Nossas redes

O que você está procurando ?

Psychic Possessor

100 bandas para você conhecer do cenário hardcore de Santos

61 – Psychic Possessor

O hardcore é protesto e anti-mídia. Mesmo sem o apoio da grande imprensa, as bandas de Santos fizeram muito barulho pelo Brasil e mundo afora no início dos anos 1990. A cena hardcore caiçara já foi considerada a mais forte do Brasil e a cidade era conhecida como a ‘Califórnia Brasileira’, pelo clima e celeiro de bandas semelhante ao encontrado na costa oeste americana. E tudo isso foi construído por músicos da região.

Uma banda, em especial, podemos afirmar que é a responsável pelo início do movimento na Baixada Santista: Psychic Possessor. Criada por José Flávio Rodrigues, o Zé Flávio, a banda ganhou uma sonoridade hardcore após as entradas de Fabrício Souza (baixista do Garage Fuzz) e Maurício Boka (batera do Ratos de Porão).

Publicidade

Depois da experiência de tocar no Vulcano, com 12 anos de idade, o guitarrista Zé Flávio viu seus amigos Fabrício e Boka trazerem influências do 7 Seconds e Minor Threat para a banda. A sonoridade até então era mais metal. “Como tocávamos com bandas de metal, a galera não entendia a música e vaiava o grupo”, diz Zé Flávio.

Fabrício conta que Zé Flávio tinha uma certa resistência ao hardcore no início. “O convívio conosco e os sons que mostramos para ele, fez com que realmente adotasse o estilo”, relembra. “Acho que o Psychic Possessor, por ter absorvido o metal, crossover, punk e hardcore, ajudou a criar uma cena que até então não existia para esses lados”, completa.

Ouça o álbum Nós Somos a América do Sul, do Psychic Possessor

Paralelamente ao Psychic, surgiram as bandas de punk rock, Mordedura, Tropa Suicida e Pesadelo. Todas eram influenciadas por bandas paulistanas que fizeram parte do festival ‘Começo do Fim do Mundo’, em 1982, no Sesc Pompéia, em São Paulo. Como o movimento punk não era tão forte em Santos, a saída foi realizar shows em São Vicente, Cubatão, São Paulo e no ABC.

Publicidade

O punk não havia vingado na região e o jeito foi continuar tocando com as bandas de metal. “As coisas começaram a mudar quando o crossover ficou em alta”, explica Zé Flávio. A mistura de hardcore com metal passou a ser bem aceita pelo público caiçara. Em 1988, o Psychic lançou o primeiro LP, Toxin Diffusion.

Toxin Diffusion traz uma sonoridade crossover thrash, misturando elementos de death e thrash metal com o hardcore punk europeu. O álbum foi gravado em uma semana no conceituado estúdio JG em Belo Horizonte”, explica Arthur Von Barbarian, ex-batera da banda, em uma descrição do álbum no You Tube.

Barbarian afirma que o álbum estava a frente de seu tempo. “Criou fama no underground santista, brasileiro e mundial. Com bases pesadas e sem solos, foi totalmente inovador na época”.

Nesta época a banda contava na formação com Lauro no baixo e vocal, Zé Flávio na guitarra, Arthur Von Barbarian na bateria, e Korg no vocal. O álbum foi lançado pela Cogumelo Records. “As letras em inglês abordavam temas como militarismo, fim do mundo e guerras”, conta o guitarrista.

Publicidade

No ano seguinte, com a formação alterada, apenas Zé Flávio continuou, o Psychic gravou o segundo LP, Nós Somos a América do Sul. O som era mais hardcore e as músicas falavam dos problemas sociais no Brasil. O time do segundo álbum contava com Márcio Ferreira (Nhonho) no vocal, que faleceu em fevereiro de 2013, Fabrício Souza no baixo, e Maurício Boka na bateria.

Depois do segundo LP, o Psychic Possessor trocou várias vezes de formação até o encerramento das atividades no início dos anos 1990. Um desses músicos que passou pela banda foi Alexandre Farofa, que depois virou vocalista do Garage Fuzz.

“O velho problema de bandas nacionais. Tive que trabalhar e os horários já não davam mais”, disse Márcio Ferreira sobre sua saída da banda.

“Com essa formação a banda acabou em 1990 com um disco inteiro composto, mas que nunca foi lançado. Eram 16 músicas”, conta Fabrício.

Publicidade

Ouça o primeiro álbum da banda: Toxin Difusion (1988)

Psychic Possessor na Concha Acústica de Campinas (1989)

Publicidade
1 Comment

1 Comment

  1. Luiz Fernando Afonso Barreiros

    2 de julho de 2017 at 17:15

    Não imaginava que alguém lembrasse, mas tenho muito orgulho de ter sido guitarrista do mordedura tocando com Zé do Kiss e o Rica contribuindo com essa parte da história do rock da baixada santista,pois tudo o que eu queria era tocar rock e me divertir.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

COLUNAS

Advertisement

Posts relacionados

Publicidade

Copyright © 2022 - Todos os direitos reservados

Desenvolvimento: Fika Projetos