Crítica | Unleashed – No Sign of Life

Nos idos de 1989, havia uma banda chamada Nihilist, que viria a se tornar o Entombed não muito tempo depois. Eram os alicerces do death metal sueco se formando, em uma época em que o estilo ainda não tinha uma identidade totalmente definida. Posteriormente, o baixista Johnny Hedlund acabaria sendo demitido do grupo. Logo depois, pegou seu instrumento e fundou o Unleashed, que ficou tão famoso quanto o Entombed. No entanto, de lá para cá, muitas águas rolaram e a banda chega em 2021 ao seu décimo quarto álbum de estúdio, No Sign of Life. Vale lembrar que a discografia dos suecos contém álbuns clássicos do death metal, como Across The Open Sea (1993) e Victory (1995). Então, se você curte o Unleashed seja pela sua forma peculiar de tocar death metal ou pelas temáticas vikings e mitológicas, pode comemorar. Em síntese, No Sign of Life traz tudo isso e mais um pouco. A inconfundível voz de Hedlund combinada aos riffs fortes de guitarra e a cozinha precisa, resultaram em outro marco na carreira da banda. Que o digam as certeiras The King Lost His Crown, You Are The Warrior!, Midgard Warriors For Life e a faixa-título, todas carregando a assinatura do Unleashed, sem tirar nem por. Mas não se engane, é um álbum para ser ouvido por inteiro. Unleashed e o banquete que soa como ataque viking Quem acompanha o Unleashed sabe que a banda não tem a velocidade de um Morbid Angel ou Krisiun, porém o peso somado ao clima épico do material fornecem ao deathbanger um banquete metálico perfeito, provando que nem sempre é preciso estar a 877km para soar como um ataque viking mortal. Por fim, superior aos seus dois últimos álbuns, No Sign of Life é obrigatório a todos os fãs de metal. No Sign of LifeAno de Lançamento: 2021Gravadora: Napalm RecordsGênero: Death Metal Faixas:1-The King Lost His Crown2-The Shepherd Has Left The Flock3-Where Can You Flee?4-You Are The Warrior!5-No Sign of Life6-The Highest Ideal7-Midgard Warriors For Life8-Did You Struggle With God?9-Tyr Wields The Sword10-It is Finished11-Here At The End of The World
Crítica | God Ends Here – Aeon

A banda Aeon pratica death metal e vem da Suécia. É um daqueles casos que nem precisamos ouvir a banda para já ter certeza de que é coisa boa. Afinal, o país deu ao mundo nomes como Entombed, Unleashed, Hypocrisy, Vomitory, entre inúmeros outros. É pouco? Formado em 1999, o Aeon pode não ser tão lembrado como as bandas citadas, mas o poderio bélico de seu material já deixou muito banger de perna bamba. God Ends Here é o quinto álbum dos suecos, que já lançaram pérolas como Bleeding The False (2005) e o espetacular Aeons Black (2012). Incrível o peso que os suecos conseguiram arrancar dessa gravação. O material carrega consigo uma aura negra que veio emprestada do black metal, mas aqui é tudo 100% death metal, que o digam as doentias Liar´s Den, Lei it Burn, Church of Horror e Deny Them Eternity. O clima mórbido está onipresente no decorrer do álbum, assim como os ferozes riffs de guitarra. E, é claro, velocidade e peso caminhando juntos, combinação que só músicos muito experientes conseguem desenvolver, como é o caso dos cinco doentes que integram o Aeon. Em meio às pancadarias death metal, o Aeon encaixou pequenas vinhetas que servem para o ouvinte respirar, mesmo que seja um sombrio sussurro de morte. Assim, Into The Void, Mephistopheles, Orpheus Indu Inferis e a intro The Nihilist soam como aberturas de filme de horror dos anos 1970, enriquecendo ainda mais esse mortífero álbum. Por fim, ressalto que é uma banda que merece ser ouvida por qualquer um que é fã de metal extremo. Aliás, esse é um dos melhores álbuns de metal de 2021! Aeon – God Ends Here Ano de Lançamento: 2021Gravadora: Metal Blade RecordsGênero: Death Metal Faixas:1- The Nihilist2- Liar´s Enb3- Let it Burn4- Orpheus Indu Inferis5- Church of Horror6- Deny Them Eternity7- Forsaker8- IntoThe Void9- God Ends Here10- Severed11- Just One Kill12- Mephistopheles13- Let The Torture Begins14- Despise The Cross15- Overture: Magnum Reginae16- Queen of Lies
Crítica | Resurgence – Massacre

E o velho Massacre retorna renovado. Um dos pioneiros do death metal – alguns dizem que sua demo de 1986, Agressive Tyrant, foi uma das primeiras a contar com vocais guturais, o grupo não colocava novidade na área desde 2014. A espera acabou, e quem é chegado num death metal nos moldes como se fazia na chamada first wave, vai ter um deleite nesse ano que está acabando. Resurgence já chega como um dos melhores álbuns dos últimos dois anos, e isso não é pouco. Para quem não conhece a banda, seu debute de 1991, From Beyond, é um clássico inquestionável do estilo, sendo um dos grandes lançamentos em uma época em que o death metal vivia seus dias de glória. Com os vocais de Kam Lee , os riffs psicóticos de Rick Rozz , o baixo nervoso de Terry Butler e as batidas monstruosas de Bill Andrews (os três últimos com passagem pelo Death, precisa dizer mais?) o grupo cravou seu nome na concorridíssima cena metal daqueles tempos. Apenas Kam Lee esteve presente em Resurgence, escoltado agora por Johnny Peterson (guitarra), Mike Borders (baixo), Brynjar Helgetun (bateria) e Scott Fairfax (guitarra). E o álbum consegue a proeza de não dever nada ao glorioso debute. Com um dos vocalistas pioneiros e um timaço de músicos, Resurgence simplesmente destrói a mente do ouvinte com cacetadas do porte de Whisperer in Darkness, Eldritch Prophecy, Servants of Discord e Fate of The Eldergods. Todas velozes, com riffs que transpiram death metal e solos melódicos e obscuros. Sem invencionices, sem pretensão, apenas cinco carniceiros tocando o estilo que nasceram para tocar. Vá ouvir agora! ResurgenceAno de Lançamento: 2021Gravadora: Nuclear BlastGênero: Death Metal Faixas:1-Eldtrich Prophecy2-Ruins of R´Lyeh3-Innsmouth Strain4-Whisperer in Darkness5-Book of The Dead6-Into The Far-Off Void7-Servants of Discord8-Fate of The Elder Gods9-Spawn of Succubus10-Return of The Corpsegrinder
Crítica | Imperial Congregation – Blood Red Throne

Se a banda toca metal extremo e vem da Noruega, é quase garantia de jogo ganho. Afinal, qualquer um que acompanha minimamente a cena mundial tem ciência de que o país é uma verdadeira usina atômica de bandas podreiras, que vão do thrash ao black metal. E claro que o death metal também dá as caras por lá, sendo o Blood Red Throne o maior nome do país. Formado em 1998, em Agder, os cinco maníacos já lançaram álbuns que já destruíram tímpanos alheios, como Affiliated With The Suffering, Brutalitarian Regime, Fit to Kill e, agora em 2021, Imperial Congregation vem para se juntar ao poderoso arsenal do grupo. A primeira coisa que chama a atenção é a belíssima arte da capa, desenhada pelo fenomenal brasileiro Marcelo Vasco, que a cada dia se supera. É de ficar olhando por vários minutos de tão bonita! Passado o impacto inicial, é hora de acionar o play e se assustar com o feroz material contido aqui. A produção, de primeiríssima qualidade, acentuou ainda mais a violência da música, chutando pra escanteio aquele papo furado de que death metal não precisa ser bem produzido. Quando a sujeira se une com o cuidado da produção, só pode resultar em perfeição. E é o que encontramos aqui. Faixas como Itika, Conquered Malevolence, Inferior Elegance, We All Bleed e Consumed Ilusion se destacam simplesmente por serem algumas das faixas mais brutais de 2021. Cozinha técnica do Blood Red Throne Individualmente, o Blood Red Throne possui músicos excelentes (os guitarristas tocam que é uma beleza) que sabem como ninguém como praticar esse estilo. Quando nos perguntam os motivos de gostar de death metal, as respostas podem ser as mais variadas possíveis. Experimente mostrar esse álbum ao autor da questão. Ele entenderá perfeitamente. Imperial CongregationAno de Lançamento: 2021Gravadora: Nuclear BlastGênero: Death Metal Faixas:1-Imperial Congregation2-Itika3-Conquered Malevolence4-Transparent Existence5-Inferior Elegance6-We All Bleed7-6:78-Consumed Illusion9-Hero -Antics10-Zarathustra
Crítica | Torn Arteries – Carcass

Após o álbum From Enslavement to Obliteration (1988), o guitarrista Bill Steer deixou o Napalm Death e assumiu o Carcass em tempo integral. Os dois primeiros álbuns, Reek of Putrefaction (1988) e Symphonies of Sickness (1989), abalaram a todos com seu grindcore violentíssimo, além das nojentas temáticas splatter. Mas foi com dois seguintes, Necroticism Descanting The Insalubrious (1991) e o seminal Heartwork (1993), que o quarteto inglês marcou seu nome na mente dos deathbangers, criando um estilo totalmente original, uma forma única de executar o seu metal extremo, com os vocais de Jeff Walker e os riffs de Steer e Michael Amott, hoje no Arch Enemy. Após anos de hiato, o grupo retornou com outro clássico, Surgical Steel (2013). Aliás, após todo o sucesso de Surgical – inclusive com uma passagem pelo Brasil -, os reis da nojeira voltam com Torn Arteries, novíssimo álbum. Ao observar o título e a capa do álbum, e passando pelos títulos das músicas, os fãs já acionam o play com sentimento de vitória antecipada, pois todas as características da banda estão lá, intactas. Em resumo, o que temos em Torn Arteries é digno de outro mundo. A faixa-título já se inicia com os matadores riffs de guitarra, e não demora para o peso absurdo entrar em cena, numa pegada bastante parecida com a fase Heartwork. Logo depois, o desfile de pérolas da podreira continua com Under The Scalpel Blade, cujos blastbeats da introdução são brilhantemente executados pelo baterista Daniel Wilding, que sem dúvida soube capturar o espírito do Carcass. Carcass em alta na reta final do álbum Por fim, Flesh Ripping Sonic Torment Limited conta com um espetacular solo de Steer, enquanto as matadoras Wake Up And Smell The Carcass/ Caveat Emptor e The Scythes’s Remorseless Swing encerram esse álbum deixando o ouvinte atordoado. Contudo, também vale citar a extremamente técnica Kelly’s Meat Emporium, onde mais uma vez Steer mostra que é um dos guitarristas mais talentosos do metal mundial. Desnecessário repetir, mas individualmente o Carcass conta com músicos excepcionais, que conseguem transformar cada obra em quase uma sinfonia de metal extremo. Portanto, acredite, Torn Arteries vem para se juntar ao já poderoso arsenal do Carcass, que só conta com álbuns anormais de tão bons. Torn ArteriesAno de Lançamento: 2021Gravadora: Nuclear BlastGênero: Death Metal/Death N´ Roll Faixas:1-Torn Arteries2-Dance of Ixtab (Psychopomp And Circustance March N 1 In B)3-Eleanor Rigor Mortis4-Under The Scalpel Blade5-The Devil Rides Out6-Flesh Ripping Sonic Torment Limited7-Kelly´s Meat Emporium8-In God We Trust9-Wake Up And Smell The Carcass / Caveat Emptor10-The Scythes Remorseless Swing
Crítica | Katedralen – Mork

One-man-bands são muito comuns no cenário black metal, sendo a mais famosa de todas o Bathory, besta criada pelo lendário Quorthon (RIP). Aqui temos mais um caso semelhante, trata-se do Mork, projeto de Thomas Eriksen, fundado em 2004 como um trabalho paralelo, que logo assumiu o status de banda principal. Diz a lenda que após visitar o antigo local de ensaios do também norueguês Darkthrone, Eriksen se inspirou tanto que voltou correndo para casa e produziu o debute Isebakke, lançado em 2013. De lá para cá, foram mais quatro álbuns, contando com o novíssimo Katedralen, lançado em 2021. Ao dar play em Katedralen, fica bastante óbvia a influência do Darkthrone, uma das melhores bandas de black metal da história, diga-se. Leia-se influência, e não cópia. Isso posto, vale destacar que a fase mais recente da banda de Fenriz é a que parece exercer mais fascínio sobre Eriksen. Estão lá, todos os ingredientes: velocidade moderada, vocais ríspidos, letras em norueguês e os indefectíveis riffs gelados, que parecem ter sido gravados sob uma densa aurora boreal. E, claro, com bastante referências ao thrash e ao heavy tradicional. Também vale citar a extrema beleza da arte da capa, totalmente de acordo com a proposta do Mork. E se você curte black metal , tente não se empolgar com as certeiras Evig Intens Smerte, Svartmalt, Det Siste Gode I Meg e a épica De Fortapte Sjelers Katedral, que encerra brilhantemente esse belo artefato. E o grupo assombrará nosso país em 2022, no festival Setembro Negro. Fique ligado. KatedralenAno de Lançamento: 2021Gravadora: Peaceville RecordsGênero: Black Metal Faixas:1-Dodsmarjsen2-Svartmalt3-Arv4-Evig Intens Smerte5-Ded Siste Gode I Meg6-Fodt Til A Herske7-Lysbaereren8-De Fortapte Sjelers Katedral
Crítica | Senjutsu – Iron Maiden

Demorou mas chegou! Desde os remotos anos 1980 que um novo álbum do Iron Maiden gera enorme expectativa entre seus seguidores, que são milhões espalhados pelos cantos do globo. Seis longos anos após Book of Souls, Senjutsu é despejado em meio a um mundo cheio de incertezas, inclusive com o próprio guitarrista Adrian Smith declarando que a banda ainda não tem nenhuma palavra sobre a turnê de divulgação do álbum. Faixa a faixa de Senjutsu De qualquer maneira, Senjutsu está aí, pronto para ser degustado pelos amantes da Donzela. Vamos dar um passeio pelo conteúdo? Senjutsu – Os bumbos de Nicko Mcbrain dão o primeiro ronco do álbum, seguidos por riffs pra lá de tradicionais, tudo em velocidade moderada. A faixa soa como uma continuação de Book of Souls. Não demora para chegar ao marcante refrão, onde Bruce Dickinson mais uma vez mostra porque é um dos maiores vocalistas da história, grudando as melodias na mente dos fãs. Será uma ótima abertura na vindoura tour. Stratego – A mais direta e pesada faixa de Senjutsu. Abre com um riff que lembra muito o de Powerslave, e logo descamba em mais um bombástico refrão. Candidata a melhor do álbum. The Writing on The Wall – Seguindo um estilo que o Iron Maiden adotou de 1995 para cá, a faixa inicia com um breve dedilhado, que serve de ponte para um riff melódico e com traços folk, lembrando álbuns como Dance of Death. Seu refrão é impossível de esquecer, assim como os solos de Adrian Smith, impecáveis como sempre. Lost In a Lost World – Essa é para desesperar os fãs que preferem o material antigo. A música traz exatamente TODAS as características do “novo” Maiden. Ou seja, possui quase dez minutos de duração, que se iniciam com um dedilhado suave, que é reforçado por um interessante coro ao fundo. Em andamento cavalgado e cadenciado, Bruce comanda a marcha, seguido pelo velho Dave Murray, que dispara bonitos solos. As guitarras gêmeas também estão lá, e essa faixa remete a The Red And The Black, do álbum anterior. Peso e melodia do início ao fim Days of Future Past – O peso volta a falar mais alto, e a faixa engata uma interessante velocidade, fazendo disparar o coração dos antigos fãs. Outro refrão certeiro, e Bruce mais uma vez tem uma atuação de gala. A música diz tudo em seus pouco mais de quatro minutos. The Time Machine – Mais uma que se inicia com dedilhados suaves, e com Bruce cantando calmamente, que é a deixa para todos os músicos entrarem sem aviso. A banda deixa aflorar livremente aqui suas influências de rock progressivo, como Jethro Tull, como bem mostra o riff principal da música. Dave Murray nos brinda com outro solo pra lá de inspirado. Como é bom ouvir esse cara! The Darkest Hour – Quase uma semi-balada, conta com um vocal mais sombrio de Bruce, e é difícil segurar a cabeça com Murray e Smith duelando nos solos. O refrão lembra levemente Out Of The Shadows, de A Matter of Life And Death. Death of The Celts – Daqui para o fim do álbum, é onde os fãs encontrarão mais dificuldade para digerir o conteúdo. A música conta com uma longa introdução de Steve Harris, com Bruce cantando por cima. Inevitável a lembrança de The Clansman, inclusive na duração da faixa, ultrapassando os dez minutos. Sobram duelos e solos de guitarra, em uma música bastante agradável de se ouvir. The Parchment – Mais um longo épico, essa com doze minutos de muitos dedilhados, riffs cadenciados, e duelos que realmente grudam na cabeça, embora a faixa pudesse ser mais curta. Bruce cantando sobre as melodias de guitarra é realmente marcante. O gran finale de Senjutsu com viagem épica Hell on Earth – E Senjutsu vai tristemente chegando ao fim, não sem antes embarcarmos em mais uma viagem épica e progressiva do Maiden, que se inicia com, adivinhem, uma intro de Steve Harris. Com onze minutos, a faixa é a mais prog do álbum, com um andamento cadenciado e uma melodia que serão perfeitos para os shows, inclusive sendo possível visualizar o público entoando a plenos pulmões. Desnecessário dizer, mas os três guitarristas mostram mais uma vez aqui porque são referências entre qualquer aspirante ao instrumento. Os duelos de guitarra na metade da faixa são realmente muito bem executados. Evidente que o álbum dividirá os fãs, assim como acontece em quase todos os lançamentos do Maiden. O andamento mais moderado é facilmente explicado pela idade avançada dos músicos. Mesmo assim, não se acomodaram a nos brindaram com mais um álbum. Que não seja o último. Up the irons!!!
Crítica | Sea Savage – Gama Bomb

Eis que os reis irlandeses da velocidade retornam com o seu sétimo álbum de estúdio, Sea Savage. Surgido ali na metade da década de 2000, o Gama Bomb seguiu o exemplo de outros nomes como Municipal Waste e Fueled By Fire e trouxe de volta o thrash metal despojado e agressivo como se fazia nos bons tempos. Aliás, agora reforçado com produções modernas, letras versando sobre temas “nerds”, belíssimas artes de capa e muita, muita adrenalina. Se você já se ouriçou ao ler essas características, então prepare-se para Sea Savage. A música do Gama Bomb está muito longe de ser tecnicamente desafiadora, porém isso não significa que se trata de maus músicos. Muito pelo contrário! A pujança sonora que emana do material entrega que os integrantes da banda possuem o thrash na alma, e cada segundo do álbum é uma explosão de velocidade e fúria. Outro acerto é o fato das canções serem diretas ao ponto, sem muita disposição para jams, improvisos ou algo que o valha. É porradaria 100% do tempo, rápida, com riffs afiados, cozinha precisa e os vocais de Philly Byrne, que remetem a outro grande nome do thrash, o lendário Bobby Blitz, do Overkill, que , desnecessário dizer, também exerce influência sobre os rapazes aqui. A essa altura, já deu para perceber por quais mares navegam esses insanos irlandeses. E , para quem gosta de cair no mosh ou de simplesmente arrancar a cabeça de tanto bangear, experimente as ferozes Judo Killer, Miami Supercops, Ironblood, Rusty Jaw, Sheer Khan e a faixa-título. E se não sentir o sangue subindo à cabeça durante a audição, há algo de muito errado com você. Ficha técnica – Gama Bomb – Sea Savage Sea SavageAno de Lançamento: 2020Gravadora: Prosthetic Records Faixas:1-Judo Killer2-Sea Savage3-Miami Supercops4-She´s Not My Mother, Todd5-Ironblood6-Lords of The Hellfire Club7-Sheer Khan8-Rusty Jaw9-Monsterizer10-Ready, Steady, Goat!11-Electric Pentacle12-Gone Haywire
Crítica | Helloween – Helloween

A história todos conhecem, mas nunca é demais lembrar. Os alemães do Helloween formam uma das mais influentes bandas de metal do mundo, sendo um dos pais do chamado power metal melódico. Com a entrada do vocalista Michael Kiske, o grupo conquistou o planeta com as duas partes de Keeper of The Seven Keys, ítens até hoje obrigatórios. Como no mundo da música nem tudo são flores, divergências internas causaram uma ruptura na banda, saindo Kiske e o guitarrista Kai Haisen. Andi Deris, o vocalista substituto, conseguiu reerguer a abóbora alemâ com álbuns de sucesso como The Time Of The Oath e Better Than Raw. Mas antigos e novos fãs sempre sonharam com uma volta de Kiske, e em 2016, o fato se tornou realidade com a reunião da formação clássica , e o grupo se tornou pela primeira vez um septeto, com Deris e Kiske dividindo os vocais. Foi com esse time que o grupo se apresentou por aqui no Rock in Rio de 2019, tendo feito um show grandioso e inesquecível. Faltava, claro, o novo álbum de inéditas. E eis que o petardo veio a público no último dia 11 de junho, criando uma enorme expectativa entre os seguidores da abóbora. Helloween, o novo álbum, não poderia ter tido um título mais adequado. Passeio pela carreira do Helloween O álbum traz um pouco de cada fase da banda. Out For The Glory já inicia do jeito que os fãs gostam, ou seja, power metal vigoroso, dois bumbos no talo, riffs intrincados de guitarra e baixo e os sempre perfeitos vocais de Kiske. Seu bombástico refrão com certeza causará um estrago nos vindouros shows. Fear of The Fallen, que traz Deris e Kiske em perfeitos duetos, já se tornou uma das favoritas dos fãs a essa altura. É realmente impactante ver esses dois senhores cantando como se estivéssemos em 1989. Sasha Gerstner, guitarrista que já está na banda há quase vinte anos, é responsável pela composição de Best Time, faixa um pouco mais melodiosa e que lembra muito Little Time. Interessante observar a marca de cada compositor do Helloween. Enquanto Weikath manda ver no power metal épico (Robot King é outro acerto), Deris continua com seu estilo que mistura hard rock e heavy metal, como podemos conferir em Mass Polution e Cyanide, duas canções que levam a assinatura do vocalista. Já Kai Hansen, que não cantava em um álbum da banda desde 1985, nos brinda com a épica Skyfall, que em seus doze minutos passa por todas as fases do Helloween. Não é o melhor álbum da banda, e alguns fãs podem sentir falta dos vocais de Andi Deris, já que Kiske cantou a maior parte do material. Já outros podem acusar a banda de soar repetitiva. Nada disso importa muito. Afinal, temos em mãos, em pleno 2021, um novo álbum do Helloween com Michael Kiske e Kai Hansen, e isso não acontece todo dia. Ficha técnica HelloweenAno de Lançamento: 2021Gravadora: Nuclear Blast Faixas:1-Out For The Glory2-Fear of The Fallen3-Best Time4-Mass Polution5-Angels6-Rise Without Chains7-Indestructible8-Robot King9-Cyanide10-Down in The Dumps11-Orbit12-Skyfall