John Dolmayan (System of a Down) retorna ao Brasil para tour de sua HQ

Após o sucesso da turnê de estádios do System of A Down no ano passado, o baterista John Dolmayan confirmou seu retorno ao país em junho para uma série de sessões de autógrafos e Meet & Greet. O objetivo é promover o lançamento nacional de sua HQ autoral, Ascencia. Originalmente agendadas para maio, as sessões foram movidas para junho por questões de saúde do artista. A rota agora conta com cinco capitais, incluindo a recém-anunciada data em São Paulo, na icônica Loja Monstra. Despertar em “Ascencia” John Dolmayan não está apenas “emprestando o nome” aos quadrinhos. Em Ascencia, ele se consolida como autor, explorando uma narrativa densa de ficção científica e filosofia. Ambientada em um futuro distópico, a obra questiona sistemas de controle e a evolução da consciência humana. O visual da HQ é um espetáculo à parte, com ilustrações de Tony Parker (conhecido por trabalhos em God of War e Mass Effect), privilegiando uma estética sombria e simbólica que foge do entretenimento convencional. Experiência exclusiva Diferente dos grandes shows, estas sessões foram pensadas para garantir proximidade. O ingresso, que custa R$ 250,00, oferece um pacote completo para os colecionadores: Agenda Serviço: John Dolmayan – Tarde de autógrafos

Entrevista | Evergrey – “Tem um ‘feeling’ brasileiro que é extremamente único”

O público brasileiro já é conhecido mundialmente por sua intensidade, mas para Simen Sandnes, baterista do Evergrey, essa conexão vai além do clichê. Em entrevista ao Blog n’ Roll, via Zoom, o músico relembrou sua estreia com a banda justamente em solo brasileiro, uma experiência tão visceral que o levou ao limite físico. A oportunidade para esse reencontro já tem data e local marcados: o Bangers Open Air 2026. O festival, que se consolidou como parada obrigatória para os amantes do metal, acontece nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo. O Evergrey sobe ao palco no sábado (25), prometendo uma produção mais robusta e um repertório que equilibra o peso do metal progressivo com a melancolia característica do grupo. Segundo o baterista, a banda vive sua melhor fase: “Quero muito dar aos fãs brasileiros uma performance do Evergrey no seu melhor nível histórico”. No dia 5 de junho, a banda lança o álbum Architects of a NewWeave, que já teve dois singles revelados: a faixa-título e The World is on Fire. Além do Evergrey, o line-up do Bangers Open Air 2026 está recheado de gigantes. Entre os destaques confirmados aparecem nomes como Black Label Society, Within Temptation, Killswitch Engage, Jinjer e os suecos do In Flames, um dos pedidos mais fervorosos do público. O festival também aposta na diversidade de vertentes, trazendo desde o power metal do Primal Fear até o projeto Smith/Kotzen, que reúne Adrian Smith (Iron Maiden) e Richie Kotzen. Os ingressos para o Bangers Open Air 2026 estão à venda através do site Clube do Ingresso. O festival oferece diferentes setores e condições de pagamento, lembrando que crianças de até 10 anos de idade não pagam entrada. * Olá Simen, Blog n’ Roll, do Brasil. Falo de Santos, conhece? Santos, sim! Sim, claro, claro. Do Pelé, certo? Sim, com certeza! Pelé!!! Eu costumava jogar futebol antes de começar na música, então o Pelé era um dos meus ídolos. Eu tinha um pôster dele na minha parede e tudo mais. Que incrível! Simen, vou começar: como você vê esse retorno do Evergrey ao Brasil, especialmente tocando em um festival como o Bangers Open Air? Oh, estou ansioso demais por isso! Da última vez que estivemos no Brasil, fizemos três shows, e acho que o show de São Paulo foi provavelmente um dos melhores que já fiz com o Evergrey. E foi logo no começo, porque aquela turnê sul-americana foi a minha primeira turnê com a banda. Então, estou muito ansioso para voltar agora que temos um show maior, mais produção… está tudo um pouco mais, não diria ensaiado, mas está mais “show” agora, sabe? Acho que mais do que antes. Quero muito dar aos fãs brasileiros uma performance do Evergrey no seu melhor nível histórico. Além disso, o Brasil… as pessoas aí são loucas! Eu amo tocar para os fãs sul-americanos. É assim que deve ser: paixão, amor pela música e um público ativo, que canta, grita e tudo mais. Acho que em um festival enorme como o Bangers Open Air, vai ser muito, muito bom. Como você disse sobre os fãs brasileiros, sempre temos uma conexão muito intensa com as bandas. O que torna essa conexão tão especial para o Evergrey? Não tenho certeza do que a torna tão especial, é difícil dizer, mas é definitivamente diferente da Europa. Os latino-americanos, como povo, são mais apaixonados, mais barulhentos, eles entram mais na vibe. Eu diria que, no geral, quando os latinos são apaixonados por algo, eles se entregam de verdade. Na Europa, acho que temos muito mais barreiras sociais, do tipo “você tem que manter a calma”, “se você gosta de algo, não demonstre tanto”. Já na América Latina, especialmente no Brasil com o Carnaval, existe essa cultura de ser apaixonado e celebrar isso. Acho que é por isso que as bandas europeias gostam tanto de ir ao Brasil: a cultura de demonstrar paixão é muito diferente. Vem de todo esse amor pela música e por festejar de um jeito bom. Por causa dos festivais e do Carnaval, o Brasil tem uma tradição única. Como estudei música, um dos meus objetivos de vida é estar no Rio durante o Carnaval, ver os desfiles, participar da música, do samba, da rumba e tudo mais. Gostaria muito de vivenciar isso de perto, mas ainda não consegui. Está na minha lista de desejos. A experiência do Carnaval é única. E para você, que é baterista, o foco na percussão é fantástico. Sim! E o jeito que a música brasileira é tocada… não é algo “reto”, como colcheias perfeitas. Tem um “feeling” brasileiro que é extremamente único. As pessoas tocando pandeiros, aqueles tambores enormes, chocalhos… não é mecânico, tem um balanço (swing) que é insano. Quero muito ver isso de perto. Quem sabe no ano que vem? Talvez a gente faça uma turnê sul-americana exatamente na época do Carnaval. Dedos cruzados! Você mencionou que seu primeiro show com o Evergrey foi no Brasil. Você tem outras memórias marcantes daqui? O problema de excursionar, especialmente na América Latina, é que como os shows envolvem muitos voos, geralmente você só vai ao festival ou ao local, toca, volta para o hotel, dorme, vai para o aeroporto e segue para o próximo país. É basicamente assim. Mas, no show de São Paulo que fizemos, eu dei absolutamente tudo de mim. Depois do show, eu simplesmente desabei. Fiquei “morto”, vomitando por umas quatro horas seguidas porque esgotei todas as minhas energias. Os fãs estavam tão loucos que, na última música, eu pensei: “Não faço ideia de como vou terminar isso”. Foi tão intenso que apaguei no backstage. Tiveram que me levar direto para o hotel enquanto o resto do pessoal foi para o Manifesto Bar. Então, espero que este ano consiga participar da festa com os fãs brasileiros também. Foi uma pena não ter conseguido da última vez, mas realmente não tinha mais nada sobrando de mim. Estava deitado de lado, tremendo, sem conseguir me mexer.

Morre Sly Dunbar, lenda da bateria e metade da dupla Sly & Robbie, aos 73 anos

Lowell “Sly” Dunbar, o baterista visionário que redefiniu o reggae, o dub e o pop mundial como metade da lendária dupla Sly & Robbie, faleceu hoje, 26 de janeiro, aos 73 anos. A notícia foi confirmada por sua esposa, Thelma, ao jornal The Jamaica Gleaner. Segundo ela, Sly foi encontrado inconsciente pela manhã em sua casa na Jamaica. Ele enfrentava problemas de saúde há algum tempo, embora a causa específica da morte não tenha sido divulgada. A partida de Sly marca o fim de uma era, reunindo-o agora ao seu eterno parceiro musical, o baixista Robbie Shakespeare, que faleceu em 2021. Juntos, eles formaram a seção rítmica mais requisitada e influente do mundo nas últimas cinco décadas. Quem foi Sly Dunbar Nascido em Kingston em 1952, Sly Dunbar não apenas tocava bateria, ele inventava novas linguagens para o instrumento. Sua carreira começou a decolar nos anos 70 com a banda The Revolutionaries, mas foi a parceria com Robbie Shakespeare que mudou tudo. Eles foram a espinha dorsal de clássicos do reggae como Legalize It (Peter Tosh) e álbuns seminais do Black Uhuru, com quem ganharam o primeiro Grammy de Melhor Álbum de Reggae da história, em 1985. Além do reggae: de Grace Jones a No Doubt A genialidade de Sly & Robbie rompeu as fronteiras da ilha caribenha. Nos anos 80, como parte da banda do estúdio Compass Point, eles moldaram o som sofisticado de Grace Jones na trilogia sagrada Warm Leatherette, Nightclubbing e Living My Life. A lista de lendas que buscaram a “batida perfeita” de Sly é extensa: Rolling Stones, Bob Dylan, Serge Gainsbourg e Mick Jagger. Nos anos 90 e 2000, Sly foi fundamental na evolução do Dancehall, criando o famoso riddim “Bam Bam” (base de Murder She Wrote). Ele também foi responsável por injetar o groove jamaicano no pop moderno, produzindo hits massivos do No Doubt como Hey Baby e Underneath It All. Legado em números

Morre Rob Hirst, baterista do Midnight Oil, aos 70 anos

Rob Hirst, baterista original e fundador do Midnight Oil, morreu aos 70 anos. O músico lutava há três anos contra um câncer no pâncreas. A banda confirmou a notícia através de sua página oficial no Facebook, destacando a coragem do companheiro durante o tratamento. “Após lutar heroicamente por quase três anos, Rob agora está livre da dor, ‘um vislumbre de luz no deserto’. Ele faleceu em paz, cercado por seus entes queridos.” Mais tarde, os integrantes remanescentes, Jim Moginie, Martin Rotsey e o vocalista Peter Garrett, completaram a homenagem: “Estamos devastados e de luto pela perda do nosso irmão Rob. Por agora, não há palavras, mas sempre haverá canções.” Rob Hirst era o coração do Midnight Oil Hirst não foi apenas o baterista, ele foi o coração rítmico do grupo desde o início. Ele formou o Midnight Oil em Sydney, em 1976. Sua presença foi constante e vital. Rob tocou em todos os 13 álbuns de estúdio da banda, desde a estreia homônima em 1978 até o derradeiro Resist, de 2022. Sua bateria impulsionou hits globais como Beds Are Burning, Blue Sky Mine e Forgotten Years. Além das baquetas, Hirst contribuía com vocais de apoio e, ocasionalmente, assumia o vocal principal. Sua última atividade com o grupo ocorreu em outubro de 2022, quando o Midnight Oil encerrou sua emotiva turnê de despedida. Uma batalha difícil Rob Hirst revelou publicamente sua doença em abril do ano passado. Na época, ele comentou que já havia tentado “praticamente todos os tratamentos conhecidos pelo homem”. Infelizmente, essa é a segunda grande perda recente para a família Midnight Oil. O baixista de longa data, Bones Hillman, também faleceu vítima de câncer em novembro de 2020, aos 62 anos. Os fãs que desejarem prestar homenagens podem fazer doações para a Pankind (Fundação Australiana de Câncer de Pâncreas) ou para a Support Act.

Matt Cameron deixa o Pearl Jam após 27 anos

O baterista Matt Cameron deixou o Pearl Jam após 27 anos de banda. O anúncio foi feito nas redes sociais da banda nesta segunda-feira (7). Em uma mensagem compartilhada do grupo e do integrante, ambos ressaltaram a boa relação entre eles. “Muito amor e respeito a Jeff, Ed, Mike e Stone por me convidarem para a banda em 1998 e por me darem a oportunidade de uma vida, repleta de amizades, talento artístico, desafios e risadas. Sou eternamente grato à equipe, staff e fãs do mundo todo. Tem sido uma jornada incrível. Mais virão. Agradeço a todos do fundo do meu coração”, comentou Matt Cameron. Por outro lado, a banda ressaltou a trajetória incrível do músico. “De ser um dos nossos primeiros heróis musicais nas bandas Skinyard e no poderoso Soundgarden, a tocar em nossas primeiras demos em 1990, Matt Cameron tem sido um músico e baterista singular e verdadeiramente poderoso. Ele impulsionou os últimos 27 anos de shows ao vivo e gravações de estúdio do Pearl Jam. Foi um capítulo profundamente importante para o nosso grupo e lhe desejamos sempre tudo de bom. Sentiremos muita falta dele e ele será para sempre nosso amigo na arte e na música”. Ainda não há informações sobre o substituto de Matt Cameron na banda.

Monsters of Rock | Opeth – “A banda nunca se repetiu, sempre seguiu em uma nova direção”

Prestes a retornar ao Brasil para se apresentar no Monsters of Rock, no dia 19 de abril, no Allianz Parque, em São Paulo, a banda sueca Opeth segue reafirmando seu posto de referência no metal progressivo. Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, o baterista Waltteri Väyrynen refletiu sobre a trajetória do grupo, a recepção do álbum mais recente The Last Will & Testament, e antecipou o que os fãs brasileiros podem esperar do show no festival. Além da apresentação no Monsters of Rock, a banda também tocará no dia 21, no Espaço Unimed, em São Paulo, com o Savatage, ambos com shows completos. Ainda há ingressos disponíveis para os dois shows. “Será uma mistura entre músicas novas e clássicos antigos”, promete o músico. “Faremos o nosso melhor para agradar a todos os nossos fãs brasileiros”, completa o baterista. Com pouco mais de dois anos como baterista do Opeth, Waltteri enxerga de perto a longevidade e reinvenção da banda, que completa mais de três décadas de carreira.  “É algo que realmente separa essa banda de muitas outras. Cada álbum tem sido diferente e a banda nunca se repetiu. Estou muito orgulhoso de fazer parte disso”, afirma.  O novo disco, considerado um dos mais sombrios e imprevisíveis da discografia, traz composições densas de Mikael Åkerfeldt e exigiu uma abordagem técnica intensa. “Definitivamente não é um álbum fácil de ouvir, mas, uma vez que você entra nele, é uma viagem muito gratificante”. Confira a entrevista completa abaixo. O Opeth tem uma trajetória de mais de 30 anos, sempre evoluindo e surpreendendo os fãs. Como vocês enxergam essa jornada e a forma como a banda se reinventou ao longo dos anos?  É muito inspirador ver isso de fora. E, claro, agora estando na banda, acho que é algo que realmente separa essa banda de muitas outras de metal no mundo. Como você disse, estão sempre se reinventando, com novas ideias e conceitos. Acredito que cada álbum, desde o primeiro, tenha sido diferente um do outro. A banda nunca se repetiu, sempre seguiu em uma nova direção. Estou muito orgulhoso de fazer parte da banda. The Last Will & Testament foi descrito como o álbum mais sombrio e pesado da banda, além de conter algumas das músicas mais imprevisíveis que vocês já compuseram. O que inspirou essa abordagem? Obviamente foi Mikael (Åkerfeldt) quem compôs as músicas, então não posso realmente dizer muito em nome dele. Mas o que ouvi dele é que ele queria ter um tipo diferente de abordagem para as músicas desta vez, ao contrário de algumas canções mais antigas, onde a maioria dos riffs meio que perduram por um longo tempo antes de passar para a próxima. Mas neste álbum é muito mais claustrofóbico de certa forma. Foi tudo muito louco, ir de seções diferentes para outra o tempo todo. E depois de ouvir as músicas pela primeira vez, você só está pensando: ‘o que diabos aconteceu?’ E aí você tem que realmente se aprofundar mais e mais. Definitivamente não é um álbum fácil de ouvir. Mas uma vez que você entra nele, uma vez que você entende o que está acontecendo, vira uma viagem muito gratificante. Como foi trabalhar com Joey Tempest, do Europe, nesse disco? O que ele trouxe de especial para a sonoridade do álbum? Nenhum de nós realmente trabalhou com ele pessoalmente no álbum, porque ele estava gravando esses vocais em seu estúdio caseiro. Mas tê-lo no álbum é muito legal. E também é muito inesperado ter esse tipo de colaboração.  Você já o encontrou pessoalmente?  Sim, algumas vezes. Ele é um cara super legal. Eu amo o Europe. Joey veio ao nosso show em Londres quando tocamos algumas semanas atrás. Um cara sempre feliz.  O Monsters of Rock tem uma história icônica no Brasil, e vocês vão dividir o palco com grandes nomes do metal. O que os fãs podem esperar do setlist e da performance de vocês no festival?  Acho que será uma mistura entre algumas das músicas do último álbum combinadas com algumas boas e velhas canções. É difícil encaixar tantas músicas em um set de uma hora, mas faremos o nosso melhor para agradar todos os nossos fãs brasileiros. O Brasil sempre recebeu o Opeth com muita paixão. Há alguma lembrança especial das passagens anteriores pelo país? Sim, já fui ao Brasil muitas vezes, também com minha banda anterior, o Paradise Lost. Sempre amei o país. Especialmente na primeira vez, em 2015, quando tocamos em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Depois do último show, tirei um período de férias no Rio, foi como um sonho que se tornou realidade. O que você mais gostou? Sol e as praias, mas também a comida e as pessoas amigáveis. Acho que a vibe é sempre muito positiva, eu amo isso. Quantos dias você ficou no Rio?  Acho que eu e minha namorada ficamos uma semana ou mais. Fizemos muitas coisas, incluindo as coisas turísticas, como o Cristo Redentor. Mas também fizemos um tour pela favela. Obviamente passei alguns dias nas praias de Copacabana e Ipanema. Tenho memórias muito boas dessa viagem. O metal progressivo tem muitas camadas e exige um nível técnico altíssimo. Como vocês equilibram a complexidade musical com a energia necessária para um show ao vivo? Boa pergunta! Nem sempre é tão fácil, especialmente com nossas músicas, é como se você precisasse realmente se concentrar na maioria das partes. Mas sempre que há uma batida um pouco mais direta ou algo assim, onde você pode relaxar um pouco, tento ir mais fundo e talvez balançar a cabeça um pouco e apenas mostrar a energia. Não é tão fácil fazer isso com o set que estamos tocando. Há tantas coisas que podem dar errado que você realmente precisa estar no topo das coisas o tempo todo e se concentrar muito. Desde os primeiros álbuns até os mais recentes, o Opeth experimentou bastante com estilos e influências. Existe algum território sonoro que ainda gostaria de explorar no futuro? Sempre há algo para

Entrevista | Rodrigo Pancho (Black Pantera) – “O rock é caro e elitista”

No fim de maio, a banda mineira Black Pantera lançou o quarto álbum da carreira, Perpétuo, que aumentou ainda mais o alcance fora do underground. Se Fogo nos Racistas foi o carro-chefe de Ascenção, disco lançado em 2022, a balada Tradução, com uma letra pesada sobre o racismo estrutural no Brasil, é a grande estrela da vez. Desde 2022, quando lançou o primeiro álbum pela Deck, o grupo vem marcando território nos principais festivais do Brasil. Foi atração no Rock in Rio, Lollapalooza e Knotfest. Aliás, no último, eles retornam em outubro para a segunda edição. Para falar sobre esse momento importante da carreira, o baterista do Black Pantera, Rodrigo Pancho, conversou com o Blog n’ Roll. Perpétuo marca a consolidação da carreira do Black Pantera. É um álbum que traz muitos elementos interessantes, explora outras sonoridades. Na tua opinião, qual é o grande mérito deste álbum? Quando terminamos o álbum, e ouvimos na Deck, dissemos para nós mesmos: ‘caramba, conseguimos superar o Ascensão’. Porque o Ascensão já tinha sido o ponto de virada para nós, o primeiro álbum gravado na Deck, vindo depois de uma pandemia que nem sabíamos se sairíamos com vida. Então, o Ascensão já foi maravilhoso para a banda. Abriu várias portas, Rock in Rio, Lollapalooza, Knotfest. Esse é o desafio. Acho que desde o primeiro ano da banda temos dado um passo em frente. Nós nunca voltamos. Acho que foi muito natural a forma como Perpétuo surgiu. Porque a banda vem se aprofundando cada vez mais nas palestras, temos estudado mais, lido livros, assistindo documentários. Os próprios fãs apoiam muito a banda, sabe? Sempre que vamos aos shows recebemos livros, as pessoas dos movimentos trocam ideias. Eles sempre trocam ideias conosco e indicam caminhos de como podemos nos aprofundar nos temas.  Pra mim, o Chaene foi o grande diferencial do Perpétuo, a maioria das músicas dele está nesse disco. No primeiro álbum, todas as músicas são do Charles. O álbum Ascensão já foi mais dividido. A banda toca junta há dez anos, a cada ano que passa estamos mais interligados. Temos esse desafio de estar sempre criando coisas novas, não ficamos muito presos. Por exemplo, nesse álbum, queria gravar uma percussão. Tem algumas músicas com percussão, mas em Candeia está mais presente. Na Deck tinha alguns instrumentos, estava pesquisando sonoridades, foi aí que Candeia apareceu. Acho que é uma das melhores músicas do álbum. É um álbum onde pudemos ousar mais, colocar outras sensações, diferente dos outros. Acho que tem um pouco de cada álbum. Ainda está pesado, com boas letras, mas tem novas sensações. Aí está a música Tradução, com uma melodia mais bonita. Tem a Candeia, com a percussão mais presente. Por falar em Tradução, essa música é muito linda. Como surgiu essa faixa?  Já tínhamos o álbum pronto para a pré-produção, sempre fazemos uma pré-produção em Uberaba (MG). Antes de irmos para a Deck, passamos alguns meses aqui em Uberaba, ensaiando e compondo. Depois mandamos para o Rafa (Rafael Ramos, produtor).  O álbum estava praticamente pronto e o Chaene veio com isso no violão. Depois nos mostrou apenas voz e baixo. Na hora, eu disse: ‘Chaene, que música linda! Parece que você está falando da minha mãe’. Porque é uma história muito parecida. Minha mãe também é trabalhadora doméstica até hoje. E o mais louco é que depois fomos ver os comentários no YouTube e várias pessoas falando sobre isso: ‘parece que você está falando sobre a história da minha vida’. Concluímos que é a história de vida da maioria das mães no Brasil. Muitas pessoas se identificaram muito com essa música. Mas foi muito simples, a música mais simples de se fazer na banda. Porque o Chaene já veio com ela pronto. Queríamos apenas voz e violão, mas o Rafa sugeriu de entrar guitarra e bateria também. É uma letra muito forte, embora seja uma bela melodia, é uma letra que fala sobre racismo estrutural, está falando da história da mãe dele. Ela trabalha há anos e tem mais tempo para cuidar da família do que da própria família. É uma das letras mais pesadas do álbum. Aliás, é uma música que abriu mais portas, começou a tocar nas rádios. Antes de lançarmos, em maio, antes do Dia das Mães, as principais rádios do Brasil já tocavam. Novos fãs vieram desta música. O Black Pantera tem na sua base a sonoridade punk e hardcore, mas com alguns elementos de metal também. Na sua opinião, por que não existe tanta representatividade negra nessas bandas no Brasil?  Estávamos conversando outro dia com o Clemente, ele foi um dos precursores do punk rock no Brasil. E ele é um cara negro, certo? O Cólera também, o Redson era um vocalista negro. Então, no meio do underground, você acaba encontrando diversas bandas por lá. Acho que não sabemos, por exemplo, como o Black Pantera conseguiu emergir para festivais maiores. Nesses eventos você realmente não vê isso. Em shows, por exemplo, a gente escuta o pessoal falando que não se vê representado nas bandas de rock. A partir disso, eles migram para o rap, por exemplo. O rap é um negócio que parece conversar mais com as pessoas, algo mais popular, menos elitista. Já faz algum tempo que o rock não estava mais abraçando essas pessoas, não se sentiam representadas nas letras. E aí a gente recebe essa história de muita gente falando que até tocou, tinha banda, mas as pessoas não ligavam para tocar, não pareciam ter muito interesse. Rock é caro, se você pensar bem é elitista. Para nós foi muito difícil comprar instrumentos. Gravar é caro, depois de gravar tem que distribuir, e aí os shows não pagam bem. Acho que é por isso que às vezes não há muito. Se pensarmos que a origem do rock é negra e os verdadeiros reis do gênero são negros, como Chuck Berry e Little Richard… É isso, bandas no underground são várias, sabe? Sempre trocamos ideias com o povo de São Paulo, sempre tem