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Crédito: JVPortugal

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Entrevista | Detonautas – “A gente continua produzindo, criando, escrevendo e compondo”

O Detonautas lançou, na noite desta quinta (27), o primeiro EP do DVD Acústico 20 Anos – O Amor Não Tem Inimigos. O trabalho celebra as duas décadas de carreira da banda com releituras de grandes hits, além de composições inéditas. A primeira leva traz quatro canções: Aposta, O Dia Que Não Terminou, Por Onde Você Anda? e Lógica. As outras duas partes chegam em agosto e setembro.

Fruto de um trabalho de memórias, amizade e dedicação, o destaque desta primeira fase do lançamento é a inédita Aposta. A canção, de certa forma, também diz sobre a trajetória nem sempre linear do grupo, expondo, em um relato sincero, a alma e as ambições profissionais e pessoais de seus integrantes.

O vocalista do Detonautas, Tico Santta Cruz, conversou com o Blog n’ Roll sobre o novo projeto, repertório, vontade de ir para a estrada, além de um possível show acústico em Santos. Confira abaixo.

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Como foi o processo de produção do Acústico?

A gente começou a produzir em janeiro de 2020, fevereiro fizemos algumas sessões, mas em março veio a pandemia. Aí foi interrompido e ficamos com mais dois anos de pandemia aguardando a oportunidade de retomar o processo de produção do acústico.

Nesses dois anos a gente acabou gravando dois discos, os álbuns Laranja e Esperança. Quando a pandemia finalmente acabou, a gente se reuniu de novo, graças a deus sobrevivemos todos, tivemos esse privilégio, digamos assim, porque foram tempos muito difíceis para todo mundo, para a humanidade.

Sobrevivemos todos, já foi uma vitória enorme encontrar todo mundo no estúdio, as mesmas pessoas que começaram o projeto em 2020. Dali a gente começou a produzir essa nova etapa do Acústico, já também com outras músicas novas porque já tinha lançado um disco no ano anterior.

O processo todo do Acústico passa por essa etapa, que é começar em 2020, passar por uma pandemia no meio, sobreviver a essa pandemia, por fim, concluir em 2023. Então é uma celebração de 20 anos de carreira, mas também uma celebração da vida.

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E a escolha das músicas que estão nesse primeiro EP?

Para o primeiro EP, a gente entendeu que precisava passar pelos 20 anos em quatro músicas, isso é uma coisa que parece quase impossível porque tu tem um repertório de 18 ou 19 faixas que estão dentro deste acústico.

Mas entendemos o seguinte: a gente precisava ter uma música inédita, Aposta; um grande hit da primeira leva da carreira do Detonautas, que é O Dia Que Não Terminou; um bom sucesso na época de independência, que a gente ficou de 2011 até 2019, que é o Por Onde Você Anda; e gente precisava de uma canção que também oferecesse aos fãs do Detonautas, que resistiram a todos esses anos, então escolhemos Lógica, que é do álbum Retorno de Saturno.

A gente construiu esse primeiro EP com essa ideia de oferecer quatro momentos diferentes da carreira: um momento inédito, dois hits e uma música que é parte da vida das pessoas que acompanham o Detonautas de perto.

Fala um pouco sobre as participações do Lucas Silveira, Badauí e Di Ferrero? Vocês já haviam trabalhado juntos?

Foi muito bom! O CPM 22 é uma banda que o Detonautas sempre teve uma boa relação, mas Fresno e NX Zero foram bandas, ali nos anos 200, que tive muitos embates durante algum tempo, promovidos por mim de forma totalmente equivocada. Felizmente, durante o período posterior, consegui rever minha posição, avaliar melhor as questões com as quais estava me relacionando e pude pedir desculpas pelas coisas que falei naquela época.

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Eu e o Lucas, da Fresno, iniciamos uma amizade um pouco antes da minha com o Di, durante a pandemia. Aí quando passou tudo isso e já resolvida essas questões, achei muito positivo a gente poder reunir toda essa geração no palco pela primeira vez. É o primeiro registro oficial, gravado e registrado dessa geração: CPM 22, Detonautas, NX Zero e Fresno em um álbum.

O que é muito comum nos outros estilos, a reunião de vários artistas no mesmo single, no rock você vê pouco. A gente conseguiu fazer uma junção de todo mundo representando a geração 2000 e o resultado ficou excelente. Também tem essa carga da questão que pontuou os anos 2000 e foi resolvida em cima do palco.

Ou seja, tem uma vitória da nossa função como amigos e pessoas que se respeitam. Foi muito legal essa junção com todos eles, fiquei muito feliz de tê-los no palco junto com o Detonautas.

O que você pode adiantar sobre Aposta, a canção inédita do álbum?

Aposta é uma música que a gente mistura as influências do Detonautas, o RAP, o violão, que é onde nascem as canções, e as linhas melódicas tradicionais dentro do nosso repertório. Dentro dessa roupagem acústica, a gente foi construindo uma atmosfera que alcança públicos mais variados: do rock ao rap, o trap, que são as rimas dentro dessa métrica que já foi bem usada pelo rock, mas está esquecida.

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Agora, a gente retomou, acho que Aposta é uma música que vai oferecer ao público do Detonautas a oportunidade de ver que a gente continua produzindo, criando, escrevendo e compondo. É um trabalho bem legal e pode dar um resultado surpreendente.

Sobre essa divisão do projeto acústico em EPs, isso é algo mais voltado para atender um formato mais comercialmente viável ou era um desejo da banda?

É uma estratégia que a gente adotou pensando em conseguir acessar a dinâmica atual das redes, algo mais rápido. Se a gente jogasse o acústico inteiro de uma vez, as pessoas poderiam não prestar a atenção em um trabalho como um todo. Você entregando por partes, você consegue fazer com que as pessoas possam desfrutar de cada música no momento que essas músicas estão sendo oferecidas, sem ser uma coisa de uma vez só, que acaba ficando jogada pela rede.

Não que ache que o acústico ficaria, pelo contrário, acho que o Detonautas tem uma tradição no acústico e acho que as pessoas se interessam nesse conteúdo vindo de nós, mas estrategicamente a gravadora acerta e a banda também, quando aposta em três lançamentos.

Um lançamento agora em julho, outro em agosto para fortalecer o de julho, outro em setembro para fortalecer o de agosto. Por fim, a gente soma tudo e disponibiliza o produto inteiro.

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O Detonautas já pensa em um sucessor para esse projeto acústico? Trabalha em canções inéditas?

Acho que, por enquanto, a gente tem que formatar essa turnê. Não fizemos a turnê do outro acústico, então é uma turnê inédita que vai fazer com que a gente tenha que sonhar. A gente vai fazer um combo dos dois acústicos pra levar para a estrada, isso vai tomar nossa atenção pra concentrar agora neste formato.

Acho que, com o tempo, a gente sentindo como vai ser a reação do público, como vai ser a nossa atividade no palco e tudo, podemos pensar numa próxima oportunidade.

Agora é muito cedo, tenho escrito músicas aqui, não parei de compor, já tenho umas três ou quatro músicas que compus nesses últimos dois meses e vou gravar com meus parceiros de banda para deixar lá registrado. Mas não é nada formatado para um próximo projeto não, é só um exercício de manter a cabeça funcionando.

E turnê? Podemos esperar esse acústico em Santos também?

A nossa ideia é ir no máximo de lugares possíveis que possam nos receber com esse formato muito interessante. Esse formato também requer outros músicos, não só os músicos do Detonautas. A gente trabalha com cordas, metais, teclados, pianos, então é um formato maior, são mais artistas em cima do palco.

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Santos é uma cidade que a gente esteve recentemente para fazer um show, foi muito legal e espero poder voltar em um show do Detonautas Acústico.

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