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Crédito: Fabiano Santos / Divulgação

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Entrevista | Detonautas: “Usamos nossa voz para poder ajudar os outros”

O Detonautas Roque Clube está bem adaptado ao atual momento do mercado fonográfico. Após seis álbuns de estúdio (VI, de 2017, foi o último), a banda tem trabalhado suas composições em singles. Um por um. O mais recente deles, Fica Bem, ganhou um videoclipe emocionante. Tudo a ver com o atual momento que vivemos.

Fica Bem é uma música que foi feita logo nos 15 primeiros dias (da pandemia). Na verdade, quando a gente começou a conviver com essa nova realidade da quarentena. Então foi um momento que era tudo muito novo, muitos medos, muitas angústias, muitas incertezas e gerando essa essa inspiração para poder escrever a música. A ideia é mandar uma mensagem positiva”, comenta Tico Santa Cruz, vocalista do Detonautas.

Para o vocal, a pandemia está oferecendo uma oportunidade das pessoas repensarem não só a postura global de lideranças em relação à exploração da natureza, mas também as relações interpessoais, familiares e profissionais.

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“É uma oportunidade que a gente está tendo de rever, de ver como é que as coisas funcionam, de ver quais são as nossas prioridades, quais são as maneiras mais equilibradas que a gente pode atuar para poder diminuir os impactos sociais”.

Saúde mental

Tico Santa Cruz ainda lembra a questão de um debate muito importante sobre a saúde mental. “Acho que vale pena a gente parar um pouco, fazer uma análise da sociedade, ver como é que ela se comporta diante de uma pandemia. E até que ponto cada pessoa realmente se propõe a pensar no próximo, quem são as pessoas que estão pensando só nelas mesmas. Então é um momento bastante revelador, no modo geral”.

Para o vocalista, o que a população pode fazer para melhor é buscar um equilíbrio em relação ao consumo, exploração dos recursos naturais e a forma como o ser humano se relaciona com o meio ambiente.

“Eu acho que é uma lição que todos temos que aprender nesse momento. Porque se isso não servir de lição, com certeza, outras pandemias virão, outros desastres naturais virão, outras manifestações da natureza virão para mostrar que o homem não controla nada aqui dentro. A gente só pensa que controla alguma coisa”.

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Singles novos do Detonautas

Depois de se apresentar no Rock in Rio, no ano passado, o Detonautas assinou contrato com a Sony Music Brasil. Dessa parceria já surgiram três singles: Ilumina o Mundo (feat. Pelé MIlFlows), O Que Tiver de Ser (feat. Mozart Mz) e Fica Bem.

E, como escrevi no início do texto, tudo sendo produzido sem a obrigatoriedade de gravar um álbum. A banda segue uma tendência de mercado. O próximo single já está definido: Carta ao Futuro, que será lançado em 31 de julho. “Tem uma abordagem social e mais política. É uma letra mais crítica, uma abordagem mais ácida”. 

Tico revela que tem a banda tem produzido muito material ao longo da quarentena, o suficiente para fazer um novo álbum de estúdio, inclusive.

“Depois (do single) vamos conversar com a gravadora para saber qual é o procedimento que a gente vai seguir. Se a gente vai lançar um EP, se a gente vai continuar lançando singles ou se a gente vai lançar um disco. O material para lançar um disco a gente já tem”.

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Rock sem conexão com jovens

O rock é um dos poucos gêneros que não está adaptado 100% à realidade do lançamento dos singles ao invés de álbuns cheios. Para ele, no entanto, o grande problema está na falta de conexão entre o gênero musical e a juventude.

“O rock envelheceu e ficou careta. Começou a se tornar um estilo que de transgressor, crítico de modo inteligente, se tornou um estilo elitista, com olhar preconceituoso em relação a outros estilos e outras manifestações. Como essa geração é uma geração que tem uma relação muito mais aberta com outros gêneros e outras formas de se manifestar, o rock acabou ficando restrito a um nicho de pessoas, isso não é bom”. 

Aos 42 anos, Tico Santa Cruz acredita que o rock pode ficar extremamente segmentado, tal como o blues, jazz e música clássica.

“Não acho que o rock seja uma música de elite, o rock sempre foi uma música muito próxima à classe trabalhadora. Lá fora sempre foi assim. Os Beatles vieram da classe trabalhadora. E dali por diante, desde o início do rock, sempre houve uma questão com a contestação, política social, punks, os grunges”. 

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Detonautas e oxigenar ideias

Melhorar a situação do rock somente encontrando uma forma oxigenar ideias e se conectar com os mais jovens, segundo o vocalista. “É quem vai perpetuar o estilo e a ideia do rock”.

“O Detonautas se esforça muito pra conseguir tentar acompanhar, dentro da sua essência, essa linguagem que está evoluindo. Nós hoje não temos mais 20 anos, nós somos uma banda que temos uma média de 40, 42 anos, cada integrante. Então, a gente não pode se comportar mais como garotos, adolescentes, mas acho que a gente pode se propor a estar sempre aberto a ouvir, rever a nossa obra e tentar acompanhar uma linguagem da nossa forma, que possa acessar essa essa galera mais nova”. 

Detonautas no Juntos Pela Vila Gilda

Confirmado no Juntos Pela Vila Gilda, Tico Santa Cruz considera fundamental que toda mobilização social tenha a participação de artistas, tal como faz o Detonautas.

“Nós reconhecemos o privilégio que temos de poder viver de arte num país que as pessoas passam fome. Então, se a gente não tiver minimamente uma consciência de usar a nossa voz para poder ajudar outros projetos, outras pessoas, acho que nada disso faz sentido. Pra gente é um caminho natural da nossa arte, da nossa música e da nossa postura como artista”.

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