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História do Rock Santista

Rui, o pantera do rádio santista

Uma das principais figuras do rádio de Santos, Rui Braz, mais conhecido como Rui Pantera, já brigou, revolucionou, virou alcoólatra, recuperou-se, lançou livros de auto-ajuda e foi dado como morto depois de um acidente automobilístico.

Hoje, vivendo no Sul do Brasil, fala um pouco sobre seus momentos na comunicação de Santos. Não foi possível conseguir fotos do locutor na rádio, pois ele se desfez de todas. O argumento para isso é que o material fotográfico o deixava triste por estar longe dos amigos. 

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Como foi seu começo no rádio?
Em 1972. Desde garoto, apaixonado por rádio, sempre participando de programas dos seis aos 10 anos de idade por telefoneem rádios AM. Aos 10, já tinha certeza de que seria essa minha profissão: radialista. Entrei, aos 13,  em uma AM como office boy e rapidinho me tornei sonoplasta. Nunca mais saí dorádio.

E o seu primeiro contato com o rock?

Aos 13, eu já ouvia LPs dos Beatles, Rolling Stones, Creedence Clearwater Revival, Jimmy Hendrix, etc.

Como foi criar um sebo na cidade? Quanto tempo ele sobreviveu?
Cheguei em Santos em 1982. Comecei na Cultura FM. Subia e descia a serra toda semana, pois já era rato da Baratos Afins e Sebo de Elite (lojas de discos,em São Paulo). Pensei: “Santos tem tanto roqueiro(a). Por que não?”

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Quais eram a dificuldades na época para se trabalhar com isso?

Muitas. Encontrar ponto onde pudesse rolar pelo menos alguns decibéis sem que o vizinho se incomodasse com o barulho. Encontrei a galeria na Avenida Marechal Floriano Peixoto. A loja ficava num local nada “mauricinho”, o que considerava perfeito, pois tanto eu como a garotada que frequentava a loja odiávamos os filhinhos de papai frequentadores de shoppings. (Risos).

Quais eram as bandas de rock, de Santos, mais importante nas décadas de 1980 e 1990?

Como o Johnny Hansen, grande amigo, trabalhou comigo na loja, gostava muito de ouvir a banda Bi-Sex, mas pela nossa grande amizade. Hansen odeia falar dessa banda. (risos). O vocal era excelente: A irmã dele. (risos) A banda era afinadíssima, mas o galo, apelido do Hansen, considerava muito comercial para o gosto dele. O galo era PUNKAÇO. E ainda é.

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Lá na Pedro Lessa tinha um bar onde rolava altos sons de bandas de punk rock, mas como a gente sempre estava bêbado, nem me lembro dos nomes. Tinha muito cara inteirado lá. 

Como foi seu relacionamento com essas bandas?

Sempre tive ótimo relacionamento, embora eu trabalhasse na Cultura FM, rádio comercial, popular, mas os ouvintes sabiam da existência da minha loja e sabiam também da minha preferência por rock, tanto que nunca fui discriminado ao entrar para 95 FM – A Rádio Rock. Trabalhei também na 98 FM – Ilha do Sol (era só rock) e ainda na Enseada FM (Rock).

Sempre fui muito bem tratado nas rádios rock, mesmo tendo trabalhado bem mais tempo em rádios comerciais, apresentado vários shows populares na praia, etc.

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Também apresentei vários shows de rock no saudoso Heavy Metal e no Caiçara Music Hall, as duas casas do Toninho Campos, grande amigo, roqueiro de respeito.

Sei que você foi um cara fundamental na inserção de bandas da região nas rádios locais. Como isso aconteceu? Você se recorda as datas que aconteceram? Em quais rádios tocavam e o que era tocado?

Eu sempre dei atenção total aos meus amigos, em especial aos apaixonados por música. Ouvia tudo que era fita demo e nesses anos era fita cassete mesmo, às vezes essas porras enrolavam. (risos). Ficava eu emendando com durex, enrolando com caneta bic, mas sempre dava um jeito de ouvir a molecada nova.

Algumas bandas, cujo nome não me recordo, chegaram a gravar LPs, mas os integrantes não tinham tempo para viajar e fazer divulgação. Então a coisa ficava restrita mesmo ao litoral, o que já agradava muito os ouvintes, frequentadores de casas noturnas.

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As bandas que eu ouvia e decidia colocar na programação, eram inseridas em playlist da Cultura, mesmo quando trabalhava em outras rádios onde não era eu o coordenador. Sugeria a inserção da banda e meu endosso era sempre bem aceito pelos coordenadores, sempre confiantes em meu ouvido aguçado e experiência em rádio.

Qual foi o papel das rádios no cenário rock n’ roll de Santos?

As rádios, antes da chegada da 95 FM, tiveram excelente participação ao tocar o que o Brasil inteiro tocava: Blitz, Paralamas, Ira, Radio Taxi, Kid Abelha, aquela merda do RPM e muitas outras bandas. Algumas boas, outras horríveis. E as rádios, mesmo as comerciais, aderiram à New Wave, rolando B52’s, Devo e aquela porrada de gente com cabelo pintado e o caralho. (Risos).

A discoteca Zoom gerava fila que chegava na Choperia Galle, outro point do Gonzaga que vivia lotadaço. Com a chegada da 95 FM, na fase 100% rock, brilhantemente coordenada por Cleber Celino, o rock em Santos tomou um rumo mais maduro, com programação voltada somente para roqueiros mesmo, sem chance para pára-quedista.

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Rádios sempre tiveram sua dose de participação no cenário do rock de Santos, mesmo as comerciais, porque pelo menos divulgavam notas sobre movimentos e eventos.

 

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1 Comment

1 Comment

  1. john

    6 de abril de 2012 at 22:26

    Grande Rui Panter!! fico feliz em saber q vc está vivão por aí, abçs e felicidades!!!

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