Entrevista | Lynyrd Skynyrd – “Vamos garantir que as pessoas saibam que estivemos aqui e carregar o legado”

Com mais de meio século de estrada, o Lynyrd Skynyrd transcendeu o rótulo de pioneiros do southern rock para se tornar uma verdadeira instituição da música mundial. Liderada há quase quatro décadas por Johnny Van Zant, irmão do saudoso vocalista original, Ronnie Van Zant, e contando com a energia do veterano Rickey Medlocke, a banda carrega a responsabilidade e a honra de manter vivo um legado inabalável. Mesmo após a partida do guitarrista Gary Rossington, o último membro da formação clássica, o grupo prova que a alma de hinos como Free Bird e Sweet Home Alabama segue pulsando forte, embalando gerações com apresentações 100% ao vivo, sem o uso de qualquer base pré-gravada. É exatamente essa autenticidade crua que o público brasileiro poderá presenciar muito em breve. O Lynyrd Skynyrd desembarca no Brasil para uma série de apresentações em abril. O giro começa no dia 1º de abril, em Curitiba (Live Curitiba); segue para São Paulo no dia 4 de abril, como um dos grandes destaques do festival Monsters of Rock (Allianz Parque); desce para o Rio de Janeiro no dia 5 de abril (Qualistage, com o Dirty Honey como convidado especial); e encerra a passagem pelo país no dia 7 de abril, em Porto Alegre (Auditório Araújo Vianna). A escalação do Skynyrd no Monsters of Rock, evento com DNA fortemente enraizado no heavy metal e no hard rock, promete ser um dos momentos mais catárticos do festival. Dividindo o line-up com nomes como Guns N’ Roses, Extreme e Halestorm, Johnny enxerga a mistura de gêneros com naturalidade e muito entusiasmo. Relembrando o sucesso da banda em festivais pesados como o Hellfest, na França, o vocalista reforça o poder de conexão de sua música e revela a expectativa de cruzar com Slash nos bastidores para agradecê-lo pessoalmente pelo tributo feito a Gary Rossington nos Estados Unidos. Durante este bate-papo com o Blog n’ Roll, Johnny abriu o coração sobre a decisão de continuar na estrada após a perda de Gary. Longe de ser apenas para “pagar as contas”, ele encara a turnê como uma missão quase espiritual de honrar a memória de seu irmão e de seus antigos companheiros. A entrega no palco é um compromisso inegociável para a banda, que faz questão de explodir a cabeça do público, especialmente em países como o Brasil, onde os fãs esperaram décadas por uma turnê mais extensa. Além de celebrar a emoção de tocar para a quarta geração de admiradores e observar que a paixão dos fãs permanece a mesma de 50 anos atrás, o vocalista revelou que o baú da banda ainda guarda surpresas. Existem composições inéditas escritas por ele, Rickey e Gary “na lata”, aguardando o momento certo para verem a luz do dia. Contudo, o foco do momento é celebrar o catálogo histórico e a conexão visceral com a plateia. Confira a seguir a entrevista completa. Na última vez que nos falamos, o foco foi principalmente em São Paulo. Desta vez, a turnê se expandiu para Rio, Curitiba e Porto Alegre. Depois de 50 anos, como é a sensação de ainda estar descobrindo novas cidades e sentindo a energia de públicos que esperaram décadas por este momento? Na primeira vez que fomos, fizemos São Paulo, apenas um show, e pensamos: “uau, isso não é nada. Vamos voltar e fazer mais”. Aí, na segunda vez, acho que fizemos uns três ou quatro. Nem tenho certeza. Talvez dois. Mas desta vez são quatro. Então, na próxima serão cinco, dez, 11, 12. Precisamos fazer uma turnê completa por aí, para ser sincero. Nós nos divertimos muito na última vez que estivemos aí. Conhecemos muita gente incrível. Todos os fãs que conhecemos estavam tão felizes por estarmos lá. E, acredite ou não, assim que saímos daí, já estávamos tipo: “precisamos voltar”. Então é questão de tentar organizar tudo, fazer os promotores agirem e vamos lá, fazer de um jeito que todos possamos ir, pagar as contas e ver os fãs. Incrível. E o Brasil é enorme. Está empolgado para o Monsters of Rock? Sim, com certeza. Estou ansioso pelo Monsters of Rock. Vai ser muito interessante tocar com todas as bandas. Nós nunca fizemos um show com o Guns N’ Roses, então será ótimo. O Slash fez um tributo aqui nos Estados Unidos depois que o Gary Rossington faleceu, e eu nunca consegui apertar a mão dele. Então, espero conseguir apertar a mão dele e agradecê-lo por ter feito aquilo por nós. Incrível. Vai ser muito emocionante. Sim, vai ser divertido. Falando sobre o Monsters of Rock em São Paulo, o evento tem um DNA enraizado no heavy metal e no hard rock. Como o southern rock do Skynyrd se conecta com esse público mais “pesado”? Como isso acontece? Sabe de uma coisa? Eu estava dizendo a outras pessoas hoje: anos atrás, fomos para a Europa e fizemos um evento chamado Hellfest, na França. E eram todas aquelas bandas de heavy metal, bandas realmente pesadas. Todo mundo lá no mosh pit. E eu pensei: “como vamos nos encaixar nisso? Como vamos nos encaixar em todo esse gênero?”. E foi incrível. Já fizemos esse festival umas três vezes agora. E acho que a música do Skynyrd… sabe, o Metallica gravou Tuesday’s Gone. E um senhor me disse hoje que o Axl Rose é um grande fã de Skynyrd. Então, é incrível para mim como toda essa música meio que se encaixa. E estou ansioso por isso. Vai ser divertido para nós. Eu estou sorrindo, então, sempre que estou sorrindo, é algo bom. E além do Lynyrd Skynyrd, o festival conta com Guns N’ Roses, Extreme, Helloween, Deep Purple, Dirty Honey, você está familiarizado? Você já nos contou sobre o Guns N’ Roses. Sim, Extreme, claro. Sabe, alguns deles eu não conheço. Odeio dizer isso, mas não conheço, mas vou vivenciar no dia. Serei um fã. Então isso será bom. Sem membros originais na formação atual, a responsabilidade de manter a banda tão viva recai pesadamente sobre você e o Rickey (Medlocke). Como vocês
Jovem Dionisio inicia nova era com o single “Melhor resposta”

A banda curitibana Jovem Dionisio acaba de dar o pontapé inicial em um dos momentos mais interessantes e maduros de sua trajetória. Já está disponível nas plataformas digitais, via Ditto Music, o single Melhor resposta, faixa escolhida para abrir os caminhos de Migalhas, o aguardado terceiro álbum de estúdio do grupo. A escolha de iniciar a comunicação do novo disco com essa música não aconteceu por acaso. Com uma estrutura rítmica menos previsível, a canção reorganiza a escuta do público desde os primeiros segundos, apontando diretamente para o universo mais contido, intimista e atento aos detalhes que atravessa todo o novo projeto. Construção coletiva e o respiro sonoro Longe dos excessos, Melhor resposta nasceu de uma ideia inicial de voz e guitarra, ganhando contornos definitivos a partir da construção coletiva da banda dentro do estúdio. As camadas instrumentais se somam com precisão cirúrgica, revelando uma escrita musical que se desenvolve muito mais pela sensibilidade da escuta do que pelo acúmulo de elementos. Menos digital, mais manual Assim como o restante do vindouro álbum Migalhas, o novo single reflete um processo criativo muito mais manual e menos apoiado em mediações digitais. É um trabalho onde cada decisão acontece no encontro direto e orgânico entre os instrumentos e as ideias dos músicos. O resultado final é uma faixa que apresenta o novo disco a partir de um lugar de muita verdade, revelando uma Jovem Dionisio interessada em aprofundar sua linguagem musical, mas sem jamais abandonar a essência e o carisma que a consagraram no cenário nacional.
Show do Booze & Glory tem celebração de suor, ska e street punk no Hangar 110

Após um hiato de nove anos, o solo paulistano voltou a sentir o peso do Booze & Glory. No último sábado, a ND Productions transformou o mítico Hangar 110 no epicentro da cultura skinhead e punk, entregando uma noite onde a nostalgia e o vigor se encontraram no mosh pit. Aquecimento de respeito: Faca Preta e 88 Não! Com mais de dez anos de carreira, o Faca Preta que lançou recentemente o EP Fogo no Sistema (Repetente Records) apresentou um show energético e com boa parte do público presente cantando junto canções como São Paulo e Cães de Rua. Mostrando muita garra, entrosamento e uma ótima presença de palco, brindaram o público com We’re Coming Back, do Cock Sparrer, e encerraram com a já clássica Lutando de Braços Cruzados, que contou com a participação do Breno, filho do vocalista Fabiano, nos vocais. Sem deixar o ritmo cair, os mauaenses do 88 Não! assumiram o palco atacando com a clássica Bairro Pobre. A grande surpresa da noite ficou por conta de um naipe de metais que elevou o som da banda em um bloco de ska de tirar o fôlego. Entre covers certeiros de Garotos Podres (Rock de Subúrbio) e Attaque 77 (Espadas e Serpentes), a banda preparou o terreno com maestria, encerrando com Beber diante de uma casa já completamente lotada e fervente. É revigorante ver curadorias que respeitam o público: Faca Preta e 88 Não! não foram apenas “bandas de abertura”, mas a prova viva de que o street punk nacional respira com pulmões de aço. Booze & Glory Quando as notas épicas de The Ecstasy of Gold, de Ennio Morricone, ecoaram pelos PAs, o clima de “final de campeonato” tomou conta. O Booze & Glory subiu ao palco e, de cara, soltou The Day I’m in My Grave. O resultado? O Hangar 110 veio abaixo. Mesmo com uma formação renovada em relação à segunda visita ao país, a banda mostrou um entrosamento cirúrgico. O repertório foi um presente aos fãs, equilibrando hinos antigos como Leave the Kids Alone e Raising the Roof com faixas recentes, a exemplo de Boys Will Be Boys, recebida com o mesmo entusiasmo dos clássicos. O ápice da catarse aconteceu em London Skinhead Crew. O que se viu foi o puro espírito do punk: uma invasão de palco pacífica, onde banda e público se tornaram um só, entoando o refrão com a força de uma arquibancada de estádio. Para fechar a conta, ainda sobrou fôlego para a debochada Only Fools Get Caught. Ao final, o cenário era o melhor possível: público e banda exaustos, sorridentes e devidamente batizados em cerveja e suor. Mais do que um show, foi uma celebração de uma cultura que nasceu em 1969 e que, contra todas as previsões, segue pulsante, barulhenta e mais unida do que nunca.
Entrevista | Angra – “Estou muito curioso para ver como será eu, o Aquiles e todo mundo junto no Bangers”

O Bangers Open Air terá um dos momentos mais aguardados do heavy metal nacional em 2026. O Angra sobe ao palco do festival em um formato especial que marca uma reunião histórica de integrantes ligados à fase clássica da banda. O encontro promete celebrar diferentes eras do grupo em uma apresentação pensada exclusivamente para o evento. Além do festival, o Angra também realiza um sideshow especial da turnê Nova Era no Espaço Unimed, ampliando a celebração para o público paulistano. A apresentação paralela reforça o peso do reencontro e cria um fim de semana dedicado à trajetória da banda, reunindo fãs de diferentes gerações. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o baterista Bruno Valverde, que também estará no festival com o Smith/Kotzen, conta como será o formato exclusivo preparado para o Bangers Open Air e explica como funcionará a dinâmica dividida com Aquiles Priester no palco. Como é a preparação física para aguentar uma jornada dupla no domingo com Smith/Kotzen e Angra? Olha, vamos ver o que vai acontecer, mas com certeza é comer muita carne para ter bastante proteína e energia também. Eu faço um ensaio no dia anterior com o Angra e pretendo passar o setlist umas três ou quatro vezes no dia, para ficar com a mão praticamente sangrando, justamente para saber que tem bastante energia para o dia seguinte. Vai ser um dia muito intenso. Provavelmente na passagem de som eu já vou estar com meus dois kits separados. Não vou usar o mesmo kit para as duas bandas, então vai ser uma coisa bem intensa. Vou estar com o meu drum tech lá, que está muito preocupado. Aliás, vai ser a primeira vez que eu vou usar a Tama. O meu próprio kit no Brasil está chegando agora, então é tudo novo nesse sentido. Que bacana, a estreia vai ser aqui? Exatamente. A estreia dos meus novos kits da Tama será no Brasil, especificamente no Bangers Open Air. Mas você não vai tocar o show inteiro do Angra, ou vai? Tem essa vantagem, porque o show do Angra é muito intenso, geralmente tem duas horas ou um pouco mais. Se fosse um show completo comigo tocando tudo, eu ficaria um pouco mais preocupado. Mas como vai ter basicamente uma hora, uma hora e pouco, depois o show do Angra será dividido em três partes. Eu toco a primeira parte, depois entra o Aquiles e, no final, a gente toca junto. Então não vai ser aquela coisa extremamente louca de se fazer, mas vai ser emocionante. Estou muito curioso para ver como vai ser ver todo mundo junto lá. Muita gente que comprou ingresso para o Bangers tem dúvida sobre o formato e a exclusividade do show. No Porão do Rock, por exemplo, foi anunciado somente o Kiko. Qual é a diferença entre as propostas? No Porão do Rock vai estar o Kiko como participação especial. Não vai ter o Edu nem o Aquiles, então a proposta é totalmente diferente. Será um show muito mais parecido com o que a gente já faz, mas com a participação do Kiko. Obviamente vai ter músicas diferentes por causa disso. Também vai ser um show grande, porque a gente será headliner do Porão. Vai ser um showzaço. Da minha parte, vai ter um bate e volta. Esse show acontece no dia 22 de maio. Eu chego no dia, toco e vou embora na madrugada, porque tenho um projeto acontecendo em Los Angeles. Então será bem intenso. Sair do avião e tocar duas horas como um maníaco. E você se prepara fisicamente em Los Angeles? Sim, me preparo bastante. Para o show do Angra, começo a me preparar pelo menos três semanas a um mês antes, com intensidade física mesmo.
Rush esgota ingressos e anuncia show extra no Allianz Parque

A apresentação do Rush marcada para o dia 24 de janeiro de 2027, no Allianz Parque, em São Paulo, teve seus ingressos esgotados rapidamente. Mas, para alívio de quem ficou de fora, a produtora 30e confirmou nesta segunda-feira (2) um show extra do Rush na capital paulista: o trio subirá novamente ao palco do estádio no dia 26 de janeiro de 2027 (terça-feira). 🚨 Ingressos Se você perdeu a primeira chance, prepare os alarmes e os cartões, pois as vendas para o show extra começam nesta semana: Homenagem a Neil Peart com novos talentos O formato dessa turnê sul-americana será de gala. Com a proposta “an evening with” (uma noite com), a banda tocará dois longos sets por noite, sem bandas de abertura. Eles estão ensaiando um catálogo com mais de 40 clássicos, garantindo que os setlists mudem de uma noite para a outra. Para a monumental tarefa de assumir as baquetas do inesquecível Neil Peart, a banda recrutou a baterista, compositora e produtora alemã Anika Nilles (que já tocou com Jeff Beck). O time se completa com o tecladista Loren Gold (The Who). A iniciativa tem a bênção emocionada da família de Neil. “Estamos entusiasmadas em apoiar a turnê Fifty Something. Honrar o extraordinário legado de Neil como baterista e letrista… Ao entrar neste novo capítulo, a banda promete algo verdadeiramente inesquecível”, declararam Carrie e Olivia Peart, viúva e filha do músico. * 🎫 Serviço: Rush – Show extra em São Paulo Preços (Show extra – 26/01) (Lembrando que a turnê também passará por Curitiba em 22/01, Rio de Janeiro em 30/01, Belo Horizonte em 01/02 e Brasília em 04/02).
Entrevista | Smith/Kotzen – “Estamos todos contando os minutos para tocar no Bangers Open Air”

O Bangers Open Air recebe neste ano um encontro que une peso, groove e história no rock. O Smith/Kotzen desembarca no festival, dia 26 de abril, trazendo ao Brasil a parceria entre dois guitarristas de trajetórias consagradas. De um lado, Adrian Smith, integrante do Iron Maiden e responsável por alguns dos riffs mais emblemáticos do heavy metal. Do outro, Richie Kotzen, multi-instrumentista com passagens por Poison, Mr. Big, The Winery Dogs e uma sólida carreira solo marcada por blues, soul e improvisação. No palco, a dupla é sustentada por dois brasileiros de trajetória internacional: a baixista Julia Lage, que construiu carreira nos Estados Unidos e já integrou a banda Vixen, e o baterista Bruno Valverde, atual baterista do Angra, conhecido por sua versatilidade e intensidade técnica. Em entrevista ao Blog N’Roll, a dupla brasileira, responsável pela cozinha do projeto, falou sobre como surgiu o convite para integrar a banda, a possibilidade de mudanças no setlist no Brasil e a expectativa para o Bangers Open Air. Como foi o convite para vocês integrarem o Smith/Kotzen? E como aconteceu a coincidência de os dois serem brasileiros? Bruno Valverde: Fui tocar em um bar de fusion em Los Angeles chamado Baked Potato, com o guitarrista brasileiro Rafa Moreira. A Júlia e o Richie foram assistir ao show e eu estava na bateria. Já tínhamos nos encontrado antes em Los Angeles, mas ali trocamos contato. O Richie me viu tocando e, cerca de quatro ou cinco meses depois, perto de dezembro, a Júlia me ligou dizendo que ele queria falar comigo. Ele comentou que tinha um projeto com o Adrian Smith e que começariam os ensaios na semana seguinte. Mandou quatro ou cinco músicas e, na outra semana, já estávamos ensaiando para a turnê de 2022. Foi tudo muito direto. Júlia Lage: No meu caso foi algo bem orgânico. Todo fim de ano o Richie fazia uma festa na casa dele em Malibu, que sempre terminava em jam session. No final, ficavam Richie e Adrian tocando por horas. Quando surgiu a necessidade de montar a banda ao vivo, a esposa do Adrian, que inclusive foi quem conectou os dois, sugeriu meu nome. Depois chamaram o Bruno também, colocaram todo mundo no estúdio para testar e tocamos quatro ou cinco músicas. Deu liga. É um ambiente muito familiar. O fato de sermos brasileiros também facilitou a conexão cultural entre nós. O Richie, como multi-instrumentista, é muito exigente ou deixa vocês mais livres? Bruno Valverde: O Richie é um grande músico, com uma cabeça muito voltada tanto para o artista quanto para o instrumentista. Ele gosta muito de música e de improvisar. Na turnê solo dele, há músicas que chegam a 10 ou 15 minutos porque ele gosta de jam, de trocar ideias entre os instrumentos. Ele não limita suas ideias, mas você precisa entender o formato do projeto e agir como profissional. Não é sair ultrapassando limites. Ele sabe o que quer ouvir, mas gosta que você traga algo. É uma construção orgânica. Júlia Lage: Ele gosta que você contribua, mas é preciso entender a música. Existem partes que precisam ser executadas exatamente como são. Ele é aberto, gosta da parte criativa, mas sempre dentro do contexto da canção. Mas, Júlia, como é sustentar a base para o Adrian Smith? Há momentos em que você precisa segurar a mão para deixar ele brilhar? Júlia Lage: Com qualquer artista você precisa entender de quem é o momento. Como baixista, minha função é sustentar o groove. Se há espaço para um detalhe, faço, mas preciso compreender meu papel e o tipo de show que estamos fazendo. No solo de “Wasted Years”, por exemplo, eu executo exatamente como no disco, porque aquele momento é dele. É uma questão de bom senso musical. Bruno Valverde: Estamos ali para servir a música. Não é sobre alguém brilhar mais que o outro, mas sobre criar o ambiente para que cada momento aconteça. Esse projeto é diferente porque todos são muito apaixonados por música. Não é apenas performance, é troca real. Eu ia perguntar, mas já que você mencionou, The Wasted Years vai rolar no Brasil? Júlia Lage: Ainda não discutimos o que será tocado na América do Sul. Provavelmente será muito parecido com o que temos feito, mas, por ser festival e ter menos tempo, talvez algumas músicas sejam cortadas. Bruno Valverde: Existe possibilidade, mas ainda não está definido. E como o Adrian e o Richie enxergam o público brasileiro? Bruno Valverde: É quase unanimidade entre artistas que tocam na América do Sul que o público é muito intenso. É uma energia humana muito forte. Não tem como não ser alimentado por isso. Em alguns lugares da Europa o público é mais contido. No Brasil é uma loucura do começo ao fim. Júlia Lage: Os dois já tocaram muito no Brasil e sabem o que esperar. Estamos todos contando os minutos para tocar na América do Sul e no Bangers. A energia é diferente e isso impacta diretamente o show. Como vocês enxergam a participação no Bangers Open Air, um festival tradicionalmente ligado ao metal, tocando um som mais próximo ao hard rock? Júlia Lage: Será a primeira vez que tocaremos nesse festival com essa banda, então vamos descobrir. Mas o show é energético. Mesmo sendo mais hard rock e blues em alguns momentos, há intensidade. Existe ação o tempo todo no palco. Bruno Valverde: A expectativa do público é grande, mesmo conhecendo o setlist. A gente faz o que precisa fazer no palco e entrega energia. O que vocês têm ouvido atualmente no fone de vocês? Bruno Valverde: Nada, silêncio (risos). Existe uma característica comum entre nós de evitar música de fundo. Estamos todos os dias tocando na estrada, sempre com muito som ao redor. Precisamos de silêncio para descompressão. Júlia Lage: Às vezes escuto algo bem tranquilo para dormir e baixar a adrenalina do pós-show. Depois de horas de intensidade no palco, é importante equilibrar.
Netflix exibirá show de lançamento do novo álbum de Harry Styles

A Netflix anunciou a exibição global e exclusiva da primeira performance ao vivo do aguardado novo álbum de Harry Styles, intitulado Kiss All the Time. Disco, Occasionally. O show histórico acontecerá na moderníssima arena Co-op Live, em Manchester, na Inglaterra, nesta sexta-feira (6). A apresentação, que marca o pontapé inicial da inédita turnê Together, Together, chegará ao catálogo do streaming no domingo (8), a partir das 16h (horário de Brasília). Retorno após “Harry’s House” O especial da Netflix, com produção assinada pela Fulwell Entertainment, trará a apresentação na íntegra. A grande vantagem é que, após a estreia no domingo, o show ficará disponível no catálogo para os assinantes assistirem quando e quantas vezes quiserem. A expectativa para esse retorno é gigantesca. Kiss All the Time. Disco, Occasionally é o quarto álbum de estúdio do astro britânico e será lançado oficialmente nas plataformas digitais no mesmo dia do show em Manchester (6 de março). O projeto chega para suceder o aclamado Harry’s House, clássico moderno lançado há quase quatro anos que varreu as principais premiações do mundo, incluindo o cobiçado troféu de Álbum do Ano no GRAMMY. 📺 Serviço: Harry Styles na Netflix
Oasis anuncia primeira gravação ao vivo da turnê de reunião no álbum Help(2)

A War Child Records anunciou que o Oasis fará parte do aguardado álbum beneficente Help(2), contribuindo com uma versão ao vivo explosiva e inédita de Acquiesce. A gravação foi capturada diretamente no icônico Wembley Stadium, no dia 28 de setembro de 2025, durante a noite final da lendária sequência de sete shows da banda no local. Este lançamento é um marco absoluto: trata-se da primeira edição física e oficial de uma gravação ao vivo extraída da monumental turnê de reunião Oasis Live ’25. O single chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (6). Para os colecionadores, a faixa terá um apelo ainda mais especial: ela será lançada como um single avulso em vinil 7″ encartado na versão gatefold do álbum e como uma “faixa escondida” na edição em CD duplo. Legado do Oasis com a War Child O retorno dos irmãos Gallagher à série Help é carregado de simbolismo. O Oasis já havia participado do histórico álbum original de 1995, abrindo o disco com a faixa Fade Away. Na mesma época, Noel Gallagher também formou o supergrupo The Smokin’ Mojo Filters ao lado de Paul McCartney e Paul Weller para o projeto. Quase três décadas depois, a banda reforça seu apoio contínuo à missão da ONG, que visa proteger, educar e defender os direitos de crianças afetadas por conflitos ao redor do mundo. Line-up de peso e encontros inéditos, além do Oasis no Help(2) Além do Oasis, Help(2) funciona como um verdadeiro festival dos sonhos do indie e rock alternativo, reunindo artistas gigantescos sob a produção do aclamado James Ford. O disco conta com lançamentos recentes e encontros espontâneos de estúdio, como: A lista estelar ainda inclui nomes como The Last Dinner Party, Nilüfer Yanya, King Krule, Foals, Depeche Mode, Beck, Big Thief e Anna Calvi. “By Children, For Children” Para dar vida à identidade visual do projeto, o renomado cineasta Jonathan Glazer (vencedor do Oscar por Zona de Interesse) assumiu a direção criativa. O conceito adotado foi entregar pequenas câmeras para crianças operarem livremente dentro dos estúdios do Abbey Road e também em zonas de conflito (Ucrânia, Gaza, Iêmen e Sudão). O resultado é um documentário visual brutal e poético, garantindo que o público veja o mundo através dos olhos daqueles que a música busca ajudar.
AC/DC ignora a chuva, cala críticos e transforma o Morumbis em templo do rock

O sábado, 28, entrou para a história do Morumbis como mais uma noite monumental do AC/DC no Brasil. No segundo dos três shows com ingressos esgotados, cerca de 70 mil pessoas transformaram o estádio em território sagrado do rock pesado durante 2h15. A banda ainda retorna no dia 4 de março, encerrando a passagem que já nasce histórica. Quase duas décadas depois da última visita, o reencontro carrega outro peso. Desde a apresentação de 2009, muita coisa mudou no mundo e dentro da própria banda. Por isso, qualquer análise honesta precisa considerar o fator tempo. Ele não perdoa ninguém, nem mesmo as lendas. Leia aqui o review da primeira noite do AC/DC no Morumbis Ainda assim, o que se viu em São Paulo foi uma banda em plena forma, contrariando vídeos e comentários que circularam após trechos da turnê europeia. Sim, algumas mudanças são perceptíveis. O riff de Thunderstruck apareceu em andamento levemente mais cadenciado. E Brian Johnson já não sustenta todas as notas agudas como nos anos 80. Mas nada disso compromete o impacto do espetáculo. Aos 78 anos, o vocalista canta, caminha, dança e interage com uma vitalidade que muitos artistas com metade da idade não conseguem sustentar. A entrega continua absoluta. Angus Young também respondeu à altura. A chuva inesperada que caiu sobre o Morumbis poderia ter esfriado o clima. Não para ele. O guitarrista atravessou a passarela sob a água, solo em punho e dancinha, sem hesitar. Como se o tempo fosse apenas mais um detalhe irrelevante diante do compromisso com o público. Seu uniforme escolar permanece intacto como símbolo, e o famoso duckwalk segue arrancando gritos. O longo desfecho instrumental em Let There Be Rock reafirma por que ele é um dos arquitetos definitivos da guitarra no hard rock. A base formada por Stevie Young, Chris Chaney e Matt Laug sustenta o peso com precisão cirúrgica. Sem exageros, sem disputas de protagonismo. Apenas riffs sólidos, graves pulsantes e batidas diretas ao ponto. A engrenagem funciona como sempre funcionou: simples, alta e eficiente. Para quem preferiu opinar à distância, o show foi um recado claro. Exigir de músicos septuagenários o mesmo desempenho físico de três décadas atrás é perder o ponto principal. O público que esteve no estádio entendeu isso desde o primeiro acorde e provou porque o Brasil merecia mais visitas dos australianos nos últimos anos. Cantou cada refrão, abriu rodas, puxou o tradicional coro de estádio e iluminou a noite com milhares de chifres vermelhos piscando. As tradições permaneceram intocáveis. O sino marcando a introdução de Hells Bells ecoou imponente. Em Highway to Hell, Angus saudou a multidão com o clássico chifrinho iluminado. E Let There Be Rock trouxe a já esperada sequência de solos, estendida, intensa, celebrada como um ritual coletivo. O repertório foi um passeio pela espinha dorsal do rock. Clássicos de Back in Black, Highway to Hell, Dirty Deeds Done Dirt Cheap, Powerage e Power Up apareceram em sequência quase didática. A abertura com If You Want Blood (You’ve Got It), seguida imediatamente por Back in Black, estabeleceu o tom da noite. Um dos momentos mais comemorados foi Jailbreak, ausente dos palcos por décadas e agora reintegrada ao set. No bis, T.N.T. transformou o estádio em um coral de dezenas de milhares de vozes, preparando o terreno para For Those About to Rock (We Salute You), acompanhada por explosões e fogos que fecharam a apresentação em clima de celebração máxima. O AC/DC não é mais a mesma formação física de 30 anos atrás. E não precisa ser. O que permanece é a convicção, o repertório irretocável e a conexão direta com quem está na frente do palco. Em 2026, vê-los ao vivo é mais do que assistir a um show, será, provavelmente, a última chance de testemunhar a permanência de um legado que insiste em continuar pulsando alto. Foto por @christiegoodwin