Há 40 anos, Rita Lee abria diálogo sobre liberdade sexual em Lança Perfume

“Vê se me dá o prazer de ter prazer comigo…“, cantava Rita Lee em uma das peças mais icônicas de sua carreira, Lança Perfume. A faixa inclusa no homônimo Rita Lee, lançado em 1980, é a premissa de uma revolução feminina na música brasileira. Não há quem duvide do protagonismo de Rita como a maior roqueira brasileira. Entretanto, muitos ainda não compreendem a dimensão de seu trabalho além das fronteiras musicais. Para resumir, vamos dizer o seguinte: a cantora foi pioneira em falar sobre sexualidade feminina sob o ponto de vista feminino. O álbum foi um grande marco para começar esta importante conversa. Lança Perfume ganhará um vinil comemorativo em setembro. Por isso, Rita Lee fala sobre os 40 anos de sua obra em entrevista exclusiva para o Metrópolis, nesta sexta-feira (21). O programa especial será exibido pela TV Cultura às 19h40. Composto por oito faixas, Rita Lee ou Lança Perfume é uma das principais obras do pop brasileiro. Sim, a obra é mais pop, mas não deixa de apresentar seu bom-humor irônico e boêmio. Rita fez poesia com o prazer sexual, retratando em Bem-Me-Quer e Baila Comigo esse discurso empoderado de quem decide pelo próprio prazer. Até músicas censuradas pela ditadura militar, como Shangrilá (originalmente intitulada Bad Trip), traçaram novos caminhos no disco. O disco foi a porta de entrada da cantora ao mercado estrangeiro, sendo pedida até pelo Príncipe Charles em uma festa na Europa. Co-produzido com seu marido, Roberto de Carvalho, o álbum ousou e foi muito bem recebido pelo público. Hoje, Rita Lee está aposentada dos palcos, mas segue produzindo novidades. Produz um filme ficcional sobre sua vida, que está em roteirização, além de um documentário. Também vem aí um disco de remixes junto ao marido. Portanto, nossa rainha segue cheia de novidades por vir.
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Hailey Williams aborda polêmica de Misery Business

Hailey Williams com certeza mudou muito sua forma de ser e de pensar nos últimos anos. Claro, isso é um processo natural para qualquer ser humano. Mas a eterna vocalista emo do Paramore, de cabelos vermelho fogo, fez muito mais do que mudar a cor. Ela entrou em uma nova fase de maturidade, tanto pessoal quanto profissionalmente. Assumindo uma postura mais feminista, Hailey se posicionou e mudou sua identidade visual. Seu debute solo demonstra a mudança de abordagem e novos temas, entretanto, uma ponta ainda continuava solta: Misery Business. Um dos maiores hits do Paramore e também forte responsável pelo estouro da banda, a canção enfrentou duras críticas nos anos 2010. Entre elas, a de que a faixa fosse anti-feminista. Tudo isso por conta deste verso: “Once a whore, you’re nothing more, I’m sorry that’ll never change“. No trecho, Hailey canta que “uma vez uma vadia, você não é nada mais, sinto muito mas isso nunca vai mudar”. A banda então aboliu a canção de seu setlist, alegando que era hora de “seguir em frente” desta mentalidade. Mesmo assim, Misery Business continuou sendo um carro-chefe dos fãs de Paramore – não necessariamente por sua mensagem, mas pela iconicidade da faixa, que marcou o álbum Riot! (2007). Por isso, não é surpresa que a canção tenha sido relacionada na playlist Mulheres do Rock, do Spotify. Além dela, Hailey também emplacou seu single solo, Simmer, na mesma playlist. Entretanto, a cantora aproveitou a brecha para comentar o abismo entre as duas canções. “Nós não precisamos incluir Misery Business em playlists de 2020″. “Eu sei que é um dos maiores sucessos da banda mas não deveria ser usada para promover nada relacionado ao empoderamento ou solidariedade. Eu tenho muito orgulho da carreira do Paramore, não é sobre vergonha. É sobre crescimento e progressão”, conclui.
Lady Gaga, Shakira e mais artistas celebram Dia da Mulher

O Dia Internacional da Mulher movimentou as redes sociais das famosas. Várias artistas resolveram se manifestar sobre a data, seja comemorando os feitos de grandes mulheres como homenageando colegas. Também é importante lembrar que a data deve servir como manifesto na busca por direitos das mulheres. Muitas das artistas reforçaram esta mensagem, deixando mensagens de carinho pela educação de meninas e mulheres ao redor do globo. Kylie Minogue, que esteve presente na primeira edição do GRLS Festival neste fim de semana, comemorou a data. Ela postou um TBT com sua mãe e irmã, além de imagens de sua apresentação no festival. Já Kelly Rowland foi às redes sociais postar uma foto bem empoderada. A cantora estava vestida como Rosie the Riveter, o ícone cultural que ficou conhecido como exemplo da luta diária feminina na imagem de uma mulher segurando o braço. Para celebrar a data, Lady Gaga se uniu à Apple Music e criou uma playlist especial. Nela, Gaga celebra todas as mulheres poderosas da música. Você pode acessar a playlist clicando aqui. Pelo Twitter, Shakira, que é embaixadora da infância e juventude pela ONU, postou uma thread de fotos de seu trabalho com a UNICEF. Na legenda, comenta o poder da educação. “Educação dá às crianças as ferramentas que precisam para quebrar estereótipos, pensar grande e ir atrás de seus sonhos”, diz a cantora colombiana. Outra cantora que aproveitou para fazer um manifesto foi H.E.R. Ela deixou uma mensagem de incentivo e luta: “nós somos poderosas; nós somos fortes; juntas nós nos posicionamos; juntas ascendemos”.
BMTH pede igualdade no Brit Awards vestindo figurino das Spice Girls

Clamando pelo Girl Power, o Bring Me The Horizon compareceu ao Brit Awards recriando um icônico look das Spice Girls. Entretanto, a ideia não foi só de brincadeira: eles queriam protestar pela falta de mulheres indicadas na premiação. O statement da banda foi importante para ressaltar a dominação masculina nas categorias. Assim, o BMTH não só vestiu o figurino como também chamou a atenção por mais igualdade no BRIT. A referência às Spice Girls teve um timing perfeito, recriando a icônica apresentação do grupo feminino de 1997, no mesmo palco do BRIT. A banda recebeu uma indicação na categoria de Melhor Grupo, mas perdeu para o Foals. Após a derrota, o frontman Yannis Philippakis não deixou a peteca cair, ressaltando que espera “ver mais mulheres nesta categoria no próximo ano”. O Bring Me The Horizon lançou recentemente um álbum de surpresa, que contou com artistas femininas como colaboradoras.
Oscar 2020 tem críticas mais sutis, mas não abandona questões sociais

Como de costume, os discursos de agradecimento durante a cerimônia do Oscar são bem acalorados. Nesta edição, temas como inclusão, igualdade de gênero e veganismo foram as principais pautas, mas não ficaram restritos a críticas faladas. Esta edição não foi tão politizada quanto as anteriores, que já teceram críticas diretas ao governo americano. Em 2020, as críticas foram mais sutis, focando nos temas sociais ao invés de atingir os “agentes responsáveis”. Crítica elegante O principal destaque vai para Natalie Portman. A atriz surgiu no tapete vermelho com um traje interessante. A peça, assinada pela Dione, contava com nomes de diretoras esnobadas na categoria de Melhor Direção. Entre os nomes, constou Greta Gerwig, que dirigiu e escreveu Adoráveis Mulheres. O filme, baseado em um clássico da literatura americana, estava indicado a Melhor Filme, mas não contou com indicação de direção. Lulu Wang (The Farewell), Marielle Heller (Um Lindo Dia na Vizinhança), Alma Har’el (Honey Boy), Céline Sciamma (Retrato de Uma Jovem em Chamas) e Lorena Scafaria (As Golpistas) também foram lembradas. A forte crítica foi destacada pela imprensa, que continua embalada na fase Time’s Up de edições anteriores. Mesmo discreta, a mensagem de Natalie Portman foi alta e clara. Política americana Brad Pitt aproveitou seu discurso para fazer pequenas críticas políticas. O ator venceu pela primeira vez em uma categoria de atuação, levando o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante por Era Uma Vez Em… Hollywood. Abriu seu discurso com uma alfinetada. “Eu tenho 45 segundos, é mais do que o senado deu ao John Bolton esta semana”. O ex-consultor de segurança nacional da Casa Branca foi testemunha no processo de impeachment do presidente americano Donald Trump. Mesmo sem abordar claramente o assunto, Pitt deu uma cutucada na audição do processo, que terminou favorecendo Trump. Diversidade Chris Rock e Steve Martin dividiram uma das apresentações de categorias da noite. A dupla subiu ao palco para falar em diversidade, levantando críticas que ficaram em evidência em edições anteriores da premiação. “Cynthia Erivo fez um trabalho tão bom em esconder pessoas negras em Harriet que a Academia a escolheu para esconder todos os nomeados negros!”, afirmou Chris Rock. A atriz foi a única negra indicada neste ano. Na sequência, Steve Martin assinalou que em 1929 não havia atores negros nomeados aos Oscar. Sarcástico, Rock respondeu: “sim, e em 2020 temos um”. Em 2019, Mahershala Ali e Regina King saíram vencedores nas categorias de atuação. Além da dupla, o longa Pantera Negra, cujo elenco é marcado pela diversidade, saiu como um dos maiores vencedores da temporada. Minorias e veganismo Joaquim Phoenix não só fez um excelente trabalho como Coringa, mas também tornou sua voz um pilar de discursos importantes. Por toda temporada, Phoenix tem exaltado temas relevantes. Com a vitória de Melhor Ator durante a cerimônia do Oscar, não seria diferente. Seu comentário partiu de como o ser humano possui uma forte tendência a diminuir os outros. Para exemplificar, o ator até falou de suas próprias mudanças pessoais. Em seu discurso, ele provavelmente foi o mais direto em tratar de questões sociais latentes. Phoenix defendeu os direitos das mulheres, negros, LGBTQIA+, indígenas e dos animais. Ademais, afirmou o compromisso do cinema em dar voz aos que precisam. Vale a pena conferir esse discurso na íntegra: Confira a tradução: “Não me sinto acima de nenhum dos outros indicados ou de qualquer outra pessoa nesta sala. Todos nós compartilhamos o mesmo amor pelo cinema. Esse meio me deu tantas coisas extraordinárias que nem sei o que eu seria sem ele. Mas acho que o maior presente que me deu, e a muitos nessa sala, é a oportunidade de usar nossa voz pelos que não têm. “Seja falando sobre desigualdade entre gêneros, racismo, direitos LGBTQ+ ou indígenas, direitos dos animais, estamos falando sobre lutar contra a ideia de que uma nação, uma raça, um gênero ou uma espécie tem o direito de dominar, controlar, usar e explorar outros sem impunidade. “Acredito que nos desconectamos demais do mundo natural, e nos sentimos culpados por ter uma visão egocêntrica, a crença de que estamos no centro do universo. “Entramos no mundo natural, roubamos seus recursos. Nos sentimos no direito de inseminar artificialmente uma vaca e então roubar seu bebê quando ele nasce, mesmo que seus gritos de angústia sejam perceptíveis. E então bebemos o leite que é destinado ao bezerro e colocamos em nosso café e cereal. “Quando usamos amor e compaixão como nossos princípios, podemos criar, desenvolver e implementar sistemas de mudança que são benéficos para todos os seres e ao meio ambiente. “Fui um canalha minha vida toda. Fui egoísta, cruel às vezes, alguém difícil de trabalhar. Estou grato porque muitos aqui nessa sala me deram uma segunda chance. Acredito que estamos no nosso ápice quando apoiamos uns aos outros. Não quando nos cancelamos por erros passados, mas sim quando nos ajudamos a crescer. Educamos uns aos outros, e nos guiamos no caminho pela redenção”.
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