Augusto Pakko canta sobre ter sangue frio para enfrentar racismo

Desde a morte de George Floyd por forças policiais em Mineápolis, nos Estados Unidos, em maio último, a luta contra o racismo ganhou força no mundo todo. Mas o racismo em si ainda está muito longe de ser exterminado. Casos como de Floyd e João Alberto, no Carrefour de Porto Alegre, acontecem diariamente no Brasil. Quase sempre na periferia, onde não há câmeras, muito menos apelo popular nas redes sociais. O rapper Augusto Pakko, de 23 anos, morador do Ilhéu Baixo, na Zona Noroeste, sabe bem o que é ser preto e viver sob esse perigo constante apenas pela cor que tem. Seu novo single, Moncler, em parceria com o Trap da Quebrada, usa a marca de roupa de inverno como analogia para o “sangue frio que é preciso ter para sobreviver nas ruas”. “A Moncler é uma marca de luxo, conhecida pela jaqueta puffer, para quem pratica esqui. E usei o conceito que é preciso ter sangue frio para tudo que estamos à mercê de acontecer para nós que somos pretos e periféricos. É narrando essa vivência com esse conceito que consegui unir moda e vivência”. Videoclipe A faixa veio acompanhada de um videoclipe, que foi gravado na Vila Olímpia, em São Paulo, e no Saboó, em Santos. “Traz todo esse conceito à tona, além de narrar a vivência de um jovem preto periférico”, comenta Pakko sobre a produção audiovisual. Em pouco mais de um ano, Pakko já lançou seis singles, três feats com outros artistas e a recente colaboração com o Trap da Quebrada. Posteriormente, em 2021, ele pretende lançar a primeira mix tape. “Ainda não posso falar sobre os sons”. Os singles #Blacklivesmatter, Jesus Era Preto e 1038 ajudaram a impulsionar a carreira de Pakko, que chegou a ser incluído em uma playlist do ator, cantor e ex-BBB Babu Santana. Em suma, a ideia era apresentar artistas negros em evidência no Brasil. O reconhecimento, no entanto, acontece em São Paulo e outras grandes cidades, não no município de origem do rapper. “Santos não é o lugar onde sou mais escutado. Em São Paulo, por exemplo, tenho muito mais público. Não sei se a galera daqui valoriza os artistas locais”, comenta. Bastante engajado, Pakko teve um cuidado especial na hora de lançar #Blacklivesmatter. O lançamento aconteceu num dia 23, às 20h23. Em resumo, o número carrega uma simbologia triste: a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil.
Som das Palafitas começa nesta sexta-feira; Confira programação

O Instituto Arte no Dique vai apresentar mais uma edição do Som das Palafitas, um de seus projetos na comunidade do Dique da Vila Gilda. Ademais, o Som das Palafitas faz parte do calendário oficial da cidade de Santos e promove o fácil acesso à cultura, além de contribuir com a economia local. Além disso, a edição deste ano prestará homenagem ao cantor e compositor baiano Moraes Moreira, falecido no início do ano, que era um dos patronos do Arte no Dique. Moraes Moreira é considerado figura importante para o projeto, como conta o presidente da ONG, José Virgílio Leal de Figueiredo. “Foi alguém fundamental na história do Arte no Dique, que nos ajudou a abrir portas, trouxe credibilidade para a ONG e levou o nosso nome Brasil afora”. Como resultado desta importante iniciativa, o evento terá início nesta sexta-feira (4) e contará com diversas atrações musicais. Porém, devido a pandemia do coronavírus, o evento deste ano será totalmente online e transmitido nas redes sociais do instituto. Entretanto, nas edições anteriores, além das apresentações culturais, as pessoas comercializavam seus produtos como forma de divulgar seus trabalhos e aumentar a renda. Isso não acontecerá esse ano devido a pandemia. Portanto, haverá um QR Code para a arrecadação das doações nos dias do evento, assim como aconteceu no mais recente promovido pelo Blog n Roll, o #JuntospelaVilaGilda e pode ser conferido no canal oficial do blog no Youtube. Em suma, toda arrecadação será para a compra de equipamentos utilizados pela entidade e instrumentos para as oficinas musicais. O evento O Som das Palafitas terá duas fases. Sua abertura será na sexta-feira (4), às 20h, com o cantor e compositor Danilo Nunes, cantando grandes sucessos de Morares Moreira, como Pombo Correio, Preta Pretinha, Acabou Chorare, entres outros. Em suma, todas as atrações presentes prestarão homenagem cantando uma canção do artista. 1° Fase O Instituto Arte do Dique, valoriza muito a cultura local e não seria diferente neste evento tão importante para a comunidade, como destaca o presidente da ONG José Virgílio. “São dez apresentações e 11 artistas da região. É nossa forma de valorizarmos a produção artística local, principalmente nesse cenário bastante difícil para a classe cultural com a pandemia. Muitos deixaram de ganhar o seu sustento do dia a dia com o fechamento de bares, casas noturnas e cancelamento de shows e festivais presenciais, e dependem de iniciativas assim para se manterem”. Com isso, a primeira fase contará apenas com artistas da região da Baixada Santista. No sábado (5) contará com a apresentação do DJ Cuco. Ademais, as apresentações serão sempre às sextas e aos sábados, às 20h, e terá como atrações Matheus Vasconcelos (11 de setembro), Simone Ancelmo (12 de setembro), Monna (18 de setembro), Gabriel Prado e Edison Cabeça (19 de setembro), Diego Alencikas (25 de setembro), Conrado Pouza (26 de setembro), Julinho Bittencourt (2 de outubro) e Jotta R (3 de outubro). 2° Fase Considerada como fase nacional, esta segunda leva de shows, contará com a presença de artistas locais e músicos consagrados no cenário brasileiro como: José Gil e Maria, Charlie Brown Jr., Moreno Veloso, Sandra de Sá, Hamilton de Holanda, Gilmelandia e Luciano Calazans, Davi Moraes e Armandinho Macedo, que será o mestre de cerimônias das apresentações. Programação completa 04/09 – Danilo Nunes05/09 – Dj Cuco11/09 – Matheus Vasconcelos12/09 – Simone Ancelmo 18/09 – Monna19/09 – Gabriel Prado e Edison Kbça25/09 – Diego Alencikas26/09 – Conrado Pouza02/10 – Julinho Bittencourt03/10 – Jotta R10/10 – Sandra de Sá17/10 – José Gil e Maria24/10 – Charlie Brown Jr31/10 – Moreno Veloso07/11 – Hamilton de Holanda14/11 – Gilmelandia e Luciano Calazans21/11 – Davi Moraes28/11 – Armandinho
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Juntos Pela Vila Gilda: maratona musical solidária começa neste sábado

Neste sábado (25) e domingo (26), o YouTube do Blog n’ Roll promove uma maratona musical com diversos gêneros distintos. É o Juntos Pela Vila Gilda. Serão 206 artistas em pouco mais de 20 horas de transmissão. Entre os destaques estão Gilberto Gil, Dinho Ouro Preto, Me First and the Gimme Gimmes (EUA), The Ataris (EUA), Falamansa, Nuno Mindelis, Teatro Mágico, Davi Moraes, Armandinho Macedo e Kiko Zambianchi. O lineup também reúne nomes fortes da região, como Afrodizia, Dani Vellocet, Bula, Surra, Zimbra, The Bombers, integrantes do Garage Fuzz com seus projetos paralelos, Danilo Nunes, Marcos Canduta, João Maria, Balara, Uelo, T h, USREC, Gabitopia, Beline, Zebra Zebra, entre outros. Artistas da Espanha, Itália, Argentina, Escócia e Chile também marcam presença no evento, que tem custo zero. Nenhum artista cobrou cachê. E toda a renda obtida por meio do QR Code, que estará nos vídeos, será destinada para a compra de cestas básicas para os moradores do Dique da Vila Gilda, em Santos. O evento tem como meta atender 2 mil famílias. O valor unitário da cesta básica é de R$ 35,78. >> Confira algumas entrevistas do Juntos Pela Vila Gilda Para doar é simples, o interessado precisa baixar o app PicPay e cadastrar um cartão de crédito nele. Durante o evento é só posicionar o celular no QR Code que estará no vídeo e fazer a doação. Qualquer valor pode ser doado. Neste sábado, o Juntos Pela Vila Gilda tem início às 15h e segue no ar até 0h15. No domingo, a programação tem início mais cedo, às 13h, com término previsto para 0h15.
Santista Lucas Rodrigues mescla diversas influências em seu novo disco; ouça

O santista Lucas Rodrigues divulgou no último sábado (18) o álbum As Armas de Minha Milícia Não São Humanas. Em resumo, o disco é fruto de um trabalho realizado desde outubro de 2019, onde Lucas junto do artista Vinícius Fernandes e do poeta João Mostazo se organizam em um grupo de estudos chamado Pós-Brazil. No projeto de dez canções, Lucas traz a sua construção crítica sobre o conceito de brasilidade na cidade de São Paulo. “É um olhar crítico sobre o resgate das manifestações culturais vistas como folclóricas brasileiras na forma que toma em São Paulo, então tem o resgate do maracatu, do carnaval, que aqui em São Paulo são vistos como expressões populares tradicionais”, conta. Notável em quase todas as faixas, as referências ao cristianismo contemporâneo também são bem claras. Aliás, o artista também procurou influências no movimento No Wave, que moldou diversos segmentos da arte na década de 1970. “O álbum tem muitas referências da iconografia católica e cristã por um viés torto – a própria capa, que foi feita pela artista visual Lídia Ganhito, é uma colagem que remete à cidade de Santos, de onde eu vim, através de imagens das igrejas católicas africanas, assim como há muitas outras referências a Santos. Na música Cinema Material há uma referencia ao Chorão, inclusive”, revelou.
Entrevista | Marcos Canduta – “O artista pode ajudar com seu trabalho”

Marcos Canduta e Débora Gozzoli atuam na música há dez anos e são presença confirmada no Juntos Pela Vila Gilda. A dupla se consagrou na cena musical da Baixada Santista com seu Choro de Bolso, cheio de canções poéticas. Em destaque, assinam o álbum Canções de Amor Caiçara, com Manoel Herzog e participação de Chico Buarque e Zeca Baleiro, feito em homenagem a Santos. Atualmente, durante a pandemia, as apresentações do duo têm acontecido por meio de lives na conta oficial do Choro de Bolso. Elas acontecem sempre às sextas-feiras, às 18h30. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Marcos Canduta fala sobre o início do projeto, trabalho com as plataformas digitais em tempos de pandemia e a importância de eventos sociais como o Juntos Pela Vila Gilda. Como surgiu o projeto Choro de Bolso? Trabalhando com música, lá se vão 38 anos, e o Choro de Bolso surgiu tem cerca de 17 anos, quando começamos a nos apresentar na livraria Realejo às sextas-feiras. Você é autor de vários discos, compositor e violinista. Em qual meio gosta mais de atuar? Na verdade gosto de tudo; adoro sentar e escrever arranjos, pra depois ouvir o resultado no disco ou no palco. Adoro compor, escrever música, coisa que faço quase todo dia. Gravar é outra coisa sensacional. Tem muita gente que odeia gravar, pela tensão que gera, mas eu fico feliz cada vez que entro no estúdio e fico ali horas por uma música (risos). O palco talvez seja um dos lugares que eu mais goste de estar: quando você está num teatro, com um público bacana, é o paraíso na Terra. Nessa pandemia você tem feito lives frequentes nas redes sociais. Como as plataformas digitais tem ajudado seu trabalho? As lives se mostraram uma ferramente muito legal, tanto para os artistas quanto para o público. Estamos gostando muito do resultado delas. Aumentamos nosso público, com muitas pessoas de outras cidades, estados e até gente em outro países participando. Eles não teriam oportunidade de nos assistir tocando ao vivo. A ideia, inclusive, é continuar com as lives no pós-pandemia. O que você espera da participação no Juntos Pela Vila Gilda? Eu e Débora estamos muitos felizes em participar. Acho que esse tipo de ação deveria acontecer sempre. O artista, seja de qual área for, pode ajudar bastante com seu trabalho, como na Vila Gilda. O Choro de Bolso estará presente no dia 25, completando o lineup do primeiro dia de evento.
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