Markão II afirma que Realidade Cruel lançará álbum “frenético”

Com previsão de lançamento para o começo de novembro, o novo álbum do Realidade Cruel terá entre 16 e 18 faixas e contará com os versos do mais novo membro do grupo, Markão II, que também é integrante de outro clássica grupo de rap, o aclamado DMN. Markão garante que A História Continua será um álbum frenético, já que todos os participantes do grupo seguem com muita sina e uma vontade enorme de produzir música como nunca tiveram antes. “Vem sendo muito gratificante fazer parte deste projeto, e como sempre fui muito ativo na música, estou conseguindo dar vazão para essa minha energia musical ao lado do DJ bola 8, do TM e da Tuca Lellis que são as almas do Realidade Cruel”, falou Markão. Clipes novos e convite Para aliviar a ansiedade dos fãs, o Realidade Cruel já revelou quatro singles que estarão presentes neste álbum através do lançamento de videoclipes. As quatro tracks apresentadas foram Produto Descartável, Filhos do Feminicídio, 4ª Divisão e Como Funciona. De acordo com Markão II, o clipe de A História Continua está em processo de edição e deverá ser revelado para todos antes do lançamento dos CDs físicos. A confecção do projeto está em andamento há cerca de um ano e com a chegada de Markão às atividades começaram a fluir com mais rapidez. “O Realidade Cruel abriu as portas para mim no momento certo já que o Elly (DMN) está produzindo vários artistas e o DJ Slick está com a hamburgueria dele. Sempre precisei estar envolvido diretamente com o rap. Então, este convite surgiu no momento perfeito e inesperado, em churrasco na casa do DJ Bola 8. Está sendo fantástico”, concluiu Markão. Carreira solo de Markão II Não satisfeito em fazer parte de dois dos principais grupos de rap do Brasil, Markão II ainda arruma tempo para se dedicar à carreira solo dele, além de alguns projetos sociais que possuem o viés de combate ao racismo e a igualdade racial. Com o propósito de fomentar a carreira solo, o rapper anunciou com exclusividade a nossa reportagem que irá lançar uma canção com um amigo e antigo membro do DMN, Xis. Segundo Markão, o canção já está masterizada e as gravações do conteúdo audiovisual também. “Aguardem que deve estar no ar, provavelmente, no mês de setembro ou começo de outubro essa track com participação do meu parceiro Xis. Antes de lançar o meu primeiro álbum solo, Prosperidade & Seguimento, já havia disponibilizado algumas outras músicas, sempre testando a minha capacidade e experiência de produzir, mixar e masterizar”, explicou o rapper.

Entrevista | Pedro Alex: “Meu amor pela música começou em casa”

“Num mundo tão incerto quero prosperar, então eu blindo meu caminhoA verdade não falha, penetra na almaFé na caminhada onde quer que eu váDesejos de paz para o mundo todoSei que vão chegar” Pedro Alex Esse é um dos trechos otimistas da faixa Vibrações que está no novo álbum de mesmo nome do cantor Pedro Alex. O projeto acabou de sair e é o primeiro disco do cantor, compositor e multi-instrumentista brasiliense em parceria com a Sony Music. Com letras recheadas de mensagens positivas, é claro que o trabalho transmite a paz que o artista deseja para o momento. Em uma mistura de black music, rap e R&B, Pedro conseguiu uma façanha: acalmar os corações mais agitados com música de qualidade. “Desejo que as pessoas sintam isso. É aquilo: você entra no carro, liga o som e desliga um pouco a mente. Você sabe que vai ter que voltar para o mundo lá fora, mas vai fazer isso de maneira muito mais leve”, conta. E se é para descrever o álbum, a palavra leveza é de fato o que representa as oito faixas do projeto que começou a ser produzido em junho de 2019. Apesar disso, o cantor já tinha algumas composições na manga, como é o caso da música Preta, que passou por uma reformulação durante o período de pandemia. Influência dos pais O jovem de 22 anos estreou com o disco no início do mês, mas a paixão musical e a “mão na massa” começaram desde cedo, por influência dos pais. Aliás, se o timbre de Pedro parece familiar, provavelmente você deve ter acompanhado os votos de paz nas músicas da banda Natiruts, lá no começo dos anos 2000. Pedro é filho de Alexandre Carlo, vocalista do grupo de reggae, e é claro que ele não nega o interesse fomentado pelo pai, desde quando era apenas um menino apaixonado por futebol. “Meu amor pela música começou em casa. Meu pai me incentivou muito, por ser cantor e músico e a minha mãe também sempre gostou muito desse universo. Mas ele foi minha principal inspiração para o álbum, trocamos muitas ideias e somos referência um do outro, claro, ele muito mais do que eu”. Pedro Alex E é assim que o cantor cresceu, rodeado por muita música e com liberdade de criação para externar sentimentos através das melodias. Dessa forma, aprendeu baixo, piano, bateria, guitarra e violão, e dentro do estúdio montado no próprio quintal de casa produziu ou coproduziu todas as músicas do novo trabalho, envolvendo inspirações do soul, funk e afrobeat nas canções criadas. “Eu quero que as pessoas me vejam como um artista bem versátil. Dentro do álbum tem várias atmosferas diferentes. Então você consegue enxergar vários lados do Pedro Alex dentro desse projeto. Além de cantor e compositor eu sou instrumentista e produtor musical, por isso, gostaria que as pessoas me enxergassem como alguém que pode produzir qualquer tipo de som”, explica. Parcerias de Pedro Alex Fora o auxílio do pai nesta jornada de criação do álbum, Pedro contou com a parceria de diversos amigos já envolvidos com música. Entre uma indicação e outra, o produtor Iuri Rio Branco, conhecido por trabalhar com artistas de R&B e hip-hop como Flora Matos e Jean Tassy, foi o primeiro a ser chamado para dar uma nova cara ao projeto. A sintonia de ambos bateu e o resultado foi o afrobeat moderno da faixa Vem Ficar e do reggae da canção Fala de uma Vez. “A gente tinha vários amigos em comum, então o contato aconteceu de maneira muito tranquila e natural. Nos conhecemos já no dia de começar as músicas, então até poderia não bater a vibe e dar errado, mas pelo contrário, acabamos nos tornando amigos para fora do âmbito musical”. O músico Kevin Ndjana também participou da canção “Vem Ficar”, uma vez que trabalhavam juntos no estúdio da casa de Pedro e acabaram por estreitar a amizade. O resultado: uma música cheia de melodia e um abraço para a alma de quem escuta. Bell Lins e PRS A cantora Bell Lins fez parte do projeto e emprestou a voz doce para um feat na faixa Calma, que teve produção de Iuri Rio Branco. A brasiliense foi apresentada pelo baterista do Natiruts, Lucas Pimentel, e no final, a parceria deu tão certo, que atualmente Pedro está produzindo o novo álbum da artista e amiga. Outra participação especial foi a do músico PRS, o Peres. O rapper já é amigo de longa data de Pedro Alex, e é claro que não deixaria de fazer parte de um feat na música título do álbum. Vibrações ganhou um toque único com a parceria do músico que faz parte também do grupo de hip hop Puro Suco e em breve vai lançar um álbum produzido pelo multi-instrumentista. Pedro Badke também participa do som. “As relações das parcerias surgiram a partir de amizades, para além dos interesses fonográficos, mas obviamente chamei as pessoas que eu achava que seriam certas para compor todas essas músicas. Eu havia trabalhado junto deles de certa forma, mas o principal para esse álbum foi o afeto e o nosso contato”, diz. Monkey Star E das amizades do cantor, também surgiu uma marca de roupas cheia de significados. O sócio do projeto é melhor amigo de infância de Pedro. Bernardo Vieira fez parte de toda a trajetória do músico, desde os tempos de escola. Apesar de crescerem e seguirem cada um perspectivas diferentes de vida, sempre mantiveram o laço de união. Com a troca constante de ideias, calhou de Bernardo ingressar como designer de moda em um momento em que o cantor queria muito lançar a própria marca com um estilo pessoal. Assim, uniram as duas vontades: a de conceber algo único através da própria criação e trabalho. “A marca de roupas Monkey Star já era uma ideia antiga que eu tinha. Esse nome eu escolhi para poder ressignificar o termo pejorativo ‘macaco’ que é usado contra pessoas pretas. Na verdade o macaco é a estrela

Detonautas lança Álbum Laranja; Tico Santa Cruz comenta disco

Foi escrevendo crônicas do que estava acontecendo no Brasil a cada mês, que a banda Detonautas construiu o Álbum Laranja, disponível nas plataformas de streaming nesta sexta-feira (23). O novo disco traz oito músicas, sendo três delas inéditas, com diversos posicionamentos políticos e sociais. As músicas possuem sonoridades e abordagens distintas. Uma das faixas inéditas, Clareiras, não é mais um ataque frontal ao governo, como outras do álbum, ela remete a uma canção de resiliência e de esperança, para que as pessoas se sintam acolhidas neste momento difícil que estamos passando. “Mais da metade do oceano esperando que as vacinas comecem a chegar nos braços, e que também tragam a esperança da vida de novo para todo mundo”, explicou o vocalista, Tico Santa Cruz, que conversou com a Reportagem por telefone. Bandeira Brasileira é uma música que foi escrita em 2010, tendo então uma estética diferente das demais, Tico apenas fez uma adaptação atualizando o discurso contando as contradições do povo brasileiro. Por fim, Carta ao Futuro é uma versão acústica da primeira música que a banda Detonautas lançou. “A gente está dentro de uma estrutura, que no final das contas montou um quebra cabeça bem interessante, de crônicas sobre o Brasil”, concluiu o vocalista. Álbum Laranja faz alusão ao White Album (Álbum Branco), dos Beatles, e o Black Album (Álbum Preto), do Metallica. Entretanto, a escolha da cor é um trocadilho com o que está acontecendo no Brasil. Em resumo, a história dos laranjas no Governo Bolsonaro. O sétimo disco de estúdio da banda é formado por críticas sociais, e um pouco de esperança. Além disso, conta com participações de Gabriel, o Pensador e Gigante no Mic. Clareiras ganha videoclipe A chegada do novo álbum do Detonautas vem acompanhada de um videoclipe de Clareiras, uma das faixas inéditas do disco. “Foi um videoclipe lindíssimo, que ficou muito emocionante”, contou Tico Santa Cruz. Já Carta ao Futuro, terá um videoclipe mais alternativo. E em Bandeira Brasileira, a banda está tentando construir um lyric video. Por tanto, Detonautas acredita que haverá conteúdo audiovisual para as três músicas inéditas. Detonautas em processo durante a pandemia A partir do momento recluso por conta da pandemia, Tico começou a compor, e acabou compondo um disco inteiro entre março e junho de 2020. O disco em questão, estava sendo trabalhado pelo Detonautas e será lançado no final deste ano. Inicialmente escrevendo músicas relacionadas às angústias, fragilidades e vulnerabilidades da pandemia. O vocalista compôs Carta ao Futuro, e de madrugada publicou em seu Facebook, quando acordou tinha mais de 150 mil visualizações, mostrou para a banda, e decidiram produzir a faixa. No lançamento, a música chegou a alcançar 500 mil visualizações. “É um número bastante relevante para uma banda de rock, porque hoje o rock representa 3% do percentual de consumo das plataformas de streamings. O número de 500 mil acessos de visualizações em um vídeo, é um número bastante relevante.” A partir dessa música, os integrantes da banda Detonautas entenderam que as pessoas queriam ouvir músicas relacionadas às questões políticas e sociais. Tendo que se reinventar e mudar totalmente a dinâmica de produção, a banda Detonautas produziu todo o álbum a distância. “A gente nunca tinha feito, então deu uma velocidade e uma capacidade de síntese que às vezes a gente ficava horas no estúdio, que é bom também, mas é outro caminho, que a gente já experimentou por muitas vezes, mas esse caminho que nos deu agora, foi um caminho que mostrou para gente que é possível se trabalhar de outras maneiras”, esclareceu Tico sobre a experiência. Álbum Laranja e a nova fase do Detonautas O Detonautas sempre foi uma banda muito versátil, e no último ano passou a estruturar temas que já são tocados por eles há um tempo. Entretanto, antes, pautas políticas e sociais não tinham tanta atenção do público, porém, durante a pandemia despertou um maior interesse nas pessoas. “A gente não procurou uma ação reativa, de protesto, com uma linguagem pesada ou raivosa, buscamos abordar de forma mais sarcástica, mais irônica, isso foi muito bom, porque acabou chegando em um público que não escuta rock, uma garotada mais jovem, que está meio desconectada do rock”, explicou Tico Santa Cruz. “Eu acho que o Detonautas conseguiu abrir um diálogo com uma galera que há muito tempo não parava para ouvir música no rock, e que estava conectada com outros estilos”, completou. Após transitar em diversos estilos, o vocalista conta que agora a banda Detonautas ‘aprofundou mais ainda a questão da liberdade de conversar com vários gêneros, fazendo com que tenham uma carta na manga interessante, a liberdade de poder atuar livremente dentro do rock, sem perder a essência’. Álbum Laranja é engajado em pautas políticas Tico Santa Cruz é um dos artistas que mais demonstram as suas opiniões, sejam elas políticas ou sociais, com posicionamentos claramente expostos em suas redes sociais, desde o impeachment da Dilma, em 2014, no qual o artista se posicionou contra. O vocalista contou ao Santa Portal que sofreu muito ao se posicionar por uma questão de democracia, pois as pessoas confundiram com defesa de determinado partido político. “Quando eu estava naquela época defendendo a democracia, é por eu ter estudado ciências sociais e história, eu sempre entendi que movimentos que mexiam com a democracia, ainda mais uma democracia frágil como a do Brasil, desencadeiam situações muito perigosas”, ressaltou. Após todos os últimos acontecimentos do Brasil, Tico diz que muitas pessoas já o procuraram arrependidas, não só por ataques a ele, e sim a própria situação do Brasil. O Álbum Laranja traz músicas com análises cada vez mais críticas, Tico conta que ‘tem grupos bolsonaristas muito violentos, que atacam sistematicamente’, mas a banda já se preparou para poder se proteger, e seguem trabalhando. Ao ser perguntado sobre o fim do Ministério da Cultura, o vocalista afirma que ‘atacar a cultura é uma estratégia de governos autoritários, e foi isso que o Bolsonaro fez, porém a cultura também é muito forte, então quando você ataca a cultura,

Entrevista | Superbrava – “Hoje em dia nós já sabemos um caminho a seguir em relação à musicalidade”

Lançado na segunda quinzena de junho, o EP Natural é o mais novo trabalho da Superbrava. Em resumo, o material é composto por cinco faixas que mergulham nas situações e sensações do cotidiano, com um olhar sensível, leve e vulnerável. Com influências de bandas como Garage Fuzz, Noção de Nada, Samiam (cuja uma das músicas deu origem ao nome da banda Superbrava), Sense Field e Farside, o grupo está na ativa com seu segundo registro. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o vocalista Rodrigo Dido entrega mais detalhes sobre a produção de Natural, além de comentar a nova fase do quinteto e os próximos passos da banda santista. Novo EP e videoclipes As canções de Natural são capazes de gerar identificação de forma fácil, afinal, foram inspiradas em situações que ocorrem com frequência no dia-a-dia. Cinco faixas integram o repertório: Ininterrupto, Peso de Tudo, Natural, Pílula e Trilha. “Apesar do infame trocadilho, as composições surgiram de maneira bem natural mesmo, com base no que vemos e vivemos diariamente, seja sobre situações corriqueiras que tanto nós, quanto amigos e pessoas do dia-a-dia vivemos”, explica Dido. Gravado e produzido por Nando Basseto (guitarrista do Garage Fuzz) e também pela Superbrava entre março e novembro de 2020, no Estúdio Play Rec, em Santos, o novo EP faz uma imersão entre o emo, pop punk e hardcore melódico. A faixa-título já recebeu um lyric vídeo antes do EP ser lançado e a banda já está com outros lançamentos no forno: “temos sim intenções de lançar mais um dois videoclipes, tendo um inclusive já pronto e prestes a ser lançado em breve”. Produção do Superbrava na pandemia O setor musical, assim como diversos outros setores, precisou se adaptar em tempos de pandemia. E com Superbrava não foi diferente. Dido comenta sobre os desafios de produzir um EP completo sem o contato físico dos cinco integrantes. “A pior parte de se produzir na pandemia, apesar de todas as faculdades tecnológicas de produzir de maneira remota, é justamente a falta de contato físico, o olho no olho, aquela emoção e feeling de se encontrar e pré-produzir o material. Mas mesmo com todos esses empecilhos, conseguimos nos empenhar bastante (muita coisa já tínhamos quase que pronto)”. Contudo, foi neste cenário de mudanças que mais um integrante chegou à Superbrava: o guitarrista Vinicius Frutuoso. “A entrada do Vini nas guitarras agregou muito, pois ele já conhecia a banda. Já tínhamos uma sintonia muito boa, e ele só somou com todo seu talento e musicalidade dentro das músicas do EP Natural”, comenta Dido. Coletivo Sardinhada e apresentações do Superbrava Em fevereiro, a Superbrava realizou uma apresentação para a primeira edição online do Coletivo Sardinhada, que também contou com apresentações das bandas O Último Banco do Bar e A Casa Imaginária. Em conclusão, a ação foi realizada com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc e foi o único evento no qual a banda se apresentou. “Fizemos apenas uma apresentação para o Coletivo Sardinhada (coordenado por amigos de algumas bandas de São Vicente), e desde então nunca mais nos encontramos fisicamente, seja para ensaio e conversas sobre a banda”. Apesar vacinação em massa, Rodrigo Dido acredita que ainda é cedo para pensar em apresentações ou shows. “Acredito que até que a última pessoa seja vacinada, não podemos nos comprometer em fazer pequenas ou grandes aglomerações em casas de show. Ou seja, até que esse vírus seja totalmente esvaecido. Mas talvez façamos alguma coisa em questão de apresentação, talvez outra live. São ideias que ainda estão bem verdes pra gente”, finaliza. Todas as Cores Em junho de 2019, a Superbrava lançou o seu primeiro EP, intitulado Todas As Cores. Em síntese, o trabalho foi produzido pela Seein Red Records, com gravação, mix e masterização de Nando Basseto, no Playrec Estudio. Composto por sete músicas, o EP aborda temas como diversidade, empatia e acolhimento. Passados dois anos desde o primeiro registro da banda, hoje a Superbrava é musicalmente mais madura e sabe quais caminhos percorrer. “A diferença de Todas as Cores pra Natural é que hoje em dia nós já sabemos um caminho a seguir em relação à musicalidade. Aliás, tem também a responsabilidade de sermos uma banda da qual as pessoas já esperam alguma coisa, eu acho. Todas as Cores foi quase uma brincadeira de amigos que pra nós deu muito certo; Natural é a consolidação de uma musicalidade que estamos construindo nesse caminho até esse momento”, afirma Dido.

Entrevista | Andi Deris (Helloween): “Vai ser um recomeço para a música”

*Desde que lançou o seu último álbum de estúdio, My God-Given Right (2015), o Helloween surpreendeu os fãs com uma série de novidades. A mais impactante delas foi a Pumpkins United World Tour, que trouxe Kai Hansen e Michael Kiske de volta ao lineup. A super reunião rendeu duas passagens pelo Brasil (2017 e 2019) e um álbum ao vivo. Agora, a banda alemã consolida de vez essa formação com a estreia do disco homônimo, lançado na última sexta-feira (18). Vocalista do Helloween desde 1994, Andi Deris conversou via Zoom com o Blog n’ Roll. Na pauta, o novo álbum, turnê com o Hammerfall e Brasil. Descontraído e fumando um charuto durante a entrevista, Andi se mostrou extremamente divertido e chegou a brincar que entendia tudo que era dito em português, mas só conseguia arriscar uma conversa em espanhol. Com pandemia no meio do processo de preparação do novo álbum, qual foi o grande desafio do Helloween para tirar o disco do forno? Nós começamos a gravação bem antes da pandemia. Lembro que quando a pandemia chegou aqui, nós já estávamos preparando a mixagem. Quase tudo já estava gravado, só faltou uma parte do Michael, que precisou ir até o estúdio com uma autorização para circular durante o lockdown. Não tivemos problema, justamente porque estava quase tudo terminado. A única questão foi que eu e nosso produtor teríamos que viajar para Nova York para a mixagem, mas os Estados Unidos fecharam as fronteiras, então tivemos que encontrar uma solução, que foi a internet de fibra ótica. Felizmente, tenho uma internet muito boa aqui no meu estúdio, e em Nova York eles tinham a mesma conexão, e isso facilitou demais o processo. Tínhamos apenas 0.1 milissegundos de delay. Foi fantástico, parecia que estava lá. Reunir o lineup da Pumpkins United rendeu o resultado esperado? Isso é algo que já pensávamos fazer (um álbum para os fãs de todas as fases da banda), mas que você só percebe que deu certo quando está tudo pronto. Acho que fizemos um bom trabalho. Tivemos que fazer canções que se conectassem com os anos 1980, outras com os anos 1990, outras com os trabalhos menos antigos, e além disso também tivemos que construir as pontes entre essas músicas. Às vezes você faz um álbum e nem tudo sai como você espera, mas nesse tudo aconteceu de forma muito suave. Dizem que cozinhar demais queima a comida, mas dessa vez valeu a pena planejar com calma, porque a opinião de todos importou demais. Trabalhando com músicos tão bons fica mais fácil de alcançar esses sonhos. Além disso, os produtores também fizeram um trabalho muito bom para que o álbum fosse coerente. A escolha dos singles que antecederam o álbum parecem pensadas com muito cuidado, justamente para mostrar a força do lineup atual. Como foi feita a definição? Skyfall era um single um pouco óbvio para nós. É uma música longa, tem o Michael Kiske, que os fãs queriam tanto voltar a escutar… então foi a escolha perfeita para abrir o álbum. E Fear Of The Fallen foi, para mim, a melhor escolha para mostrar que: “olhem, aqui estão Michael e Andi em uma música que combina as gerações da banda”. É uma faixa muito completa e bem construída, que combina nossa história e passeia pelas décadas do metal. Uma música para todos, muito rica. O que você tem escutado ultimamente? De alguma forma impacta no trabalho de vocês? Eu sou muito aberto para ouvir qualquer coisa que me interesse. Então, estou sempre procurando por temperos musicais, como sons, arranjos, e até novas bandas. Não fecho meu ouvido para nada que seja novo. Acho que todos que têm um sonho merecem ser ouvidos. Passei por isso no começo e sei como é. Sou um artista curioso e gosto de entender o que é novo. Escuto duas, três vezes, até entender o conceito e aprender. E isso me ajuda a evoluir também. Claro que isso não faz com que eu mude as características da nossa banda, mas me dá pequenos temperos para apimentar cada vez mais nossa música. E acredito que nosso novo álbum seja especial justamente por combinarmos três décadas de metal e usando elementos novos. Voltar aos palcos e embarcar em turnê com o Hammerfall. Existe cenário melhor? Como chegaram na definição para a escolha deles? Hammerfall é uma banda de grandes amigos. Eles gravaram mais de um álbum no meu estúdio, já fizemos shows juntos e nos conhecemos há uns 15 anos. Então, é natural que você convide uma banda que tem uma boa relação para uma turnê. E é a primeira vez que vamos fazer uma turnê com ele. Na turnê que faríamos ano passado e foi atrapalhada pela covid, eles não poderiam participar porque estavam com a agenda cheia. Além disso, nossas agendas nunca bateram. Mas dessa vez vai dar certo, até porque todos os artistas estão com tempo nessa época. “É como se o safety car estivesse na pista da Fórmula 1. Todos estão com tempo para se ajeitarem até que a largada seja dada novamente. Vai ser um recomeço para a música”. Andi Deris, vocalista do Helloween Estou muito ansioso, mas sou supersticioso. Não gosto de demonstrar. Bato na madeira e torço para dar certo (risos). Não dá para prever as coisas. Não sei como é a real situação da covid atualmente, porque sabemos que sempre há questões políticas por trás. Na Alemanha, por exemplo, os números são maiores que no ano passado, mas as pessoas estão todas nas ruas. Não dá para entender bem, parece que tudo é um instrumento. O Helloween coleciona turnês bem sucedidas pelo Brasil. Tem alguma mais especial para você? Por que? Provavelmente, minha melhor memória é da minha primeira vez no Brasil, até porque a primeira é sempre a mais marcante. E, no caso, foi algo enorme. Foi em 1996, quando teve o Monsters of Rock em São Paulo. Se não me engano, o Megadeth estava escalado para o festival, mas eles tiveram um

Entrevista | Bryan Giles (Red Fang): “são músicas boas para quem está mal-humorado”

Cinco anos após Only Ghosts, o Red Fang está de volta com mais um ótimo disco de estúdio. Arrows, o quinto álbum da carreira, saiu no início de junho. Aliás, será a base da turnê da banda pelos Estados Unidos, após quase dois anos sem shows. Serão 29 shows em 32 dias, a partir de 15 de outubro, em Tacoma/WA. No entanto, antes, no dia 21 de agosto, fará uma apresentação em Las Vegas. O guitarrista e vocalista, Bryan Giles, conversou com o Blog n’ Roll sobre o processo de gravação de Arrows, pandemia, relação com os fãs, videoclipes divertidos e o carinho pelo Brasil. Confira abaixo. Como foi o processo de gravação de Arrows? Fizeram algo inusitado? Foi bom! Gravamos aqui em Oregon, e fizemos com o Chris Funk, que também produziu nosso primeiro e nosso segundo álbum. Eu me dou muito bem com ele e adoro a sensibilidade estética que ele tem. Ele se interessou em trabalhar conosco nesse álbum, então foi um processo bem natural. Nós gravamos as baterias em uma piscina. Foi estranho, mas deu certo (risos). Estava vazia, claro, e eu amei o resultado.  A pandemia atrapalhou de alguma forma os planos da Red Fang? Nós gravamos o álbum em outubro de 2019. A pandemia não atrapalhou. E dá para perceber que as músicas não têm nada a ver com esse momento (risos). O que os fãs podem esperar de Arrows?  Acho que são os mesmos músicos produzindo, e nós não mudamos nossa filosofia. Acho que fizemos o que gostamos, e todos nós gravitamos em torno de sons mais agressivos. Quando as pessoas escutam, elas reconhecem o som do Red Fang. Talvez esse álbum seja um pouco mais assustador que os outros, e eu gosto muito disso.  O Red Fang sempre é muito criativo e divertido em seus vídeos. Essa característica será mantida em Arrows? Acabamos de divulgar nosso segundo vídeo. É divertido lançar esse tipo de coisa, então com certeza faremos mais. Gravamos antes da pandemia também.  Como é voltar aos palcos após uma pandemia tão mortal? Nós temos uma turnê nos EUA marcada para outubro. Será a primeira vez que tocaremos para o público em um ano e meio, então estou bem animado. Imagino que não será exatamente a mesma coisa de antes, mas estou otimista para que todos estejam vacinados até lá e as pessoas possam tossir em público sem ser expulsas do local. Você acredita que as pessoas vão tirar lições da pandemia? Acredito que sim. Seres humanos estão acostumados a pisar nos próprios pés. Pessoas se preocupam com suas contas bancárias enquanto milhares estão morrendo. Estamos preocupados com o dinheiro, mas se o mundo está em chamas, não vamos ter onde parar nosso barco, porque todos estarão mortos.  As pessoas são rasas muitas vezes, e não veem a perspectiva de tudo. Acho que é possível que a humanidade melhore, mas imagino que o mundo fique ainda pior, infelizmente. Acho que uma grande porção da população não está nem aí. Se a gente pensar em mudanças climáticas… é complicado. Nos importamos com a nossa geração e não ligamos para a dos nossos filhos. Arrows é indicado para quem? Nós aproximamos o tom das faixas, e o álbum é muito coerente nisso. É uma experiência bacana de 43 minutos, porque é um álbum contínuo. Mas, em relação às músicas, acho que elas são boas para quem está mal-humorado (risos). Você costuma buscar bandas novas no streaming? Gosto de algumas bandas novas, mas dependo muito dos meus colegas de banda para conhecer novas bandas, porque geralmente eles me apresentam. Mas, não tem banda há mais de um ano (risos), estou meio perdido.  O que você lembra de divertido da passagem de vocês pelo Brasil, em 2018? Fizemos o Maximus Festival em 2018, e foi muito empolgante estar no Brasil. Foi bem legal conhecer as pessoas, e eu fiquei muito surpreso só de me chamarem para tocar no Brasil. A gente abriu para o Slayer em Porto Alegre, e aquilo me aterrorizou, porque os fãs de Slayer são assustadores. No entanto, foi um momento único, porque sou muito fã de Slayer e acompanho a carreira deles há muitos anos.  Mas, lembro que fiz uma tatuagem no Maximus Festival. Foi de graça, e me disseram que o tatuador não falava inglês (risos). Tentei falar espanhol, mas me disseram que não seria legal e eu só fiquei quieto (risos). Fiz uma caveira em alta voltagem, e ficou bem legal.

Entrevista | Gabriel Elias – “Santos virou uma das minhas casas”

Se Minas não tem mar… foi conhecendo o litoral paulista que o cantor mineiro Gabriel Elias se apaixonou pelo clima praiano e resolveu adotá-lo em seu estilo musical. Aliás, foi em uma praia aqui do litoral que o cantor de reggae lançou na última sexta-feira (11) o EP Todas as Praias, onde ele reúne releituras de sucessos do gênero musical, eternizado por outros compositores. “Esse é um álbum 100% de releituras e foi muito difícil a escolha do repertório, porque tem muita música que sou fã”, contou Gabriel em entrevista ao Blog n’ Roll. Mas não é de hoje que o músico mineiro faz sucesso cantando músicas de seus ídolos de reggae brasileiro. Gabriel, que começou a cantar aos 16 anos em bares e eventos em Belo Horizonte, fez sua ‘estreia’ no YouTube justamente com covers. Em pouco tempo, os vídeos ganharam visibilidade e Gabriel, o coração de vários fãs. Hoje ele soma mais de 200 milhões de visualizações no YouTube e 1,5 milhões de ouvintes no Spotify. Nessa trajetória, o cantor contabiliza também três EPs de músicas compostas por ele, participação em festivais e parcerias com ídolos do reggae surf mundial. De acordo com o músico, a ideia do projeto que traz releituras do reggae veio após ele regravar Me Namora, do cantor Armandinho, em outro álbum. “A galera pirou na ideia e começou a pedir mais. E é aquilo, né: a voz do povo é a voz de Deus”, lembra, aos risos. A primeira canção do projeto Todas As Praias é o single Um Anjo do Céu, do cantor Maskavo. A versão já está disponível nas plataformas digitais. Posteriormente, ele lancará releituras das músicas Do Lado de Cá, da Chimarruts, Morena, da Scracho, e Eu Sei, da Papas na Língua. Gabriel Elias e Pé na areia E o local escolhido para a gravação não poderia deixar de ser, claro, uma praia. Aliás, para a estreia, a selecionada foi a Praia da Almada, em Ubatuba, litoral norte de SP. Gabriel afirma que é apaixonado por viajar pelas praias do litoral brasileiro. Uma, no entanto, mexe mais ainda com ele. “Santos virou uma das minhas casas. Sou de BH e moro em São Paulo, mas fiz muitos amigos santistas e pelo menos uma vez por mês eu desço a serra, ainda mais que agora minha mãe mora na cidade. A ligação foi tanta que eu consegui convencê-la a morar pertinho da praia, ali no Gonzaga. E agora tô sempre por aí”. Tempo de quarentena. E muito trabalho Nesta fase de distanciamento social, sem shows e eventos, a rede social ganhou ainda mais importância na carreira de Gabriel. Ele diz que se aproximou ainda mais dos fãs. “Foram superparceiros e receptivos com todos os nossos projetos. A gente sente falta do ao vivo, claro, mas não tem o que fazer, por enquanto. A expectativa de retorno aos palcos é enorme e esperamos que seja logo”. Mas engana-se que longe dos palcos o trabalho diminuiu. O cantor afirma que está ralando mais do que nunca, sempre pensando em projetos especiais, com releituras e músicas autorais. “Não sou de me lamentar (por esse período de distanciamento), sempre coloquei na cabeça que seria preciso suprir esse momento de alguma forma. E foi fazendo o que mais gosto: compondo e cantando”. Por fim, você pode conferir o trabalho do Gabriel Elias, com projetos autorais e releituras, em seu canal no YouTube e nas plataformas digitais. Não irá se arrepender!

Entrevista | Adam Duritz (Counting Crows): “Fico preocupado em encorajar aglomerações”

Em 1993, o Counting Crows estourou no mundo inteiro com o seminal álbum August and Everything After, que tinha como carro-chefe o poderoso hit Mr Jones. Nos Estados Unidos e em tantos outros países, a banda se manteve popular e com turnês marcantes. No Brasil, no entanto, foi recuperar o sucesso comercial apenas com Accidentally in Love, em 2004, que foi trilha sonora de Shrek 2. Agora, sete anos após o último disco de estúdio, Somewhere Under Wonderland, o Counting Crows retorna com o EP Butter Miracle, Suite One. A novidade veio acompanhada por um curta documentário. O vocalista Adam Duritz conversou com o Blog n’ Roll e Santa Portal sobre o novo trabalho, pandemia, futuro e Brasil. Confira o papo completo abaixo. Por que demorou tanto para lançar um material inédito? Eu só não estava afim de fazer uma gravação, então não estava escrevendo. A gente continuou tocando e viajando até 2019, que foi quando a gente parou um pouco pela primeira vez em anos. Mas, acho que fiquei um pouco saturado de lançar discos. Escrever e gravar são coisas bem diferentes de lançar um trabalho. Quando você escreve ou grava, você pode estar sozinho ou com seus melhores amigos, mas lançar um álbum precisa ter muita gente envolvida. Então, acho que estava tentando evitar isso por um tempo. Você sentiu que perdeu o interesse pela música nesse período? Eu não sei bem. Sei que foi algo importante para mim. Música sempre foi a coisa mais importante da minha vida, mas nos últimos anos foi ok não trabalhar tanto com música, porque outras coisas surgiram. Mas, acho que isso também me fez ter ainda mais prazer em trabalhar com música de novo. Eu amo esse EP mais do que qualquer outro trabalho nosso. São mais de 30 anos e ainda estamos produzindo bem, e isso significa muito para mim. Espero que o EP seja bom para as pessoas também, mas eu estaria mentindo se dissesse que fiz para elas. Música é o mundo para mim. O que você fez nesse tempo? Eu fui para a Inglaterra em 2019 e passei bastante tempo na fazenda de um amigo, e lá fiquei muito tempo sozinho. Foi aí que voltei a tocar piano pela primeira vez em alguns anos, e comecei a escrever algumas das canções do EP. Na medida em que fui escrevendo, percebi que as músicas estavam se encaixando, e a ideia de fazer uma série de músicas conectadas me animou bastante. Então, essa foi a primeira vez que me vi empolgado em escrever e gravar em um bom tempo. Aproveitei o momento e escrevi. O que notou de diferenças para a sua última gravação? Foi bem diferente, porque estávamos escrevendo músicas já com esse conceito de fazê-las fluírem umas com as outras. Gravando uma a uma, a gente terminava invadindo o começo da música seguinte para termos certeza da conexão entre elas. Só aí a gente parava. Sempre estávamos pensando em como elas se conectariam. O processo de gravação do Counting Crows foi atrapalhado pela pandemia? No começo, a pandemia não pareceu que atrapalharia tanto, porque estávamos quase terminando o EP. O plano era passar duas semanas em Nova York trabalhando ao máximo, e depois faríamos uma pausa de duas semanas para ficarmos com as famílias. E por fim a gente retomaria o trabalho com nossos dois guitarristas, porque só um deles participou da primeira parte. Mas, assim que terminamos as primeiras duas semanas, a pandemia chegou e a quarentena começou justamente na nossa pausa. Então, a gente tinha feito 85% do trabalho e ficamos presos. Então, eu liguei para o meu amigo Dave Drago para fazermos os back vocals, porque ele é um ótimo cantor, e eu amo o trabalho dele. Como foi esse período de isolamento social dos integrantes do Counting Crows? No começo, estávamos cada um preso em suas respectivas casas, mas ele (Drago) tem um estúdio, então conseguimos fazer os vocais pelo telefone. Finalmente, em julho, conseguimos fazer com que os guitarristas fizessem suas partes de casa no mesmo mês. Então, a pandemia nos atrasou, mas a maior parte já estava feita antes de tudo isso começar. O que o Counting Crows trouxe de inspirações para esse novo álbum? Acho que o álbum tem influências de bandas dos anos 1979, do início da carreira do David Bowie… mas não são coisas tão perceptíveis no EP. A influência que a banda teve não é necessariamente refletida nas músicas. Só é algo que invade sua cabeça quando você está trabalhando. E os impactos no lançamento? A pandemia fez vocês repensarem formas de divulgação? Vão conseguir excursionar? Eu tive que pensar muito em como entrar em turnê. Fui muito contra no início, porque mesmo com a vacinação nos EUA, não sabia se estaríamos prontos. Falei com muitos artistas, mas não consegui ter uma resposta exata, porque todos da indústria da música estavam tão empolgados em voltar a viajar que provavelmente não estavam pensando com clareza sobre o que precisava ser feito para ser seguro. Então, entrei em contato com amigos que trabalham na área da saúde e pedi para que me conectassem com oficiais de saúde, pessoas que só se importam de fato com a saúde pública, e eles me disseram que a queda de mortes e casos já tornava possível a volta de shows, mas que lugares abertos são muito mais seguros que os ambientes fechados. Como foi essa montagem de turnê do Counting Crows? Tentei guiar a montagem da turnê focando em locais abertos, tirando cidades que eu ainda não acho seguras da lista… A gente tinha marcado 22 shows em locais fechados, agora só temos seis, e são bem limitados a cidades conscientes sobre a vacinação, como Nova York. Mas, ainda não acho que seja a hora de tocar em outros países. Não por causa da banda, porque já estamos vacinados, mas fico preocupado em encorajar aglomerações em qualquer lugar do mundo. A Europa é ótima, mas é um conglomerado de países que ainda

Entrevista | Tico Santa Cruz – “Temos uma mensagem de democracia e direitos”

E se o Brasil enfrenta hoje um cenário instável em meio à pandemia do coronavírus, os fãs de Detonautas Roque Clube podem se preparar para mais uma canção cheia de críticas para o período vivenciado. Em Roqueiro Reaça, o público confere uma crônica escrita pelo vocalista Tico Santa Cruz. Ao lado de Carta ao Futuro, Micheque, Mala Cheia e outros singles, a música é mais uma vez crítica e descreve a espécie de artista, que segundo o cantor, fomenta o autoritarismo e negação da realidade. Lançada nesta sexta-feira (4), a canção está disponível nas plataformas digitais pela Sony Music, e em julho, os fãs ainda vão conhecer outros três singles que completam o novo álbum da banda, ainda sem data de estreia. Sem novidade no posicionamento Recentemente, os músicos têm se posicionado duramente contra o atual governo e a falta de políticas públicas envolvendo o cenário pandêmico. Mesmo não agradando a todos, Tico revela que o posicionamento do grupo não é algo novo, mas que atualmente conseguem dialogar de maneira mais aberta com os fãs e inclusive já ultrapassaram até os mais extremistas. “As nossas críticas foram aumentando na medida em que a sociedade começou a se inserir dentro de um contexto de debate político, mas com a polarização, a coisa tomou um patamar muito maior, óbvio. Dentro dessa polarização, a gente começa a observar que existem várias pessoas que já se posicionavam de forma agressiva em relação ao Detonautas e que hoje já entenderam que temos uma mensagem de democracia e direitos”. Tico Santa Cruz, vocalista do Detonautas O músico ainda deixa claro que não é uma questão ideológica ou partidária. Sendo de esquerda, direita ou centro, a população precisa enxergar o que está acontecendo de fato para que haja uma mudança. “Durante a pandemia, a gente fez um circulo de lançamentos todos relacionados a questões políticas, já que a gente entendeu que não tinha ninguém falando sobre isso dentro do nosso segmento. Acabamos ocupando esse espaço e deu certo, porque tivemos muitas visualizações, muitas pessoas que começaram a acompanhar a banda e o trabalho do grupo foi reconhecido”. Racismo é burrice Apesar dos novos singles da banda estarem repletos de críticas ao momento atual, uma música antiga em especial também se juntou ao repertório do grupo. Racismo é Burrice, composta por Gabriel, o Pensador, em 1993, já tem quase 30 anos, mas traz um tema muito atual. Por isso, o Detonautas, em parceria com o criador deste hino atemporal, regravou com um estilo todo próprio a canção. “O Gabriel é meu amigo de infância, antes de ser famoso e reconhecido como músico. Então já acompanhamos o trabalho dele há muito tempo e ele o nosso, temos uma parceria de muitos anos. Nesse caso, a gente pegou a música e refez o arranjo. Ele gostou, e obviamente o chamamos para participar. Como estamos na pandemia, o clipe foi feito com uma montagem. Juntamos forças para revisitar essa música”, conta. Não é a toa que o grupo decidiu relembrar esse som. Mesmo com as pequenas modificações presentes na letra e atualizações em relação ao o que está acontecendo nos dias atuais, a força dessa canção continua a mesma. Agora, segundo Tico, a questão não é mais explicar o que é o racismo, mas sim o quanto isso ainda está estruturado e enraizado na nossa sociedade, além de reforçar o que é preciso para mudar essa situação. “Eu acredito que o movimento negro nunca teve tanta voz e trouxe o debate para um nível um pouco mais profundo para a questão do racismo estrutural que permeia secularmente. Quando a gente pegou a música fez questão de fazer algumas modificações para poder gerar uma reflexão. Não se trata mais de apenas debater racismo, já que muita gente entendeu o que é, o que as pessoas não conseguiram compreender ainda é a estrutura que mantém esse preconceito funcionando”. Tico Santa Cruz, vocalista do Detonautas Participação social Além das fortes críticas políticas neste novo momento do Detonautas, outro ponto forte e evidente da banda está na luta e participação em causas sociais. Com a pandemia, as desigualdades foram expostas ainda mais fortemente. Em abril, o vocalista promoveu com outros artistas o festival “Panela Cheia Salva ClubHouse”. O intuito era de arrecadar doações para o movimento iniciado pela Cufa em parceira com a Gerando Falcões e a Frente Nacional Antirracista, buscando recursos para a compra de cestas básicas entregues à população em situação de vulnerabilidade social. “A gente entende que como artistas podemos potencializar a voz de diversos movimentos que são importantes. Entendemos que a nossa voz é significante para somar forças dentro de um momento em que as pessoas estão passando fome. Esse projeto atende 10 milhões de pessoas e foram arrecadadas 217 mil cestas básicas”. Mesmo com a participação ativa em projetos sociais como estes, Tico alerta que essas questões devem ser sanadas pelo poder público, por mais difícil que seja. Mesmo com o envolvimento da população, ainda assim, é necessária a reflexão de que o país vai enfrentar o pior pela frente em um período pós-pandemia. “Nunca podemos esquecer que essa questão é dever do poder público, mas como ele falha, a gente precisa agir para as pessoas não serem sacrificadas. A sociedade se envolve, o nosso país tem essa característica de solidariedade. Hoje o Brasil tem 20 milhões de pessoas em situação de fome e 19 milhões que não sabem se irão comer amanhã. É o maior patamar da história dos últimos anos, e é claro que com a pandemia, isso se agravou”, alerta. Futuro A participação pública dentro das questões políticas é essencial, segundo Tico. Em um cenário de vulnerabilidade, em que os projetos sociais estão trabalhando ativamente para evitar a fome em massa no país, é o momento de reflexão para algo nunca antes vivido. Com a participação, o vocalista expõe o que precisa mudar urgentemente para que o futuro não seja tão duro com a população brasileira. “A gente tem que tentar sair dessa dicotomia, desse pensamento