Entrevista | Jacob Hemphill (SOJA) – “Não estava lá para podar eles na criação”

A banda norte-americana Soja lançou nesta sexta-feira o álbum Beauty in the Silence, o primeiro em quatro anos. Junto com o disco, os integrantes também revelaram o videoclipe de Jump, em parceria com Slightly Stoopid.  “Jump é uma música sobre como a base real da experiência humana é a conexão, e eu adoro que Soja, Eric e Stoopid se juntem como pessoas que se conhecem há muito tempo”, disse o vocalista do Soja, Jacob Hemphill. “Estamos muito felizes em colaborar com o novo trabalho de Soja”, acrescentou o guitarrista e vocalista do Slightly Stoopid, Miles Doughty. “Fazemos shows juntos há anos e foi ótimo trabalhar em uma nova faixa juntos. Mal podemos esperar para arrasar ao vivo com os meninos nos próximos shows”. Jacob Hemphill conversou com o Blog n’ Roll, via Zoom, sobre a nova fase do Soja e contou mais sobre a gravação de Beauty in the Silence. Confira abaixo. Começando a falar sobre o álbum Beauty in The Silence, como foi o processo de gravação do Soja? Houve algum atraso por conta da pandemia? Talvez tenha atrasado, mas foi interessante, é uma boa pergunta. Então, nós já tínhamos cinco ou seis músicas gravadas, com as bases, o baixo, a percussão, teclados e etc. Mas aí se iniciou o lockdown, e nós ficamos preocupados de imediato, tipo “o que vamos fazer?”. Então o que acabou rolando é que descobrimos algo bem maneiro, que é que quando estamos gravando em um estúdio juntos, é ótimo, pois podemos trocar ideias e dar opiniões.  Porém, quando gravamos de maneira remota, não há ninguém pra lhe dizer sim ou não, e dentro desse processo acabei recebendo as melhores contribuições desses músicos que já ouvi. Acho que é exatamente pelo motivo de que não estava lá para podar eles no momento de criação. Pois eles poderiam tirar até um mês para trabalhar em uma música, até deixá-la perfeita.  Nosso tecladista, Patrick, estava mandando cinco, seis, sete linhas de teclado por música, ele as colocava em várias camadas. Então gostei da combinação, nós começamos ao vivo, se encontrando, depois seguimos caminhos diferentes e sonhamos coisas diferentes para aquela música.  O Soja em produzir mais coisas desse jeito? Eu curti muito, e quero continuar trabalhando com esse processo. Onde formamos um esqueleto juntos, e rascunhamos vocais, e depois nos separamos para cada um trabalhar em sua melhor apresentação, e na sequência podemos editar tudo e trazer algo novo.  Por exemplo, nós temos uma música, em que o saxofonista, Hellman, acho que ele mandou 25 sons diferentes no teclado da mesma linha, e nós apenas votamos em qual nós gostamos mais. Eu sinto que é ótimo iniciar em conjunto, mas também permitir que cada seja você ajuda muito no processo. Li que o Trevor Young também teve uma grande participação na criação do álbum, como foi essa participação? Trevor e eu meio que falamos durante uma hora no telefone todo dia, e ele é um melhor músico do que eu, na guitarra, no teclado, no geral. O que eu faço é compor e criar arranjos, então quando crio alguma coisa eu toco na guitarra, ou uso o gravador de voz do meu celular, e vou criando várias partes com a voz, (inicia a mostrar como seria um desses áudios tocando uma melodia com a voz) e quando termino eu envio para o Trevor e ele reproduz tudo que eu fiz no áudio, pois como eu disse, ele é melhor do que eu.  E ele também é um ótimo compositor, e me envia suas criações, e eu falo “não precisamos disso, precisamos mais disso”, então nós temos uma relação simbiótica, onde nós dois somos bons no que o outro faz, mas um de nós é melhor em determinado aspecto.  Meu trabalho é escrever letras e fazer melodias, e Trevor é bom nisso também, mas ele também entende mais sobre as ferramentas de edição e de gravação, e todos esses aplicativos de computador, ele é esse cara, ele é o mago. Isso é muito legal, então vocês se equilibram nesses quesitos, certo? Eu e ele fazemos algo muito específico juntos, não haveria eu sem ele, quer dizer, eu ainda estaria aqui, mas nós separados somos bem diferentes do que juntos. Falando sobre o nome do álbum, ouvi que é parte de um poema que seu pai lhe mostrou, certo? O que este poema significa pra você, e quão importante ele foi para a construção do álbum? O poema é basicamente como a vida não será fácil, o nome do poema é Desiderata, e não vou dizer ele todo, mas resumindo ele diz que a vida não será fácil, mas será linda. Em resumo, diz não olhe de baixo para pessoas acima de você ou se tornará invejoso, e não olhe de cima para pessoa abaixo de você ou se tornará só.  A chave da vida é olhar para as pessoas ao redor de ti, e valorizá-las, valorizar onde você está, pois você é sortudo, e merece estar neste planeta, e merece ter a experiência de viver, não se deixe contaminar pelo sentimento de que é incapaz ou de que deveria ganhar mais dinheiro, isto vai te afundar.  E meu pai me deu esse poema quando entrei na banda, e disse que eu deveria lembrar de cada palavra dele, e guardei cada palavra, e ele dá nome ao álbum Beauty of the Silence. As duas primeiras linhas do poema são: “Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa”, pois o mundo é assim barulhento e rápido, sempre dizendo “vá”, “consiga um carro, uma garota, dinheiro”. Então, “Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se que há sempre paz no silêncio.” E eu o chamei (o álbum) de Beauty in The Silence (Beleza no Silêncio). Pra mim isso tem muito significado, pois toda noite, antes de deitar, eu vou para a janela e fico olhando para a lua, o céu, em silêncio, e dou muito valor a isso. O nome do álbum me dá arrepios pois é algo

Entrevista | Arno Carstens (Springbok Nude Girls) – “Quem diria que a gente ia viver um “fucking partyapocalypse”

Uma verdadeira instituição do rock na África do Sul, o Springbok Nude Girls celebra quase três décadas de história com o álbum Partypocalypse. É o primeiro da banda após Beautiful Evolution (2018). No entanto, o álbum foi gravado quase na sequência do seu antecessor. Registrado em 2019, Partypocalypse pode ter sido o último com os membros originais Adriaan Brand (teclados / trompete) e Arno Blumer (baixo), que agora moram em outros países. Aliás, o vocalista Arno Carstens, que conversou com o Blog n’ Roll via Zoom, explicou essa mudança. “Quando começamos a trabalhar no disco em 2019, tínhamos um mês para fazer tudo e trabalhamos dentro de nosso cronograma limitado para produzir algumas das melhores performances da banda até hoje. Mal sabíamos que o álbum teria essa personalidade que se revelaria contra o caos do planeta em 2021. O bônus de ter criado um bom álbum é o luxo de fazer parte da grande família da Mongrel Records e ter sua atenção meticulosa sobre como apresentaremos isso a todos. Mongrel Records traz uma sensação de calma para o caos sem fim do Springbok Nude Girls e nos sentimos incrivelmente sortudos”. Partypocalypse foi gravado antes mesmo da pandemia. Por que demorou tanto para lançar? A gente escreveu o álbum e gravamos antes da covid. Demorou porque nós mesmos financiamos o álbum, apenas fizemos a mixagem quando o produtor não estava ocupado com outro trabalho. Levou dois anos para mixar e finalizar o álbum. Assim o covid não afetou tanto o trabalho, só levou um pouco mais de tempo. Toda vez que tínhamos a chance e que não tinha lockdown, a gente mixava o álbum. Qual foi o tamanho do impacto da pandemia em seu país? Na África do Sul, acredito que tenha sido do mesmo jeito que no mundo inteiro. Após as pessoas começarem a ser vacinadas, obviamente começou a morrer menos gente. Mas é claro que a doença ainda está se espalhando. É muito estranho, com certeza, mas aos poucos vai tudo voltando ao normal. Nunca mais será como antes. As saídas de Adriaan Brand e Arno Blumer são definitivas? Um está morando na América, o outro no Reino Unido. Não conseguem tocar ao vivo com a gente. Mas se fizermos outro álbum, talvez eles toquem nele de novo. Não sei sobre tour. Na tour, eles podem ser substituídos por alguns conhecidos nossos. Partyapocalypse é um nome bem peculiar… Tivemos um mês para colocar as músicas, desenvolvemos o resto do processo muito rapidamente, enquanto os outros componentes foram para a América e Reino Unido. Mas foi quase como uma Amazing Race. Foi uma experiência maravilhosa, no entanto, desgastante. Você consegue quase perceber no álbum essa sensação arrrrr!!! Um nervosismo apocalíptico. A palavra Partyapocalypse surgiu na letra da música Sa Tan on The Beaches, aí escrevi e percebi que seria um bom nome para o álbum. Quem diria que a gente ia viver um “fucking partyapocalypse” agora? Como você avalia o desenvolvimento do rock na África do Sul desde o surgimento do Springbok Nude Girls? Nos anos 1990 havia uma boa cena musical, muito inglesa. Agora há uma grande cena africana. Mas o rock não é grande na África do Sul atualmente. As rádios estão cheias de dance music e rap, é uma coisa global. Ainda há muitas bandas, mas depois do covid elas ficaram paradas, estão voltando agora. Vocês já se sentem seguros para excursionar e fazer shows por aí? Não temos planos. A gente apenas lançou e vamos ver o que acontece. Nós gravamos um show de Halloween no ano passado. A ideia é gravar este show e juntar tudo numa gravação. Por fim, e o Brasil? Está nos planos do Springbok para quando for seguro viajar? Eu vou me mudar para o Brasil, aí é a terra da abundância. Quando falam do Brasil, me lembro do Carnaval. *Tradução e entrevista por Isabela Amorim e Christina Amorim

Entrevista | Ken Horne (The Bronx) – “Nunca existiram tantas bandas na Califórnia como hoje”

Em turnê pelos Estados Unidos com Rancid e Dropkick Murphys, a californiana The Bronx certamente é um dos nomes mais empolgantes na atualidade. Mas essa banda de punk rock não é nenhuma novata. Está há quase 20 anos na estrada e com uma produção frenética. O mais novo capítulo dessa trajetória é o álbum Bronx VI (Cooking Vinyl), lançado recentemente. The Bronx surgiu em 2002, em Los Angeles, e teve o primeiro álbum gravado na “cozinha” de Gilby Clarke, ex-guitarrista do Guns n’ Roses. O guitarrista Ken Horne, que está na banda desde o segundo álbum, The Bronx (2006), conversou com o Blog n’ Roll sobre o sétimo trabalho de estúdio, o projeto paralelo dos integrantes (Mariachi El Bronx), a atual turnê, pandemia e o cenário californiano. The Bronx sempre foi uma banda muito ativa, com shows, gravações e videoclipes. Como foi esse período sem poder realizar boa parte dessas atividades? Foi difícil, mas nós fizemos. Lançamos um álbum de lado B do Mariachi (Música Muerta, Vol.1 & Vol.2), fizemos uma live, fizemos muita coisa. Como banda, foi bom conversávamos quase todo dia, pensando em novas ideias. Este novo álbum foi feito em 2019, foi um bom tempo para pensarmos em como iríamos lançá-lo, ao invés de fazer de qualquer jeito. Ao ouvir os álbuns, as pessoas têm pouca atenção. Então, ao invés de lançar o álbum, lançarmos uma música por vez. Fazemos coisas que vocês não veem, mas estamos muito ativos. Agora, de volta aos palcos, vocês estão em tour com o Rancid e Dropkick Murphys. Como tem sido a experiência? Eu tenho me divertido. A gente não tocava por um ano e meio, era o que a gente mais sentia falta. Ainda é surreal estar em tour. Nos bastidores, antes, tínhamos família, amigos. Agora não tem mais ninguém. Tudo que a gente faz é curtir nos bastidores, no ônibus. A gente não tem estado em tour, mas costumávamos sair, só de poder continuar tocando já é bom. É bom estar seguro, em primeiro lugar. Nessa tour todos os shows são ao ar livre, até o bastidor é um bônus. Qual é a relação de vocês com os integrantes dessas duas bandas? Já haviam tocado juntos antes? A gente já tocou com Dropkick Murphys em festivais e com o Rancid também. Não fizemos tour com eles, mas tocamos juntos em festivais fora do país. Tim Armstrong é um grande amigo do nosso baterista (Joey Castillo). Voltando ao Bronx VI, como foi o processo de gravação do álbum? Foi uma das minhas três melhores gravações, muito divertido. Gostei muito de trabalhar com nosso produtor, Joe Barresi (Tool, L7, Bad Religion, Judas Priest, Soundgarden, Slipknot, entre outros). Foram apenas três semanas, pouco tempo para nós, mas foi incrível. Essa gravação foi muito especial para mim, ainda mais trabalhando com o Joe, um grande produtor. A Califórnia sempre foi vista como um celeiro de bandas de punk, hardcore e metal, algo que influenciou bastante diversas regiões pelo mundo. Como você vê o atual cenário? Ainda há muitas bandas punks em Los Angeles. LA tem todo tipo de música. Tem mais bandas agora. Há muitos jovens, novas bandas, não é a mesma coisa que antes, que você formava uma banda, ensaiava e tocava ao vivo num clube. Hoje, você pode tocar ao vivo em qualquer lugar com internet e pode fazer lives pelo streaming. Não precisa ser uma banda de punk rock, qualquer um pode fazer. Nunca existiram tantas bandas como hoje. Em todos os cantos da Califórnia: LA, San Diego, entre outros. Vejo tantos jovens, mas infelizmente não consigo acompanhar todos. Antes, sempre tentava acompanhar as bandas. Durante a divulgação do novo álbum, vocês fizeram uma parceria com uma cervejaria de San Diego e criaram a cerveja Watering The Well. Como foi essa experiência? Foi divertido! San Diego é uma cidade famosa pelas cervejarias. Eu morei lá por muito tempo e um velho amigo nosso, Dave Lively, abriu a Fall Brewing Company 5, seis anos atrás. Vamos fazer uma colaboração com a cervejaria. A cada ano aumenta a popularidade da cerveja dele. Meu amigo, outro dia, foi comprar a cerveja Watering the Well (nome de uma faixa do novo álbum) e estava esgotada. Eles têm outra cerveja, Plenty for All, que recomendo e não está esgotada. Com a retomada dos shows, existe a possibilidade de incluir o Brasil na rota de vocês? O que vem à cabeça quando vocês escutam sobre o Brasil? Brasil é todo mundo bronzeado, praia, calor. E tem uma grande população de japoneses. Sou japonês, nasci no Japão. Então, li muito sobre a imigração japonesa no Brasil, por isso tenho interesse de conhecer o Brasil. Há um famoso wrestler no Japão chamado Antonio Inoki, que morou no Brasil quando era jovem. Vários amigos que vão ao Brasil me dizem que há muitos japoneses no Brasil. Por isso tenho o Brasil sempre na minha mente. Sempre falamos de vir ao Brasil. É difícil irmos sozinhos, mas quem sabe com uma grande banda junto? Fale mais sobre sua conexão com o Japão. Vivi lá até os meus 17 anos, depois me mudei para San Diego. No entanto, volto lá todo ano. Minha família ainda mora lá, japonês é minha língua nativa. Eu tenho essa aparência, mas sou mais japonês por dentro. Minha família é de Yokohama. Eu vivi lá e em Tóquio. A cena rock é incrível no Japão. Se você quer ver cultura americana legal, você deve ir ao Japão e à Suécia. Japão tem muita coisa diversificada, bandas punk, new wave, alternativas, ídolos japoneses. É muita coisa mesmo. Paralelamente ao The Bronx, vocês também têm o Mariachi, El Bronx. Como surgiu esse projeto? Tem planos futuros para esse projeto? Quando podemos ter uma novidade? Mariachi surgiu logo quando entrei na banda, em 2006, após lançarmos o segundo álbum. À época, fizemos um show na TV e perguntaram se a gente conseguia fazer uma música acústica. Então, Joby, nosso guitarrista, disse que as músicas do Bronx não iam

Entrevista | Abraskadabra – “A única exigência era que o rosto do fuleiro na presidência não aparecesse”

Lançado no último dia 2, o videoclipe Cattle Life é o último trabalho da banda de ska-punk Abraskadabra. A princípio, os curitibanos denunciam a atual gestão do governo Bolsonaro, por meio de uma letra cirúrgica, uma melodia marcante e uma animação potente. Em suma, Cattle Life integrará o novo álbum da banda, intitulado Make Yourself at Home, que será disponibilizado em 24 de setembro. Com direção de Guilherme Lepca e produzida pela Smart/Bamba, a animação é composta por diversas colagens. Em resumo, além dos lyrics, o trabalho reúne manchetes de jornais e características que fazem parte do universo bolsonarista, como por exemplo: o negacionismo a ciência, a adoração por armas, o alto preço dos alimentos e a adição da religião na política. Por outro lado, Cattle Life também apresenta esperança por dias melhores – sobretudo para as minorias sociais –, com imagens de protestos anti-bolsaristas. “Música foi feita com muita raiva, tanto sonora como na letra, tudo a flor da pele. É um recado para as pessoas que votaram nele que vão pagar, aliás, todos nós estamos pagando pelo voto nesse cara”, comenta Du, vocalista do Abraskadabra. Aliás, nos próximos dias, o Abraskadabra deve soltar mais um single com videoclipe. A faixa escolhida é Set Us Free. Por fim, em entrevista ao Blog n’ Roll, Du conta mais detalhes sobre Cattle Life e também, claro, sobre Make Yourself at Home. Vale ressaltar que o álbum será lançado pela Bad Time Records, uma gravadora americana especializada em ska-punk. Além de ser disponibilizado no streaming, o selo também fará o lançamento da obra em vinil colorido (serão quatro versões diferentes do disco, com distribuição nos Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Brasil). Confira! Além das negligências do governo Bolsonaro, como ocorreu o processo criativo do videoclipe de Cattle Life? O crédito total do clipe vai para o nosso amigo Guilherme Lepca e toda a equipe da Smart Diseños, provavelmente o estúdio de animação mais cabuloso do Brasil hoje em dia. A gente basicamente passou a letra pra eles e falamos pra seguirem ela como um roteiro mesmo, sem censura. Tanto é que só vimos o clipe depois de pronto. A única exigência – que foi inclusive decidida em comum acordo com a SD – era que o rosto do fuleiro na presidência não aparecesse no clipe. Não gostaríamos de manchar um trabalho fino desse com aquela cara horrenda. Do We Need a Sign e Cattle Life são músicas que carregam mensagens diferentes e passam sensações distintas uma da outra. O que podemos esperar de Make Yourself at Home? Aliás, como foi a produção do álbum? Olha, como temos três compositores nesse álbum, os temas variam, naturalmente. Então vão ter mais músicas de protesto, de amor, de reflexão e por aí vai. A gente já vinha compondo desde a metade de 2020; ficamos 20 dias em uma chácara de um amigo nosso em dezembro de 2020, gravamos o álbum e dois videoclipes. A mix e master levaram uns três meses pra ficarem prontas, então somando todo o processo desde a gravação até a finalização foram três meses. Apesar de ser uma banda brasileira, vocês fazem composições em inglês. Na opinião do Abraskadabra, artistas brasileiros que (também) atuam no exterior têm o dever de expor a atual crise política do país para os fãs gringos? Achamos que sim, até porque estamos vivendo uma situação insustentável hoje em dia. Uma mistura de incompetência com sadismo, uma combinação mortal, literalmente. Então é mais um desabafo natural que vai reverberar pela música, do que uma obrigação de mostrar para o mundo o que está acontecendo aqui. Mas ao mesmo tempo, por que não explicar a situação para pessoas alheias a nossa realidade? Acho que o mundo deve entender a gravidade da nossa situação, já que ainda existe gente aqui no Brasil que não entendeu. Existem muitas diferenças entre os públicos brasileiro e gringo? A nossa postura é sempre a mesma, procuramos entregar 100% nos shows e na interação com a galera. Obviamente existem diferenças culturais, mas fomos muito bem recebidos nos EUA, eles têm um senso de comunidade na cena musical muito elevado, estão sempre prontos pra ajudar. O mosh pit é menos violento e mais dançante por lá. E como aqui, sempre rola aquele papo bom na barraca do merch tomando aquela gelada pós-show. Com o avanço da vacinação, artistas estão retornando aos palcos. Como está a agenda de vocês? Pretendem voltar a se apresentar em breve? Nossa agenda está zerada, não temos nem previsão para voltarmos aos palcos aqui no Brasil. Temos ouvido de produtores que provavelmente os shows voltem somente ano que vem, para o fim do primeiro semestre. A gente torce pra que as coisas melhorem antes disso porque está sendo torturante ficar sem tocar. Além de Cattle Life, e do lançamento de Make Yourself at Home, quais são os próximos passos do Abraskadabra? Pretendem lançar mais videoclipes ainda em 2021? A gente tem mais alguns videoclipes engatilhados e algumas surpresas pra esse ano ainda, que infelizmente não podemos revelar! Mas fiquem ligados que vem coisa boa por aí!

Entrevista | Feng Suave – “Luxos são prejudiciais para a sociedade e natureza”

De Amsterdã, na Holanda, vem uma das mais gratas surpresas dos últimos anos, o duo Feng Suave, formado por Daniël Schoemaker e Daniël de Jong. Seguindo uma linha que transita entre o soul dos anos 1970 e chega ao indie pop moderno, mas antes passando pelo psicodélico e a bossa nova, eles já estão em seu terceiro EP, So Much For Gardening, lançado no fim de agosto. As quatro canções de So Much For Gardening evitam um único humor ou narrativa coletiva e, em vez disso, cada uma assume um tema próprio. Unweaving the Rainbow Forever é uma alusão divertida à catástrofe ambiental em curso, enquanto Come Gather ‘Round examina a ganância capitalista. Show Me torna as coisas mais lentas, contando uma história de dor emocional individual intransponível, enquanto Tomb For Rockets é, de acordo com a dupla, “meio que tudo isso acima, e meio que apenas uma canção de amor”. Com mais de 150 milhões de streams acumulados, Daniël Schoemaker e Daniël de Jong conversaram com o Blog n’ Roll, via Zoom, sobre o novo EP, o curioso nome da dupla, entre outros assuntos. Confira abaixo. Primeiramente, não tem como não falarmos sobre a origem do nome Feng Suave. Como surgiu esse nome? Claramente não são palavras da língua inglesa, mas a gente pronuncia da forma como lemos. O Suave nós pegamos do português. Eu vou muito a Portugal, e há alguns anos bebi uma garrafa de champanhe suave, e gostei da palavra, ainda mais quando vi o significado. Já o Feng, que na verdade se pronuncia “fong”, significa vento em mandarim. Então, começou como uma brincadeira e se tornou o nome da banda. Se a gente traduzir, fica Vento Suave, o que não é um nome ruim (risos). Como foi o processo de gravação de So Much For Gardening? A pandemia atrapalhou de alguma forma? A pandemia, por sorte, não atrapalhou o processo de gravação. Basicamente, eu e o Dan fizemos as demos no computador, depois fomos até o estúdio de ensaio com a banda inteira e demos vida às demos. Gravamos tudo ao vivo para ser mais orgânico, com todos os instrumentos sendo tocados ao mesmo tempo. Foi um processo muito bom e muito agradável, principalmente por não termos precisado ficar presos cada um em seu laptop por semanas, como geralmente é. Foi bem legal estar no mesmo ambiente que a banda, tocando e fazendo música. O que mais o inspirou no processo de composição? Não existe um tema específico nas músicas. Cada uma foi inspirada em alguma coisa diferente. Por exemplo, um dos nossos singles surgiu de quando fui ao zoológico. Eu estava passando pela rua, em Amsterdã, e vi alguns animais de longe, e comecei a pensar o quão insano era ver aqueles animais ali. Aqueles animais não deveriam estar a cinco minutos de um supermercado no meio da cidade. É doideira. Foi um acontecimento que me inspirou. É nítido que o Feng Suave consegue trabalhar muitas influências na sonoridade, entregando algo original. O que vocês têm escutado? Nós pegamos influências de artistas dos anos 1960 e 1970, além de artistas contemporâneos que fazem esse tipo de música. Eu gosto muito de bossa nova, folk rock americano. Gosto dessas músicas de compositores clássicos. Você citou a bossa nova com uma das influências. Vocês escutam artistas brasileiros? Com certeza! Acho que a língua portuguesa é ótima para se cantar. Gosto muito de Caetano Veloso, Erasmo Carlos, Gal Costa… eu estava escutando Que Pena (com Jorge Ben Jor e Gal Costa) hoje mesmo. Acho brilhante como o Brasil tem gêneros musicais únicos e completos. Amo o fato de vocês serem uma nação bem musical. Come Gather Round, uma das faixas do EP, traz uma crítica forte e necessária. Fale um pouco sobre essa canção. Essa é uma pergunta muito boa, porque é fácil criticar algo e não ter uma solução para isso. Obviamente, uma música não é a melhor mídia para esse tipo de crítica. Eu estava com um pouco de medo de fazer uma música criticando sem dar nenhuma solução. Eu não tenho uma, inclusive. Mas, no geral, acho que a riqueza do mundo é mal distribuída, e isso é inaceitável. Há muita riqueza desnecessária também. Luxos que são prejudiciais para a sociedade e para a natureza. Além disso, também é ruim ver como a sociedade é imprudente e gasta recursos naturais sem dó. Não tenho uma grande solução. Acho importante taxar riquezas para ajudar a acabar com a pobreza. So Much For Gardening traz uma vibe tranquilizante. É o EP certo para muitas atividades relaxantes. Era essa a proposta da Feng Suave? Esse é o sentimento. Eu gosto quando a música soa bem. É importante fazer com que a música tenha efeito positivo em quem está escutando. Adoro caminhar, pedalar e dirigir ouvindo música, e é isso que quero adicionar no mundo, sabe? Também adoro explorar os contrastes de ter uma melodia legal e uma letra que não seja só sobre amor ou coração partido. Aliás, gosto de explorar essas outras coisas, como os animais no zoológico ou os problemas do capitalismo.

Entrevista | Blind Pigs – “São Paulo Chaos já tinha letras que atacavam a extrema-direita”

Na última sexta-feira (3), o Blind Pigs anunciou o relançamento de São Paulo Chaos, primeiro álbum de estúdio da banda de punk rock. Há 25 anos, o disco foi lançado pela gravadora Paradoxx Music e produzido por Jay Ziskrout, ex-baterista do Bad Religion. Além disso, a obra também foi distribuída pelo selo Grita! nos EUA, Europa e Japão. A princípio, a banda era composta por Henrike, Gordo, Mauro, Fralda e Arnaldo e, para ambos, o lançamento do álbum foi uma experiência única e um divisor de águas em suas carreiras, já que pela primeira vez, os paulistas entravam em um estúdio para trabalhar com um produtor experiente. E para celebrar os 25 anos desse disco tão importante, São Paulo Chaos ganhou uma edição limitada de 250 cópias. Em resumo, a nova versão conta com vinil colorido, capa gatefold, encarte com fotos inéditas da época do lançamento e, também, masterização do Jay Ziskrout. Desta vez, o lançamento é assinado pela gravadora norte-americana Pirates Press Records. Além disso, a banda também lançou um cartão postal que toca a faixa Verão de 68, que aborda os tempos de luta contra a ditadura militar brasileira. Para falar mais sobre o relançamento de São Paulo Chaos, o Blog n’ Roll conversou com o vocalista da Blind Pigs, Henrike Baliú. Além do LP, o artista também relembrou momentos especiais da trajetória da banda paulista, além de comentar sobre a banda Armada. Por fim, Henrike também lamentou a atual situação política brasileira e deixou um recado: “Fora Bolsonaro”. São Paulo Chaos permanece um álbum provocativo, mesmo 25 anos após o seu lançamento. Em tempos de um Brasil que flerta com o fascismo, é possível afirmar que a obra é ainda mais provocativa hoje, do que em 1996? Eu considero sim várias músicas do São Paulo Chaos super atuais, apesar de terem sido feitas há 25 anos. Você pega, por exemplo, Conformismo e Resistência e é uma música que sempre será atual, já começa por aí. E você vê também que no São Paulo Chaos, a banda já tinha letras que atacavam a extrema-direita. Aliás, o disco já começa com Fuck The TFP (Foda-se a TFP, sociedade brasileira em defesa da tradição, família e propriedade). Então desde a época das demos do Blind Pigs, eu já escrevia letras que atacavam o neofascismo brasileiro. Então sim, todos os discos do Blind Pigs têm um “quê” de atualidade. São músicas que você vai poder tocar toda hora e elas sempre vão ser atuais. Quais foram os aprendizados mais valiosos ao longo desta trajetória? O Blind Pigs não existe mais desde 2015, mas é engraçado que a formação que gravou o São Paulo Chaos (eu, Gordo, Fralda, Mauro e Arnaldo), quando o Blind Pigs chegou ao fim, na formação estávamos eu Gordo, Mauro e o Arnaldo. Então foi legal que a Blind Pigs acabou com quatro integrantes que gravaram o São Paulo Chaos, que foi o primeiro álbum da banda. Cada integrante deve ter aprendido alguma lição (risos). Não sei que lição aprendi, talvez musicalmente falando, aprendi a abrir um pouco mais os horizontes musicais, escutar outras coisas (não só o punk rock) e até flertar com outros estilos, assim como hoje faço com o Armada. Os processos criativos e produtivos passaram por alterações com a maturidade dos integrantes? Atualmente, de que forma ocorrem esses processos (composição, gravação, produção) em seus projetos solos? Dentro do Blind Pigs variava muito. Ou o Gordo vinha com um riff, uma melodia pra eu colocar a letra em cima. Ou eu vinha com uma letra já inteira pronta, pra ele colocar uma música em cima. De vez em quando o Mauro vinha com uma música e uma letra mais ou menos pronta e eu inseria a letra. Depende, a gente nunca seguiu uma linha de composição, como por exemplo: “tem que ser assim, assim que nós fazemos músicas”. Não, sempre foi diferente, cada um sempre teve a sua doideira. A letra de Verão 68 relata as vivências de Margô, uma jovem de classe média que decide lutar na guerrilha urbana contra a ditadura militar brasileira. Qual é a sua sensação ao se deparar com os eleitores fanáticos do presidente Jair Bolsonaro reivindicando pela volta da ditadura, em pleno 2021? Acho um extremo absurdo, patético e ao mesmo tempo assustador, ver pessoas flertando com esse neofascismo tupiniquim. Achei que a ditadura tinha ficado para trás, né? Tanto é que em 2000, o Blind Pigs lançou a música Órfão da Ditadura, que também é super atual. Então, acho assustador e ao mesmo tempo patético, é uma mistura de emoções. Vamos ver o que o 7 de setembro aguarda pra nós, brasileiros. Já existem projeções para um retorno aos palcos em 2022? E um possível show especial para celebrar o LP comemorativo de 25 anos do primeiro álbum? Como a banda não toca desde 2015, não existem planos para fazer nenhum show comemorativo do Blind Pigs, nem nada assim. Por enquanto, a gente só está conversando entre si sobre esses lançamentos, que estão sendo bem bacanas. Mês que vem a Pirates Press Records lança mais um disco do Blind Pigs; vai ser um picture disk do Blind Pigs bem bacana chamado The Last Testament [O Último Testamento]. Mas a Blind Pigs não tem planos de ressuscitar, por enquanto. São Paulo Chaos foi responsável por tornar a Blind Pigs reconhecida não só no Brasil, mas também em outros países. Qual é a relação de vocês com o público estrangeiro? Eu lembro que quando saiu o São Paulo Chaos em CD pelo Grita!, no mundo inteiro, foi muito interessante, porque no CD tinha o endereço da caixa postal do Blind Pigs E aí eu ia toda semana lá na caixa postal e estava sempre abarrotada de cartas do mundo inteiro. Então era muito louco. Uma vez eu recebi uma carta de um detento americano no Texas, que tinha o CD. Recebi algumas cartas de Cuba, olha que interessante! Também recebi muitas cartas de países da América Latina, especialmente do

Entrevista | Hollow Coves: “As pessoas perceberam o quanto são abençoadas com o que tínhamos”

A dupla de indie folk australiana Hollow Coves sempre explora uma temática mais bucólica e minimalista em seus projetos. Foi assim com o primeiro EP, Wanderlust (2017), o álbum Moments (2019) e o último EP, Blessings, lançado em junho. As capas trazem lindas imagens de vilarejos, enquanto as canções do Hollow Coves parecem extraídas de filmes mais introspectivos. Apesar dessa personalidade mais tranquila, Ryan Henderson e Matt Carins querem conhecer o “público maluco e apaixonado do Brasil”. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o Hollow Coves falou sobre o processo de criação de Blessings, o impacto das suas canções no público, entre outros assuntos. Confira abaixo. Como foi preparar um estúdio caseiro para dar vida ao EP Blessings? Matt: Uma grande tarefa, tínhamos que fazer, pois íamos fazer uma tour pelo mundo. Eu era carpinteiro e o Ryan engenheiro, e fazíamos musica. Por que não juntar estas habilidades para fazer um pequeno estúdio, um local bem simples? Não sabíamos como produzir música, mas já estivemos em estúdios, trabalhando com produtores, pegamos dicas. Gravar músicas é um longo processo, estamos muito orgulhosos, talvez não seja tão bom como se fosse num estúdio mais profissional, mas aprendemos e ficamos felizes. O período de isolamento social rendeu muita inspiração para vocês, vide esse trabalho. Como foi o processo de criação dele? Ryan: Eu estava morando sozinho e nós decidimos trabalhar juntos com um pessoal muito criativo. Fizemos muitas músicas com esse grupo. E procuramos uma músicas que havíamos escrito em Berlim há cerca de dois anos atrás. Hello foi uma das primeiras músicas que o Matt escreveu. Ele reescreveu os versos durante o lockdown para refletir o sentimento de estar preso dentro de si. Tínhamos uma nuvem de armazenamento, Matt escreveu uma música e deletou, mas consegui resgatar, gostei muito e aproveitamos. Matt: É uma música que escrevi quando minha irmã casou. Eu decidi lançar como single. Depois vem Blessings, faixa-título do EP. Teve um impacto positivo no publico. Apresentamos a música em diferentes formas, lives e EPs. A música e o tema são fortes, por isso é a musica-título. As canções passam uma mensagem para quem está enfrentando esse momento complicado ou é algo mais a ver com temas que vocês já pensavam antes? Ryan: Sabemos que muitas pessoas estão passando por momentos difíceis, e no passado recebemos mensagens que nossa música ajudou pessoas. Queremos usar essa plataforma para levantar as pessoas, e ajudá-las a ver a beleza da vida, como na letra de Blessings, mostrando às pessoas que há muito o que agradecer da vida. Se você tirar um momento e sair, sentirá a gratidão e perceber que tudo é uma questão de mudança de perspectiva. Se você pensar em covid e outras coisas, pode entrar numa espiral de pensamentos negativos. A Austrália parece ter enfrentado a pandemia de forma mais tranquila, pelo menos para quem olha de fora. Foi assim mesmo? Matt: A gente mora em Queensland. Aqui, começou com um pequeno lockdown. Mas rolaram grandes lockdowns em outros estados. A gente não se sente isolado, vivemos no litoral, um lugar turístico. Sabemos que foi diferente em outras partes do mundo, mas aqui não teve o mesmo impacto. Vai ser interessante quando tudo abrir de novo. Ryan: Nós não tivemos muita exposição ao covid na Austrália porque as fronteiras foram logo fechadas. Qualquer um que chegasse teria que ficar de quarentena por duas semanas, sendo testado. O governo da Austrália é muito severo, garantiu que a doença não se espalhasse de jeito nenhum. Foram registrados poucos casos, e feitas algumas restrições. Mas parece que o duro é que não conheço ninguém que teve covid. O governo quer que todo mundo tome a vacina, não veem muito risco de contágio. No resto do mundo, muitos foram vacinados, o que fez com que as coisas começassem a voltar ao normal. Na Austrália, quase ninguém quer tomar a vacina. Aqui temos as coisas no controle, acontecem poucos casos, fazem lockdown de novo, se necessário. A gente não sabe quanto tempo isso vai durar. É frustrante. Mas somos afortunados pela maneira como está a situação aqui, enquanto o resto do mundo parece estar numa situação ruim. Qual é o grande ensinamento que a pandemia trouxe para o Hollow Coves? Ryan: A gente valoriza as coisas depois de perdê-las. Existe uma música sobre isso, Don’t Know What You Got (Till It’s Gone, do Cinderella). O coronavírus ajudou as pessoas a perceberem o quanto são abençoadas com o que tínhamos, estar com os amigos, viajar pelo mundo, isso são luxos. Não posso viajar pelo mundo, mas muita gente não tem eletricidade, ajuda a colocar em perspectiva. Falando em viajar pelo mundo, existe uma expectativa de vocês para uma tour no Brasil? Matt: A gente quer muito ir ao Brasil, tínhamos planejado, mas foi cancelado. Vamos tentar assim que a pandemia esteja controlada. Temos planos de ir a diferentes países, mas tudo depende da covid. Mas queremos muito ir ao Brasil Nunca estivemos no Brasil. Ryan: Temos muitos fãs no Brasil, recebemos muitos comentários para visitar o Brasil. Dizem que o público brasileiro é crazy. Gostaria de saber como é tocar no Brasil, é interessante dizem que as pessoas são apaixonadas. Como reagem a musica, é diferente em cada país. Tocar em lugares diferentes para culturas diferentes. Não sei quando iremos ao Brasil, mas estamos ansiosos para isso.

Entrevista | Eagle-Eye Cherry: “O que tem de errado com esse cara (Bolsonaro)?”

Quando o cantor sueco Eagle-Eye Cherry gravou o seu último single, I Like It, o mundo ainda não havia virado de cabeça para baixo. Era março de 2020 e a pandemia do coronavírus estava prestes a mudar nossas vidas. Em resumo, a alegria da faixa pode ser vista como um último suspiro de alegria antes dos tempos sombrios ou um recomeço com a vacinação avançando no mundo inteiro. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Eagle-Eye Cherry falou sobre essa mudança no mundo, o novo álbum, que deve sair em 2022, o single de estreia, entre outros assuntos. Confira o resultado dessa conversa abaixo. Como foi lidar com o isolamento social em virtude da pandemia do coronavírus? Como todos nós lidamos? Tem sido muito estranho, 17 meses. Terminamos a última tour no Brasil. Foi o último show da tour. Quando cheguei em casa, finalmente, tirei um tempo livre e então fui fazer algumas músicas novas. Não voltei para tour. Tempo de desafio, não estava acreditando que fosse conseguir terminar, porque antes de iniciar, eu não tinha completado uma tour de um ano. Foi muito bom! Se eu tivesse que parar no meio da tour, ficaria muito mal. Voltei para a vida normal, voltei para o estúdio antes do lockdown. Gravei novas canções. O mundo pode ser diferente pós pandemia? Quando era mais jovem, achava que podia salvar o mundo. E, agora que sou mais velho, o mundo continua me decepcionando. Estou feliz que o homem (Donald Trump) que estava governando os EUA não está mais lá. Tempo de frustração. O mundo pode melhorar, eu não acho que nunca haverá paz na terra, porque há muitas pessoas egoístas e loucas, a maioria dos homens que governam o mundo. É uma vergonha. O cara que governa o seu país (Jair Bolsonaro) é um deles. O que tem de errado com esse cara? Quando existem líderes, no meu ponto de vista, e é tão óbvio que não são boas pessoas, eles não se importam com ninguém, além de si próprios. Aliás, não consigo entender como alguns apoiam essas pessoas. Muito estranho. I Like It, novo single de Eagle-Eye Cherry, traz uma alegria contagiante. Como surgiu essa canção? Quando gravei I Like it e mais algumas músicas no estúdio, acho que em março de 2020, o meu plano era gravar mais alguns sons. Estava nessa vibe, queria aquela energia, estava ouvindo muita música. O primeiro álbum que comprei foi London Calling, do The Clash, depois veio Ramones, Talking Heads e todas essas coisas diferentes. Naquele período, eu ouvia muito, mas minha composição não soava exatamente como isso. No entanto, a energia era deste tipo de rock positivo. Fiz algumas músicas, mas, como você disse, o tempo passou e escrevi muitas outras. Neste período de lockdown, escrevi mais musicas do que precisava para o álbum. Precisava escolher, e não tinha certeza como o álbum ia ficar. Mas tinha algumas músicas que gostei mais. Como foi o processo de gravação desse álbum? Você conseguiu fazer tudo em Estocolmo? Estou em Estocolmo, estou aqui, não tenho muita escolha. O álbum que gravei usei a banda que estava na tour, queria captar a mesma energia da apresentação ao vivo. Não tinha motivo para não gravar aqui em Estocolmo, que tem um estúdio fantástico, o Atlantis, melhor gravar lá. Quando fizermos a sessão seguinte, em setembro, acho que faria aqui, mas agora que perguntou, estou repensando. Parece um pesadelo não viajar. Adoro voltar para casa, é também um bom lugar para morar. No entanto, Estocolmo é muito previsível. Não é como Nova York, você abre a porta e não sabe o que vai acontecer. Você é sempre surpreendido em Nova York. Talvez pegue a banda e vá para outro lugar. Vamos ver. Buscou alguma referência musical que não fazia parte das suas influências? Quando você escreve uma música, com pessoas que você tem conexão, como Streets of You e I Like it, quando você entende como vai ser a música, ela te diz como será. Quando você está fazendo uma música, algumas exigem mais guitarra, mais energia. Não sou o tipo de artista que ouve uma música e quer fazer igual ao que ouviu. Eu quero que pareça algo baseado no agora, e no som da guitarra, baixo e bateria. Gosto de achar o equilíbrio. Fico muito feliz quando encontro esse equilíbrio. Eu sou eu mesmo, não como em 1998 (início da carreira). Do que o Eagle-Eye Cherry sentiu mais falta nesse período? Já consegue se imaginar excursionando pelo mundo? Consigo imaginar fazendo tour, gostaria de fazer logo. Amo tocar ao vivo. Quando você tem um retorno, um feedback do público. Você escreve uma música, grava e acha que está boa. Mas é ao vivo que você tem a melhor resposta. É quando você sabe que músicas funcionam mais. Eu adoro pessoas, encontra-las depois dos gigs. É quando a música faz sentido para mim. Eu sinto falta e não vejo a hora de voltar. Não voltarei as tours até o ano que vem, então tenho que esperar. Durante a pandemia, você participou de um festival online no Brasil. Como foi essa participação? Gostaria muito que o Brasil tivesse a pandemia controlada. Mais vacinas para as pessoas. Fiz alguns streaming gigs. Eu prefiro tocar ao vivo, como já disse antes. Eu faço gigs por necessidade, mas não vai ser sempre. Alguns artistas farão mais e mais.

Entrevista | Val Santos – “O heavy metal nunca saiu de mim”

Recentemente, o guitarrista e produtor Val Santos lançou o primeiro álbum solo da carreira. Conhecido pelo trabalho de anos dentro do Viper, Vodu e Volkana, ele diz que o disco 1986 foi feito especialmente para traduzir o amor pelo heavy metal. Claro, de maneira muito pessoal e com parcerias especiais. O projeto é mais do que uma homenagem para a década que firmou os maiores artistas do gênero. Metallica, Megadeth e Iron Maiden foram inspirações para as letras e melodias datadas. Uma verdadeira viagem no tempo para os apaixonados que vivenciaram esse período de revolução musical, mas um meio também de conquistar os mais jovens que acabaram de entrar neste universo. Projeto antigo Todo o processo de criação começou há nove anos, quando o músico baiano passou a compor músicas de heavy metal e decidiu guardar em seu portfólio de canções. O guitarrista é o principal compositor da banda de rock alternativo Toyshop, mas confessa que sentia falta do estilo histórico que o conquistou ainda na adolescência. “Crio para minha banda também que é mais pop punk e pop rock. Mas o heavy metal nunca saiu de mim, foi onde comecei. De lá para cá fiquei compondo e guardando. Foi em 2015 então que pensei em fazer um disco com essas músicas. Fui separando as que achava mais legais e notei uma cara dos anos 1980. Aí veio a ideia de fazer uma homenagem, já que foi onde comecei”. Neste longo processo de composição, 20 músicas foram concebidas, mas ao final apenas dez foram para o disco. Três delas, releituras de criações antigas do disco All My Life, do Viper, lançado em 2007. Cross the Line, Miracle e Dreamer foram repaginadas e regravadas, ganhando acordes ainda mais trabalhados. O álbum ainda conta com o cover Allied Forces da banda canadense Triumph, que fez parte da juventude do músico. Homenagem aos anos 1980 Por curiosidade, a ideia do nome do disco foi uma sugestão do amigo de longa data Felipe Machado, guitarrista e fundador da Viper, onde Val começou como baterista na década de 1980. E não era para menos, 1986 foi um ano icônico para a música e também para a carreira de Val. Discos como Master of Puppets, do Metallica, Reign in Blood, do Slayer, Somewhere in Time, do Iron Maiden, e Peace Sells… but Who’s Buying, do Megadeth, foram lançados neste ano. Além disso, foi a data em que Cliff Burton, baixista do Metallica, faleceu em um acidente durante uma turnê da banda na Europa, fato que marcou a adolescência de Val. 365 dias de altos e baixos para o heavy metal, mas a principal lembrança para o músico foi o ponta pé com a primeira música composta por ele, cheia de significados e finalizando o álbum de maneira épica. “Eu tinha 16 anos na época, quando compus a Warriors of Metals, canção que fecha esse disco. É claro que eu dei uma repaginada, me baseando em uma música do Helloween, Walls of Jericho. Se você pegar ela tem certa semelhança. Com tanta coisa, tinha tudo a ver colocar 1986 no nome do disco. O Felipe sacou muito bem essa ideia”, comenta. Álbum dos sonhos de Val Santos Apesar de o disco ser todo inspirado na década do heavy metal e em um ano tão especial quanto 1986, o álbum ainda conta com um estilo diferenciado, mesclando trash metal e hard rock também. Por isso, o guitarrista tomou cuidado ao escolher quem participaria. Cada música pedia uma atmosfera diferente e assim, colaborações distintas de quem conhece cada melodia. No single de abertura Fire, Val convidou Yohan Kisser para o segundo solo da faixa. Inspirada no som pesado de Battery, do Metallica, o guitarrista da banda Sioux 66 não poderia ter ficado de fora e entregou um resultado excepcional junto do músico Alexandre Grunheidt, da Ancestral, aprimorando a agressividade do vocal. Felipe Machado também não deixaria de participar, já que tem uma amizade forte com o guitarrista desde 1984, em uma longa trajetória musical compartilhada. Ele aparece em Dead Words, uma das músicas mais pesadas do projeto, ao lado de Leandro Caçoilo, vocalista do Viper. E um convite especial que não chegou a ser realizado foi à parceria com André Matos, amigo de infância de Val. O músico participaria da música Miracle, mas faleceu em 2019 devido a um infarto agudo do miocárdio. Como homenagem, o guitarrista chamou Bruno Sutter, vocalista da banda Massacration, que era um grande fã de André. Convidados especiais Nomes como Fabiano Carelli, guitarrista da Capital Inicial, e Marcos Kleine, do Ultraje a Rigor, estão no disco. Além disso, Rob Gutierrez, do Hollowmind, Pompeu, da Korzus, o guitarrista Thiago Oliveira, o vocalista Brunno Mariante, Marcos Naza, da Skyscraper, o baterista da Vodu, Sérgio Facci, o músico e produtor de Santos, Rodrigo Alves, o baixista Rodrigo Ferrari e vocalista Mauro Coelho, também deixaram uma marca registrada no projeto, contribuindo para o resultado final tão esperado por Val. “Por causa deles esse disco ficou muito bom. Cada um ia me mandando suas partes pela internet e eu ficava ‘cara, olha esse solo’ ou ‘olha como esse cara cantou’, então as músicas iam ganhando mais vida com a participação de cada um. Fiquei feliz da vida. Foi o disco dos sonhos para mim”, revela o músico. Paixão por filmes e universo geek Tanta emoção na produção, criação e concepção do álbum de uma vida, que Val não deixaria de colocar a mão na massa até nos mínimos detalhes. Das composições aos convites, o músico revela que teve o prazer de idealizar tudo, dentro e fora do disco. E o principal, inspirado por um filme de 1983. Novamente, a década que o marcou. “A capa foi feita por mim. Sabe Scarface? Tem o DVD assim. Preto, branco e com o vermelho representando sangue. Fiz me baseando nisso. O mais engraçado é que eu tenho amigos que são fotógrafos que fazem trabalhos excelentes e me criticaram por não estar tão boa. Eu sei disso, mas a intenção é que