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Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

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Hoje Eu Quero Voltar Sozinho: relembre suas paixões de adolescência!

Áudio Descrição: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Um filme sensível que mostra a descoberta de si mesmo, durante um dos períodos mais conturbados da vida: a adolescência. Separe o café, o coração e a canção Vagalumes Cegos, de Cícero. Pois assim como cartas de amor nos tempos de guerra, o espaço para nos emocionar neste dia, é do longa Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro.

“Ninguém vai dizer
Que foi por amor
Todos vão chamar de derrota
Vamos esconder nosso cobertor
E vamos viver sem escolta”
Cícero, Vagalumes Cegos

Lançado em 2010 pela Lacuna Filmes, o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho ganhou vários prêmios pelo Brasil e conquistou mais de 7 milhões de visualizações no YouTube.

Quatro anos depois, após grande repercussão, o diretor e roteirista Daniel Ribeiro emocionou uma geração com o longa-metragem. Nele, explora ainda mais o universo deste trio de amigos, e consequentemente, o romance sutil entre Leonardo e Gabriel.

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Depois de uma década, o filme ainda é referência nacional no gênero romântico ao retratar um relacionamento homoafetivo, no protagonismo de um deficiente visual.

Relembre Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Em meio à pandemia da covid-19, o novo coronavírus, hoje vamos falar sobre a doçura daqueles que nos acompanham nesta estrada longínqua que chamamos de vida.

Em momentos como este, de isolamento e solidão, descobrimos nos amigos próximos o amor. Para não esquecermos deste sentimento, eis a cumplicidade entre Giovana, Leonardo e Gabriel.

Uma sala de aula, uma piscina, e boas histórias naquele verão

A gente nunca faz nada nas férias, nada acontece.
– Você quer que aconteça o que, Gi?
– Ai, não sei. Mas os grandes dramas, os grandes amores. Nas nossas férias nunca acontecem
.Diálogo de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

É assim que essa dupla inabalável começa a história. Giovana e Leonardo são amigos de longa data. Ou seja, devem ter se conhecido no ensino infantil e seguem juntos dividindo os segredos mais íntimos.

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O cotidiano de ambos é relativamente simples. Estudam, esperam algo inevitável acontecer, falam mal dos colegas de sala, e sobretudo, se questionam sobre o próprio destino.

Tudo corria serenamente, até que um novo aluno surge na escola. Um garoto de cachos castanhos, chamado Gabriel, atrai os olhares da turma. Até mesmo de Leo, protagonista do filme, que é deficiente visual.

Filho de pais super-protetores, a adolescência de Leo tem sido mais do que uma época de dúvidas. A independência é uma lacuna primordial para o jovem, mas está sempre acompanhado de alguém, como Giovana.

Neste momento, tudo que ele mais almeja é poder dar os primeiros passos sozinho. Entretanto, esta oportunidade não existia até a chegada de um trabalho bimestral na aula de História.

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A tarefa deve ser feita em duplas do mesmo gênero. Portanto, o laço entre Giovana e Leonardo se desprende. Um novo universo urge para o garoto quando seu parceiro para a tarefa é o recém chegado Gabriel.

Desta forma, o início do verão é repleto de músico clássica, dias ensolarados e dança. Tudo acontece nos dias que procedem, entretanto, o trabalho fica de coadjuvante diante da relação.

O amor na adolescência

Tudo é um embaraço só, do jeitinho que a juventude é! Giovana gosta de Gabriel, que por sua vez gosta de Leonardo, o amor de Karina. E por aí segue, sem ninguém saber dos segredos alheios.

A narrativa é construída explorando o cotidiano desse trio de amigos, de maneira sensível e íntima, portanto, possibilita ao espectador lembrar dos próprios amores. O filme também trata sobre o universo LGBTQI+, pois foca no romance sutil entre os garotos.

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O roteirista e diretor, Daniel Ribeiro, constrói um casal não sexualizado. Um beijo roubado em uma tarde da semana é o ápice dos toques. Em entrevista ao programa Metrópole, da TV Cultura, em abril de 2014, o cineasta contou sobre a postura dos personagens.

“O que eu mais usei, foi o que havia dado certo no curta metragem. Os personagens não foram hipersuxualizados. […] Quando eu fiz, não foi intencional e as pessoas amaram isso. Elas falavam: ‘ai, que bom que não é um personagem gay sexualizado’. Isso porque, quando você é jovem e está se descobrindo, você está falando de amor. A sexualidade te guia para esse desejo, mas o processo é o amor”, revela.

A metáfora do eclipse

Um eclipse iria se pronunciar no céu poluído de São Paulo. Leo não pode ver o fenômeno, mas acompanha Gabriel até o pico de um terreno para acompanhá-lo. Gabriel então descreve o que observa no eclipse com uma metáfora sobre o afastamento de Giovana.

“Aqui está o Sol, a Terra e a Lua. O Sol ilumina a Terra, ilumina a Lua, assim como ilumina seu rosto. O eclipse acontece quando os três ficam perfeitamente alinhados. Então aquela luz que ilumina a Lua, deixa de iluminar. E como a gente só vê o que é iluminado, não enxergamos mais a lua. Mas é bem rápido, porque a Terra sai do meio dos dois, e nós voltamos a enxergar a lua”.

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Um romance da classe média

Nas cenas que remetem ao ambiente escolar, há momentos de bullying onde palavras de teor ofensivo são pronunciadas. Contudo, nem se compara à realidade vivida por jovens brasileiros ao se assumirem homosexuais.

Na narrativa do longa-metragem, quem sabe desse amor são somente os adolescentes. Os pais, por exemplo, não têm conhecimento do romance entre Leo e Gabriel.

O filme não contém agressões, nem conceitos religiosos. Apenas a descoberta dos gostos de si e do outro. Podemos pensar que Daniel Ribeiro quis retratar uma geração independente dos conceitos tradicionais. Em entrevista à TV Cultura, o ator Fábio Audi, que interpretou Gabriel, comenta sobre a perspectiva desta geração.

“As gerações mais jovens, hoje, estão se desprendendo daquela obrigatoriedade de seguir a tradição. Elas conseguem recriar e escolher seus próprios caminhos. Elas estão mais independentes dos seus processos históricos. […] No caso da sexualidade, os jovens estão muito mais livres e espontâneos, para sair por aí e mostrarem o amor”, conclui.

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O longa Hoje Eu Quero Voltar Sozinho está disponível na Netflix, e também neste canal no Youtube. Já o curta-metragem, pode ser visto aqui.

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