Entrevista | Pennywise – “Muitas pessoas usam Bro Hymn em funerais e nem precisa ser punk para se conectar com ela”

A edição de 2026 da We Are One Tour chega à América do Sul com o Pennywise como um de seus grandes protagonistas. Referência absoluta do skate punk e do hardcore melódico desde os anos 1990, a banda californiana lidera a turnê ao lado do Millencolin e Mute em uma sequência de shows que passa por cinco cidades brasileiras após iniciar a rota em Santiago e Buenos Aires. Em São Paulo, a procura foi tão grande que a primeira apresentação esgotou em apenas três dias, levando ao anúncio de uma data extra na Audio, no dia 31 de março. O line-up ainda conta com a banda paulistana The Mönic na abertura. O Pennywise ainda retorna em maio para o Porão do Rock em Brasília. Formado em 1988 em Hermosa Beach, na Califórnia, o Pennywise se consolidou como uma das forças do skate punk nos anos 1990, ao lado de nomes como Bad Religion, NOFX e The Offspring. Com riffs rápidos, refrões feitos para o coro coletivo e letras que misturam atitude positiva e crítica social, o grupo construiu uma carreira de mais de três décadas. A formação atual reúne Jim Lindberg (vocal), Fletcher Dragge (guitarra), Byron McMackin (bateria) e Randy Bradbury (baixo). Antes da passagem pelo país, o guitarrista Fletcher Dragge conversou com o Blog n’ Roll sobre a evolução do Pennywise desde os primeiros shows em festas de quintal na Califórnia, comentou o peso político do clássico “Fuck Authority” no atual cenário dos Estados Unidos e relembrou o impacto de “Bro Hymn”, homenagem ao baixista Jason Thirsk que se transformou em um dos maiores hinos do punk. A entrevista encerra a série especial do Blog n’ Roll com os headliners da We Are One Tour 2026. Anteriormente falamos com o Mute e o Millencolin. Pennywise tem mais de três décadas de história. Como você vê a evolução da banda de Hermosa Beach para palcos ao redor do mundo? Uau! Sim, muita história. Obviamente começamos em Hermosa Beach, uma pequena cidade da Califórnia. Surfávamos, nadávamos e o punk rock chegou por volta de 1979, 1980. Tínhamos bandas como Black Flag, Red Cross, Descendents e Circle Jerks tocando na nossa cidade, muitas vezes em festas de quintal. Crescer vendo essas bandas nos primeiros anos da nossa adolescência foi muito legal. Quando começamos o Pennywise, também tocávamos em festas de quintal. Depois fomos tocar no Arizona, depois em Tijuana. Ai lançamos nosso disco e alguém disse para irmos para a Europa. Então fomos para a Europa, depois para a Austrália e para a América do Sul. Foi tudo muito rápido, né? Foi louco perceber que nossa música estava indo para fora de Los Angeles. Quando começamos a ver fãs em lugares como Brasil, América do Sul, Austrália, Europa e Japão, graças à Epitaph Records e a bandas como Bad Religion abrindo caminho, foi surreal. Pensar que alguém no Brasil estava ouvindo um disco do Pennywise e dizendo “vocês precisam vir tocar aqui”. Demorou muito tempo para chegarmos ao Brasil, e eu nunca fiquei feliz com essa demora. Sempre havia planos, mas a vida acontecia. Quando finalmente fomos, foi incrível. As pessoas sabiam todas as letras, estavam enlouquecidas. Isso mostra o quanto a música é poderosa. É, o Brasil é muito intenso nos shows… Exatamente. E eu sempre falo que às vezes você pergunta a um garoto qual é sua banda favorita e ele responde Slayer. Aí você pergunta quem é o vice-presidente dos Estados Unidos e ele não sabe. Muitas vezes a música é mais importante para os jovens do que política ou escola. As bandas se tornam parte da identidade deles. Então ter influência no mundo todo, inclusive no Brasil, e ouvir pessoas dizendo que a música ajudou em momentos difíceis da vida, é algo enorme. Quando alguém diz que estava passando por um momento muito duro e que um disco do Pennywise ajudou a seguir em frente, isso é uma evolução gigantesca para nós como músicos. É uma honra saber que pessoas em todo o mundo se conectam com o que fazemos. Vocês sempre trouxeram política para a música. Como é ter o hino “Fuck Authority” em um cenário atual de tendências autoritárias nos Estados Unidos? É incrível, porque você pode subir ao palco e dizer “foda-se essa administração, foda-se Trump, foda-se o ICE” e tocar “Fuck Authority”. O público sabe exatamente o que fazer. Essa música foi escrita sobre um sistema policial abusivo em Los Angeles que estava envolvido em corrupção, assassinatos e tráfico de drogas. Quando isso veio à tona, foi a inspiração para a música. Todos ajudaram a escrever, mas a ideia começou ali. No fim das contas, todos têm alguém abusando de autoridade. Pode ser polícia, pais, professores ou governo. Muitas pessoas usam o poder que têm para explorar os outros, e é disso que a música fala. Agora, com o que está acontecendo nos Estados Unidos, a música parece ainda mais relevante. É como “Killing in the Name”, do Rage Against the Machine. Essas músicas continuam importantes porque sempre haverá pessoas lutando contra abuso de poder. Realmente é muito atual, minha irmã também mora na Califórnia e ela está bem preocupada com a atuação do ICE. Olha, eles falam sobre pegar criminosos e estupradores e toda essa merda. Primeiro de tudo, nem todos são criminosos e nem todos são estupradores. É assim que o Trump tenta classificar todo mundo e isso é besteira. Ninguém vai reclamar se você pegar criminosos. Mas quando você pega o cara que trabalha na construção, o cara que trabalha no restaurante, as mulheres que trabalham em hotéis ou os caras que trabalham no campo, aí estamos falando de pessoas muito trabalhadoras. Eu cresci na construção civil e metade dos trabalhadores comigo eram indocumentados. E eles eram as melhores pessoas: ótimos pais de família, pessoas muito honestas. São trabalhadores muito fortes. Atacar essas pessoas na rua é doentio. É simplesmente doentio. É fascista. Se você vier na minha casa, bater na minha porta usando máscara e sem identificação, vai ter

Entrevista | Kadavar – “Eu só quero ser um som. Não quero ser um personagem público. Prefiro apenas ser um som”

O Kadavar retorna ao Brasil neste mês trazendo no setlist seus dois últimos álbuns lançados no ano passado. Será show único no país, dia 21, no Carioca Club em São Paulo. A realização é da Agência Sobcontrole. Os ingressos estão à venda no Clube do Ingresso. Formada em Berlim em 2010, a banda alemã construiu uma trajetória marcada pelo resgate da estética do rock setentista, combinando riffs pesados, psicodelia e uma abordagem fortemente inspirada na gravação analógica. Com o passar dos anos, porém, o grupo ampliou seu alcance sonoro, incorporando novas texturas e explorando caminhos mais experimentais dentro do rock. Ao longo de mais de uma década de carreira, o Kadavar passou de uma promessa da cena stoner e retrô para um nome consolidado no circuito internacional. Álbuns como Abra Kadavar e Berlin ajudaram a definir a identidade inicial da banda, enquanto trabalhos mais recentes mostram um grupo disposto a expandir suas referências e testar novas direções criativas. Essa evolução também aparece no palco, onde o quarteto costuma equilibrar peso, psicodelia e longas improvisações. Em conversa com o Blog n’ Roll, o guitarrista Jascha Kreft e o baixista Simon Bouteloup falaram sobre o processo que levou à criação de dois discos em sequência, a origem da frase “I Just Want To Be A Sound” e a relação da banda com redes sociais e algoritmos. Acaba de completar quatro meses desde o lançamento do último álbum. Como foi a recepção do público até agora? Foi a reação que vocês esperavam enquanto gravavam o álbum? JASCHA KREFT: Nós estávamos em uma situação muito oportuna de trazer esse álbum com a gente em uma turnê antes do seu verdadeiro lançamento. Tocamos muitas músicas ao vivo, então foi muito legal experimentá-las dessa forma e ver as pessoas segurando o álbum nas mãos antes mesmo de ele estar oficialmente disponível. E eu acho que o público também ficou feliz em levar para casa algo que ainda não estava disponível nos serviços de streaming. Quando vocês perceberam que tinham material suficiente para dois discos diferentes? E por que decidiram lançar separadamente em vez de fazer um álbum duplo? JASCHA KREFT: Nós terminamos o álbum I Just Want To Be A Sound, que levou bastante tempo. Acho que algo como um ano e meio, ou dois anos, trabalhando nela quase constantemente. Depois disso, a máquina da criatividade começou a funcionar e sentimos vontade de continuar. Estávamos em um momento em que ainda havia algumas músicas que sobraram das sessões de I Just Want To Be A Sound. Ao mesmo tempo, continuávamos gravando por conta própria e ficamos surpresos com o quão fluido o processo estava. Então chegamos a um ponto em que percebemos que estávamos praticamente terminando outro álbum. Também tivemos a sorte de ter o apoio do nosso selo para fazer algo assim, o que nem sempre é comum. Eu estou aqui com o autor da frase “I Just Want To Be A Sound”. Essa frase é muito poderosa. Quando ela surgiu e quando você percebeu que poderia virar o título de um álbum? SIMON BOUTELOUP: Acho que essa frase apareceu cerca de dez anos atrás. Um antigo baterista me perguntou por que eu não estava nas redes sociais. E ainda não estou. Eu disse a ele diretamente que, se pudesse escolher, preferiria não estar. Eu só quero ser um som. Não quero ser um personagem público. Prefiro apenas ser um som. Então foi assim que surgiu. Durante o processo do álbum, ela apareceu novamente e naquele momento simplesmente ressoou com todos nós e com o que queríamos fazer com o disco. Ela apareceu dessa forma e todos concordamos com a ideia de que primeiro seria uma música e depois um tema para o álbum. Tem uma frase parecida do Jaron Lanier, que trabalha na Microsoft. Ele disse: “Eu evito as redes sociais assim como evito as drogas”. SIMON BOUTELOUP: Essa é boa. Sim, é verdade. Também pode ser muito viciante. Hoje muitos artistas pensam primeiro em singles e playlists antes de pensar em um álbum. Para vocês, o formato do álbum ainda é essencial para contar uma história? JASCHA KREFT: Definitivamente. Eu acho que escolher qual música será um single ou não é algo secundário. Primeiro existe o álbum, e tudo vem depois. Para nós isso é algo muito natural. Também não fazemos edições de singles para aumentar as chances de entrar em playlists. A maioria dos nossos singles ainda tem quatro minutos ou mais. E, na maioria das vezes, os algoritmos não gostam muito disso. A banda começou muito associada ao revival do rock dos anos 70. Em que momento vocês perceberam que precisavam ir além dessa identidade? JASCHA KREFT: Eu não acho que precisávamos necessariamente ir além disso. A banda também poderia ter continuado fazendo isso e alguns fãs ficariam felizes. Talvez outros fãs também gostassem de ouvir o mesmo álbum repetidamente. Falando sobre o público de rock, ele costuma reagir muito quando uma banda muda de som. Como foi lidar com a recepção de fãs mais conservadores durante essa evolução? JASCHA KREFT: Acho que sempre estivemos muito conscientes de que isso poderia acontecer e de que alguns fãs mais conservadores talvez não gostassem. E acho que isso também é completamente normal. Obviamente você acaba vendo algumas reações ou comentários. Mas eu acho que não há razão para ser rude ou muito agressivo. Às vezes isso acontece, mas faz parte. A última visita da banda ao Brasil foi em 2018. Nessa nova turnê, o setlist vai misturar material clássico com músicas recentes, certo? Vocês podem dar algum spoiler sobre o que os fãs brasileiros podem esperar? SIMON BOUTELOUP: Nós sempre tentamos incorporar todos as fases da banda no setlist, especialmente quando temos tempo para isso. Em um show completo você consegue desenvolver um pouco mais toda a discografia. Com certeza vamos tocar algumas músicas novas, talvez cinco ou seis, mas também as antigas e algumas coisas mais psicodélicas. JASCHA KREFT: Também temos uma versão de 15 minutos de Purple Sage, que fecha o

Entrevista | Story of The Year – “O mais legal é ver os fãs crescendo junto conosco. Essa é uma das coisas mágicas da música”

Duas décadas depois de se firmar como um dos nomes mais marcantes do post-hardcore dos anos 2000, o Story of the Year segue ativo e conectado com sua base de fãs. A banda voltou ao radar do público brasileiro após a passagem pelo país em 2025, quando realizou dois shows em menos de 24 horas em São Paulo: Tokio Marine Hall e I Wanna Be Tour no Allianz Parque. A recepção intensa do público reforçou a relação histórica com os fãs brasileiros. Esse novo momento também acompanha o lançamento de A.R.S.O.N. (All Rage Still Only Numb), álbum que mantém a identidade sonora do Story of the Year ao mesmo tempo em que aprofunda temas como frustração, desgaste emocional e autoconhecimento. O disco marca novamente a parceria com o produtor Colin Brittain, atual baterista do Linkin Park, que já havia trabalhado com a banda no álbum anterior. Entre os primeiros cartões de visita do novo trabalho estão os singles Gasoline e Disconnected, músicas que apresentam o peso, a urgência e o lado emocional que definem a sonoridade da banda. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o vocalista Dan Marsala e o guitarrista Ryan Phillips falaram sobre o processo criativo do novo álbum do Story of the Year, a relação da banda com o próprio legado e deixam claro que não devem retornar ao Brasil tão cedo. Qual é a história por trás de A.R.S.O.N. e o que esse título significa para o Story Of The Year? DAN MARSALA: O título surgiu a partir de uma linha da música Gasoline, que abre o álbum. Eu canto “here for the arson” e aquilo ficou na cabeça da gente. Como acontece na maioria das vezes com o Story of the Year, nós só decidimos o nome do disco no final. Primeiro olhamos para a coleção de músicas e tentamos entender qual é a sensação geral daquele conjunto. A palavra ARSON parecia forte e estava muito presente naquele momento. Então voltamos um passo e pensamos no que o acrônimo poderia significar. As palavras Rage e Numb apareceram logo de cara e fizeram muito sentido para todos nós. No fim chegamos a “All Rage Still Only Numb”. Isso resume bem o sentimento do álbum. Existe muita raiva ali, muitas letras introspectivas, sombrias e um pouco caóticas. Pareceu o nome certo para o disco. O disco parece mais intenso e direto em muitos momentos. Essa agressividade foi uma decisão consciente ou algo que aconteceu naturalmente durante a composição? DAN MARSALA: Não houve muito planejamento. A gente simplesmente entra em uma sala, começa a tocar e tenta fazer músicas que realmente gostamos. O objetivo sempre é criar algo que nos empolgue de verdade. Quando percebemos, as músicas já estão tomando forma e seguimos esse caminho. RYAN PHILLIPS: Honestamente, quase nada nesse disco foi planejado. Eu parei de tentar forçar a barra quando estou escrevendo. Não fico pensando “hoje vou fazer uma música pesada” ou “vou escrever algo mais rápido ou mais lento”. Eu simplesmente sento, toco e deixo as ideias fluírem. Quando chega a hora de escrever as letras, o processo é parecido. Foi um fluxo muito natural. As músicas se tornaram o que deveriam ser. Não foi uma decisão consciente de deixar o disco mais agressivo. Foi simplesmente o que saiu da gente naquele momento. No início da carreira vocês falavam muito com adolescentes. Hoje as letras abordam temas da vida adulta, família e responsabilidades. Como foi envelhecer junto com o público? DAN MARSALA: Isso aconteceu de forma muito natural. Nós ficamos mais velhos e nossos fãs também cresceram com a gente. Você escreve sobre aquilo que conhece e sobre o que é pessoal naquele momento da sua vida. Então as letras acabam refletindo isso. O mais legal é ver os fãs crescendo junto conosco. Muitos deles agora têm filhos e levam as crianças para os shows. Nós meio que crescemos juntos. Essa é uma das coisas mágicas da música. RYAN PHILLIPS: Seria muito estranho se ainda estivéssemos escrevendo do ponto de vista de um adolescente (risos). Nós fazemos arte e ela precisa vir de um lugar autêntico. Hoje estamos em um momento completamente diferente da vida. Também é curioso perceber como as letras mudam de significado com o tempo. Às vezes escuto músicas que escrevemos há 20 anos e elas me atingem de uma forma totalmente diferente, quase como se fosse outra banda. Nós mudamos como pessoas e como banda. E é muito legal encontrar fãs que dizem que escutam a banda desde a escola, que se casaram ouvindo nossas músicas ou que tocaram Story of the Year no casamento. Poder fazer isso por tanto tempo é muito especial. Já que vocês falaram sobre autenticidade, a música 3AM aborda temas bem íntimos. Como a vida na estrada, conciliando com família e filhos, impactou essa composição? DAN MARSALA: Acho que, coletivamente, essa é uma das nossas músicas favoritas do disco, principalmente pelas letras. Esse tema é muito real para nós. Eu, o Ryan e o Josh temos filhos e famílias em casa. Sair em turnê por um mês para tocar música é incrível, porque temos a sorte de viver disso, mas ao mesmo tempo é muito difícil deixar os filhos e a família. 3AM nasceu muito dessa sensação. É uma música muito pessoal e provavelmente uma das minhas preferidas do álbum. RYAN PHILLIPS: Para mim também é a melhor música do disco, principalmente por causa da letra. Elas realmente me impactam. Eu sinto algo forte sempre que escuto essa faixa. DAN MARSALA: Nós já tentamos escrever músicas sobre esse tema antes, mas por algum motivo 3AM conseguiu capturar exatamente essa sensação. Existe uma mistura de felicidade, saudade e peso emocional. Essa estranheza caótica de estar feliz com o que faz, mas ao mesmo tempo sentir o peso da distância. Acho que essa música traduz muito bem isso. Relembre aqui a entrevista com o Story of The Year antes da vinda ao Brasil Hoje alguns artistas já não priorizam o YouTube como principal plataforma de lançamento. A

Entrevista | Jayler – “Não esperávamos nada assim por anos”

Poucas bandas conseguem transformar um projeto escolar em uma turnê internacional em apenas três anos, mas o Jayler parece ter pressa. Formado no Reino Unido em 2022, o quarteto chega ao Brasil em abril de 2026 para uma estreia que muitos veteranos levariam décadas para conquistar. O que começou como uma parceria em um open mic agora cruza o oceano para encarar o fanatismo do público brasileiro em três apresentações que prometem ser históricas. A jornada em solo brasileiro começa no dia 2 de abril, em São Paulo, com um show completo na Audio ao lado do Dirty Honey. A prova de fogo, no entanto, acontece no dia 4, quando a banda sobe ao palco do Allianz Parque como uma das atrações do Monsters of Rock. Dividindo o lineup com gigantes como Guns N’ Roses, Lynyrd Skynyrd e Extreme, o Jayler terá a chance de mostrar para milhares de pessoas a “energia setentista” que se tornou sua marca registrada. Para encerrar a passagem com chave de ouro, o grupo desce para o Rio de Janeiro no dia 5 de abril. No palco do Qualistage, eles reencontram o Dirty Honey e se juntam às lendas do southern rock, o Lynyrd Skynyrd. Essa sequência de shows não é apenas uma turnê, mas a validação de uma banda que soube usar as redes sociais para criar uma conexão profunda com os fãs brasileiros muito antes de pisar no país. Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, os integrantes James Bartholomew (vocal/guitarra), Tyler Arrowsmith (guitarra), Ed Evans (baixo) e Ricky Hodgkiss (bateria) revelaram que a surpresa com o convite foi proporcional à empolgação. “Não esperávamos nada assim por anos”, confessa Tyler, lembrando que, até pouco tempo atrás, o grupo ainda se apresentava em pequenos pubs britânicos equilibrando covers e composições autorais. Além da expectativa para os shows, o grupo vive o momento fértil que precede o lançamento de seu primeiro álbum de estúdio, Voices Unheard, previsto para o dia 29 de maio. O título do disco é um tributo à própria base de fãs, que eles carinhosamente chamam de “The Voices”, e reforça a filosofia de “paz, amor e união” que a banda tenta resgatar das décadas de 60 e 70 para os dias atuais. Confira abaixo o bate-papo completo sobre essa nova fase. Muitas bandas levam anos para alcançar oportunidades internacionais, e essa turnê brasileira é um salto enorme na carreira de vocês. Como é para uma banda que começou no Reino Unido cruzar o oceano para tocar em estádios brasileiros com nomes como Guns N’ Roses e Extreme? TYLER ARROWSMITH: Cara, é insano. Desde agosto ou setembro do ano passado, começamos a notar todos aqueles comentários de “come to Brazil” e vimos os números subindo por aí. Pensamos: “Meu Deus, esse público brasileiro é fantástico!”, mas é tão difícil conseguir um show no Brasil. Não esperávamos nada assim por anos. Pois é, não tão cedo. TYLER ARROWSMITH: Sim, nem de longe tão cedo! Mas quando recebemos a ligação no final do ano passado falando sobre o Monsters of Rock, o Audio Club e o Qualistage no Rio, o show com o Lynyrd Skynyrd, foi tipo: “Meu Deus!”. Além de estarmos empolgados com os shows, estamos muito felizes por tocar para essa base de fãs brasileira que já está nos apoiando. Como foi a transição de um projeto escolar para uma banda profissional? Em que momento vocês perceberam que o Jayler não era mais apenas um hobby, mas uma carreira de verdade? JAMES BARTHOLOMEW: Acho que foi na turnê com a Kira Mac. O Ricky tinha acabado de entrar e nos ofereceram nossa primeira turnê pelo Reino Unido. Topamos e, naquele período de duas semanas na estrada, pensamos: “É isso”. Foi o meu momento de “é isso que eu quero fazer”. Antes eu sentia que o Jayler poderia chegar em algum lugar, mas a turnê confirmou.  TYLER ARROWSMITH: Mas não houve um corte claro; há pouco mais de um ano ainda tocávamos em pubs. Fomos introduzindo nossas músicas autorais aos poucos. Não teve um dia em que dissemos: “Hoje deixamos de ser uma banda de covers de pub para ser profissionais”. Usamos “profissionais” entre aspas, sabe? O que é ser profissional? A gente só toca nossa música. Foi algo que aconteceu com o tempo. O Reino Unido tem uma história lendária de exportar as maiores bandas de rock do mundo. Não contem aos americanos, mas prefiro as bandas britânicas! Como vocês veem a cena atual e vocês se sentem parte de um movimento de “revival” do rock clássico? JAMES BARTHOLOMEW: Tem algumas bandas por aí. A maior no momento provavelmente é o Greta Van Fleet; eles estão fazendo o que nós fazemos, de certa forma. Eles chegaram primeiro nesse “revival”.  TYLER ARROWSMITH: Eles sofreram muito preconceito e críticas, o que é uma pena, porque as mesmas pessoas que dizem “tragam o rock clássico de volta” são as que atacam as bandas novas.  JAMES BARTHOLOMEW: Também tem o Dirty Honey, com quem vamos dividir o palco no Brasil, o que vai ser incrível. A gente busca aquele movimento de paz, amor e união do final dos anos 60 e início dos 70. Temos músicas pesadas, mas também acústicas e suaves. Não é só “rock and roll agressivo” o tempo todo; temos seções onde realmente nos conectamos com a mensagem. Os críticos sempre destacam a energia de vocês. Quais bandas daquela década mais influenciaram o jeito que vocês tocam e compõem? JAMES BARTHOLOMEW: Tem as óbvias: Led Zeppelin, Deep Purple, The Who. Para composição, eu gravo muito em Bob Dylan e John Denver. Para performance de palco, Queen é uma influência enorme.  ED EVANS: Eu e o Rick nos conectamos primeiro através do Jimi Hendrix, antes mesmo de conhecermos o Tyler e o James. Então é uma variedade bem ampla. Toda banda nova luta contra comparações. O que vocês acreditam que o Jayler traz de diferente para esse universo do rock clássico? JAMES BARTHOLOMEW: Verdade, eu acho. Não é apenas o som. Existe um

Entrevista | Dirty Honey – “Se as músicas estiverem prontas, apresentaremos material inédito”

O rock and roll clássico encontrou um novo fôlego na última década, e o Dirty Honey é, sem dúvida, um dos protagonistas dessa revitalização. Liderada pelo carismático vocalista Marc LaBelle, a banda californiana finalmente desembarca no Brasil em abril para uma sequência de shows. A jornada começa em São Paulo, no dia 2 de abril, com um show íntimo na Audio ao lado da banda Jayler. Poucos dias depois, no dia 4, eles encaram a imensidão do Allianz Parque como uma das atrações do prestigiado festival Monsters of Rock, que terá o Guns n’ Roses como headliner. Para encerrar a passagem, o grupo desce para o Rio de Janeiro no dia 5 de abril, dividindo o palco do Qualistage com Jayler e as lendas do Lynyrd Skynyrd. Em conversa via Zoom com o Blog n’ Roll, Marc LaBelle não escondeu o entusiasmo. Direto da Califórnia, o vocalista revelou que a expectativa para tocar na América do Sul é antiga, alimentada por relatos de bandas amigas como Guns N’ Roses e Black Crowes sobre a energia surreal do público brasileiro. “Eles dizem que é um dos melhores do mundo”, afirmou Marc, que já está até tentando arriscar algumas palavras em português para as apresentações. Além da ansiedade pela estreia, a banda traz novidades na bagagem. Atualmente em estúdio trabalhando no sucessor do elogiado álbum Can’t Find the Brakes (2023), LaBelle sugeriu que o público brasileiro pode ser o primeiro no mundo a ouvir composições inéditas ao vivo. Para ele, o palco é o lugar onde a verdade da música aparece, longe da perfeição estéril dos computadores e da inteligência artificial. A paixão de Marc, no entanto, não se restringe apenas aos palcos. Durante a entrevista, o músico traçou paralelos interessantes entre a disciplina necessária no rock e sua dedicação aos esportes, como o hóquei no gelo e o surfe. Essa mentalidade de “atleta” se traduz em uma performance vigorosa e em um respeito profundo pelas instituições do gênero, como o próprio Lynyrd Skynyrd, com quem ele está ansioso para dividir a noite no Rio. Leia entrevista completa abaixo. Esta é a primeira vez do Dirty Honey no Brasil e vocês têm uma agenda cheia: Monsters of Rock, show solo em São Paulo e um show com o Lynyrd Skynyrd no Rio. O que você ouviu de bandas amigas, como Guns N’ Roses ou Black Crowes, sobre o público brasileiro? Que eles são incríveis e alguns dos melhores do mundo. Então, sim, estamos super empolgados para descer e vivenciar isso por nós mesmos e, finalmente, tocar na América do Sul. Demorou muito e estava na nossa lista de desejos há bastante tempo. Eles te deram alguma dica? Acabei de receber uma hoje cedo: começar a aprender um pouco de português. Tipo “olá, como vai você?”. Eu sei essas, claro. Preciso descobrir como apresentar algumas músicas em português ou dizer algo como “é um prazer estar aqui”, algo bom. Vamos bolar algo legal. E com três shows em formatos diferentes, um festival enorme e duas casas menores, como vocês planejam o setlist? Tem espaço para surpresas no show do Dirty Honey? Sim, bem, estamos trabalhando em um novo álbum desde que terminamos a turnê em outubro, então esperamos que as músicas estejam prontas quando chegarmos aí. Estaremos no estúdio praticamente todo esse tempo antes do festival. Se as músicas estiverem prontas e nos sentirmos confiantes para tocá-las, apresentaremos material inédito. Então os brasileiros podem ser os primeiros a ouvir? Pode ser, sim. Só espero que fiquem prontas a tempo. No Rio, vocês dividem o palco com o Lynyrd Skynyrd. Sendo o Dirty Honey uma banda que revitaliza o classic rock, como é dividir o cartaz com uma das maiores instituições do gênero? Já teve chance de falar com o Johnny Van Zant sobre essa parceria? Não, ainda não. Será a primeira vez que tocaremos especificamente com eles. Somos grandes fãs de Skynyrd, obviamente. É uma formação diferente da banda dos anos 70, mas acho que será incrível. Eles têm tantas músicas fundamentais do rock and roll. É louco pensar que tocaremos com dois gigantes (Skynyrd e Guns N’ Roses no Monsters). Estou animado para ver o show deles como fã. Vocês já abriram para KISS, Guns N’ Roses e Slash. Qual foi a lição mais valiosa que você aprendeu observando esses veteranos da lateral do palco todas as noites? Acho que todos esses caras são apaixonados pela carreira, pela música e pela performance. Se você faz pelas razões certas, porque ama, o sucesso te encontra. Vejo o mesmo nos esportes. Eu jogo muito hóquei aqui na Califórnia e surfo. O sucesso encontra os atletas que são mais apaixonados pelo jogo, eles não praticam incessantemente só porque amam praticar, mas porque querem melhorar no jogo que tanto amam. É o mesmo com a composição. Slash ama tocar guitarra, é o verdadeiro amor dele. Chris Robinson ama cantar e fazer turnê. Para ter longevidade, não dá para fingir. Gene Simmons ama ganhar dinheiro (risos), ele vai continuar lá enquanto puder. Já que mencionou esportes, vi nas redes sociais que você foi para Milano Cortina (Jogos Olímpicos de Inverno). Você gosta tanto de esportes quanto de música? Eu cresci em Nova York, perto de Montreal, e joguei hóquei a vida toda. Tenho amigos que jogaram nas Olimpíadas. Foi uma experiência única assistir ao jogo da medalha de ouro, que acabou sendo lendário. E eu amo a Itália, morei lá no passado e volto várias vezes por ano. Foi a união de duas paixões: hóquei e Itália. Meu empresário também é fã de hóquei e fomos juntos. Eu já fui aos EUA, mas nunca vi hóquei, apenas NBA, NFL, UFC e beisebol. Meus dois esportes favoritos de ver ao vivo são hóquei e futebol. Beisebol é um pouco lento. O futebol americano também é lento e muito interrompido pelos comerciais da TV. Acho que a cultura sul-americana e europeia gostaria muito de hóquei no gelo porque é muito rápido e agressivo. Tem semelhanças com o futebol

Entrevista | Millencolin – “Se não fosse o skate, eu não estaria tocando música. Isso mudou minha vida”

O nome do Millencolin voltou a ganhar força no Brasil em 2026 integrando o lineup do We Are One Tour. Com show esgotado em apenas três dias na capital paulista, uma nova data foi confirmada, ampliando a expectativa em torno do reencontro com o público brasileiro. O festival conta também com Pennywise, Mute e The Mönic. O evento desembarca no Brasil no dia 24 de março, em Porto Alegre, no URB Stage. Depois segue para Florianópolis, dia 25, no Life Club, Curitiba, dia 27, no Piazza Notte, São Paulo, dia 28, no Terra SP, Rio de Janeiro, dia 29, no Sacadura 154, e encerra com o show extra na capital paulista, dia 31, na Audio. Antes da chegada da We Are One Tour ao país, conversamos com o guitarrista do Millencolin Mathias Färm, peça fundamental na construção do som melódico e acelerado que marcou gerações desde os anos 90. A entrevista integra a série especial do Blog n’ Roll dedicada ao festival e é a segunda publicada. A primeira foi com a banda Mute. Sobre o Millencolin Fundada em Örebro em 1992, a banda atravessou décadas mantendo a formação clássica e consolidando um repertório que ultrapassou o rótulo de skate punk. Entre álbuns como Life on a Plate e For Monkeys, foi com Pennybridge Pioneers que o grupo ampliou seu alcance internacional e se tornou referência dentro do hardcore melódico europeu. A banda passou pelo Brasil pela primeira vez em 1998 e foi um dos primeiros capítulos de shows de hardcore internacionais. A primeira vez que o Millencolin veio ao Brasil foi em 1998 e foi uma espécie de caos, certo? Brigas, falta de equipamentos no rider… O que você se lembra daquela experiência? Foi algo muito especial para nós vir ao Brasil. É muito longe da Suécia, mas foi incrível. Tenho muitas boas lembranças e também muito caos. Minha guitarra quebrou em dois pedaços durante aquele primeiro show porque um cara a jogou para longe. Foi punk rock de verdade, com muita intensidade. Mesmo assim, foram momentos incríveis. Nós amamos o Brasil e a América do Sul. Sou de Santos e dizem que foi o show mais tranquilo daquela turnê do Millencolin. Quais são suas lembranças da cidade? Para ser honesto, eu não me lembro muito de Santos naquela primeira vez, porque isso foi há quase 30 anos. Naquela turnê, eu realmente não sabia em que cidade estava, eu apenas tocava. Tenho muitas lembranças daquela passagem, mas não consigo associá-las exatamente a cada cidade. Todos os lugares que visitamos no Brasil são ótimos. Mas quando você está em turnê é difícil lembrar de tudo, porque quase sempre estamos atrasados, tocamos todos os dias e não temos muitos dias livres. Mesmo assim, voltamos para Santos outras vezes, isso eu lembro. Ainda falando sobre 1998 vocês jogaram futebol em Copacabana contra um combinado de outras bandas de hardcore e assistiram a algumas partidas nos estádios. Vocês ainda mantém essa ligação com o futebol? Sim. Acho que o Nikola é quem mais gosta de futebol, mas todos nós gostamos. Temos uma ligação forte com isso. Nosso time local é o de Örebro, e até fizemos uma música para eles. Na Suécia, futebol e hóquei no gelo são os maiores esportes. Imagino que hóquei não seja tão popular em Santos (risos), mas o futebol é incrível. Na Suécia, praticamente todo mundo já jogou em algum time quando era jovem. Falando em Suécia, no último show do Millencolin lá no ano passado, vocês tocaram músicas menos comuns no setlist, como Black Gold e That’s Up on Me. Estão preparando alguma surpresa para o Brasil? Claro que sim. Temos muitas músicas para escolher ao tocar ao vivo. Normalmente sabemos quais são as que o público quer ouvir, então tentamos tocar os clássicos e misturar com algumas que não tocamos com tanta frequência. É difícil agradar todo mundo, porque cada pessoa tem suas favoritas, mas tenho certeza de que será um ótimo show e que o público ficará feliz. Teremos algumas surpresas. Existe alguma música subestimada do Millencolin que você gostaria que tivesse mais reconhecimento? Sempre há algumas. No Life on a Plate, há uma chamada Dr. Jackal & Mr. Hyde. Acho uma música muito boa, especialmente considerando que a escrevemos há tanto tempo. Às vezes nem entendo como conseguimos fazer aquilo naquela época. Ela tem uma vibração mais emocional. Talvez essa seja uma boa escolha. Está completando dez anos do clipe de True Brew. Como surgiu a ideia de gravar no Brasil, especialmente no Nordeste? Nós fizemos a música primeiro em inglês e gravamos um vídeo. Depois queríamos fazer uma versão em sueco também. Um amigo nosso que estava em turnê conosco sugeriu gravar no Brasil. Era inverno na Suécia e tudo estava muito depressivo, então queríamos sol no vídeo. No Brasil há sol, boa vibração, clima incrível e uma atmosfera fantástica nas cidades. Foi a combinação perfeita para nós. Recentemente entrevistei o The Hives e eles citaram vocês como a maior banda da cena sueca nos anos 90 que mostrou ser possível alcançar o mercado internacional. Como você vê essa relação com eles hoje? É ótimo. Eu gravei a primeira demo do The Hives, lá na década de 90. Conhecemos esses caras há mais de 30 anos. Temos uma ótima relação com eles. São pessoas muito legais. Nós dois fizemos parte da Burning Heart Records quando o selo ainda existia. Tocamos muito juntos na Suécia no passado. É uma relação de amizade de longa data. Life on a Plate está completando 30 anos. Há planos para algum relançamento em vinil ou cd? Preparamos, na verdade, tocar o álbum inteiro em um festival no Canadá, no fim de maio. Pode ser que façamos mais apresentações assim, mas por enquanto é isso. Precisamos reaprender algumas músicas, porque algumas não tocamos há muito tempo. Vai ser divertido. Muitas músicas nasceram com riffs seus. Como funciona seu processo criativo? No passado, cada um escrevia suas ideias em casa e levava para o ensaio. Hoje não moramos todos

Entrevista | Lynyrd Skynyrd – “Vamos garantir que as pessoas saibam que estivemos aqui e carregar o legado”

Com mais de meio século de estrada, o Lynyrd Skynyrd transcendeu o rótulo de pioneiros do southern rock para se tornar uma verdadeira instituição da música mundial. Liderada há quase quatro décadas por Johnny Van Zant, irmão do saudoso vocalista original, Ronnie Van Zant, e contando com a energia do veterano Rickey Medlocke, a banda carrega a responsabilidade e a honra de manter vivo um legado inabalável.  Mesmo após a partida do guitarrista Gary Rossington, o último membro da formação clássica, o grupo prova que a alma de hinos como Free Bird e Sweet Home Alabama segue pulsando forte, embalando gerações com apresentações 100% ao vivo, sem o uso de qualquer base pré-gravada. É exatamente essa autenticidade crua que o público brasileiro poderá presenciar muito em breve. O Lynyrd Skynyrd desembarca no Brasil para uma série de apresentações em abril. O giro começa no dia 1º de abril, em Curitiba (Live Curitiba); segue para São Paulo no dia 4 de abril, como um dos grandes destaques do festival Monsters of Rock (Allianz Parque); desce para o Rio de Janeiro no dia 5 de abril (Qualistage, com o Dirty Honey como convidado especial); e encerra a passagem pelo país no dia 7 de abril, em Porto Alegre (Auditório Araújo Vianna). A escalação do Skynyrd no Monsters of Rock, evento com DNA fortemente enraizado no heavy metal e no hard rock, promete ser um dos momentos mais catárticos do festival. Dividindo o line-up com nomes como Guns N’ Roses, Extreme e Halestorm, Johnny enxerga a mistura de gêneros com naturalidade e muito entusiasmo.  Relembrando o sucesso da banda em festivais pesados como o Hellfest, na França, o vocalista reforça o poder de conexão de sua música e revela a expectativa de cruzar com Slash nos bastidores para agradecê-lo pessoalmente pelo tributo feito a Gary Rossington nos Estados Unidos. Durante este bate-papo com o Blog n’ Roll, Johnny abriu o coração sobre a decisão de continuar na estrada após a perda de Gary. Longe de ser apenas para “pagar as contas”, ele encara a turnê como uma missão quase espiritual de honrar a memória de seu irmão e de seus antigos companheiros. A entrega no palco é um compromisso inegociável para a banda, que faz questão de explodir a cabeça do público, especialmente em países como o Brasil, onde os fãs esperaram décadas por uma turnê mais extensa. Além de celebrar a emoção de tocar para a quarta geração de admiradores e observar que a paixão dos fãs permanece a mesma de 50 anos atrás, o vocalista revelou que o baú da banda ainda guarda surpresas. Existem composições inéditas escritas por ele, Rickey e Gary “na lata”, aguardando o momento certo para verem a luz do dia. Contudo, o foco do momento é celebrar o catálogo histórico e a conexão visceral com a plateia. Confira a seguir a entrevista completa. Na última vez que nos falamos, o foco foi principalmente em São Paulo. Desta vez, a turnê se expandiu para Rio, Curitiba e Porto Alegre. Depois de 50 anos, como é a sensação de ainda estar descobrindo novas cidades e sentindo a energia de públicos que esperaram décadas por este momento? Na primeira vez que fomos, fizemos São Paulo, apenas um show, e pensamos: “uau, isso não é nada. Vamos voltar e fazer mais”. Aí, na segunda vez, acho que fizemos uns três ou quatro. Nem tenho certeza. Talvez dois. Mas desta vez são quatro. Então, na próxima serão cinco, dez, 11, 12. Precisamos fazer uma turnê completa por aí, para ser sincero.  Nós nos divertimos muito na última vez que estivemos aí. Conhecemos muita gente incrível. Todos os fãs que conhecemos estavam tão felizes por estarmos lá. E, acredite ou não, assim que saímos daí, já estávamos tipo: “precisamos voltar”. Então é questão de tentar organizar tudo, fazer os promotores agirem e vamos lá, fazer de um jeito que todos possamos ir, pagar as contas e ver os fãs. Incrível. E o Brasil é enorme. Está empolgado para o Monsters of Rock? Sim, com certeza. Estou ansioso pelo Monsters of Rock. Vai ser muito interessante tocar com todas as bandas. Nós nunca fizemos um show com o Guns N’ Roses, então será ótimo. O Slash fez um tributo aqui nos Estados Unidos depois que o Gary Rossington faleceu, e eu nunca consegui apertar a mão dele. Então, espero conseguir apertar a mão dele e agradecê-lo por ter feito aquilo por nós. Incrível. Vai ser muito emocionante. Sim, vai ser divertido. Falando sobre o Monsters of Rock em São Paulo, o evento tem um DNA enraizado no heavy metal e no hard rock. Como o southern rock do Skynyrd se conecta com esse público mais “pesado”? Como isso acontece? Sabe de uma coisa? Eu estava dizendo a outras pessoas hoje: anos atrás, fomos para a Europa e fizemos um evento chamado Hellfest, na França. E eram todas aquelas bandas de heavy metal, bandas realmente pesadas. Todo mundo lá no mosh pit. E eu pensei: “como vamos nos encaixar nisso? Como vamos nos encaixar em todo esse gênero?”. E foi incrível. Já fizemos esse festival umas três vezes agora. E acho que a música do Skynyrd… sabe, o Metallica gravou Tuesday’s Gone. E um senhor me disse hoje que o Axl Rose é um grande fã de Skynyrd. Então, é incrível para mim como toda essa música meio que se encaixa. E estou ansioso por isso. Vai ser divertido para nós. Eu estou sorrindo, então, sempre que estou sorrindo, é algo bom. E além do Lynyrd Skynyrd, o festival conta com Guns N’ Roses, Extreme, Helloween, Deep Purple, Dirty Honey, você está familiarizado? Você já nos contou sobre o Guns N’ Roses. Sim, Extreme, claro. Sabe, alguns deles eu não conheço. Odeio dizer isso, mas não conheço, mas vou vivenciar no dia. Serei um fã. Então isso será bom. Sem membros originais na formação atual, a responsabilidade de manter a banda tão viva recai pesadamente sobre você e o Rickey (Medlocke). Como vocês

Entrevista | Angra – “Estou muito curioso para ver como será eu, o Aquiles e todo mundo junto no Bangers”

O Bangers Open Air terá um dos momentos mais aguardados do heavy metal nacional em 2026. O Angra sobe ao palco do festival em um formato especial que marca uma reunião histórica de integrantes ligados à fase clássica da banda. O encontro promete celebrar diferentes eras do grupo em uma apresentação pensada exclusivamente para o evento. Além do festival, o Angra também realiza um sideshow especial da turnê Nova Era no Espaço Unimed, ampliando a celebração para o público paulistano. A apresentação paralela reforça o peso do reencontro e cria um fim de semana dedicado à trajetória da banda, reunindo fãs de diferentes gerações. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o baterista Bruno Valverde, que também estará no festival com o Smith/Kotzen, conta como será o formato exclusivo preparado para o Bangers Open Air e explica como funcionará a dinâmica dividida com Aquiles Priester no palco. Como é a preparação física para aguentar uma jornada dupla no domingo com Smith/Kotzen e Angra? Olha, vamos ver o que vai acontecer, mas com certeza é comer muita carne para ter bastante proteína e energia também. Eu faço um ensaio no dia anterior com o Angra e pretendo passar o setlist umas três ou quatro vezes no dia, para ficar com a mão praticamente sangrando, justamente para saber que tem bastante energia para o dia seguinte. Vai ser um dia muito intenso. Provavelmente na passagem de som eu já vou estar com meus dois kits separados. Não vou usar o mesmo kit para as duas bandas, então vai ser uma coisa bem intensa. Vou estar com o meu drum tech lá, que está muito preocupado. Aliás, vai ser a primeira vez que eu vou usar a Tama. O meu próprio kit no Brasil está chegando agora, então é tudo novo nesse sentido. Que bacana, a estreia vai ser aqui? Exatamente. A estreia dos meus novos kits da Tama será no Brasil, especificamente no Bangers Open Air. Mas você não vai tocar o show inteiro do Angra, ou vai? Tem essa vantagem, porque o show do Angra é muito intenso, geralmente tem duas horas ou um pouco mais. Se fosse um show completo comigo tocando tudo, eu ficaria um pouco mais preocupado. Mas como vai ter basicamente uma hora, uma hora e pouco, depois o show do Angra será dividido em três partes. Eu toco a primeira parte, depois entra o Aquiles e, no final, a gente toca junto. Então não vai ser aquela coisa extremamente louca de se fazer, mas vai ser emocionante. Estou muito curioso para ver como vai ser ver todo mundo junto lá. Muita gente que comprou ingresso para o Bangers tem dúvida sobre o formato e a exclusividade do show. No Porão do Rock, por exemplo, foi anunciado somente o Kiko. Qual é a diferença entre as propostas? No Porão do Rock vai estar o Kiko como participação especial. Não vai ter o Edu nem o Aquiles, então a proposta é totalmente diferente. Será um show muito mais parecido com o que a gente já faz, mas com a participação do Kiko. Obviamente vai ter músicas diferentes por causa disso. Também vai ser um show grande, porque a gente será headliner do Porão. Vai ser um showzaço. Da minha parte, vai ter um bate e volta. Esse show acontece no dia 22 de maio. Eu chego no dia, toco e vou embora na madrugada, porque tenho um projeto acontecendo em Los Angeles. Então será bem intenso. Sair do avião e tocar duas horas como um maníaco. E você se prepara fisicamente em Los Angeles? Sim, me preparo bastante. Para o show do Angra, começo a me preparar pelo menos três semanas a um mês antes, com intensidade física mesmo.

Entrevista | Smith/Kotzen – “Estamos todos contando os minutos para tocar no Bangers Open Air”

O Bangers Open Air recebe neste ano um encontro que une peso, groove e história no rock. O Smith/Kotzen desembarca no festival, dia 26 de abril, trazendo ao Brasil a parceria entre dois guitarristas de trajetórias consagradas. De um lado, Adrian Smith, integrante do Iron Maiden e responsável por alguns dos riffs mais emblemáticos do heavy metal. Do outro, Richie Kotzen, multi-instrumentista com passagens por Poison, Mr. Big, The Winery Dogs e uma sólida carreira solo marcada por blues, soul e improvisação. No palco, a dupla é sustentada por dois brasileiros de trajetória internacional: a baixista Julia Lage, que construiu carreira nos Estados Unidos e já integrou a banda Vixen, e o baterista Bruno Valverde, atual baterista do Angra, conhecido por sua versatilidade e intensidade técnica. Em entrevista ao Blog N’Roll, a dupla brasileira, responsável pela cozinha do projeto, falou sobre como surgiu o convite para integrar a banda, a possibilidade de mudanças no setlist no Brasil e a expectativa para o Bangers Open Air. Como foi o convite para vocês integrarem o Smith/Kotzen? E como aconteceu a coincidência de os dois serem brasileiros? Bruno Valverde: Fui tocar em um bar de fusion em Los Angeles chamado Baked Potato, com o guitarrista brasileiro Rafa Moreira. A Júlia e o Richie foram assistir ao show e eu estava na bateria. Já tínhamos nos encontrado antes em Los Angeles, mas ali trocamos contato. O Richie me viu tocando e, cerca de quatro ou cinco meses depois, perto de dezembro, a Júlia me ligou dizendo que ele queria falar comigo. Ele comentou que tinha um projeto com o Adrian Smith e que começariam os ensaios na semana seguinte. Mandou quatro ou cinco músicas e, na outra semana, já estávamos ensaiando para a turnê de 2022. Foi tudo muito direto. Júlia Lage: No meu caso foi algo bem orgânico. Todo fim de ano o Richie fazia uma festa na casa dele em Malibu, que sempre terminava em jam session. No final, ficavam Richie e Adrian tocando por horas. Quando surgiu a necessidade de montar a banda ao vivo, a esposa do Adrian, que inclusive foi quem conectou os dois, sugeriu meu nome. Depois chamaram o Bruno também, colocaram todo mundo no estúdio para testar e tocamos quatro ou cinco músicas. Deu liga. É um ambiente muito familiar. O fato de sermos brasileiros também facilitou a conexão cultural entre nós. O Richie, como multi-instrumentista, é muito exigente ou deixa vocês mais livres? Bruno Valverde: O Richie é um grande músico, com uma cabeça muito voltada tanto para o artista quanto para o instrumentista. Ele gosta muito de música e de improvisar. Na turnê solo dele, há músicas que chegam a 10 ou 15 minutos porque ele gosta de jam, de trocar ideias entre os instrumentos. Ele não limita suas ideias, mas você precisa entender o formato do projeto e agir como profissional. Não é sair ultrapassando limites. Ele sabe o que quer ouvir, mas gosta que você traga algo. É uma construção orgânica. Júlia Lage: Ele gosta que você contribua, mas é preciso entender a música. Existem partes que precisam ser executadas exatamente como são. Ele é aberto, gosta da parte criativa, mas sempre dentro do contexto da canção. Mas, Júlia, como é sustentar a base para o Adrian Smith? Há momentos em que você precisa segurar a mão para deixar ele brilhar? Júlia Lage: Com qualquer artista você precisa entender de quem é o momento. Como baixista, minha função é sustentar o groove. Se há espaço para um detalhe, faço, mas preciso compreender meu papel e o tipo de show que estamos fazendo. No solo de “Wasted Years”, por exemplo, eu executo exatamente como no disco, porque aquele momento é dele. É uma questão de bom senso musical. Bruno Valverde: Estamos ali para servir a música. Não é sobre alguém brilhar mais que o outro, mas sobre criar o ambiente para que cada momento aconteça. Esse projeto é diferente porque todos são muito apaixonados por música. Não é apenas performance, é troca real. Eu ia perguntar, mas já que você mencionou, The Wasted Years vai rolar no Brasil? Júlia Lage: Ainda não discutimos o que será tocado na América do Sul. Provavelmente será muito parecido com o que temos feito, mas, por ser festival e ter menos tempo, talvez algumas músicas sejam cortadas. Bruno Valverde: Existe possibilidade, mas ainda não está definido. E como o Adrian e o Richie enxergam o público brasileiro? Bruno Valverde: É quase unanimidade entre artistas que tocam na América do Sul que o público é muito intenso. É uma energia humana muito forte. Não tem como não ser alimentado por isso. Em alguns lugares da Europa o público é mais contido. No Brasil é uma loucura do começo ao fim. Júlia Lage: Os dois já tocaram muito no Brasil e sabem o que esperar. Estamos todos contando os minutos para tocar na América do Sul e no Bangers. A energia é diferente e isso impacta diretamente o show. Como vocês enxergam a participação no Bangers Open Air, um festival tradicionalmente ligado ao metal, tocando um som mais próximo ao hard rock? Júlia Lage: Será a primeira vez que tocaremos nesse festival com essa banda, então vamos descobrir. Mas o show é energético. Mesmo sendo mais hard rock e blues em alguns momentos, há intensidade. Existe ação o tempo todo no palco. Bruno Valverde: A expectativa do público é grande, mesmo conhecendo o setlist. A gente faz o que precisa fazer no palco e entrega energia. O que vocês têm ouvido atualmente no fone de vocês? Bruno Valverde: Nada, silêncio (risos). Existe uma característica comum entre nós de evitar música de fundo. Estamos todos os dias tocando na estrada, sempre com muito som ao redor. Precisamos de silêncio para descompressão. Júlia Lage: Às vezes escuto algo bem tranquilo para dormir e baixar a adrenalina do pós-show. Depois de horas de intensidade no palco, é importante equilibrar.