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Provocanções #02 – Puxando a descarga do mundo com The Nymphs

LETTY

“Quando será derrubada a infinita servidão da mulher, quando ela viverá para ela e por ela, o homem, – até agora abominável -, tendo-a despedida, ela será poeta, ela também!
A mulher descobrirá o desconhecido! Seus mundos de ideias divergirão dos nossos? Ela encontrará coisas estranhas, insondáveis, repugnantes, deliciosas; nós as teremos, nós as entenderemos.”Rimbaud

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Eu demorei muito até perceber essa nota de rodapé no encarte do vinil. Depois de muitas madrugadas insones à procura de batidas nervosamente tristes, me deparei com esse álbum que é, ao mesmo tempo, uma espécie de prelúdio do apocalipse e um alerta aos crentes: veja bem, depois disso aqui nada existe, podem começar a rir.

The Nymphs. 1991.

Entre as sucatas de bola de bilhar, pneu de carro, um cérebro, um cuco e mais outros objetos que vem e vão sem hesitar nesse mundão, o roxo do mundo sendo deglutido feito dejeto na descarga já anuncia o teor do disco. E não é nada doce até a voz da ninfa Inger Lorre limpar os céus de um dia tempestuoso, daqueles que a gente olha e agradece por estar começando a aparecer tímido por entre as nuvens.

Essa fumaça feito fantasmas imitando anjos
Vieram e esfregaram a morte através de seus cabelos com
Convulsões apaixonantes
Contando belas mentiras e histórias floreadas de
Um lugar onde nada dói e ninguém sabe” – Imitating Angels (música carro-chefe da banda, arde fria feito gelo seco na palma da mão)

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Quão incrível é ouvir uma poesia doce correndo pesada nos ouvidos e nos arrastando pra um lugar inacabado onde ninguém sabe quem é quem? Essa é a magia obscura das ninfas, sereias e outros seres mágicos dos quais não nos aproximamos com medo de não mais poder voltar à superfície. É aquela vontade que nos diz pra por a mão no fogo só pra sentir o frio na barriga de estar perto de sentir dor. É uma viagem ruim num mar agitado e a sensação de estar sempre à deriva no meio do nada. Puxar a casquinha do machucado devagarzinho, sabe?

Não posso dizer muito mais do que isso mas se você, assim como eu, não consegue puxar o band aid de uma vez só por falta de coragem ou mero prazer macabro e nostálgico, essa é a nossa banda, esse é o nosso álbum.

Águas majestosas, lavem tudo isso embora
Despeje sua dor no rio
Uma viagem para o céu está a um batimento de distância
Toda a minha dor
Nesse rio” – The River

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Boa viagem!

Letty

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