Nasi, do Ira!, participa do novo EP da TESS; ouça Mod

O novo EP da Tess, projeto liderado pelo cantor, músico e compositor gaúcho Daniel Tessler, resgata suas raízes musicais, a começar pelo próprio título, Mod. A escolha é uma homenagem explícita ao movimento iniciado na Inglaterra nos anos 1960 que revelou bandas como The Who e The Kinks. O impacto do movimento Mod na cena cultural foi tão forte, que reverberou na década seguinte, desencadeando o surgimento de outro gênero importante, o punk. Para fortalecer ainda mais a ideia que rege o trabalho, Tessler convidou outro fã notório da estética Mod. Nasi, o lendário cantor do Ira!, participa da música Eu Ando Pra Frente. “Daniel Tessler é um artista talentoso que apresenta as qualidades de alguns dos guitarristas do cenário Mod que eu mais gosto e suas novas músicas retratam muito bem isso”, comenta Nasi. “O Nasi sempre foi uma referência pra mim. Ele representa o Norte dentro de uma filosofia roqueira que eu tento praticar. Assim que o EP começou a tomar forma, eu o convidei para fazer uma participação especial. Ele aceitou e aí está! A presença dele é o maior selo de aprovação que eu poderia querer”, declara TESS, com orgulho. A potente Eu Ando Pra Frente, assim como as outras três faixas previamente divulgadas (Eu Não Consigo Entender, As Bruxas e Trauma Beat), exibe uma estrutura simples e direta, sem muitas mudanças de andamento ou arranjos super elaborados. O repertório do EP é conciso e as músicas transmitem uma sensação revigorante de underground capaz de colocar um sorriso no rosto até daqueles ouvintes mais rabugentos. Mod foi gravado no estúdio Track 74 (São Paulo) com produção do próprio Tessler, que demonstrou habilidade ao encontrar uma sonoridade que combina a alta fidelidade das produções atuais com o timbre glorioso das gravações da era pré-digital. E assim que rangem os primeiros acordes, vem à tona aquela energia mágica de som de porão, rock and roll cru e barulhento como se fazia antigamente.

Nasi lança novo single solo “Coração Traidor”; ouça!

Depois de Onde os Anjos Não Ousam Pisar, faixa-título do álbum solo de 2006, Nasi lançou mais uma composição inédita de Zé Rodrix & Ethel Frota, Coração Traidor. A faixa, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (16) com distribuição da Ditto Music, apresenta uma mistura de blues, ragtime e baião. Aliás, conta com um naipe d kazus. Por fim, a divertida letra cai muito bem na voz rouca do cantor do Ira!.

Entrevista | Ira! – “O cenário musical atual no Brasil está muito mimimi”

Nasi deu e levou muita porrada. E era uma bomba-relógio. Contavam-se os minutos até que explodisse. Ainda o é, mas desarmada. Não que segure as palavras ou deixe de opinar sobre o que for, apenas o faz de forma mais comedida, irônica e até com uma certa elegância. “O cenário musical atual no Brasil está muito mimimi, de brinquinho… Mais parece o nosso futebol, com jogadores que gostam de ser celebridades e pouco fazem em campo. A música está com muita selfie e pouco conteúdo. Gente que não tem nada a dizer, mas pensa que tem, e está na mídia”. Não é o caso de Nasi e Cia, não só pela importância do Ira! na história da MPB, mas porque as letras continuam atuais e pelo cenário que se vislumbra para futuro, serão perenes. A oportunidade de relembrar é hoje, às 21 horas, no Teatro Coliseu, no show Folk. Nasi e Edgar Scandurra mostram sucessos em formato intimista (violão e voz). Não é a reedição do Acústico MTV, até porque, a apresentação possui um formato nunca testado. “Voltamos às origens, quando as obras foram criadas a partir do violão do Edgar. Tem nossas principais canções, mas o show possui o nosso lado B. E vamos testar algumas coisas que estarão no novo disco”. Fazer apresentação em teatro e ambientes introspectivos também é novidade. “O legal é que ficamos bem mais próximos do público do que em shows elétricos. Mesmo sendo nesse formato, tem gente que vai para a frente do palco e dança”. O que seria o lado B para uma banda com a bagagem da Ira!? “Quando o disco era de vinil e havia apenas dois lados, no A era gravado o que seria sucesso e no B, algo que praticamente ninguém iria ouvir”. Mas é relativo. Aconteceu de se apostar em uma canção para o lado A e não estourar. E não apenas com a Ira!. “Talvez o melhor exemplo foi Anna Júlia, dos Los Hermanos. Eles não davam nada por ela e virou sucesso e praticamente forjou a identidade deles. Talvez a banda tenha até trilhado sua carreira depois disso. Uma música cair na boca do povo ajuda, mas também pode complicar. E é o público que define”. Há, na história da música, bandas e artistas que ganham o mundo a partir do lado B. “Não conheço outro grupo que melhor tenha feito isso do que o The Beatles”, aposta Nasi. No passado, quem também apitava para determinar se a música seria vogal ou consoante era o rádio, principalmente estimulado (leia-se jabá) pelas gravadoras. “O mercado mudou radicalmente com a internet. Bom, porque democratizou. Ruim, porque muita porcaria vira sucesso”. Seja qual for a forma como uma banda faz a releitura de uma antiga canção, Nasi defende que jamais se percam o conceito e a identidade. “Podemos mexer em nossas obras, mas no fundo, o público identifica nossa cara. Sempre terá a chancela do Ira!. O mesmo acontece separadamente. O Ira! influencia o nosso trabalho solo, mas temos marcas individuais. Edgar não fará axé e eu, samba”. Para o novo disco, além de material inédito, passa pela cabeça dos dois gravar outros compositores. Muita gente seduz a dupla. “Erasmo Carlos. E Tony Tornado, com quem nos apresentamos no Rock in Rio”. Mesmo sendo versão, Nasi entende que é possível acrescentar algo às músicas. “É como remake de filme ou novela. Não é uma cópia. Você imprime a sua assinatura. Claro que o autor deve aprovar”. São 35 anos da banda Ira!. Nesse tempo, sucesso, amor, ódio, ida, vinda. Nasi teve, ainda, sérios problemas com a família. “Há momentos bons e ruins e cada pessoa tem seu jeito e manias. Você passa mais tempo com a banda do que com a família. A estrada esgota física e emocionalmente”. Para que o retorno dê certo, Nasi prega o reinventar-se, a partir de comportamento mais intuitivo e lúdico. “Eu e o Edgar fizemos reuniões, um participou do show do outro… Nossa química está de volta, há respeito e o relacionamento é muito bom. É um casamento, mas sem sexo”. Se não explode mais, Nasi ao menos não deixa de atirar. “Precisamos mudar a política com uma profunda reforma que faça o político atuar em favor do povo, não dele mesmo. Vamos tirar da cadeira esse caras ladrões e corruptos para termos um Brasil melhor para todos. Precisamos de uma nova Constituinte. Nossa Constituição tem muitos vícios nocivos”. SERVIÇO: INGRESSOS DE R$ 100 A R$ 200. RUA AMADOR BUENO, 237, SANTOS.