The Meffs e G.A.S. Drummers, fúria britânica e orgulho local acendem o pavio para a despedida do NOFX em Madri

Coube ao The Meffs a missão de transformar o clima ainda frio do WiZink Center, numa terça-feira (14), em um caldeirão para o público que aguardava o show de despedida do NOFX em Madri, na Espanha. E a dupla britânica não desperdiçou a oportunidade em sua estreia por essas bandas. Com uma postura de quem tem urgência em dizer o que pensa, o duo cuspiu raiva desde os primeiros acordes. O setlist foi um recorte cru da discografia recente, focado quase inteiramente na série Broken Britain. A abertura com Stand Up, Speak Out e a niilista No Future serviram como cartão de visitas: punk rock minimalista, direto e barulhento. Apesar do horário e do público ainda escasso, a vocalista Lily e o baterista Lewis entregaram performance de gente grande. Faixas como Clowns e Wasted on Women ecoaram pela casa de shows com a ferocidade necessária para acordar quem estava chegando. Eles cumpriram o papel com louvor: incomodaram, gritaram e deixaram o palco aquecido. G.A.S. Drummers veio na sequência do The Meffs Na sequência, a responsabilidade de manter o nível alto caiu no colo do G.A.S. Drummers. Únicos representantes locais na noite, a banda de Jerez de la Frontera trouxe para o palco do Winzik Center a bagagem de quem viveu o auge do punk rock melódico no final dos anos 90. A apresentação foi um exercício de resiliência. Como é comum para bandas de abertura em grandes arenas, eles enfrentaram a “maldição do som embolado” e uma iluminação tímida. No entanto, a banda soube jogar com o que tinha de melhor: a proximidade com o público e um repertório nostálgico. Não é à toa que Tim Armstrong (Rancid) se interessou por eles no passado. Quando clássicos como We Got the Light, Phoenix e American Bliss foram executados, a conexão foi instantânea. Eles driblaram as adversidades técnicas com a experiência de quem já rodou o mundo, revalidando seu cancionero diante de uma plateia ávida por velocidade. Foto por: Musikalia.com

ATEEZ dá show de energia no Coachella; Na madruga tem mais

The Pirate Kings of Sahara ou Os Reis Piratas do Sahara. Foi assim que o ATEEZ foi chamado após a sua apresentação no Coachella, um dos mais famosos festivais de música do mundo. O grupo foi uma das atrações do palco Sahara, no último sábado (13), e fez história ao ser o primeiro grupo masculino de k-pop a participar do festival. Formado por Hongjoong (líder), Seonghwa, Yunho, Yeosang, San, Mingi, Wooyoung e Jongho, o ATEEZ é um grupo da KQ Entertainment que fez sua estreia em 2018, com a música Pirate King. Desde o início da carreira, o octeto é conhecido por dançar coreografias intensas, ao mesmo tempo em que entrega vocais estáveis e muito carisma no palco. Todas essas características foram confirmadas durante o espetáculo no festival, que durou mais de 40 minutos. A performance começou com Say My Name, seguida por Hala Hala, preparando o público para a explosiva Guerilla. O hit faz parte do EP The World Ep.1: Movement e garantiu seis vitórias em programas musicais para o grupo. A apresentação fechou a primeira parte do show com chave de ouro e levantou de vez a plateia do festival. “Break the wall” tomou conta do Coachella Apesar da plateia do ATEEZ não ter sido a maior da noite, com certeza, foi a que chamou mais atenção. Isso porque o fanchant final de Guerrila, onde o público canta “break the wall” diversas vezes, foi ouvido por todo o festival. Pessoas relataram nas redes sociais que era possível ouvir os atinys (nome dado aos fãs do ATEEZ) do palco principal, que ficava distante do palco Sahara, onde o grupo estava se apresentando. the coachella crowd was so loud for ateez that the fanchants were heard from the main stage.. crowd sounds are always lowered and vocals are raised during performances. pic.twitter.com/ErGQQUUWZE https://t.co/UC2SqcC34z — desire🎀 (@desjjong) April 14, 2024 Ao fim da música, o líder Hongjoong conversou os fãs e disse que estava muito feliz com a presença de todos. “Eu consigo ver algumas lightinys daqui”, falou ao reconhecer o light stick oficial do grupo na plateia. O vocalista e visual, Seonghwa, aproveitou para agradecer a oportunidade de se apresentar no festival. “Tem tantos artistas incríveis aqui. É uma honra estar com todos vocês”. Grupo leva elementos culturais ao palco O segundo ato do espetáculo começou com Crazy Form, a principal música de divulgação do último álbum lançado pelo grupo, e mostrou que os oito integrantes ainda tinham muita energia para oferecer. Depois, foi a vez de Rocky, faixa do EP Zero: Fever Part.3. Durante a apresentação de The Real, a sexta música da noite, o palco Sahara foi preenchido por uma festa de elementos da cultura sul-coreana. O momento chegou a aparecer em noticiários da Coreia do Sul, para ilustrar o show do grupo no festival. O cenário se transformou rapidamente em um saloon, um tipo de bar típico do velho oeste norte-americano, para a apresentação de Arriba. Com direito a um bar de verdade! Tanto que, ao final da música, o octeto se reuniu para um brinde com whisky e gritaram “Arriba, abajo, al centro y pa dentro” antes de beber. Mantendo a temática de saloon e com a participação de diversos dançarinos, Django foi a faixa escolhida para encerrar o segundo ato do show. ATEEZ fecha a noite com explosão de energia Antes de cantar as duas últimas músicas da noite, os integrantes trocaram mais algumas palavras com o público. “Eu fiquei muito emocionado de ver todos vocês aproveitando e cantando as nossas músicas” disse Yeosang. “Se tem algo que eu vou levar para casa hoje, são boas memórias”, completou o líder Hongjoong. Já Seonghwa, animou os fãs dando um spoiler da próxima música: “Vocês estão prontos? Preparados para um gostinho do K-Hot Chilli Bar?”. A fala do cantor faz referência ao nome do bar que aparece no music video de Bouncy, uma das canções mais famosas do grupo, que reúne mais de 2,75 milhões de visualizações no YouTube. O instrumental começou logo em seguida, arrancou muitos gritos do público e impressionou ao acrescentar elementos de rock ao som original, como uma bateria e guitarra mais pesadas, que ficaram presentes até o fim da performance. O encerramento oficial do primeiro show do ATEEZ no Coachella ficou com Wonderland e não poderia ter sido diferente! Mostrando o motivo de serem chamados de “Reis Piratas”, o grupo fez do palco um navio pirata, com direito a tentáculos de “Kraken“. A música também entregou um dos high notes mais esperados pelos fãs, cantado pelo vocalista principal, Jongho. O que vem pela frente? Ao finalizar essa apresentação histórica, o ATEEZ confirmou para o mundo que é um dos destaques da 4ª geração do k-pop e que merece toda a legião de fãs que conquistou. É impossível não ser impactado pelo talento e presença do grupo. Isso, todo o Coachella percebeu, mesmo quem não estava assistindo ao show. O octeto tem mais um show marcado no festival, também no palco Sahara, na madrugada deste sábado (20). A apresentação tem início às 2h45. Depois disso, os oito integrantes seguirão com as suas agendas, mas ainda sem informações sobre novos álbuns ou uma possível turnê mundial. Resta aos atinys brasileiros continuar na torcida por mais um show do grupo no Brasil, como o que aconteceu em agosto de 2023, no Allianz Parque, em São Paulo. Esperamos que, muito em breve, todos possam gritar “ATEEZ PRESENT!” mais uma vez.

Big Special, a grata surpresa na abertura do show do Placebo

Foram apenas 35 minutos de show, mas o suficiente para deixar uma boa impressão para o público brasileiro. Abrindo para o Placebo, no Espaço Unimed, no último domingo (17), o Big Special soube aproveitar o tempo para mostrar um pouco do que deve estar em seu álbum de estreia, Postindustrial Hometown Blues, que será lançado em 10 de maio. O duo britânico é muito original, mas é possível sentir influências de Sleaford Mods e Tom Waits, mas com uma adição extra de punk rock. Tudo isso com letras de impacto sobre a classe trabalhadora, críticas políticas e sociais, além de saúde mental. Apesar de curto, o show teve ótimos momentos, como em Shithouse e Trees, essa acompanhada por muitos fãs no coro. O repertório de sete canções também incluiu a recém lançada Butcher’s Bin, mais uma prévia do álbum de estreia da banda. O vocalista, Joe Hicklin, e o baterista, Callum Moloney, conversaram bastante com o público. Ambos têm presença de palco cativante e influenciam demais no comportamento do público.  Escolhidos a dedo pelo Placebo, o Big Special está com vários shows esgotados no Reino Unido, além de confirmados no Reading e Leeds Festival, no segundo semestre. No fim do ano tem um show agendado no O2 Forum Kentish Town, em Londres. Será a maior apresentação solo do duo na capital inglesa. Setlist DESPERATE BREAKFAST THIS HERE AIN’T WATER SHITHOUSE Butcher’s Bin Dust Off / Start Again Trees Dig!