Dobradinha de peso em Glasgow: Kasabian e Liam Gallagher

Glasgow não é para os fracos. É preciso ter muita disposição para aguentar a euforia dos fãs. É chuva de vinho, cerveja, cocaína e muitos esbarrões o tempo todo. Isso sem falar nos sinalizadores que deixaram os seguranças em pânico no Hampden Park, o estádio oficial dos jogos da seleção de futebol da Escócia. Foi nesse clima que acompanhei, debaixo de chuva, a dobradinha Liam Gallagher e Kasabian em Glasgow. Já havia assistido ao Kasabian duas vezes no Brasil, mas estava curioso para ver sem o vocalista Tom Meighan, expulso da banda após comportamentos abusivos com a esposa. Sergio Pizzorno assumiu o vocal e afastou a desconfiança do público logo de cara. Não é segredo que ele sempre foi a alma da banda, mas é sempre estranha a troca de vocalista. Com um set bem equilibrado, Pizzorno e companhia ignoraram apenas um dos sete álbuns da discografia (Velociraptor!, de 2011), já incluindo nessa conta o futuro The Alchemist’s Euphoria, que chega em agosto. West Ryder Pauper Lunatic Asylum (2009) e For Crying Out Loud (2017) foram responsáveis por metade do set, com três músicas cada. Só hit, por sinal. A sequência inicial do show, com Club Foot, III Ray (The King) e Underdog, foi tocada sem intervalo, garantindo uma apoteose dos fãs, em sua maioria adolescentes. Enquanto gritavam e pulavam insanamente, policiais e seguranças tiveram trabalho para conter os sinalizadores acesos na pista. Propositalmente ou não, Pizzorno parece ter notado que a loucura da plateia estava fora do comum e deu uma desacelerada. Deu espaço para You’re in Love With a Psycho e estreou Chemicals, do novo álbum. Mas a tranquilidade pouco durou. Shoot the Runner, Stevie e Bless This Acid House, uma seguida da outra, funcionaram como uma panela de pressão. Ao chegar na terceira dessa sequência, a loucura já estava novamente na pista. E mais correria para conter novos sinalizadores. A reta final, já com o jogo ganho, trouxe mais momentos catárticos para os escoceses, incluindo Empire e Fire. Se o objetivo era aquecer os fãs para o show de Liam Gallagher, Pizzorno conseguiu isso e muito mais. Fez show de headliner com set list reduzido. Liam Gallagher O canto da torcida do Manchester City celebrando mais um título, ecoando nos alto-falantes do estádio, já sinalizavam que Liam estava próximo. Engraçado que essa brincadeira nunca fica velha, afinal o City ganha títulos todos os anos. Acabou de conquistar o bicampeonato da Premier League, o quarto título nos últimos cinco anos. Fuckin’ in the Bushes, acompanhada de imagens de Liam e mensagens positivas, trouxe o icônico vocalista do Oasis para o palco. Aliás, vale destacar que Liam tem dois feitos e tanto sobre o irmão: renovou o público, trocando os coroas saudosistas por adolescentes apaixonados pela sua banda de origem, além de entregar os clássicos do Oasis da forma mais fiel possível, sem tesouras ou outras esquisitices em suas releituras, como Noel faz. Mesmo com uma carreira solo consolidada, Liam sabe que o repertório do Oasis é o ponto forte dos shows. E isso não é um problema para ele. Hello, Rock ‘n’ Roll Star e Morning Glory vieram em sequência. Logo depois, Liam testou a força do repertório solo com Wall of Glass, Everything’s Electric e Better Days, as duas últimas do recém-lançado C’mon You Know. Impressionante como a euforia não se reduz em nenhum momento na pista. Sempre intercalando Oasis e carreira solo, Liam pouco falou, mas quando se arriscou a fazer isso, arrancou aplausos e vaias simultaneamente. Explica-se: o vocalista elogiou Glasgow e disse ser uma ótima cidade de um ótimo país independente. No entanto, nem todos pensam da mesma forma. A população é dividida entre ser independente ou seguir dentro do Reino Unido, com Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales. Mas Liam soube abafar a polêmica rapidamente com mais uma trinca de Oasis: Stand by Me, Roll It Over e Slide Away. Ainda teve espaço para a linda Soul Love, do Beady Eye, banda que Liam montou logo após o término do Oasis. Com novidades de C’mon You Know e mais algumas boas faixas de seus dois primeiros álbuns solos, Liam mostrou força com More Power, acompanhada de backing vocals, The River e Once. Na saída do palco, antes do bis, ainda simulou estar tocando tesoura, tal como uma integrante da banda de Noel, arrancando risos dos fãs. Um curto intervalo separou dessa interação e as últimas quatro canções do show, todas do Oasis: Some Might Say, Cigarettes & Alcohol, Wonderwall e Champagne Supernova. Nem mesmo a chuva e o frio, em pleno verão escocês, foram páreo para os fãs. Muitos saíram eufóricos do estádio, rodando a camisa e cantando mais músicas do Oasis nas ruas. E foi assim até a região central de Glasgow, distante uns 4,5 km dali. Sim, caminhando e cantando debaixo de frio e chuva.
Discharge retorna ao Brasil após 18 anos; confira local e preços

O Discharge pode não ter inventado o hardcore punk, mas a banda britânica – com 45 anos de história – certamente moldou o futuro da música pesada a partir do início da década de 1980 – inspirou nomes como Death Angel, Anthrax, Sepultura e Ratos de Porão. Em plena atividade, o quinteto enfim confirma o retorno ao Brasil após 18 anos de espera, com show dia 10 de dezembro em São Paulo, no Fabrique Club. A realização é da Agência Sobcontrole. A segunda incursão do Discharge no Brasil acontece no ano e que se celebra 40 anos do seminal disco de estreia Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing, um dos mais raivosos da história do underground, com guitarras cruas, pesadas e distorcidas que impactaram primeiro o punk hardcore da Inglaterra, mas logo eclodiu no mundo – uma sonoridade ríspida que ficaria marcada para sempre. E mais: foi o disco que pavimentou o caminho do Discharge, que nasceu na cidade industrial de Stoke, à lenda indefectível e essencial: os vocais gritados, a atmosfera sombria, os conceitos líricos de guerra e o fantasma de uma guerra nuclear, a brutalidade das batidas e as linhas de baixo exageradas. Ali ainda reside a gênese do cultuado e até os dias de hoje influente d-beat, a nomenclatura de uma batida/ritmo rápido na bateria genuinamente com a chancela do Discharge. Gosta de crust, thrashcore e derivados? Faça reverência ao Discharge! Mas as explosões primitivas de velocidade e agressividade intransigentes também já constavam nos EPs anteriores ao disco de estreia, Realities Of War, Fight Back e Why, que sem dúvida terão músicas incluídas no set list especial para este novo show na capital paulista. O último álbum de estúdio é End of Days, lançado mundo afora pela Nuclear Blast e que alcançou o 10º lugar no The Official UK Rock Charts e levou o Discharge tocar para multidões esgotadas na América do Norte e na Europa. Muitas das músicas do Discharge foram regravadas ao longo de décadas por outras lendas do rock/metal/punk: Metallica, Anthrax, Sepultura, Machine Head, Prong, Soulfly, Arch Enemy, para citar alguns, sempre com respeito máximo à banda britânica que fez e ainda faz história. Bandas convidadas Surra e Urutu são as bandas nacionais que participam do evento no Fabrique Club com Discharge. São dois nomes que gradativamente cravam sua marca na música pesada brasileira. O power-trio santista Surra já está há mais de 10 anos na estrada com seu imbatível thrash core. Já o Urutu é a personificação do metal punk paulista, com um recém-lançado compacto durante um dos ensandecidos Pre-Kool Metal Fest que rolaram no início deste ano. SERVIÇO Discharge em São Paulo Data: 10 de dezembro de 2022 (sábado) Local: Fabrique Club Endereço: rua Barra Funda, 1071 (Metrô Barra Funda) – São Paulo/SP Horário: 17h (abertura casa) | shows: 18h Bandas convidadas: Surra e Urutu Ingresso on-line Ponto de venda (sem taxa de serviço): Galeria do Rock, na Loja 255 Valores: R$ 100 (1º lote) R$ 120 (2º lote) R$ 150 (3º lote)
Descendents passeia por um dos legados mais lindos do punk rock em Londres

Com pouquíssimos shows marcados na Europa este ano, o Descendents voltou a Londres no último sábado (11). Aliás, a apresentação foi anunciada no último outono e tinha em seu line-up os suecos do The Baboon Show. No entanto, com algumas mudanças de última hora, Last Hounds e Wonk Unit foram as responsáveis pela abertura da noite. A Last Hounds subiu ao palco e mostrou um show enérgico e empolgante. Com Handmade, Extraordinary e Slow Burn tocadas na velocidade e volume máximo, banda abriu caminho para o vocalista mudar de lado e se juntar ao público para cantar Running With The Dead, todas do álbum de estreia deles, Burden, de 2021. Em poucas semanas, eles retornam a Londres, dessa vez em turnê com Lagwagon. Aliás, a banda seguirá os norte-americanos durante toda tour pelo Reino Unido, em junho. Do sul de Londres diretamente para o norte, uma das pérolas do underground inglês, o Wonk Unit. Para falar deles seria necessário abrir um capítulo extra, pois teríamos que voltar nos anos 1990, onde tudo começou. Porém, para ser mais rápido e dinâmico, a gente resume. A banda é um autoretrato do vocalista e fundador, Alex “Daddy” Wonk, como ele mesmo afirma. As letras são todas por experiências vividas por ele ao longo desses anos e falam sobre problemas pessoais transformadas em um diário pessoal. Com Heroin abrindo a festa, o Wonk Unit transformou a pista do Forum Kentish Town em uma bagunça sem limites. Rápidas palavras de agradecimento por estarem em uma festa junto ao Descendents e, logo depois, mais porrada sonora. Normalmente, os shows da banda ultrapassam 25 músicas. Sábado, no entanto, foi apenas uma amostra da diversão que é o show da banda. Músicas como Awful Jeans, Go Easy, Lewisham (bairro localizado no sudeste de Londres), Ja Mappelle e Kings Road Sporting Heroes, do excelente álbum Nervous Horse, finalizaram a apresentação em grande estilo. Descendents Sem nada mencionando o nome da banda e nenhum efeito de luz, os quatro integrantes do Descendents entraram no palco. Milo, primeiramente, perguntou quem esteve na última apresentação da banda em Londres, em 2018. O vocalista queria se desculpar pois disse que naquele dia a sua voz não estava boa o suficiente. Logo depois, apresentou o cartão de visitas com Everything Sux. Melhor entrada possível. A casa literalmente virou do avesso. De um clássico a outro, a banda voltou para os primórdios e mandou Hope, do clássico Milo Goes to School. Coolidge veio logo na sequência. Cinco minutos de euforia. A banda não fala, deixa que a música fale por eles, e vão tocando ininterruptamente. Com um set list gigantesco, mínimas pausas entre as músicas, Milo apenas dizia o nome da próxima faixa ou Bill abria a contagem nas baquetas. Uma coisa super interessante foi notar uma presença grande de fãs assistindo a banda de cima do palco. Também um número grande de crianças na casa, especialmente na parte superior. Uma banda que passou por diversos momentos na carreira, mudou de nome, acabou, voltou, vários problemas internos, hiatos, e ainda está lá mostrando para todos o quão relevante ainda é. O set se misturou perfeitamente e pelo menos uma música de cada álbum foi executada durante a maratona. Pontos altos do set? Sim, diversos! I’m the One, Myage, Without Love, Bikeage e pelo menos mais umas 15 músicas. A banda entrega exatamente o que os fãs querem, muitos hits. Por fim, podemos dizer que os quatro senhores nos deram um frescor da adolescência e nos lembraram como a música ainda nos leva a lugares que não eram visitados há muito tempo. Mais de 40 anos de história e um dos legados mais bonitos da história do punk rock mundial.
Rolling Stones cancela show em Amsterdã após Mick Jagger contrair covid

O quarto show da turnê Sixty, do Rolling Stones, foi cancelado em cima da hora. Faltando poucas horas para o início da apresentação, nesta segunda-feira (13), na Johan Cruijff Arena, em Amsterdã, a banda revelou que não seria possível manter a programação porque Mick Jagger contraiu covid. Confira abaixo a nota do Rolling Stones “Os Rolling Stones foram forçados a cancelar o show de hoje à noite em Amsterdã, na Johan Cruijff Arena, após Mick Jagger testar positivo para a covid, quando chegou ao estádio. Os Rolling Stones estão profundamente chateados pelo adiamento, mas a segurança da plateia, dos músicos e da equipe de turnê é prioridade. O show será remarcado para uma outra data. Os ingressos para o show de hoje continuarão valendo para essa nova data”. Confira abaixo a nota de Mick Jagger “Eu sinto muito que nós tenhamos que adiar o show de Amsterdã com uma.noticia tão repentina nesta noite. Eu, infelizmente, acabo de testar positivo para covid. Estamos decididos a reagendar, o mais rápido possível, e voltarmos assim que pudermos. Obrigado pela paciência e compreensão”.
Jawbox transporta público em uma viagem sonora aos anos 1990, em Camden

Em mais um dos casos de shows marcados e remarcados por algumas vezes em função da pandemia, as lendas do rock alternativo Jawbox tocaram em Londres na última quinta-feira (9). Um fato curioso é que essa foi a primeira vez desde 1994 em que a banda veio como headliner por aqui. Aliás, esse era o único show da banda no Reino Unido. O local escolhido não poderia ser melhor, o Electric Ballroom, em Camden. E, por falar em escolhas, a banda de apoio desse show também foi uma excelente ideia: os ingleses do Delta Sleep, que em poucas semanas desembarcam para uma série de shows na América do Sul. Poucos minutos antes do início do Delta Sleep, a casa estava vazia. Bastaram os primeiros acordes para uma quantidade considerável de público aparecer. E foi aumentando durante a apresentação da banda. Com um mix de melodias, bateria percussiva e um baixo forte com as vozes intercalando agressividade e sutileza, a banda pontuou o set com músicas do último álbum, Spring Island. A mescla sonora da banda gera um mix de emoções durante as músicas. Os andamentos malucos deixam tudo muito imprevisível e vidrados no palco. Os músicos exploram os instrumentos e efeitos de forma muito especial, fazendo com que o show fique muito orgânico, mesmo com tantas variações durante as músicas. Destaques do show? Sim, os pontos altos ficam por conta de View to a Fill, Lake Sprinkle Sprankler e Dotwork. Semexagero nenhum, um dos melhores shows que acompanhei nos últimos tempos. Uma viagem direta do túnel do tempo nos levou de volta para os anos 1990, desde o público que já era grande na casa até a trilha sonora entre os shows. O Jawbox é daquelas bandas que sempre será lendária e estará nos melhores line-ups de todos os festivais. A musicalidade deles explica essa grande aceitação. É uma banda que se destacou em uma época que era tudo diferente. Aliás, depois de idas e vindas, sem lançamentos por pelo menos 20 anos, ainda mostra toda a sua relevância. Muito ruído e bateria desconstruída são as marcas registradas da banda, e isso ao vivo é reproduzido fielmente. A apresentação é uma imersão no meio dos anos 1990 com FF=67, Nickel Nickel Millionaire. Outras músicas como Chinese Fork Tie e Grip nos mostraram uma banda que estava extremamente feliz no palco e se sentindo totalmente acolhida pelo público. A baixista e fundadora, Kim Colleta, era só sorrisos durante a apresentação da banda, dispensando até o uso de microfones para se comunicar com o público. Uma avalanche sonora na noite de quinta-feira em Londres com duas gerações lado a lado trocando experiências e referências sonoras.
Rolling Stones: o dia que a maior banda de todos os tempos conquistou Liverpool

Quem acompanha o Blog n’ Roll há anos já sabe o que pensamos: o Rolling Stones é a maior banda de todos os tempos e não tem discussão. Assistir Mick Jagger e companhia em Liverpool, cidade dos Beatles, a segunda maior da história, não tem preço. Havia muita coisa por trás desse show, que aconteceu na última quinta (9), em Liverpool. Foi a primeira apresentação dos Stones na cidade em 51 anos! A estreia da banda no lendário Anfield, estádio do poderoso Liverpool. E também a primeira vez no Reino Unido sem Charlie Watts. Verdade que fizeram um pequeno tributo no acanhado Ronnie’s Scott, em Londres, recentemente. A atmosfera da cidade parecia de clássico de futebol. Os fãs dos Stones estavam por todos os lados, inclusive em maior número na Mathew Street, a rua do Cavern Club e do quarteirão inteiramente dedicado ao Fab Four. Alguns desses fãs carregavam faixas e camisetas com mensagens provocativas aos Beatles, principalmente após Paul McCartney tentar criar uma rixa chamando o Stones de banda de covers de blues. Algo que nunca incomodou Jagger e Richards, que responderam sempre com respeito e educação ao trash talk do Beatle. O ônibus que partiu da região central de Liverpool rumo ao Anfield estava lotado. Alguns cantavam trechos de músicas dos Stones, enquanto outros conversavam sobre possibilidades do que poderia entrar no set. Parecia uma reunião da ONU. Argentino, brasileiro, polonês, italiano, inglês, espanhol. Todos estavam na mesma trilha. Na hora do ponto final, o motorista gritou: “esse é o ponto para o show do Stones”. Uma rápida caminhada e já estava em Anfield. Organização incrível para garantir a entrada rápida do público. O estádio é grande, mas tem aquele aspecto de arena, o que aproxima fã e banda durante o show. Talvez as cadeiras inferiores não tenham uma visão tão legal, mas o restante do estádio garante uma experiência única. E o melhor de tudo: todo coberto nas cadeiras. Aberto apenas na pista e pista premium. Echo & The Bunnymen Veterana da cena de Liverpool, a Echo & The Bunnymen foi quem abriu o evento no Anfield. Surgida em 1978, a banda teve grande alcance comercial nos anos 1980, mas perdeu força a partir da década seguinte. Ian McCulloch e Will Sergeant, vocalista e guitarrista, respectivamente, são os remanescentes da formação original. Curioso notar como McCulloch, mesmo debaixo de forte calor e diante de uma multidão, se manteve intacto em sua presença de palco e com um visual bem característico do pós punk. Sem muito tempo disponível, apenas 50 minutos, o Echo & The Bunnymen entregou um set calcado em sucessos. Foram nove faixas, incluindo Bring On The Dancing Horses, Seven Seas, The Cutter e The Killing Moon, que encerrou o show. Em Nothing Lasts Forever, a banda fez um medley com Walk On The Wild Side, de Lou Reed. E com o estádio ainda sendo preenchido pelo público, Ian McCulloch agradeceu os Stones pelo convite, disse que tinha realizado um sonho e saiu de cena. Rolling Stones Enquanto o público retornava da pausa para a hidratação, o telão iniciou uma linda homenagem a Charlie Watts, eterno baterista do Stones, falecido em agosto do ano passado. Ninguém mais ficou sentado. O estádio inteiro, 50 mil pessoas, aplaudiu o tributo. Alguns se emocionaram bastante. Street Fighting Man abriu a apresentação. Steve Jordan, que já convive e trabalha com alguns Stones há mais de 40 anos, está no lugar de Watts. E os fãs o receberam de forma muito respeitosa desde o início. Logo de cara é extremamente necessário lembrar que Mick Jagger completará 79 anos no próximo mês. Sim, 79 anos!!! E a turnê Sixty, que já passou por Madrid, Munique e Liverpool, comemora os 60 anos de estrada do Stones. Pois bem, Jagger não mudou nada. A voz segue impecável, os passinhos de dança não mudaram. A energia no palco é a mesma da observada na última turnê no Brasil, em 2016. É impressionante! Na frente do palco, duas pessoas acompanham atentamente Jagger: o coreógrafo, que depois chama a atenção para onde acertou e errou, além do filho mais novo, Deveraux Jagger, de cinco anos, que imita os passos do pai em vários momentos. Keith Richards (78 anos) perdeu um pouco a mobilidade. Não anda mais pelo palco como antes, mas Ronnie Wood (75) segue acompanhando Jagger nos passeios pela passarela e laterais do palco. O início da apresentação seguiu bem nostálgico, com dois resgates incríveis dos tempos em que o Stones se apresentava no Empire Theatre, em Liverpool: 19th Nervous Breakdown e Get Off of My Cloud, essa substituindo Rocks Off, tocada em Munique. “Em 1962 nós conhecemos um baterista chamado Charlie Watts. Essa é a nossa primeira turnê na Inglaterra sem ele. Então nós queremos dedicar esse show para ele”, disse Jagger, em sua primeira comunicação com o público. Tumbling Dice veio logo depois. Não sei explicar, mas simplesmente chorei. Stones é a trilha da minha vida. Ouvi pela primeira vez em 1989, quando tinha 4 anos e imitava Mick Jagger no histórico show de Atlantic City, que foi exibido na TV, repleto de convidados. Stones também foi o primeiro grande show da minha vida, em 1995, no estádio do Pacaembu, em São Paulo. E as lembranças se seguiram por toda vida. Impossível explicar o que sinto. Em 1995, com 10 anos, lembro de ter chorado ouvindo Out of Tears no Pacaembu. Tumbling Dice foi quem conseguiu esse feito agora. Ao término de Tumbling Dice, Jagger fez uma confissão. Disse que a banda havia pensado em tocar You’ll Never Walk Alone, famosa na voz do Gerry & The Pacemakers e na torcida do Liverpool. No entanto, optaram por algo que também seria incrível: I Wanna Be Your Man, faixa composta pelos Beatles, mas lançada pelos Stones em 1963. Foi a primeira vez que a música foi lembrada em um show deles em dez anos. E, como se tivéssemos sido transportados para os anos 1960, Jagger e companhia seguiram explorando o repertório dessa fase, com
LP tira público de Manchester das cadeiras com apresentação impecável

A cantora norte-americana Laura Pergolizzi, a LP, deixou uma ótima impressão para os fãs brasileiros na última edição do Lollapalooza. Mas também segue conquistando corações pelo mundo. Depois de uma turnê bem sucedida no México, ela tem se apresentado na Europa. Na última quarta-feira (8), o O2 Apollo Manchester recebeu a artista. Casa lotada, 3,5 mil pessoas cantando junto do início ao fim. Com uma iluminação quase toda baixa, explorando sua silhueta e chapéu, LP pouco falou com os fãs, mas entregou um repertório porradão, com 20 músicas diretas, sem pausa. Churches, seu álbum mais recente, foi tocado quase na íntegra. Das 15 faixas, 12 foram lembradas por LP, que não esqueceu dos hits de seus maiores sucessos comerciais, Lost On You e Heart To Mouth. Em Goodbye, segunda canção do show, LP já mostrou o seu poderoso alcance vocal no refrão. E a principal arma da cantora é usada em vários momentos da apresentação, sempre arrancando gritos e aplausos dos fãs. Girls Go Wild veio na sequência. Nessa hora, a pista do O2 Apollo Manchester virou balada. Nas cadeiras, muitos dançavam com os braços para o alto, mas sem se levantar. A proposta de iluminação do show de LP é muito interessante. Apesar de ocultar o rosto da cantora quase que durante toda a apresentação, ótimas sacadas são colocadas em prática, como a simulação de uma igreja nos telões durante Churches. How Low Can You Go também explora bem os recursos técnicos, dando ainda mais força aos passos de LP no palco. Recovery e Lost On You, na reta final, serviram para fazer algo que o público das cadeiras já queria desde o início: levantar todos. Ninguém ficou sentado. No Brasil, muita gente passou a conhecer LP no Lollapalooza, mas ela já possui uma carreira na música há muitos anos. Só para se ter ideia, como compositora, fez canções para Cher, Rihanna, Christina Aguilera, entre outras. No entanto, seria um desperdício imenso manter LP apenas nessa função. Com uma voz muito fora do comum, ela reúne todos os ingredientes para uma cantora de alto nível. Não bastasse todos esses atributos, LP também possui uma forte ligação com o movimento LGBTQIA+. A tendência é que cresça ainda mais nos próximos anos: vozeirão, composições desejadas por grandes cantoras, ativismo, gentileza com os fãs. LP é uma estrela pronta para conquistar o mundo. Tianna Esperanza Responsável pela abertura da noite, Tianna Esperanza é uma cantora, compositora e contadora de histórias que incorpora uma profundidade de talento e coração que vai muito além de seus 21 anos. Com uma voz sensual e talento para a moda, Esperanza cria músicas cativantes inspiradas em artistas lendários como Nina Simone, Leonard Cohen e Gil Scott-Heron. Esperanza também é neta da lenda do punk Paloma (“Palmolive”) McLardy, que fundou a banda punk feminina dos anos 1970 The Slits e mais tarde tocou com The Raincoats. Com um repertório ainda em construção, Tianna mostrou bastante desenvoltura na hora de apresentar seus singles próprios, Terror e Lewis. Por fim, seria muito legal ver essa dobradinha entre LP e Tianna correr o mundo. São dois talentos absurdos com vozes marcantes. Foto por: @steampoweredboy LP – SETLIST When We Touch Goodbye Girls Go Wild Everybody’s Falling in Love When We’re High No Witness Strange How Low Can You Go The One That You Love Yes Can’t Let You Leave Muddy Waters Rainbow Churches My Body Safe Here Into The Wild One Last Time Recovery Lost on You
Stephen Fretwell enche lendário Clwb Ifor Bach com show cheio de conversa

O inglês Stephen Fretwell já pode ser considerado um veterano no cenário local. Desde 2000 com uma carreira solo ativa, ele é presença frequente em grandes eventos no Reino Unido. Já abriu para nomes como Oasis, Travis, KT Tunstall, dentre outros. Aliás, Fretwell também toca baixo nas turnês do Last Shadow Puppets, projeto paralelo de Alex Turner, vocalista do Arctic Monkeys. Na última terça-feira (7), ele se apresentou no minúsculo e histórico Clwb Ifor Bach, em Cardiff, com o apoio de Later Youth. Essa casa com capacidade para apenas 300 pessoas já recebeu nomes como Arctic Monkeys e The Killers, ambos em início de carreira. E o tamanho da casa combinou perfeitamente com a proposta de show de Fretwell. Muito mais preocupado em relaxar ao invés de fazer uma apresentação explosiva, o músico conversou bastante, contou piadas, convidou o público para cantar junto no palco, além de ter feito uma declaração de amor. “Hoje só tem uma pessoa na minha lista de convidados, a Vicky. E essa música é para ela”, comentou o músico, que deixou a moça completamente desconcertada e com os olhos cheios de lágrimas. Em outro momento, Fretwell começou a conversar com outro fã, que havia puxado aplausos antes do término da música. Levando na esportiva, o artista comentou que poderia ter encerrado a música naquele momento, mas faltariam partes importantes ainda. O repertório trouxe muitas canções conhecidas de Fretwell, que entraram na trilha de algumas séries de TV, como Bad Bad You, Bad Bad Me (Brothers & Sisters), Run (Gavin & Stacey) e Darling Don’t (Skins), além de Play, presente no filme Amor por Contrato. Em Run, aliás, Fretwell convidou Later Youth, responsável pela abertura da noite, para tocar piano. Ele ainda tentou convencer o amigo a seguir no palco para mais uma faixa, mas não conseguiu. A apresentação de Fretwell ainda contou com algumas canções do seu último álbum de estúdio, Busy Guy, lançado em março de 2021, o primeiro em 13 anos. Quem ainda não conhece o trabalho solo de Fretwell, recomendo. Assim como o promissor Later Youth, que fez uma apresentação curta, revezando no voz e piano com o voz e guitarra.
Drive-By Truckers faz show intimista em Londres para revelar Welcome 2 Club XIII

Com um álbum fresquinho na bagagem, os americanos do Drive-By Truckers estão excursionando pela Europa e Reino Unido até o final deste mês. Em resumo, o grupo tem tocado algumas canções do Welcome 2 Club XIII. Aliás, foi isso que o público presenciou na última quarta-feira (8), no O2 Forum Kentish Town, em Londres. A abertura da noite ficou por conta de Jerry Joseph, que fez um set baseado no seu último lançamento, o álbum The Beautiful Madness, de 2020. Infelizmente um set curto, pois o artista tem uma discografia imensa e para pincelar todo a sua obra, seria necessário pelo menos o dobro do tempo que lhe foi dado. Mas o set de Jerry Joseph foi muito bem escolhido. A bela Days of Heaven abriu o show e já deu a dica de como seria o resto da apresentação. Em síntese, seguiu exatamente dessa forma, mais intimista, no voz e violão. Ao todo foram seis canções. Já o Drive-By Truckers, que não dava as caras por aqui desde 2017, entregou um show com um set list enorme. Vinte e três músicas, quase duas horas de show, com participação especial do Jerry Joseph em Hell No, Ain’t Happy. Com garrafas de cerveja se misturando aos amplificadores e com uma luz mais baixa, a banda conseguiu aproximar mais dos fãs. Quanto ao set, nada mais justo ao dar prioridade ao recém-lançado Welcome 2 Club XIII e incluir seis músicas no repertório. A banda é perfeita ao vivo, todos os detalhes são tecnicamente executados ao vivo. É uma banda de rock que bebeu de diversas fontes, passa de Johnny Cash a Ramones. Por fim, também tem um forte posicionamento, no qual já questionaram diversas vezes os problemas que o Estados Unidos tem com o porte de armas.