solidão e ansiedade começaram a crescer em mim, então acabou influenciando algumas das músicas. Esses sentimentos já existiam em mim, mas a pandemia os aflorou. Mas, de fato, nenhuma das músicas é sobre a pandemia em si.

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É mais sobre o que aconteceu comigo durante a pandemia. Então, respondendo sua pergunta: sim, a pandemia afetou de certa forma o EP.

Álbum completo de Resa Saffa Park no futuro

Sinto que o certo seria lançar um álbum agora, mas depende muito do momento da pandemia. Acho que nunca me senti tão perdida quanto estou atualmente. Musicalmente é o melhor momento que vivo, e isso me faz achar que estou menos perdida, porque música é a única coisa que faz sentido para mim hoje, e sinto que devo perseguir isso.

Expectativa pelo EP

Lancei meu primeiro EP em maio de 2020, dois meses depois do mundo todo entrar em lockdown. Mas não achei que demoraria tanto (risos). Até hoje não consegui me apresentar ao vivo com as músicas do primeiro EP. Mas acho que esse novo EP tem mais a minha cara e é mais próximo do que eu gosto de fazer e ouvir.

A princípio me apresentaria como headliner de um festival em Oslo, mas estão cancelando shows, então não sei como vai ser ainda. Não tenho ideia, mas estou animada pelo trabalho que fiz, e espero que as pessoas gostem. Não vejo a hora de tocar essas músicas novas ao vivo.

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Ragnarok na Netflix

Eu estudei música na faculdade, mas eu sempre atuei em pequenas peças e filmes também. Então, eu estava sempre no radar dos produtores para novos papéis. No meu terceiro ano, gravei uns vídeos para eles, e algumas semanas depois fiz algumas audições, onde me disseram para fazer as malas para Copenhague, onde gravamos a série.

Acabei perdendo a conclusão da faculdade, mas na indústria da arte o que importa é o currículo, na verdade. Então topei, e depois vi o sucesso que a série se tornou. Foi uma experiência muito legal.

Carreira de atriz

Quero muito voltar a atuar, até porque acho que a música e a atuação caminham bem em conjunto. Então penso em atuar de alguma forma no meu projeto musical. Infelizmente os papéis que fiz até hoje foram sempre muito iguais, o que me irrita muito.

Amo a Saxa (personagem em Ragnarok), ela é incrível, mas geralmente me colocam como a garota bonitinha e sem tanta profundidade, e acho que isso me limita. Vamos ver, se eu conseguir um papel legal, mergulho de cabeça, mas enquanto não surgir algo assim, o foco é a carreira musical.

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Pensa em fazer roteiro de série

Eu penso nisso, sim. Tenho algumas ideias (risos). Quem sabe um dia…

Separar a carreira pelo nome de Resa Saffa Park

Não necessariamente separar as carreiras, mas ter um nome artístico é legal, porque não gostaria de usar um nome falso para atuar, e ao mesmo tempo queria um nome mais fácil e divertido para lançar músicas. Foi algo que me pareceu certo. E, no final, ter um alterego te dá uma certa liberdade também.

Vida em vários países

Absolutamente. Isso é uma das maiores influências na minha arte. Nasci em Dubai e morei lá por sete anos, onde eu estudei em uma escola internacional, com gente do mundo inteiro. Todo mundo era muito diferente, e eu adorava isso. Mas, aos oito, eu vim com a minha família para a Noruega, onde todo mundo era igual, almoçava a mesma coisa… e eu achei aquilo tudo tão chato.

Foi aí que comecei a me sentir um pouco excluída apesar da minha família ser norueguesa. Isso foi algo que me fez ter o sentimento de que nunca soube onde eu pertencia, e isso te dá características que acabam se refletindo na sua vida.

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E, respondendo sua pergunta, com certeza, tudo que eu vivi influencia na minha arte. Eu acho que é impossível estar feliz o tempo todo e sem problema nenhum, então acho que isso é algo que eu sinto e que eu coloco nas minhas músicas.

Letras em português

Nunca estive no Brasil apesar de viajar muito, mas tive uma colega de quarto brasileira quando eu estudava nos Estados Unidos. E ela costumava falar no Skype com a família toda noite, então eu me acostumei muito com a língua.

Achei legal fazer esse cruzamento lançando a letra em português, porque é um idioma muito bonito. Mas não conheço muito da música brasileira, só sei que tem bastante percussão.

Atuar ou cantar?

Prefiro cantar. Acho que depende do momento e dos sentimentos, mas acho que a música flui de forma mais natural para mim, porque é mais fácil de colocar sentimentos de forma livre. São formas diferentes de arte.

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