Entrevista | Marcos Canduta – “O artista pode ajudar com seu trabalho”

Marcos Canduta e Débora Gozzoli atuam na música há dez anos e são presença confirmada no Juntos Pela Vila Gilda. A dupla se consagrou na cena musical da Baixada Santista com seu Choro de Bolso, cheio de canções poéticas. Em destaque, assinam o álbum Canções de Amor Caiçara, com Manoel Herzog e participação de Chico Buarque e Zeca Baleiro, feito em homenagem a Santos. Atualmente, durante a pandemia, as apresentações do duo têm acontecido por meio de lives na conta oficial do Choro de Bolso. Elas acontecem sempre às sextas-feiras, às 18h30. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Marcos Canduta fala sobre o início do projeto, trabalho com as plataformas digitais em tempos de pandemia e a importância de eventos sociais como o Juntos Pela Vila Gilda. Como surgiu o projeto Choro de Bolso? Trabalhando com música, lá se vão 38 anos, e o Choro de Bolso surgiu tem cerca de 17 anos, quando começamos a nos apresentar na livraria Realejo às sextas-feiras. Você é autor de vários discos, compositor e violinista. Em qual meio gosta mais de atuar? Na verdade gosto de tudo; adoro sentar e escrever arranjos, pra depois ouvir o resultado no disco ou no palco. Adoro compor, escrever música, coisa que faço quase todo dia. Gravar é outra coisa sensacional. Tem muita gente que odeia gravar, pela tensão que gera, mas eu fico feliz cada vez que entro no estúdio e fico ali horas por uma música (risos). O palco talvez seja um dos lugares que eu mais goste de estar: quando você está num teatro, com um público bacana, é o paraíso na Terra. Nessa pandemia você tem feito lives frequentes nas redes sociais. Como as plataformas digitais tem ajudado seu trabalho? As lives se mostraram uma ferramente muito legal, tanto para os artistas quanto para o público. Estamos gostando muito do resultado delas. Aumentamos nosso público, com muitas pessoas de outras cidades, estados e até gente em outro países participando. Eles não teriam oportunidade de nos assistir tocando ao vivo. A ideia, inclusive, é continuar com as lives no pós-pandemia. O que você espera da participação no Juntos Pela Vila Gilda? Eu e Débora estamos muitos felizes em participar. Acho que esse tipo de ação deveria acontecer sempre. O artista, seja de qual área for, pode ajudar bastante com seu trabalho, como na Vila Gilda. O Choro de Bolso estará presente no dia 25, completando o lineup do primeiro dia de evento.
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Umbralina aborda trecho da obra de Allan Kardec em novo single; ouça

O duo santista Umbralina divulgou mais um single. O grupo de gothic metal kardecista apresentou ao público a faixa Sofrimento Animal. Em resumo, a canção antecipa o primeiro álbum do conjunto, que chega no início de 2021. Ademais, a música foi gravada em Santos, no estúdio Play Rec. As sessões ocorreram em meados de 2019. A produção ficou por conta de Nando Basetto (Garage Fuzz). Umbraline, baterista da banda, conta que a Sofrimento Animal contextualiza um capítulo do Livro dos Espíritos, obra publicada em 1857 por Allan Kardec. “Abordamos a questão 602, onde relata-se que o animal não tem livre arbítrio. E que por isso, não deve ser culpado por suas decisões. Assim, escrevemos essa música a partir deste pensamento. Os animais não merecem sofrer”, contou. Anteriormente, o Umbralina já havia lançado o single Momento Espírita, que você pode escutar por aqui.
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Isolado: EP do santista Dre Vila traz identificação para quem enfrenta quarentena

O rapper Dre Vila, 25 anos, de Santos, lançou o EP Isolado no último dia 5. O trabalho tem cinco faixas que abordam diversos sentimentos que as pessoas podem sentir durante o isolamento social. Assim como os beats, as letras surgiram em três dias de produção durante a quarentena. Embora possa parecer um tempo curto, a qualidade do EP está muito boa e ele passa uma vibe de identificação. “A ideia de fazer o EP foi justamente por achar que nesse momento as pessoas estão consumindo mais arte. Por saber disso, como artista me senti na obrigação de produzir algo que as pessoas pudessem ouvir e se identificar com cada coisa dita nas músicas. Foi a vontade de tentar “confortar” as pessoas. E também faze-las entender que cada angústia, tristeza, saudade ou qualquer sentimento parecido é compartilhado outras pessoas e que de alguma forma ela não está sozinha”. Dre Vila Outra forma que Dre entende que o EP pode ajudar as pessoas é porque ele passa uma ideia de consolo. “A intenção é que todos nós cantemos juntos nesse momento para que outras pessoas entendam que tudo isso é só uma fase. E no futuro vamos nos lembrar que devemos valorizar ainda mais o mundo saudável e sem aquilo que nos roubou muito sentimento bom que foi essa doença, a covid-19, que continua nos assombrando dia após dia”. O produtor de todo o trabalho, Gilberto Júnior, compartilhou da ideia e produziu os beats do EP. “Por isso, cada sentimento que os instrumentais passam tem parte do sentimento dele também”. Após a produção dos beats e composição das letras, Dre e Gilberto partiram para o processo de gravação que durou quatro dias. O processo final foi a mixagem e masterização feito três semanas. Mais lançamentos Além do EP Isolado, Dre pretende lançar outro EP ainda esse ano intitulado Músicas pra ouvir na chuva. Ele também está em processo de gravação do álbum Quem não pode errar sou eu, que também deve sair esse ano. Começo de carreira Dre Vila, morador do bairro Saboó, começou no rap na sua adolescência. A princípio, gostava do rock e reggae e até teve bandas desses estilos. Entretanto, decidiu apostar no rap de forma séria em 2016. “Comecei a escrever de forma séria com objetivo de botar os trabalhos para frente. Mas também por entender que o país estava numa transição estranha de rappers brancos e de áreas nobres. Fiquei confuso sobre o rumo que o rap estava tomando no Brasil. Achava que se eu chegasse cantando as coisas que eu vivo e vejo seria visto como um “estranho”. Mas felizmente tive pessoas ao meu lado que me fizeram enxergar que o rap é minha casa, pelas minhas origens e pela cor da minha pele”, afirma. O rapper conta que uma época não se sentia maduro o suficiente para soltar os trabalhos. “Eu não queria errar como via essa leva de “rappers” burguês errando nas linhas. Então, em 2018 decidi finalmente soltar um som. Mas só em 2019 com a parceria de dois amigos de infância que é o produtor Brak, e o MC St Begod soltamos o álbum Cigarro, Chiclete & Pólvora. Eu iniciei meus caminhos em meio ao movimento e me sinto muito feliz de ter dado as caras ao lado desses caras que são mais do que significantes na minha vida e no meio artístico”.
Banda santista Sephion apresenta mais um pesado single

A banda santista Sephion apresentou mais um single para seus fãs. Intitulado Devil May Cry, a faixa foi compartilhada nas redes sociais do grupo. Em resumo, ela já pode ser escutada em todas as plataformas digitais. Aliás, a faixa é uma amostra do álbum Fear Of Fear, que segue em processo de produção e deve ser lançado na segunda metade de 2020. A obra terá a Voice Music como distribuidora, além de contar com o selo da MS Metal Records.
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