Caetano Veloso lança vídeo da música Não Vou Deixar, do álbum Meu Coco

Caetano Veloso lançou, na última quinta-feira (28), o vídeo da canção Não Vou Deixar. Minimalista, o audiovisual traz a poderosa mensagem da música mais diretamente política de Meu Coco. O vídeo de Não Vou Deixar, que é uma das favoritas de Caetano, do novo álbum, foca apenas nas expressões faciais e movimentos do artista. “Com célula de base de rap criada no piano por Lucas e letra de rejeição da opressão política escrita em tom de conversa amorosa”. Em síntese, é assim que Caetano descreve a música. Aliás, completa: “Chegou a ser minha preferida, tanto por sua inventividade, quanto por seu potencial pop”. Não coincidentemente, o vídeo da canção chega exatamente três anos após o resultado das últimas eleições presidenciais. “O presidente que nós temos é o pior que poderíamos imaginar. Mas ele é parte da câimbra que nosso corpo histórico-social sofre. ´Não vou deixar´ é o que diz a voz de pessoas como Fernanda Montenegro”, finaliza. Um dos maiores nomes da cultura nacional, Caetano Veloso lançou, no último dia 21, o álbum Meu Coco, com 11 músicas, entre nove inéditas e duas regravações. Depois de quase dez anos do seu último disco solo de estúdio, ele retornou com o projeto que apresentou o que se passa em sua cabeça.
Caetano Veloso lança álbum Meu Coco; confira faixa a faixa por ele mesmo

Caetano Veloso comenta Meu Coco Muitas vezes sinto que já fiz canções demais. Falta de rigor? Negligência crítica? Deve ser. Mas acontece que desde a infância amo as canções populares inclusive por sua fácil proliferação. Quem gosta de canções gosta de quantidade. Do rádio da meninice, passando pela TV Record e a MTV dos começos, até o TVZ no canal Multishow de agora, encanta-me a multiplicidade de pequenas peças musicais cantadas, mesmo se elas surgem a um tempo redundantes e caóticas. Há nove anos que eu não lanço álbum com canções inéditas. No final de 2019, tive um desejo intenso de gravar coisas novas e minhas. Tudo partiu de uma batida no violão que me pareceu esboçar algo que (se eu realizasse como sonhava) soaria original a qualquer ouvido em qualquer lugar do mundo. Meu Coco, a canção, nasceu disso e, trazendo sobre o esboço rítmico uma melodia em que se história a escolha de nomes para mulheres brasileiras, cortava uma batida de samba em células simplificadas e duras. Minha esperança era achar os timbres certos para fazer desse riff sonhado uma novidade concreta. E eu tinha a certeza de que a batida, seu som e sua função só se formatariam definitivamente se dançarinos do Balé Folclórico da Bahia criassem gestos sobre o que estava esboçado no violão. Com isso eu descobriria o timbre e o resto. Mas chegou 2020, o coronavírus ganhou nome de covid-19 e eu fiquei preso no Rio, adiando a ida à Bahia para falar com os dançarinos. Esperaria alguns meses? Passou-se mais de ano e eu, tendo composto canções que pareciam nascer de Meu Coco, precisei começar a gravar no estúdio caseiro. Chamei Lucas Nunes pra começar os trabalhos. Ele é muito musical e também é capaz de comandar uma mesa de gravação. Começamos por Meu Coco, de que Enzo Gabriel é uma espécie de península: seu tema (seu título) é o nome mais escolhido para registrar recém-nascidos brasileiros nos anos 2018 e 2019. À medida que vou fazendo novas canções, me prometo pesquisar a razão de, na minha geração e mesmo antes dela, nomes ingleses de presidentes americanos terem sido escolhidos por gente simples e pouco letrada, principalmente preta, para batizar seus filhos: Jefferson, Jackson, Washington – assim como Wellington, William, Hudson – eram os nomes preferidos dos pais negros e pobres brasileiros. Ainda não fiz nenhum movimento nesse sentido, mas ter esse disco pronto e estar empenhado em lançá-lo me leva a certificar-me de que farei a pesquisa, como se fosse um sociólogo, assim como ter feito Anjos Tronchos, canção reflexiva que trata da onda tecnológica que nos deu laptops, smartphones e a internet, me faz prometer-me ler mais sobre o assunto. Cada faixa do novo álbum tem vida própria e intensa. Se Anjos Tronchos tem sonoridade semelhante à de Abraçaço, o último disco que fiz antes deste, Sem Samba Não Dá soa à Pretinho da Serrinha: uma base de samba tocada por quem sabe – e a sanfona de Mestrinho, que comenta as fusões de música sertaneja com samba tradicional. Uma discussão sobre o (não) uso da palavra “você” pela brilhante jovem fadista Carminho virou o fado midatlântico Você-Você, que ela terminou cantando comigo – e ganhou bandolim sábio de Hamilton de Holanda fazendo as vezes de guitarra portuguesa. Há Não Vou Deixar, com célula de base de rap criada no piano por Lucas e letra de rejeição da opressão política escrita em tom de conversa amorosa. Pardo, cujo título já sugere observação do uso das palavras na discussão de hoje da questão racial, teve arranjo de Letieres Leite, baiano, sobre a percussão carioca de Marcelo Costa. Cobre, canção de amor romântico, fala da cor da pele que compete com o reflexo do sol no mar do fim de tarde do Porto da Barra. Jaques Morelenbaum, romântico incurável, veio orquestrá-la. Mas também tratou de Ciclâmen do Líbano, com fraseado do médio-oriente salpicado de Webern. Devo Lucas a meu filho Tom: os dois fazem parte da banda Dônica; devo a atenção a novas perspectivas críticas a meu filho Zeca; devo a intensa beleza da faixa GilGal a meu filho Moreno: ele fez a batida de candomblé para eu pôr melodia e letra que já se esboçava mas que só ganhou forma sobre a percussão. E eu a canto com a extraordinariamente talentosa Dora Morelenbaum. Este é um disco de quantidade e intensidade. Autoacalanto é retrato de meu neto que agora tem um ano de idade. Tom, o pai dele, toca violão comigo na faixa. A nave-mãe, Meu Coco, guardou algo da batida imaginada, agora com percussão de Márcio Vitor. Mas o arranjo de orquestra que a ilumina foi feito por Thiago Amud, um jovem criador carioca cuja existência diz tudo sobre a veracidade do amor brasileiro pela canção popular.
The Bombers apresenta versões de Caetano Veloso e Gilberto Gil; assista!

Recentemente, a banda santista The Bombers se apresentou no evento O Som das Palafitas, organizado pelo Instituto Arte no Dique, em Santos. E dentro da proposta do evento, todos os participantes precisavam entregar versões de Gilberto Gil e Caetano Veloso. Em resumo, uma homenagem aos 80 anos da dupla. Fugindo do óbvio, como sempre, a banda apresentou London London, Extra II (O Rock do Segurança), Vaca Profana e um medley de Nega (Photograph Blues) com Sympathy for the Devil, do Rolling Stones. O resultado dessa linda homenagem do The Bombers pode ser acompanhada abaixo. Projetos além de Caetano Veloso e Gilberto Gil A banda santista The Bombers deu início ao trabalho de divulgação do seu próximo álbum, Desplugado no Espaço Coletivo, que será lançado em 5 de novembro pela Craic Dealer Records. O primeiro single é Ardendo em Chamas, faixa do EP Bumerangue (2020). O registro faz parte do show acústico, gravado no Espaço Coletivo em São Paulo, em fevereiro, e transmitido mediante venda de ingressos em março. Em sua releitura acústica para Ardendo em Chamas, a banda conta com o vocalista e guitarrista Matheus Krempel no violão e voz e o guitarrista Gustavo Trivela na viola caipira. Aliás, eles trouxeram uma roupagem que buscou valorizar um pouco mais toda a dramaticidade melodiosa da faixa, que trata sobre crises de ansiedade. O reencontro de uma banda com o seu público é sempre muito especial. Se tratando do The Bombers, responsável por um dos shows mais empolgantes do cenário underground nacional, a sensação fica ainda mais impactante. Após um ano e meio sem tocar para um público, a banda santista, enfim, reencontrou a plateia. A apresentação no Teatro Martins Penna (Centro Cultural da Penha), em São Paulo, rolou no dia 11 de julho. Em resumo, com um repertório que engloba todas as fases, inclusive as músicas mais recentes, o Bombers traz toda sua energia em uma performance visceral sem limites. A apresentação teve incentivo da Prefeitura Municipal de São Paulo e da Secretaria Municipal de Cultura. O show contou com um seleto número de convidados na plateia (20 pessoas), seguindo todas as recomendações de segurança sanitária.
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As cinco melhores lives de 2020: de Caetano Veloso ao Juntos Pela Vila Gilda

2020 nos proporcionou uma nova forma de assistir a shows. Em função da pandemia do novo coronavírus (covid-19), as lives assumiram o protagonismo. Quase sempre com caráter beneficente, os eventos trouxeram muito da intimidade dos nossos ídolos. Em resumo, muitos deles gravaram apresentações sem nenhuma grande parafernalha, intimistas e dentro de casa. Como esquecer da Ivete Sangalo de pijama no próprio apartamento? Como os shows presenciais ficaram restritos a janeiro e fevereiro, nossa tradicional lista de melhores da temporada ficará focada nas famigeradas lives. Vale uma menção honrosa para Elza Soares, Charlie Brown Jr, Skank e Teresa Cristina, que entregaram bons shows. Caetano Veloso Ele passou os primeiros meses da pandemia refutando a possibilidade de fazer lives. Ficou marcado por pedir paçocas para a companheira, Paula Lavigne, em stories divertidos. Mas quando topou apresentar seu repertório extenso de alto nível, o fez com maestria. Duas vezes! Sim, não foram muitas oportunidades que o público teve para apreciar os clássicos do baiano. A live especial Vai Ter Natal, que rolou há duas semanas, foi a melhor. O repertório surpresa incluiu as músicas mais pedidas pelo público em suas redes sociais. ‘Feliz 2001, Caê!’ Juntos Pela Vila Gilda Em julho, 206 artistas do mundo todo cantaram da superlive Juntos Pela Vila Gilda, dividida em dois dias de transmissão no YouTube. Com quase 20 horas de música, Me First and the Gimme Gimmes (EUA), com Spike Slawson cantando Baby, de Caetano Veloso, The Ataris (EUA), Gilberto Gil, Armandinho Macedo, Bula, Capital Inicial, Carlos Coelho (Biquini Cavadão), Kiko Zambianchi, Fauves (Escócia), Wake Up, Candela (Espanha), Nuno Mindelis, The Bombers, Wacky Kids, Autoramas e Pilar foram algumas das grandes atrações. Together at Home A superlive aconteceu logo no início da pandemia, em 18 de abril. Com curadoria e colaboração de Lady Gaga, a transmissão contou com aparições de Alicia Keys, Andrea Bocelli, Billie Eilish, Billie Joe Armstrong (Green Day), Camila Cabello, Celine Dion, Chris Martin (Coldplay), Eddie Vedder (Pearl Jam), Elton John, Jennifer Lopez, John Legend, Kacey Musgraves, Lizzo, Paul McCartney, Pharrell Williams, Shawn Mendes, Stevie Wonder, Taylor Swift e Rolling Stones. Mick Jagger e companhia, por sinal, emocionaram os fãs fazendo muito com tão pouco. Gorillaz Quase na reta final de 2020, Damon Albarn (Blur) reuniu o seu projeto paralelo para uma apresentação memorável. Gorillaz Song Machine Live From Kong contou com uma produção em alta escala, que combinou performance emocionante em tempo real com a animação única de Jamie Hewlett. O início da apresentação, que aconteceu há duas semanas em três sessões, teve Robert Smith (The Cure) cantando a primeira faixa. Quase todo concerto foi em cima do último álbum dos ingleses, Song Machine. Mas também teve Clint Eastwood. Gilberto Gil Diferente de Caetano Veloso, Gilberto Gil emendou uma sequência boa de lives no fim do primeiro semestre. Foram tantas seguidas que quase ficou de fora do Juntos Pela Vila Gilda. Poderia citar dois momentos marcantes dele nessa temporada: a live com a cantora IZA, além da especial de aniversário. Para celebrar os 78 anos, ele reuniu a família toda (Preta, Bela Gil, Nara, Bem e José) e entregou o que tem de melhor em sua extensa discografia. Mesmo com apoio de uma marca de cerveja, não fez papelão como alguns sertanejos. Classe é para poucos!
Na pegada do One Man Band, Rodrigo Suricato divulga EP

Em agosto, Rodrigo Suricato fez live na qual reuniu as principais canções dos três discos anteriores, compostos e idealizados pelo artista. O resultado desta performance foram dois EPs. O primeiro deles, One Man Band, já está disponível nas plataformas e contém também três faixas inéditas e releituras inusitadas como Olhos castanhos (Luísa Sonza), Nosso estranho amor (Caetano Veloso) e Purple Rain (Prince). O EP reforça Suricato como o maior ‘one man band’ brasileiro, modernizando o estilo criado por músicos de rua no início do século 19. Os vídeos de Aqui estamos e Olhos castanhos já podem ser conferidos no canal oficial do cantor. “Trata-se do maior desafio da minha carreira. Uma performance extremamente complexa e única, que finalmente as pessoas terão a oportunidade de conferir. Ter me tornado um homem banda tem a ver com minha busca interna e espiritual. Meu corpo inteiro produzindo música me traz uma sensação divina de conexão. Há cinco anos pesquiso sobre esse formato”, disse o cantor. Com a criatividade a todo vapor, Suricato acaba de receber uma nova indicação ao Grammy Latino, na categoria “Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa”, pelo projeto Na Mão As Flores. Somente em 2020, Suricato chega ao impressionante número de três discos lançados e dois singles, entre eles Astronauta, ao lado da banda Melim.
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Depois da Tempestade recria canções de Ara Ketu e Caetano Veloso