Crítica | Atração do Lolla BR, Turnstile volta a Londres em grande estilo

Dando início a perna europeia da tour do disco Glow On, lançado no verão passado, a banda norte-americana Turnstile se apresentou no O2 Forum, na última quinta-feira (3). O Blog n’ Roll viu de perto o que promete ser um dos shows mais especiais do Lollapalooza Brasil, que rola no fim de março. Encarregados de abrir a festa, os londrinos do Chubby and the Gang apresentaram seu punk rock cru ao público que já era bem expressivo. Uma banda nova que deu início às atividades em 2019 e com dois álbuns lançados, Speed Kills e The Mutts Nut’s, a Chubby abriu a festa com muita empolgação. Pavimentou bem o caminho para o Turnstile. Aliás, o Turnstile vem trilhando seus caminhos desde 2010, bebeu da fonte de bandas clássicas como Bad Brains, 311, Rage Against the Machine e por aí vai… O grupo mescla com muita propriedade diferentes andamentos, riff pesadíssimos, beats eletrônicos, breakdowns e interlúdios, dando uma atmosfera incrível ao show. Uma das minhas percepções é que a banda claramente consegue levar a atmosfera de um show intimista de um lugar pequeno para outro maior. Porém, potencializando toda a apresentação. A banda tocou por mais de uma hora sem pausas ou discursos. A única exceção foi na última música, quando o vocalista agradeceu os fãs pela presença. Exceto isso, os integrantes não conversam com o público. No entanto, isso não é ruim, pois a banda tocou 24 músicas nesse tempo. Último álbum domina set do Turnstile O setlist é calcado no último álbum da banda. Em resumo, Mistery, Real Thing e Big Smile fazem a trinca de abertura. Sem tempo de respirar, Blackout, que literalmente começou com tudo no breu, definitivamente colocou abaixo a casa e mostrou o quanto o público estava disposto a se entregar. Posteriormente, com jogo mais que ganho, a Turnstile mandou músicas novas como Don’t Play, intercalando percussão e peso, a calma e grooveada Underwater Boi, além da rápida Endless, no gás total. Algumas pinceladas de músicas antigas, como Blue by You, Gravity, 7 e Pushing me Away, deram os toques finais. T.L.C (Turnstile Love Connection) encerrou o show de fôlego dos norte-americanos. Agora, para o público brasileiro, é rezar para ter um side show deles por aí ou ir ao Lollapalooza. Certamente vai ser um dos melhores shows do festival.
Resenha | Ginger Wildheart & The Sinners no 229, em Londres

Cumprindo a tradição, o aniversariante sempre comemora o seu aniversário com um show em Londres. Dessa vez, Ginger escolheu a sua nova banda para celebrar a data, o Ginger Wildheart and The Sinners, com um concerto no 229, na última sexta-feira (17). O multitarefado Ginger revisa músicas da sua carreira solo, algumas versões bem peculiares, outras a serem lançadas, além de um passeio pela trajetória do The Wildhearts. Tudo muito bem dosado, uma banda que preza pelas harmonias e melodias. Aliás, tudo se encaixa muito bem no The Sinners e faz com que o setlist passe rapidamente. Alguns pontos altos devem ser mencionados, como as belíssimas The Daylight Hotel, que foi executada na última parte do set, além de Words Gonna Have to Wait, do álbum de 2018. Ghost in the Tanglewood, uma versão que esbanja melodia de Love Dirty Water, dos britânicos do Status Quo, e Six Years Gone, do Georgia Satellites, também chamam a atenção. O encerramento não deixa por menos: Only Love e Loveshit, do Wildhearts, que também contou com a participação da Kit Swing, da Rich Ragany and the Digressions. Ginger, em sua melhor forma, voltou a distribuir sorrisos. Anteriormente, ele foi muito criticado nas últimas apresentações dos Wildhearts, pois não demonstrou o carisma de outrora. Porém, tudo que envolve ele, sempre será um incógnita, exceto quando o assunto é tocar e cantar, pois isso é feito com maestria. Ano encerrado com o pé direito, sem dúvida nenhuma e que 2021 possa ser melhor e com diversos shows como o de sexta-feira passada.
Resenha | British Lion no Underworld, em Londres

Os ingleses do British Lion se enquadram em mais um daqueles que tiveram seus shows marcados, remarcados, alterados e etc. Essa perna da tour britânica seria em conjunto com o The Darkness, porém alguma força maior os impediu de fazerem a tour juntos. Logo depois, a tour foi remarcada em clubes menores por toda a Inglaterra. O Blog n’ Roll acompanhou a apresentação no Underworld, em Londres, no início do mês. No suporte à banda principal, a também conterrânea Airforce, dos anos 1980, que bebeu da fonte New Wave of British Heavy Metal e que claramente tem em sua referência maior o Iron Maiden. A banda tem um discografia de dois discos, mas chega a ser engraçado pois deu início às atividades em 1986. Aliás, após 30 anos lançou seu primeiro álbum, Judgment Day. Enquanto, no ano passado, divulgou o segundo disco, Strike Hard. Show direto, curto e grosso. As músicas são todas com a mesma estrutura, a mesma levada e palhetadas. Tudo que possa se remeter aos clichês oitentistas, afinal a proposta é apenas essa. Já mudando um pouco, o British Lion toma a cena, e claramente 90% do público estava ali pelo mestre de cerimônia da banda, a lenda Steve Harris, do Iron Maiden. A banda segue à risca a proposta que Harris teve quando montou o British Lion: tocar em clubes menores e aproveitar a atmosfera dos clubes, como era feitos nos primórdios. O setlist passa por seus dois álbuns, o primeiro, quando a banda ainda era Steve Harris e o álbum se chamou British Lion, e o mais recente, The Burning. O set anda pelos dois álbum, com os destaques para os singles This is My God, também faixa de abertura do show, Us Against The World, do primeiro álbum, Spitfire, a belíssima Lightning, além da faixa-título, The Burning.
Garage Fuzz estreia vocalista em show marcante em Santos; FOTOS

A expectativa pelo retorno do Garage Fuzz era muito grande. Após um longo período sem shows, em função da pandemia da covid-19, a banda voltou aos palcos de Santos, com uma apresentação marcante no Mr Dantas, no último domingo (12). Em resumo, o público estava curioso para ouvir as três canções do novo EP, Let the Chips Fall, além de acompanhar de perto o desempenho do novo vocalista, Victor Franciscon (ex-Bullet Bane). Na plateia, o público garantiu uma boa recepção. Victor sabe que pegou uma responsa gigante, mas não decepcionou. Por ter uma linha de vocal parecida com a do Farofa, a comparação é inevitável. Mas foram quase 30 anos com a voz do ex. No entanto, o público entendeu que essa era a única forma do grupo seguir em frente, sem interromper de vez as atividades. Em um dos momentos do show, Victor esqueceu o início da letra de uma das faixas. O público refrescou a memória e a sequência saiu direitinha. O show do Garage Fuzz rolou, os caras seguram bem a onda. Aliás, as músicas novas, alguns já conhecem. Mas elas não tiveram a mesma recepção do público em geral. Com muita dedicação no palco, Victor conquistou o público pela energia. E aproveitou para agradecer os demais integrantes, dizendo que ganhou “quatro professores”.
Crítica | Badke – Máquina de Moer Fantasmas

Após alguns EPs, singles e umas 19 mil lives, na semana passada Henrique Badke lançou o seu primeiro disco cheio, Máquina de Moer Fantasmas.
Crítica | Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente

Inspirado livremente na obra de Angeli, o filme Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente chega nesta quinta-feira (11) nos cinemas. Dirigido por Cesar Cabral, o longa é dividido em dois universos que estão prestes a colidir. De um lado o cartunista Angeli (aqui retratado como um personagem) vivendo uma crise criativa, após ter assassinado seus icônicos personagens Bob Cuspe e Rê Bordosa. Enquanto do outro está – em um surreal ambiente pós apocalíptico, Bob Cuspe, acompanhado dos Gêmeos Kowalski, em busca por vingança contra o seu criador. Misturando comédia, road movie e documentário, o filme funciona muito bem como uma divertida homenagem ao trabalho de Angeli. Aliás, como se trata de um filme do Bob Cuspe, o humor ácido e anárquico vem acompanhado de uma trilha sonora com músicas dos Titãs, Mercenárias e Inocentes. O filme conta com a dublagem de Milhem Cortaz, Paulo Miklos, André Abujamra, Grace Gianoukas e Laerte. Por fim, parafraseando Bob Cuspe, Punk is not Dead! Fuck You! Nós só podemos agradecer seu escroto! O filme de Cesar Cabral ganhou o principal prêmio da Mostra Contrechamp, em Annecy, que é o maior festival de animação do mundo. No entanto, teve sua primeira exibição no Brasil na 45a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Contudo, vale destacar que não é a primeira vez que Cesar Cabral trabalha com algo relacionado a Angeli. Ele é diretor geral da série de animação Angeli The Killer, cuja primeira temporada foi exibida em 2017 pelo Canal Brasil e a segunda está em finalização. A nova animação, todavia, é o seu primeiro longa-metragem. Atualmente está em pré-produção de seu longa animado, Um Pinguim Tupiniquim, adaptação da obra de Índigo Ayer. Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de GenteDireção: Cesar CabralRoteiro: Leandro Maciel e Cesar Cabral
Resenha | Scalene retorna aos palcos no Sesc Santos

Após quase dois anos sem apresentações ao vivo, acredito que ninguém que foi ao Sesc Santos, na noite do último sábado (6), sabia direito o que esperar do primeiro show de rock no local. E quando falo ninguém, incluo também os membros da banda Scalene. Contudo, todo esse sentimento de viver algo novo acabou tornando o show emocionante. Assim que Danse Macabre deu o pontapé inicial na performance, não pareceu que era a primeira vez que o conjunto se apresentava ao vivo depois de tanto tempo. Muito à vontade no palco, o vocalista Gustavo Bertoni se mostrou com ótima presença de palco. Ainda falando sobre primeiras vezes, esta foi a performance de estreia da Scalene após a saída do baterista Philipe “Makako” Nogueira. Quem assumiu as baquetas foi Alana Ananias, que cumpriu muito bem o papel. O ponto alto da primeira metade da apresentação foi a presença do vocalista santista Rafael Costa, o Bola da Zimbra, na faixa Surreal, uma das canções mais conhecidas pelo público. Aliás, a banda soube mesclar momentos mais explosivos, com músicas presentes no disco Magnetite, além de faixas mais calmas, como foi Furta-Cor. Em síntese, o grupo também trouxe seus novos singles para o show. O destaque ficou para Névoa, que soa ainda melhor quando tocada ao vivo. Já no fim, o guitarrista Tomás Bertoni se emocionou ao falar sobre os momentos difíceis vividos por cada um de nós durante a pandemia. As palavras emocionadas vieram seguidas de phi, que encerrou uma noite carregada de sentimentos no local. Por fim, após diversas apresentações na cidade, Santos ficará guardada nos corações dos membros da Scalene após este fim de semana, no Sesc Santos.
Resenha | Don Broco no Brixton Academy, em Londres

Seguindo o lançamento de seu novo álbum, Amazing Things, na última sexta-feira (5), o Don Broco trouxe novidades, além de muitos de seus clássicos para o Brixton Academy, em Londres. Aliás, foram dois shows na capital inglesa para fechar a tour. O Don Broco evidentemente se alimenta da energia da multidão. Rob Damiani é um frontman incrivelmente comandante, animando a todos desde o momento em que pisou no palco, levando a uma abundância de crowd surf e mosh pits. Tinham pessoas fazendo flexões no meio da multidão?! Mas não era apenas sua presença de palco que era notável. A banda claramente fez todos os esforços para preparar o palco também. O arranjo de iluminação era diferente de tudo que já tinha testemunhado em um local de menor escala. Na verdade, era mais parecido com o que você esperaria de um show em uma arena completa. Aliás, a banda não se conteve em nada, capturando a experiência típica de um show de estádio e trazendo-a para um local menor. Em resumo, é um show que mescla perfeitamente a estética visual com a qualidade sonora da banda, dando um clima extra para as músicas tocadas. Com metade do novo álbum sendo executado ao vivo e comandada pela faixa Manchester Super Reds No. 1 Fan, além da dobradinha Technology e Pretty, do álbum Technology (2018). O set continuou alternando as músicas dos quatro lançamentos da banda: Bruce Willys,Automatic e Action deram o ritmo a ser bailado até o final catártico com T-Shirt Song, onde quase todos tiraram as camisas e ficaram rodando para o alto finalizando um excelente show.
À Primeira Vista: o retorno emocionante do Teatro do Sesc Santos com Chico César

Texto por: Walter Titz Neto Chico César tem a fineza intelectual de Cruz e Sousa e a nobreza popular de Carolina Maria em seus poemas. É uma Entidade zeladora da cultura popular brasileira, e canta tão bonito quanto à Serra do Araripe às seis da tarde. Foi ele quem o Sesc Santos escolheu para reabrir as portas de seu teatro após um ano e meio enclausurado. E no caminho até o show era impossível não pensar nisso também, nesse período recluso. Fui a pé com um amigo e lembrávamos dois adolescentes caminhando quilômetros até um show de hardcore, ansiosos pelo acontecimento, mãos geladas nos bolsos, pensando nos que gostariam de estar e se foram precocemente. Afinal, é o Chico, essa Entidade que dizíamos, poeta cantador que desenha as palavras no melhor estilo Guimarães Rosa, é um sertanejo trovador que vem de arrastar viola nas pedras de Catolé da Rocha e desafiar outras cordas nas festas de Loro em São José do Egito, que caminhando Paraíba se chega ao Pernambuco, esse Caicó Arcaico embrenhado de sertões herdeiro do Modernismo brasileiro conectou-se com o mundo. Um Béradêro, como descreve Chico no poema canção que abre seu primeiro disco, Aos Vivos. Aliás, também é a mística de abertura do concerto em Santos num emblemático Dia dos Professores – “e a cigana analfabeta lendo a mão de Paulo Freire”. Chico simboliza o dia e se posiciona. A partir daí o show é todo uma exposição de uma grande obra de arte com o artista simpático, bem humorado e muito inteligente que passeia leve e saudoso por seus discos o tempo todo interagindo com o público. Referências de Chico César a Santos Homenageia Santos cidade porto, cidade baía e seus Santos. Honra o público com muitos clássicos. Era impossível não se emocionar. Meu amigo chorou quando ouviu o brega modernista Da Taça, “do lance de dançar sem som, tão bom, bateu”, que vem acompanhada da música prece Onde Estará o Meu Amor, orada outrora por Bethânia. Quem não se emocionou quando soou À Primeira Vista, clássico dos clássicos, imortalizada em espanhol por Pedro Aznar? O poeta de referências e multireferenciado mostra que é um homem de seu tempo e anima com o refrão arroxado de History, e não perdoa com o reggae conjuntural Pedrada e a solidária De Peito Aberto, ambas músicas do disco O Amor é um Ato Revolucionário. Nas clássicas Mama África e Pedra de Responsa, ensaiamos o desejo de dançar com as mãos e meneando a cabeça ora culpados mas agradecidos por estarmos ali naquele momento e então Chico trouxe duas músicas inéditas e uma delas era um frevo muito sagaz – “eu vou tomar vacina quem não quiser que tome cloroquina”. Como não lembrar dos ausentes? Como? Ora! “Chega tem hora que ri de dentro pra fora. Não fica nem vai embora. É o Estado de Poesia”. Assim estávamos todes quando Chico caminhou e cantou e seguiu a canção de Vandré. Lágrimas de muitos momentos, ali encontraram braços que as buscavam em seus abraços solidários. Muitos Brasis se toparam. Marielle e Juliette E Chico perguntou, alguém do Nordeste? Vocês sabem o que é Arenguêra? E lembrou Marielle, e lembrou Juliette que paraibana como ele rezou Deus Me Proteja ao vivo no BBB e sagrou-se, e com ela o Chico porque “caminho se conhece andando”, é assim que vamos. Por fim, assim me despedi da noite Caminhando e Cantando Aos Vivos, os sem amor, os sem teto, os sem paixão, sem alqueire, Chico. Sem esquecer dos mais de 600 mil ausentes até aqui. Confesso que senti a ausência de A Prosa Impúrpura do Caicó, mas cheguei em casa mais leve que de costume. Aliás, fiz o que faço todas as noites: cantei Templo para o meu menino dormir.