Atração de abertura do Harry Styles no Brasil, Fcukers lança álbum de estreia

Se você ainda não ouviu falar do Fcukers, prepare-se: você vai ouvir muito o nome deles até julho. A dupla formada por Shanny Wise e Jackson Walker Lewis lançou seu álbum de estreia, Ö, pelo prestigiado selo Ninja Tune. O lançamento consolida o status da banda como a nova favorita de ícones como David Byrne, Billie Eilish e Kevin Parker (Tame Impala). Produzido por Kenny Beats e mixado por Tom Norris (responsável pelo som de Charli XCX e Lady Gaga), o disco é uma explosão de energia de pista, fundindo o baixo pulsante do pós-punk com a urgência da música eletrônica contemporânea. Fcukers será “esquenta” para Harry Styles A notícia que mais mexe com o público brasileiro é a confirmação do Fcukers como a atração de abertura da turnê Together, Together, do cantor Harry Styles. A dupla subirá ao palco do Estádio MorumBIS, em São Paulo, em quatro datas: 17, 18, 21 e 24 de julho. Essa escalação não é por acaso. O Fcukers vem de uma sequência de shows esgotados em Londres e Nova York, além de apresentações em festivais como Coachella e Glastonbury. O som deles, que eles mesmos definem de forma irônica e direta, é feito para quem não quer ficar parado. Faixas como Play Me e I Like It Like That prometem ser os pontos altos da noite antes da entrada do astro britânico. Produção de elite O álbum Ö traz a assinatura de Dylan Brady (100 Gecs) em três faixas, garantindo aquele toque experimental e acelerado que virou marca registrada da cena atual. O disco captura o caos de uma noite em Nova York, indo de batidas pesadas a momentos mais melódicos, sempre sob o comando dos vocais magnéticos de Shanny Wise.
Álbum de estreia do Vanguart chega ao streaming após 19 anos

Se você tentou montar uma playlist de “Indie Rock Nacional” nos últimos anos, certamente esbarrou em um buraco: a ausência da versão original de estúdio de Semáforo. Essa lacuna histórica será preenchida na próxima quinta-feira, 2 de abril, quando o álbum homônimo de estreia do Vanguart (2007) chegar finalmente a todas as plataformas digitais via gravadora Deck. Lançado originalmente em julho de 2007 através da Revista Outra Coisa (projeto de Lobão que distribuía CDs em bancas de jornal), o disco nunca havia recebido um lançamento oficial nos aplicativos de música em sua forma original. Até agora, os fãs precisavam se contentar com registros ao vivo ou versões de projetos paralelos. Marco zero do indie brasileiro dos anos 2000 Gravado pela formação clássica do quinteto, Hélio Flanders (voz, gaita e violão), Reginaldo Lincoln (voz e baixo), David Dafré (guitarra), Douglas Godoy (bateria) e Luiz Lazzarotto (teclados), o disco é um dos pilares do que se convencionou chamar de “indie folk” no Brasil. Além do megahit Semáforo, o álbum traz outras favoritas do público que agora ganham vida digital, como a visceral Cachaça, revelando o trânsito da banda entre o folk-rock de Bob Dylan e a melancolia da MPB setentista. 💿 Serviço: Lançamento digital “Vanguart” (2007) O álbum marca o início da trajetória da banda que, atualmente, segue como um duo formado por Hélio Flanders e Reginaldo Lincoln.
Entrevista | Undo – “Queremos uma música que comunique e que traga de volta a força para canção e letra.”

Liderada por Andre Frateschi, atual vocalista de turnê da Legião Urbana, o Undo chega ao álbum de estreia movida por uma mistura de inquietação e maturidade artística. Formado por músicos profundamente ligados ao rock nacional, o quinteto abraça uma estética que recupera a força do post-punk e da new wave dos anos 80 sem abrir mão de um olhar contemporâneo. O resultado é um trabalho que assume identidade própria ao unir atmosferas sombrias, melodias marcantes e letras que exploram os conflitos e as reconstruções possíveis do dia a dia. Fazem parte da banda também Rafael Mimi e Johnny Monster nas guitarras, Rafael Garga na bateria e Dudinha Lima no baixo e na produção. Para quem ainda não conhece o Undo, a banda vai agradar em cheio fãs de bandas como Joy Division e The Cure, bem como uma nova geração que busca por sons radiofônicos de rock alternativo. O disco, autointitulado, apresenta um conjunto de faixas que reforça a versatilidade da banda, indo do lirismo elétrico de “Músculo Novo do Medo” às frenéticas camadas de “Kill Billy”, parceria com Dado Villa-Lobos. Entre singles já conhecidos e composições inéditas, o álbum revela uma banda segura de suas referências e, ao mesmo tempo, determinada a propor novos caminhos dentro do rock brasileiro. Agora, no lançamento desse trabalho que consolida a formação e o conceito do Undo, a banda conversou com o Blog N’Roll sobre criação, influências e o processo de dar forma a esse universo sonoro. A sonoridade de vocês tem ligação com os anos 80, mas com um olhar atual, principalmente do cenário indie americano e inglês. Que referências vocês buscaram para equilibrar essa essência dos anos 80 com elementos mais novos? André – Acho que nada foi buscado de forma deliberada. As referências estão ali porque fazem parte da nossa origem, mas, ao mesmo tempo, somos muito inquietos e estamos sempre olhando para o que está sendo produzido hoje no mundo. Não sentamos nas referências antigas achando que já basta. Se fosse assim, não estaríamos fazendo uma banda agora. A vontade é experimentar coisas diferentes e chamar atenção para o que achamos importante: a canção e as letras, que parecem estar um pouco diluídas. Muita gente produz coisas interessantes, mas no mainstream as letras e melodias perderam importância, e pra gente isso é essencial. A banda nasce dessa vontade de fazer música relevante, que comunique com mais pessoas, não apenas com uma bolha indie. Se vamos conseguir, não sei, mas é sincero. Queremos uma música que comunique e que traga de volta a força para canção e letra. Sobre o nome da banda: no primeiro momento a gente lembra de algo ligado a recomeçar, desfazer, até mesmo o atalho Ctrl+Z do teclado. Como o nome surgiu e como vocês bateram o martelo? André – Isso aconteceu no primeiro dia em que nos juntamos. Eu convidei o Oscar e o Johnny, estávamos na casa do Flávio, nosso produtor. O Mimi também estava. Falamos sobre montar a banda e começar a pensar em nomes. Três minutos depois me veio “Undo”. E pensei: Undo também é como um mundo faltando um pedaço, o M já caiu, já está lá embaixo na ribanceira, sobrou só o M. O nome bateu em todo mundo de primeira, o que é raro. Todo mundo falou “é isso”. Hoje gostamos de falar abrasileirado, para facilitar o entendimento e para reforçar essa imagem do mundo despedaçado. E assim viramos Undo. Mimi – A outra opção era Arquitetos da Indonésia. Brincadeira (risos), não tinha nome nenhum. No álbum já era esperada uma participação do Dado, que é seu parceiro, André, nos últimos anos. Também tem o Leoni. Como foram os bastidores das gravações com eles? Eles trouxeram ideias, chegaram com algo pronto? Johnny – Foi bem natural. O Dado já tinha relação com o André. Ele não esteve no estúdio com a gente, gravou no próprio estúdio e mandou. O riff que ele apresentou era muito bom, é o da música “Kill Billy”. Mantivemos o riff, mas repaginamos a música para a nossa cara. Ele adorou o resultado e já tocou com a gente algumas vezes. O Leoni foi mais íntimo, porque temos um projeto chamado Hospitais, com apresentações em hospitais. Ele conheceu a banda, adorou e fez uma letra com o André, além da música do Mimi. Lembro de um dos dias mais bonitos da banda, na casa dele, quando mostrou o que preparou para “Aprender a Perder”. Ficamos emocionados. Ele é um gigante da composição pop brasileira, então são participações de muito peso. O Leoni brinca que “se convidou”, que ninguém chamou. Quando fazíamos o trabalho nos hospitais, falávamos da banda e ele dizia “me manda, quero fazer algo com vocês”. Achei que ele estava falando só por falar, mas ele sempre foi presente e importante. Foi o primeiro a dar um selo dizendo “o trabalho de vocês é bom, sigam nisso”. Para nós, ele é muito querido. A banda é formada por músicos experientes, cada um com sua bagagem. Como foi o processo criativo? Foi natural ou teve disputa de direcionamento? Mimi – Foi super tranquilo, sem briga nenhuma. Começamos com um núcleo menor e as coisas fluíam naturalmente, sem foco rígido de “vamos pra cá”. Tinha ideias minhas, do Johnny, o André trouxe várias letras, e formamos aquele primeiro núcleo. Depois chegou o Dudinha para produzir, com ouvidos frescos, e deu um novo ar ao material. Depois veio o Garga também com ideias. Tudo muito respeitoso. Fazer música é confiar no outro e deixar que ele coloque suas referências. A música nacional sempre teve grandes movimentos, temos o rock de Brasília, a mistura dos anos 90, depois o emo nos anos 2000. Hoje há uma cena indie forte que tem sonoridade semelhante à de vocês, que remete a um post punk e anos 80. Como enxergam essa galera nova trazendo esse som e como vocês se encaixam num futuro próximo de shows? Johnny – Não sei se nos encaixamos exatamente nessa cena, até pela nossa
Ouça em primeira mão! Lado Blue lança álbum de estreia

Estilhaços é o primeiro disco da Lado Blue, banda de rock formada por Michelle Marques, Matheus Leche e Pedro Emanuel em Montes Claros, Minas Gerais. Com nove faixas, o álbum – que está sendo lançado hoje (05) – percorre temas como vivências afetivas, dores geracionais, saúde mental e as pressões da vida contemporânea, traçando um caminho sonoro que atravessa o blues, o grunge, o indie e o rock alternativo. A construção do disco começou com Lava, primeira música escrita por Michelle, vocalista da banda. A faixa havia sido registrada inicialmente em formato live session e passou a integrar os shows da banda. Durante esse processo “(…) chegamos em nove músicas prontas que deram vida ao Estilhaços”, conta Michelle. A escolha do título veio do entendimento coletivo de que essas composições partiam de fragmentos: experiências pessoais, rupturas, angústias e afetos atravessados por um tempo de desgaste emocional. Concebido com o propósito de expressar uma sonoridade direta e crua, próxima à linguagem dos ensaios, o repertório, em maior parte, retrata experiências pessoais da vocalista. “As músicas que abordam temas de relacionamento sempre trazem o ponto de vista de uma relação homoafetiva ou sáfica”, afirma Michelle. A gravação aconteceu em 2024 no Estúdio Casa, em Montes Claros (MG), com produção de Tiago Fonseolli. “Ele entendeu bastante como a gente queria soar e conseguiu captar os timbres e os sons que a gente queria pra cada música”, comenta. Marcado pelas influências de blues, que atravessam a construção harmônica e a sonoridade do álbum em diálogo com o grunge, o indie e o rock alternativo, Estilhaços também reflete referências da banda a artistas como Pitty, Supercombo, The Pretty Reckless, Arctic Monkeys, Cleopatrick e Nirvana. O disco conta com a participação de Renê Veloso, músico de Montes Claros que colaborou com arranjos de gaita nas faixas Lava e Danço Com Você. O lançamento de Estilhaços é acompanhado pelo videoclipe do single Fracasso, cuja proposta visual aborda a exaustão provocada pela rotina e a desconexão com a realidade, tendo a música como ponto de escape e identificação. Nessa produção audiovisual independente, o roteiro foi assinado por Pedro Emanuel — baixista da banda, formado em cinema pela PUC-BH — e a direção ficou a cargo de Túlio Gustavo, que incorporou referências visuais da série Severance (Ruptura), com uso de luzes frias e cenários minimalistas. O clipe foi filmado em Montes Claros (MG), em junho de 2025, com realização viabilizada por meio da Lei Paulo Gustavo. Faixa a faixa Fracasso aborda a sensação de inadequação diante das exigências da vida adulta e da lógica da produtividade. O arranjo tem influência do indie e do pop. Estilhaços dá nome ao disco e apresenta referências de blues e bluegrass, especialmente nas linhas de guitarra. A letra trata da saúde mental e da ideia de desistência da vida como tema. Lava é a faixa considerada mais bluesy do disco. Organizada em compasso de slow blues, a canção tem como tema a sexualidade sáfica e conta com a participação do gaitista Renê Veloso. Evaporar é inspirada no filme “Gia” (1998). A composição surgiu após Michelle Marques assistir ao longa e se impactar com a personagem interpretada por Angelina Jolie — uma modelo lésbica que enfrenta dependência química e instabilidade emocional. A letra reflete esse universo, abordando temas como vício, descontrole e isolamento. A sonoridade é mais carregada, com arranjos de slide nas guitarras e um clima denso em contraste com outras faixas do disco. Meio Amargo trata de tentativas de preenchimento afetivo diante da solidão. A música tem estrutura baseada em riffs distorcidos e andamento direto. A faixa já havia sido gravada anteriormente por outro projeto da compositora, com outra voz. No disco da Lado Blue, recebeu uma nova interpretação, agora com a própria compositora nos vocais. No Escuro discute o envolvimento afetivo que persiste mesmo diante da tentativa de manter distanciamento. A estrutura alterna momentos de suspensão e intensidade, com riffs marcados, pausas e distorções que acompanham o movimento da letra. Um Pouco Mais trata de um relacionamento homoafetivo vivido em segredo. A letra descreve o medo da exposição familiar e o limite que isso impõe ao afeto. Musicalmente, aproxima-se de uma estrutura pop e é uma das faixas mais melódicas do disco. Mofo aborda estados depressivos e perda de sentido. A letra descreve uma sensação de apagamento e afastamento da própria identidade. O arranjo se aproxima do rock alternativo, com uso de delay, ambiências mais longas e o solo de guitarra mais extenso do álbum. É também a faixa de maior duração. Danço Com Você encerra o disco com uma cena doméstica entre duas pessoas. A letra descreve um momento de cuidado cotidiano, sem recorrer à narrativa explícita. A música tem participação de Renê Veloso na gaita, que reaparece com arranjos que acompanham a melodia vocal.
Matanza Ritual revela álbum de estreia, A Vingança é Meu Motor

O Matanza Ritual lançou o disco de estreia, A Vingança é Meu Motor. Desde sua formação, em 2019, a banda percorreu o Brasil com shows lotados, apresentando clássicos e novos singles como Rei Morto e Morte Súbita. Agora, com um tempo de estrelas e produção de Rafael Ramos, o grupo entrega seu primeiro trabalho completo, aumentando ainda mais a expectativa do público para essa nova fase. O álbum, que leva o nome de uma das faixas, traz a marca registrada da banda: um som pesado e visceral, mesclando thrash metal, hardcore e country, aliados às letras relacionadas com ironia, crítica social e reflexões sobre o caos humano. São 13 faixas no total, incluindo as já lançadas O Paciente Secreto e Assim Vamos Todos Morrer. O disco chega junto com o clipe de Nascido Num Dia de Azar, que define bem o tom do álbum. Dirigido por Carol Borges, o filme ilustra os dilemas da letra contando uma história de um jogo de cartas. A Vingança é Meu Motor conta com participações especiais de Chico Brown em Lei do Mínimo Esforço e Leminski em A Noite Eterna. A faixa Assim Vamos Todos Morrer surpreende com a inclusão inusitada de um violino, executada por Tamara Barquette, um elemento raro na sonoridade do grupo. Com uma atmosfera que alterna entre a fúria e a melancolia, A Vingança é Meu Motor reflete sobre temas como sanidade, escolhas humanas e a inexorabilidade da morte. Faixas como O Paciente Secreto exploram a linha tênue entre loucura e lucidez, enquanto Ode ao Ódio e …E Tenha um Péssimo Dia reforçam a pegada agressiva e provocativa do Matanza Ritual. “O disco traz essa sensação de urgência, do tempo finito para se tomar decisões e lidar com as consequências delas. É a trilha sonora perfeita para tempos caóticos”, comenta Jimmy London, vocalista da banda. Gravado sob produção de Rafael Ramos, com mixagem de Jorge Guerreiro e masterização de Fábio Roberto, o projeto reafirma a força e a identidade sonora da banda, formada por Jimmy London (vocal), Amilcar Christófaro (bateria), Felipe Andreoli (baixo) e Antônio Araújo (guitarra). A chegada do disco também marca uma intensa agenda de shows do Matanza Ritual, que se apresenta no Matanza Ritual Fest em São Paulo na sexta-feira (28), seguida por outras datas pelo país.
Entrevista | Coisa Nossa – “É uma tentativa de resgate do DNA da MPB”

O grupo Coisa Nossa, formado por João Mantuano e Paula Raia, a “Raia”, lançou seu álbum de estreia, homônimo, na última sexta-feira (6). O novo disco, com 11 faixas, traz um estilo mais intimista, além de influências de MPB, jazz e rock. Os dois artista já tinham trabalhos solos de destaque antes da junção no Coisa Nossa. João vinha de parceria com Chico Chico em 2021, lançando um álbum que concorreu ao Grammy Latino do mesmo ano. Enquanto isso, Paula lançou um livro de poesias em 2022, além de também ter se apresentado com Chico Chico no mesmo ano com uma música inédita. Em conversa com o Blog n’ Roll, os cantores falaram sobre o processo de produção do álbum, além do começo da relação de amizade dos dois. Aliás, João e Paula chegaram a produzir 40 músicas para o Coisa Nossa e pretendem lançar um novo projeto com essas canções. Como foi o processo de produção desse álbum do Coisa Nossa? João: Pô, foi lindo, inspirador. A gente se conhecendo, eu e a Paulinha entrando no estúdio, em todas essas músicas, me trouxe também muita sabedoria, muita experiência, uma experiência que não tinha como ter sem essa estrutura que a gente tem. Então, deu em resultados que acho que pra um futuro mais longínquo vai vir mais coisas ainda. Paula: Acho que a gente teve um processo de pré-produção que foi mais uma coisa minha e do João mesmo. Longa, assim, um processo longo e que a gente se conheceu muito, né? A gente criou um vínculo muito forte, de muita intimidade. Quando chegamos no processo de produção, já com o Filipe, com a Constança, com o Álvaro, com os músicos, a gente já sabia muito bem também o que a gente estava fazendo, sabe? Claro que muita coisa a gente descobre no processo do estúdio, mas a gente já tinha o nosso vínculo muito bem estabelecido. Acho que isso facilitou também muita coisa do processo, sabe? E como começou essa relação mais íntima de vocês? Paula: A gente se conhece não tem muito tempo, né? Eu já acompanhava o trabalho do João à distância. A gente já até chegou a tocar no mesmo festival que aconteceu no Oi Futuro. Não sei nem se você lembra disso, João. Mas a gente já teve vida separadamente. Sempre achei o João um artista incrível. Depois que lancei meu álbum, nós dois individualmente já éramos do selo Toca Discos, do Rodarte e da Constância, e aí o Rodarte sugeriu que a gente fizesse um encontro pra gravar um single. Logo depois, o Rodarte criou um grupo de WhatsApp nosso, a gente foi trocando coisas, mandei poesias do meu livro, ele mandou conceitos que ele tinha também sobre a poesia. A gente viu que ali já tinha alguma coisa em comum entre a gente. Depois nos encontramos na minha casa, assim, despretensiosamente, no sofá da minha casa pra compor uma primeira música. E foi um encontro longo, onde a gente também, foi se conhecendo aos poucos e a gente fez a nossa primeira música e daí em diante a gente compôs mais… Hoje em dia a gente já deve ter um repertório de mais de 40 canções e por aí. Enfim, de tanto que deu certo isso aí. Vocês transitam entre diversos estilos, quais são suas inspirações? João: A gente, justamente, na conversa ali de como nascer o projeto e como criar, a gente chegou em uma comunhão, eu e a Paulinha, de querer fazer algo brasileiro, né? Pegar essas vertentes mais brasileiras mesmo e conversar com essa área, com essa linguagem. E sempre tive junto. Acho que as compilações dos outros trabalhos, com Chico Chico e Solo, tem uma pegada também de MPB ali, mas vai mais para o rock. Rock e jazz. Então quis pegar músicas populares brasileiras. Aí fui atrás dos gêneros clássicos, além da mistura de gêneros também. Peguei meu violão com uma linguagem folk, isso transpassa nas nossas composições. E essa linguagem folk misturada com um que, assim, brasileiro, seja num forró ou de samba, nas melodias e nas harmonias, essa mistura faz com que tenha essa cara. As nossas referências, influências, acho que vieram através do popular. E aí a gente foi atrás dos nossos ícones, dos nossos ídolos. E aí acabamos chegando nesse resultado de misturas, que a gente pega desde um Macalé, de uma coisa mais misteriosa e de um arranjo mais sofisticado, até um Roberto Carlos. Essa coisa bem simples, de palavras simples, de músicas hits que se aproximem dessa linguagem brasileira geral, MPB. Paula: É que a música brasileira tem essa característica própria por si só, no DNA dela, de uma mistura muito grande. O brasileiro é isso. É inegável que a nossa mistura é difícil até de definir, enfim, o que é a música popular brasileira. A gente sabe porque a gente sabe, mas não tem uma definição muito clara disso justamente porque vem de muitos lugares. E acho que, bem ou mal, é uma tentativa de um resgate dessa mistura, desse DNA da música popular brasileira. E de trazer esses ícones que o João falou, de certa forma, para a nossa inspiração artística, para a construção da nossa identidade. João: E aí continua uma linha de raciocínio, uma linha histórica, que a gente consiga se inserir nela e conversar com esse meio, com essa linguagem. E além disso, a música popular é muito diversa, brasileira. Muito. Tem milhões de gêneros de raiz, culturas de raiz, tipo o coco, o jongo ou até mesmo o carimbó. Coisas assim são conversáveis e a ideia é trazer sempre mais. Vocês citaram que têm diversas composições juntos, imagino que nem todas estão no álbum. Qual é a composição favorita de vocês? Paula: Essa é uma das perguntas mais difíceis de responder, porque acho que essa resposta muda muito a cada dia, a cada semana, a cada mês. Hoje, a minha composição favorita do álbum é Mata Escura, mas já foi Diferentes Semelhanças, que é
Sensação indie, duo brasiliense YPU lança álbum de estreia

Uma das grandes sensações do indie rock nacional. o duo brasiliense YPU lançou seu disco de estreia numa parceria da Monstro Discos com o site/selo Scream&Yell. Disponível em todas as plataformas digitais, Paranoar ganhou também uma versão em vinil verde, 180 gramas. Musicalmente, o disco combina experiências poéticas, políticas, domésticas, sentimentais & um mergulho vibrante nas sonoridades de Brasília. A YPU é formada por Ayla Gresta – compositora e trompetista – e Gustavo Halfeld, guitarrista e produtor musical. O álbum foi precedido pelo single Somebody in Love with You, lançado no último dia 30 de junho, que proporcionou um vislumbre da sonoridade inspirada nas gravações de funk, rock e disco dos anos 1960 e 1970, com microfones e compressores analógicos. A experiência mais ampla vem agora com o álbum completo: as canções se tornam marcos de catarse e calor, refletindo a jornada da dupla em redescobrir a si mesmos e ao mundo após uma pandemia distópica. Paranoar traz referências afetivas comuns a tantos de nós, desde o pop a partir da perspectiva feminina de auto liberação, (Madonna, Cyndi Lauper), ao classic rock com catarses amorosas (Rita Lee, Queen), indo até o sertanejo raiz de canções de estrada e de saudade (Paulinho Pedra Azul, Geraldo Azevedo). Transformação, música de trabalho de Paranoar, fala de amar sem as amarras da posse. Influenciada por formas de pensar e existir dos povos originários, a canção de arranjo inesperado e dançante descreve o percurso do amor romântico à aventura do amor livre. A introdução, em que a melodia da voz é embalada por backing vocals, chocalho e alfaia, cria o mundo onírico e tenso da idealização, embalado por percussões brasileiras. O clima é quebrado pela entrada surpreendente de bateria, baixo, guitarra e órgão, com balanço envolvente. As referências mais marcantes da canção vêm do trabalho de artistas como Khruangbin, O Terno, Gal Costa, Os Mutantes e Moraes Moreira. O álbum foi gravado entre fevereiro e março de 2023 na casacajá (Brasília) um estúdio-hangar capitaneado por Halfeld que já recebeu e gravou importantes artistas como Lee Ranaldo (Sonic Youth), Yonatan Gat, Ava Rocha, Toninho Horta, Dinho Almeida (Boogarins) e Glue Trip. ‘paranoar’ traz mescla de influências: funk, disco, MPB e classic rock. As músicas têm um aspecto lúdico, solto e sensual. Além das texturas de guitarra e das intervenções de trompete, a sonoridade da YPU agora incorpora grooves percussivos, vocais em contracanto, linhas de baixo sinuosas, beats dançantes e um toque de psicodelia. Halfeld seguiu a orientação que costuma dar às bandas que produz: arranjar e ensaiar músicas com a potência de show para a captação ao vivo em 3 diárias. O álbum pulsa esse registro do momento. Paranoar foi mixado por Halfeld e Gresta, com produção conjunta de João Mansur (‘Akhi Huna). A masterização foi realizada por Felipe Tichauer, da Red Traxx Mastering, ganhador de 12 Grammys Latinos. A YPU também contou com a colaboração de músicos renomados, como Marcelo Moura, Ramiro Galas, Dinho Lacerda e Flávio Franklin, ampliando sua potência sonora e transmitindo a energia arrebatadora de suas performances ao vivo.
Build Up, álbum de estreia de Rita Lee, ganha versão de luxo

*“Abram alas/ I wanna be a star!/ Sucesso, aqui vou eu”. É assim que Rita Lee abre o seu primeiro disco solo, Build Up, de 1970. A canção, inspirada nos clássicos musicais, ganhou o luxuoso arranjo de orquestra do maestro tropicalista Rogério Duprat. Muita gente enxergava na letra uma espécie de premonição ou ambição de Rita. A verdade é que ela compôs a canção inspirada no musical Build Up Eletronic Fashion Show, do qual era a protagonista. Explica-se: como a gravadora Philips notava em Rita o enorme potencial como estrela solo, aproveitou-se a primeira separação dos Mutantes, em 1970, e a convenceu a fazer musicais. Eles aconteciam na FENIT, uma espécie de precursora da São Paulo Fashion Week, que promovia a indústria têxtil nacional através de desfiles e shows. Com o sucesso de Nho Look, o primeiro musical de Rita no evento, a gravadora resolveu investir ainda mais. O segundo espetáculo viria acompanhado do lançamento de um disco, com coordenação de produção de Manoel Barenbein. E, assim, nasceu Build Up: a história de uma moça simples que tinha o sonho de se tornar uma estrela. O disco, relançado pela Universal Music, é luxuoso. Além do vinil azul translúcido marmorizado, vem com a famosa capa gatefold (capa dupla original), que na época do lançamento foi restrita a poucos exemplares. Depois, era encontrado apenas em capa simples. Rita contou, na época, que achou um devaneio a convidarem para cantar em musicais. Mas, aceitou. E, misturando rock, música latina, orquestra e gospel, o disco nos entrega um dos mais belos registros vocais de uma Rita muito jovem. Prova disso é a gravação de Calma, a segunda música do LP, de Arnaldo Baptista. Quando o disco começou a ser produzido, os Mutantes decidiram voltar e Arnaldo acabou participando da produção e assinou duas canções com Rita. Mas o grande parceiro da estrela nesse LP foi o músico e taxista Élcio Decário. Rita o conheceu ao pegar um táxi e, ao saber que compunha, quis logo conhecer algumas de suas músicas. Adorou e começaram a trabalhar juntos. Delicada e genial, Viagem ao fundo de mim, só de Rita, bem que poderia ser uma canção de amor. Mas descreve uma experiência com LSD. Fechando o lado 1, Precisamos de Irmãos e Macarrão com linguiça e pimentão, que é, literalmente, uma receita cantada. O deboche é uma crítica à ditadura militar, uma vez que os jornais passaram a publicar receitas no lugar de notícias censuradas e Rita decidiu fazer o mesmo em seu disco. O LP foi gravado no Estúdio Scatena, na região central de São Paulo, e traz guitarras de Lanny Gordin. O lado 2 começa com o primeiro grande hit de Rita: José. A música, versão de Joseph, de Georges Moustaki, foi um presente de Nara Leão e chegou ao número 1 nas rádios. Mas, segundo contou Rita anos depois, o mais importante foi notar que, finalmente, havia gravado uma música que agradou Chesa, sua mãe. Hulla-Hulla, doce e deliciosa canção extraterrena de Rita e Élcio, é um dos momentos mais geniais do disco. Ela abre caminho para uma versão suingada e urgente de And I Love Him (And I love her, dos Beatles). Tempo Nublado é a próxima, seguida de Prisioneira do Amor, um tango hilário, com interpretação inspiradíssima de Rita e com arranjo de Duprat. Eu vou me salvar, um rock gospel, fecha o disco de maneira primorosa, nonsense e debochada. Um primeiro disco perfeito da garota que se tornaria o maior nome do rock brasileiro. *Autor do texto: Guilherme Samora é jornalista, editor e estudioso do legado cultural de Rita Lee
Maria Maud lança álbum de estreia; ouça!

Antes de entender o que era música, Maria Maud já se sentia atraída por ela. Nem sabia falar direito e já pedia para os pais repetirem incansavelmente Glass, Concrete & Stone, de David Byrne. Ali já se notava o elo que ficou mais forte quando a garota ganhou seu primeiro violão aos oito anos. Maria cresceu, virou cantora e compositora e agora narra suas vivências intensas nos auge dos seus 22 anos em MAUD, seu álbum de estreia. Ao todo são nove faixas com produções assinadas por Ariel Donato e Gabriel GB, dois amigos que ganhou no caminho de feitura do disco. Ali tem muito de música pop, um pouco de indie e células do rock e da disco. Um álbum moderno, com um certo ar de nostalgia, trazida na bagagem de Maria traz na bagagem, que além de David Byrne tem também Beatles, Rolling Stones, Caetano Veloso, Funk, MPB. O show de lançamento acontece no Rio de Janeiro (Manouche) nesta terça-feira (16). “Eu quero que as pessoas entendam que independentemente da idade, têm o direito de se transformar quantas vezes for preciso. E que está tudo bem em viver uma fossa, mas sabendo que vai passar”, afirma Maria. “As canções falam de tristeza, tesão, raiva, amor e o aprendizado em conviver com esses sentimentos”, conta a cantora. O resultado do álbum encheu Maria de orgulho. “Notar que as pessoas entendem e sentem as mesmas coisas que eu sentia na hora que compus o disco é algo que me deixa muito feliz”. “Minha vontade é emocionar e se meu verso fizer alguém um pouco melhor, eu vou me sentir muito realizada”, almeja.