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Entrevista | Velhas Virgens: “Acreditamos que é melhor explicar que censurar”

A banda Velhas Virgens prepara o lançamento do álbum O Bar Me Chama para agosto. Enquanto isso já vai liberando algumas prévias. A terceira e mais recente foi Vícios & Pecados, revelada um dia após o Dia dos Namorados.

O guitarrista Alexandre Cavalo conta que mais um single será lançado antes da chegada do álbum. A faixa escolhida é uma parceria com a banda paranaense Terra Celta.

O disco está pronto. Faltam detalhes, terminar encarte e parte burocrática.

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É um álbum que era pra ser um EP (com quatro ou cinco músicas). Paulão (vocalista) e eu acabamos chegando em algumas canções que a gente queria lançar e ficou um disco completo. Tentamos uma linguagem mais blues e rock’n’roll com pitadas dos anos 1970, sem deixar de soar como as Velhas. Tem muitas referências dentro da sonoridade e nas letras”, conta Cavalo.

Reflexão

Uma reflexão que a banda fez para o atual momento se diz às mudanças comportamentais do mundo. Para os integrantes, as Velhas precisam se ajustar a ele.

Dava pra fazer uma tese sobre isso. Vou tentar resumir. Se você pensar que a banda fez seu primeiro show em 1986 e nunca parou (com exceção desse período de pandemia), é bastante natural que aconteçam mudanças. Em mais de 30 anos nós também mudamos. Muitas coisas que fizemos antes não faríamos agora e outras tantas poderemos fazer”. 

Para justificar o posicionamento da banda, Cavalo remete ao contexto histórico no qual a Velhas Virgens surgiu, nos anos 1980.

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“A gente estava saindo de uma ditadura, com a abertura política e da queda da censura, as pessoas estavam loucas para falar de todos os assuntos. Não havia preocupação se isso ou aquilo seria ofensivo. Uma ânsia pela liberdade. Com o passar do tempo a gente olha com mais responsabilidade para o que falamos ou deixamos de falar. Não queremos um revisionismo. O que foi feito está feito, não dá, nem queremos mudar o passado. Acreditamos que é melhor explicar que censurar”. 

O músico ainda pontua questões inadmissíveis. “Acreditamos ainda que coisas como o racismo, a homofobia, entre outras loucuras são inaceitáveis, não deviam nem ter espaço em lugar nenhum. Por isso novos trabalhos de artistas mais antigos são fundamentais para mostrar que essas mudanças vão além de palavras”. 

Velhas Virgens na Pandemia

Cavalo reconhece que lançar um álbum em meio à pandemia é mais desafiador, mas procura enxergar um lado bom nessa atitude.

Se você pensar que o nosso maior veículo de divulgação era o show, esse não é o momento ideal de se lançar um disco. Por outro lado o nosso foco fica totalmente voltado para o disco. Tudo novo, não sabemos como será. O que temos certeza é que shows só voltarão a partir de uma vacina e isso ainda é uma incógnita”.

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O guitarrista do Velhas Virgens tem uma teoria curiosa para justificar a perda de força do rock no mundo inteiro. Em resumo, para ele, o Metallica tem culpa no cartório.

“No começo deste século o Metallica comprou a bronca das grandes gravadoras. Entrou com uma ação contra o Napster e ganhou. Depois disso o rock não teve nenhum grande expoente que chegasse ao primeiro lugar das paradas mais importantes do mundo, deixando o espaço vago para o pop e o rap. Acredito que quando se compra a bronca do mainstream, a garotada te olha como um velho que perdeu o jeito e migra para outros tipos de arte”. 

Mas não é hora de lamentar. De acordo com Cavalo, o rock voltou para o underground, onde há menos público e dinheiro, mas precisa seguir.

“Tem que lamber suas feridas e acertar as contas com a galera mais nova. Tem que oferecer algo pra eles que seja na linguagem deles. Não sei se isso irá acontecer. Uns dizem que é cíclico, mas o ciclo já dura mais de dez anos. Não sei se irá acontecer. Apesar de termos discos de carnaval e flertar com outros ritmos, o rock é a nossa linguagem e é o que faremos até onde der, mesmo que misturando e costurando com outros ritmos”.

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Juntos Pela Vila Gilda

O Velhas Virgens é um dos nomes confirmados no Juntos Pela Vila Gilda. Cavalo considera importante a participação das pessoas, independentemente de serem bandas ou artistas. Em conclusão, faz um apelo.

“É um momento de doação, quem tiver sobrando vai ter que dividir pra gente poder passar por esse momento e sair do outro lado com alguma esperança. Quase todos nós, da banda, temos crianças e, olhando seus filhos e filhas crescerem não há outra opção a não confiar que termos um futuro melhor. Sem esperança fica muito difícil vencer qualquer desafio”.

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