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Citizen @ fabrique club 2017 - flávio santiago - onstage 2
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Resenha de Shows

Espera recompensada: Citizen faz apresentação histórica em São Paulo

Fotos: Flávio Santiago/Onstage

Lembro-me de confessar a um amigo, ainda em 2016, que a Citizen era uma das bandas que eu mais gostaria de assistir ao vivo. “Nossa, acho difícil, hein”, recordo dele ter respondido, talvez imaginando que a fan base não lotaria uma casa para os americanos de Ohio. Na verdade, ouvi isso mais algumas vezes, de pessoas diferentes, até que este ano a Solid Music Entertainment anunciou a vinda da banda para divulgar o disco Jet, lançado no ano passado pela Run For Cover Records e produzido pelo Will Yip.

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O último sábado (28), portanto, não poderia ter sido mais esperado. Como a boa pessoa sensível que sou, imaginei o show, o que eu sentiria a cada música e qual seria minha resposta para tudo aquilo. Bem, ainda estou digerindo. Por isso, esta não é uma resenha normal, em que me bastava descrever as apresentações e as setlists da banda, mas também trazer um pouco daquilo que eu senti. Aposto que ninguém é capaz de dizer que este show foi como qualquer outro.

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17h40 – Vistas

A noite começou com o show da banda Vistas, direto de Florianópolis. Composta por seis músicos, eles demonstraram pleno domínio do palco, com músicas e letras fortes que muito lembravam a atração principal da noite com um boa pitada de La Dispute. A expressão, por meio das letras ou da própria presença da banda, era emocionante, poética, algo realmente belo de se assistir. O clarinete de Vinícius Nery dá o toque final.

Os catarinenses tocaram músicas de seu primeiro EP, Marasmo, lançado no ano passado. Músicas como Água Lupita se destacaram na apresentação. A última delas, principalmente, pela forma que foi apresentada pelo vocalista Guilherme Guths (“Essa música eu fiz pro meu cachorro que morreu”, disse). Quem imaginava que uma descrição tão simples escondia uma ótima canção? Para fechar o setlist, eles tocaram Whole, da banda Basement.

18h30 – Black Days

Em maio do ano passado, eu assisti os paulistanos da Black Days pela primeira vez e, no último sábado, pude comprovar como o show deles é autêntico, bem humorado e agitado, muito embora o vocalista Bruno Figueiredo e o baixista (João Bonafé, ex-Gloria) tenham brincado algumas vezes sobre a timidez da platéia durante a apresentação.

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Com energia para dar e vender, eles tocaram músicas como A Ponte, Latência, 1.8.1 Ensaio Sobre a Loucura. Outra canção que é incrível e mais uma vez não ficou de fora do setlist dos caras foi Vida Que Segue. Para fechar o gig, eles escolheram Entre o Caos e a (R)evolução, uma faixa com mensagem forte.

19h30 – Citizen

Ver o vocalista Mat Kerekes subir ao palco sorrindo deu a sensação de alívio que todos esperavam. O Citizen realmente tinha vindo ao Brasil após pelo menos sete anos de espera dos fãs. Um pouco tímida de início, a banda escolheu a imponente Roam The Room para dar start no show e emendou a The Summer – pessoalmente, uma das minhas músicas favoritas da banda. Nos primeiros minutos dela, eu chorava sem nem perceber. Fato é que eu estava emocionada por tudo que aquela música significava na minha vida, me fazendo recordar uma série de situações em que ela foi importante. Antes que eu me desse conta, já era engolida pela multidão próxima ao palco. Felizmente eu e o celular sobrevivemos para poder continuar anotando detalhes da apresentação.

A Citizen parou poucas vezes para conversar com os fãs. Mas as poucas vezes que fez isso, foi ouvida atentamente e ovacionada, principalmente quando disseram que estavam felizes por finalmente tocar no Brasil, mesmo que a rotina tenha feito com que eles perdessem um pouco do tesão por fazer isso. Mat destacou que São Paulo teve o melhor show da turnê sulamericana.

Outras canções que mexeram com o público e também comigo foram Sleep, Ugly Luck, The Night I Drove Alone  Numb Yourself. Nessas duas últimas também foi difícil conter o choro e o público ficou muito agitado, o que é natural, porque esta foi uma apresentação para chorar e gritar até perder a voz. Nós esperamos por tanto tempo, fizemos uma festa à altura.

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Após tocar Jet, faixa-título do mais novo disco e música que, segundo o baterista Jack Duhaime, não deixaria o setlist da banda tão cedo, eles se despediram da banda e deixaram o palco. Mal deram tempo do público lamentar o fim do show, pois em um minuto estavam novamente com os instrumentos em mãos para tocar mais duas canções: Drown Drawn Out.

Ok, agora o show realmente tinha acabado. Na verdade, ficou faltando um detalhe que todos começaram a gritar em coro: How Does It Feel, How does It Feel. Ninguém queria ir para casa sem ouvir uma das músicas mais conhecidas dos caras. E, em um gesto inédito da banda nesta turnê, eles subiram ao palco mais uma vez para cantar o hino dos emos tristes (rs).

De forma geral, o setlist da noite foi bastante rico, com faixas de todos os discos da banda, inclusive o Young States, de 2011. A banda passeou pelas principais canções do Jet (2017), Everybody Is Going To Heaven (2015) e Youth (2013). Faltou alguma música? Sempre falta, mesmo que eles tenham voltado ao palco duas vezes naquela noite. Yellow Love, Flowerchild, Dive Into My Sun Heaviside teriam deixado o setlist ainda mais lindo, se é que isso é possível.

Setlist – Citizen @ São Paulo:

Roam The Room
The Summer
Fever Days
In The Middle Of It All
Sleep
Cement
Medicine
Ugly luck
The Night I Drove Alone
Speaking With A Ghost
Numb Yourself
Jet

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Bis:
Drown
Drawn Out

Bis II (a pedido do público):
How Does It Feel

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