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Foto: Isabela Carrari

História do Rock Santista

Bad Religion: o dia que a banda pediu açaí e ganhou camisa do Santos

*CELSO BERNARDES

Muita gente boa passou por aqui, artistas de todos os quilates e nacionalidades. Trouxemos bandas como Mxpx, Rufio, Story of the Year, New Found Glory, Face to Face, Pennywise e Bad Religion. Fora todos os nomes nacionais possíveis e imagináveis.

Claro que sempre falta alguém na lista, mas existem aqueles shows épicos que você nunca esquece. E tem um lado que você também não consegue controlar: o fã.

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Meu TBT de hoje vem de um dia muito especial. Fui um dos sobreviventes do famoso apagão da antiga Reggae Night, no Morro da Nova Cintra, que recebeu o Bad Religion pela primeira vez em Santos, em 1999.

Bad Religion é minha banda favorita até morrer. Em 2014, a oportunidade bateu na minha porta. No dia 7 de fevereiro daquele ano, resolvi contratar a banda para retornar a Santos, em um show na Capital Disco.

A cidade estava em polvorosa com o retorno de um dos shows que mais marcaram a história do hardcore na cidade. Ingressos esgotados!

Aí começa minha saga como fã. Estava nervoso, trêmulo. Cheguei cedo na Capital Disco. Palco escolhido para o evento, montagem, testes, cenário subindo, equipe técnica chegando…

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Eis que desce de chinelos, humildemente, Mr Jay Bentley, como nada fosse. Ele foi fazer um reconhecimento do terreno. Ali já perdi a fala e não consegui falar mais nada. Só olhei paralisado.

Balde de açaí

Fomos até o “stage”, tudo ok. Trocamos algumas palavras, mas ele me perguntou sobre açaí. Devolvi querendo saber se ele conhecia já. Os gringos adoram. Exagerei, logo mandei buscar um fardo de dez quilos do produto. De bate pronto já prometi que estaria no camarim na hora do show.

Na coletiva de imprensa, que rolou de tarde, novamente Jay e Brian Baker apareceram. Todas as honrarias feitas. Inclusive pelo Santos Futebol Clube, que deu alguns presentes.

Entrevista ok, fomos à passagem de som. Mas faltava um, não menos importante integrante. Greg Graffin não apareceu, preferiu descansar para a grande noite de retorno.

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Posteriormente, fomos ao camarim. A banda se recolheu para se preparar. É muito comum os gringos permanecerem por lá algumas horas pré-show. Eles querem afinar todos os detalhes, são muito perfeccionistas.

Tatuagem do Bad Religion

Celso Bernardes foi o responsável por trazer o Bad Religion a Santos, em 2014

Enquanto isso, resolvi marcar minha pele com uma pintura de guerra. Na sala ao lado do camarim, meu amigo Redh Tattoo eternizou o logo da banda em meu braço esquerdo.

O barulho da máquina chamou a atenção de Brian, Jay e Brooks (atual batera do Avenged Sevenfold), que foram até lá. Eles ficaram honrados pois viram que realmente estavam com um produtor envolvido com a banda. Ademais, em nenhum momento foi invasivo.

Porém, eu estava lá fazendo daquele momento um dia inesquecível. Fotos no Twitter de Brian e tudo. Ali já tinha ganhado a noite. No entanto, o melhor estava por vir. Tattoo pronta, saí da sala. Me deparo com a chegada de Greg.

Eu era só mais um tatuado com o logo da banda dele no braço. Mas consegui ter um breve contato. Entretanto, para a minha surpresa, ele também ficou surpreso. Tiramos fotos. Como já estava para iniciar a apresentação, desejei aquele “bom show”.

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O show foi incrível! Tem um vídeo bem intimista do amigo Marcelo Trapa. Ele gravou Generator sendo cantada em coro pela casa lotada. Já achei que aquilo fosse o final perfeito.

Santos Futebol Clube

Entretanto, o melhor estava por vir. Greg entrou no camarim de apoio, ao lado do palco. Eu estava lá, sozinho, em êxtase, e com a camisa do Santos FC na mão, com o nome dele nas costas. Ele a pegou das minhas mãos tal como uma troca de camisas entre jogadores no final da partida. Ganhei a camisa que ele fez o show quase inteiro. Ele completou a apresentação com 21st Century Digital Boy e American Jesus, mas usando a camisa do Peixe!

A galera foi ao delírio (não todos), mas foi uma homenagem a Santos, a cidade que ama o Bad Religion!

Fim de show e peguei o elevador. Encaminhei a produtora da banda e Greg até o camarim. Ele havia estudado tudo sobre a cidade. Disse que realmente a vibe de Santos se assemelhava muito à Califórnia. Não perdi tempo e completei: nós somos a Califórnia Brasileira.

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A minha sensação foi de dever cumprido. Ele com certeza de que foi mais um dia inesquecível para a banda.

Lembrar disso faz alimentar e nunca morrer a essência que essa cidade tem de ligação com este estilo de música. O hardcore nunca vai morrer na alma da galera do surf e do skate na Califórnia Brasileira!

*Celso Bernardes é produtor de shows, fundador da Rock Show e ex-vocalista da Dip Lik.

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